Notas iniciais
Agradecimentos aos leitores que continuam me acompanhando
Constantin,LucyTheAngel,Waldorf SaN, e aos futuros leitores!
Aerys Silentread fiquei muito encantada com sua recomendação, obrigada de coração! Espero não decepcionar.

Dean Winchester não perdeu tempo, quando percebeu que seu irmão não o respondia. Atirou-se contra a porta do banheiro, sentiu a dor no ombro lancinante, mas não se importou e preparou-se para uma nova investida e desta feita a porta escancarou-se.

Ele não soube como definir o que via, engoliu em seco o terror que lhe assombrou momentaneamente. Uma sombra gigantesca havia tomado conta do lugar, não havia como disparar contra aquilo que aos poucos começava a dissipar-se. As paredes do banheiro não pareciam às mesmas, era como estar no mesmo lugar, porém com aspecto abandonado de muitos e muitos anos. Chamou pelo irmão em meio aquele nevoeiro negro. Nada. Nem um suspiro. Dean começou a sentir as mãos umedecerem, estava abafado, quente e o ar estava insuportável, suas narinas ardiam em contato com algum produto químico, talvez. O loiro não entendia como, mas tinha a nítida impressão de ter andado uns bons metros e quando deu de si, estava parado no mesmo lugar onde arrebentara a porta e viu seu irmão caído, nu no canto do banheiro. O sangue era visto sendo levado pela água do chuveiro até o ralo. O mais velho rapidamente cobriu o irmão com a toalha e o carregou até o quarto. As fisgadas no ombro quase o fizeram perder o equilíbrio, porém manteve-se firme e depositou o corpo do jovem sobre a cama. Procurou pelo ferimento, encontrando um corte profundo nas costas do jovem, o responsável pela perda de sangue. O loiro com extrema agilidade virou o moreno de bruços, pegou uma garrafa de vodka e despejou na ferida, correu até a mochila e pegou linha e agulha. Demorou muito mais do que esperava, seu braço estava incomodando e seus movimentos estavam trêmulos. Tomou um gole da vodka no próprio gargalo e começou a suturar a pele do irmão.

Após ter realizado o procedimento, Dean tentou despertar o moreno que continuava sem mostrar sinais de reanimação. Mas nada fazia o jovem voltar do mundo ao qual ele se encontrava. Dean tentava entender que tipo de criatura esteve ali, ou se era uma ilusão. Voltou ao banheiro, nada havia. Nem sinal da sombra percebeu apenas que o banheiro não era comprido e tampouco grande para poder andar como fizera há instantes atrás.

— Maravilha! Agora estou tendo alucinações? — Ele suspirou e voltou para junto do irmão ainda adormecido.

Três horas de longa espera e agonias estavam esculpidas no rosto do mais velho, sentado perto da cama com as mãos cruzadas apoiando o queixo, atento aos movimentos que o jovem Winchester começava a demonstrar.

— De....Dean? — O murmúrio foi um bálsamo para o rapaz que se levantou e apoiou sua mão nas do irmão semi-acordado.

— Olá, bela adormecida! — Dean sorria e naquele momento não se demonstrava nenhum resquício de medo ou preocupação em seu semblante. Era incrível como o loiro controlava seus sentimentos.

— O que houve? — Sam levantou o corpo de encontro aos travesseiros que o mais velho colocava em suas costas.

— Esperava que você me contasse. Encontrei-o caído no banheiro com um corte profundo em suas costas. O que houve lá dentro Sammy? — O loiro sentou-se na cadeira deixando seu corpo mais relaxado, precisava disso.

O moreno pareceu inspirar mais lentamente, fechou os olhos como se daquilo dependesse sua concentração, a lembrança esquecida em algum ponto sombrio de sua mente. E como se um raio o tivesse atingido, sobressaltou-se assustando o mais velho.

— Dean, eu vi o papai! — Sam disparou de forma violenta, que imediatamente sentiu a dor em suas costas.

O loiro permaneceu imóvel, não teve reação alguma. Nem mesmo quando Sam gemeu pelo esforço que havia feito a poucos momentos. O moreno percebeu a palidez do irmão mais velho e preocupou-se com seu estado emocional. Desde que John morrera misteriosamente, o loiro não havia falado no pai. Ambos sofriam calados. Só que Sam não imaginava o fardo que seu irmão estava levando consigo. As palavras do pai antes se sua morte não o deixava um só instante em paz. Dean estava sempre de guarda para proteger Sam.

“Dean, não posso dizer muita coisa. Mas você precisa salvar seu irmão, ou você terá que... Ou você terá que... matá-lo, filho.” **

O loiro estava ali parado, no entanto parecia lutar ferozmente contra algo muito maior, e Sam percebendo franziu a testa e tentou trazer o irmão de volta a realidade.

— Dean? Cara, você está me assustando... Fala alguma coisa! — Sam elevou a voz, conseguindo despertar o irmão daquele transe inexplicável.

— Você viu... O pai? Como? — O loiro voltou a sentar.

— Não sei explicar, tive uma visão... Não! Era mais que isso, era como se por alguns momentos eu estivesse em outro lugar, o pai estava... — O moreno arrependeu-se de continuar, sabia que Dean era muito apegado ao pai. E por mais que eles quisessem acreditar em uma morte natural, os irmãos guardavam para si seus questionamentos, seus pensamentos nefastos do que realmente havia acontecido com John.

— Pelo amor de Deus Sam! Desembucha! — Era evidente o quanto o loiro tentava manter o controle sobre suas emoções.

— Eu vi o pai no inferno, Dean.

Aquela afirmação tirou o chão do loiro, no fundo ele sabia. Sabia que seu pai havia vendido sua alma e entregue a colt pela vida do primogênito. Mas não queria acreditar, não queria admitir essa dura realidade. Como continuar vivo? Sabendo que agora está respirando o ar puro enquanto a alma do seu pai segue sendo dilacerada no inferno? Dean sentia a situação começar a sair de seu controle, sentia medo pelas visões do irmão. Temia perdê-lo também. Ao menos uma coisa era certa, ele jamais mataria seu Sammy. Jamais!

— Tem certeza? — Ele sabia que sim, mas resolveu perguntar.

— Droga, Dean. O que está me acontecendo? Essas visões... Os planos que o desgraçado do demônio de olho amarelo tinha para mim e os outros como eu? Você mesmo esteve no inferno deve ter sentido alguma presença maligna quando arrombou a porta do banheiro.

Sim o loiro lembrava-se de cada detalhe, mas mesmo todas as torturas não eram comparadas as lembranças de como fora parar nas mãos de seu carrasco Alastair. Resolveu omitir detalhes dessas terríveis lembranças.

— Sam, já falamos sobre isso. Não vamos voltar a apertar a mesma tecla. O pai agiu daquela forma, pois tinha uma visão errada do amor que sentia por nós... Por você.

— Eu sei, é difícil aceitar. Quando fui para Stanford e ele armou aquele seqüestro seu... Só para me trazer de volta aos “negócios da família” tive ímpetos de trucidá-lo. Cara eu não sei o que faria se aquele anjo não tivesse aparecido para te salvar...

— Chega Sam! Para tudo! Vamos embora desse lugar. Vamos esquecer o que ouve, pelo menos por enquanto. Eu te peço irmão, vamos dar um tempo. Sair de circulação por alguns dias. E...

— Sinto muito, mas não dá! Olha só para mim? Sou uma aberração que vê coisas, e elas acontecem! Eu vi você em perigo lembra? Preciso saber o que está acontecendo. Você está comigo ou está fora? — Sam estava determinado, não haveria como fazê-lo mudar de ideia. Não restou alternativa, o loiro apenas assentiu.

— Tudo bem Sammy. Tudo bem. — Dean deixou os ombros caírem, estava exausto. Cansado pela suas lutas interiores, queria contar tudo ao irmão. Compartilhar suas preocupações. Mas havia prometido que iria cuidar dele até o fim.

A entidade escondida assistia deliciada aos problemas que os irmãos carregavam, os planos estavam dando certo. Os irmãos não agüentariam tanta pressão e seria esse o momento de agir e reaproximar-se daquele que governaria o reino do inferno.

Notas finais
** Então pessoal nessa fic abordei trechos de outras fanfictions que fiz. Como não quero forçar ninguém a ler as outras coloquei alguns pedaços apenas para dar uma esclarecida e não perderem o foco dessa atual História. Mas para aqueles que quiserem dar uma passadinha lá nas minhas Histórias seria essa cronologia:
1 - http://fanfiction.com.br/historia/190393/O_Erro_de_John_Winchester
2 - http://fanfiction.com.br/historia/238686/Estigmas_Das_Trevas
3 - http://fanfiction.com.br/historia/285001/Soneto_Da_Morte
Mas essa história tem como foco principal o caso em que eles estão investigando, apenas com elementos das anteriores para não perderem os acontecimentos.