Somos um só
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma daquelas noites de inverno em que a neve toma conta de tudo. As torres do castelo estavam encobertas por gelo; as ruas, soterradas. Mas Elsa não se incomodava com isso. Na verdade, ela até gostava. Ela sentia como se fosse parte dela, apesar de ter sido isolada do mundo lá fora em seu quarto por causa de seus poderes. Ela gostava da neve até lembrar-se do dia em que machucara sua irmã; do dia em que o medo de machucar qualquer um, até mesmo seus pais, nascera.
A menina, que estava sentada no parapeito interno da janela de seu quarto, desce e fecha a cortina. Seus olhos estavam embaçando novamente; Sentia falta de quando brincava na neve com sua irmã Anna.
Deitou-se na cama e fechou os olhos. Pedia silenciosamente à lua respostas, o que ela era, por que a lua escolhera fazê-la um monstro.
Estava quase pegando no sono quando ouvira estalos em sua janela. Estalos... como se algo estivesse batendo na janela. Talvez sejam apenas os galhos da árvore batendo no vidro, Elsa pensou. Os estalos ficaram mais fortes, e de repente a janela se abriu. Elsa protegera o rosto contra a tempestade que entrava, chegou até a janela e a fechara. As cortinas pararam de balançar.
Elsa deitou-se novamente na cama, e os estalos recomeçaram. Lembrou-se então das histórias que sua mãe sempre lhe contava: Jack Frost, um espírito da neve, às vezes parava o seu trabalho por um instante e pregava peças em algumas pessoas. É, deve ser Jack. Elsa pensara com sarcasmo. Ele vai entrar aqui e jogar em mim várias bolas de neve, e depois ir embora. Quem me dera se ele realmente existisse – talvez eu pudesse compreender melhor por que sou assim, seria muito mais fácil se eu soubesse que existem pessoas como eu lá fora.
Elsa virou para o lado e tentara dormir novamente. A janela se abriu e com ela mais tempestade entrara. A menina começou a se irritar.
– Muito bem, o que quer que seja que está fazendo isso, não tem graça nenhuma! – ela fechou a janela com tanta força que chegara a bater. Percebera como foi estúpido gritar isso – afinal, estava sozinha. A janela abrira novamente. Elsa ficara tão irritada que resolveu congelar as trincas de sua janela, para que não abrisse novamente.
– Ah, assim não tem graça. – Um rapaz alto, com um cajado de madeira nas mãos e de cabelos brancos aparecera no canto de seu quarto e dissera com um sorriso travesso no rosto. Elsa contera um grito. O rapaz franziu a testa.
– Quem é você? – Elsa perguntara, mesmo sabendo a resposta. O rapaz se assustou então. Apenas com o movimento dos lábios, sem utilizar a voz, ele perguntara: você pode me ver?
A garota, boquiaberta, afirmou com a cabeça. O rapaz sorrira aliviado.
– Meu nome é Jack Frost. E você é...?
– Elsa. De Arendelle...
– Hum... Então, Elsa. Acabei me perdendo em uma de minhas próprias tempestades e vim parar aqui.
– Em Arendelle. Jack Frost. Aqui. – Elsa não podia acreditar. A solução de seus problemas estava parada em sua frente!
– Então, criança. Por que está me encarando? – o rapaz estava agitando seu cajado de madeira, e pequenos flocos de neve caíram.
– Você... Eu também posso... Nós somos iguais! – Elsa estava agitada. Desde pequena queria encontrar alguém como ela – apesar de ainda ter doze anos. Jack tinha uma expressão no rosto de quem não entende nada, então Elsa entrelaçara suas duas mãos e, num movimento de espiral, criou um floco de neve perfeito.
– Como você... – Jack começara a indagar, e então olhou para cima – além do teto, como se fosse para a lua – e a expressão de confusão se transformara em ira. Ele não podia acreditar que a lua fizera mais uma vítima da imortalidade.
– O que você está olhando? – a menina perguntara. Ele não respondeu. – Jack?
– Elsa... – Jack começara a falar, mas Elsa ouviu batidas em sua porta e a voz de sua mãe perguntando com quem ela falava. Ele começara a se mover, como se fosse para ir embora. Elsa segurara seu braço, pedindo para que a ajudasse a controlar os seus poderes e suas emoções. Jack começara a se sentir responsável pela garota – era a escolhida da lua. Ele só não entendia como ela tinha sido a escolhida sendo tão nova. – Eu vou voltar amanhã.
A porta do quarto abrira, e num piscar de olhos, Jack Frost havia sumido.
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