Soneto do amor nascente

Após muito ser ruminada pelas proezas de Morfeu,

Aprisionada num pesadelo, numa pintura de Dalí,

No pior dos pesadelos me encontro eu,

Ao acordar e ver que você não está ali.

Minha alma aflita para todo canto olha.

Pior que a saudade pungente a me assediar,

É a que o canto do meu olho molha:

Saber que você nunca esteve lá.

“Que inquietação é essa no meu peito?”

A pergunta que escorre dos cílios para a bochecha,

Só pode ser respondida pelo seu silêncio no meu leito.

Descobri que me roubaram o coração de concreto.

Se desejar fazê-lo, que seja,

Roube-o de peito aberto.

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