Somos um caso perdido.

9 Uma viajem muito longa.


Notas iniciais
ooooi. Gente, eu fui A-R-R-A-S-T-A-D-A pra uma viajem maldita pro fim do mundo e não tem wi-fi nos quartos, então, cá estou eu, sentada no chão da RECEPÇÃO do hotel, pra poder postar esse capítulo divoso pra vocês. :3 isso é a prova de amor mais sincera do mundo.

3 anos antes

Estava noite estava escura, a chuva caía em meu cabelo e ele grudava no rosto, a neblina atrapalhava minha visão, estava correndo o máximo que podia, eles não podiam chegar antes de mim. Estava quase chegando quando vi vários carros pretos passando por mim e me forcei a correr mais. O que eu tinha feito? Como pude ser tão tolo? Os carros viraram no cruzamento em direção a minha casa. Minha família estava em apuros, e a culpa era toda minha. Senti meu coração acelerar no peito, minhas pernas doíam e meus pulmões exigiam ar, mas não parei de correr. Cheguei em minha rua e vi os carros parados em frente minha casa, barulho de tiros, um, dos, três, pensei, um pra cada um deles. Não podia ser verdade, isso não podia estar acontecendo. Vizinhos curiosos saiam de suas casas para ver de onde vinham os tiros, com o medo estampado nos rostos. Eu me escondi, pois se me pegassem eu teria o mesmo destino. 3 tiros, meu irmão não estava em casa, não sabia de nada. Não sabia que nossos pais e nossa irmãzinha estavam caídos no chão, com uma bala na testa. Tentava não imaginar a cena que veria ao passar pela porta, mas era inevitável. Os carros saíram e eu corri para a porta de casa, os vizinhos me olhavam com pena, mas não me importei com isso, não queria a pena deles, não merecia a pena deles, tudo isso era culpa minha. Empurrei a porta com a ponta dos pés, pois ela já estava aberta, e entrei hesitante. Tudo estava no lugar, menos as portas, estavam todas abertas. Fui ao quarto dos meus pais, com lágrimas nos olhos, tentando me preparar psicologicamente para o que veria lá dentro, mas não tem como se preparar para essas coisas. Entrei e os vi: meu pai estava deitado de barriga para baixo na cama, como se ainda estivesse dormindo, minha mãe estava ao seu lado, mas estava virada de barriga para o lado, com o braço jogado em cima de meu pai e seu corpo estava torto, como se ela estivesse tentando abraça-lo. Mas o mais difícil de olhar foi o corpo de minha irmã, que estava caído no chão perto da porta do banheiro, ela estava de pijama cor de rosa, com estampa de corações, ela tinha o cabelo loiro como o de minha mãe e era todo enrolado em cachos perfeitos, os olhos azuis me encaravam com muito medo, e percebi que ela ainda estava viva.

–não! – gritei e fui até ela, a bala tinha atingido seu abdômen, não conseguia entender como alguém conseguiria matar uma coisinha indefesa como aquela. – Andy, não vá, fique aqui, fique comigo, vai ficar tudo bem.

–Damien... não precisa mentir pra mim. – ela disse. – eu vou morrer, sei disso. – a voz dela estava fraca, mas ainda era melódica. Sempre amei a voz de Andy, sempre a amei mais que meu irmão e meus pais, sempre fomos muito amigos. Eles não iriam tirar minha Andy de mim. – eu quero que me prometa uma coisa. – ela disse. – quero que prometa. – ela fez uma pausa e percebi que falar lhe custava muito.

– você não vai morrer, não vai! – eu disse, mais pra mim mesmo do que pra ela.

–me... Prometa, Damien. – ela disse, com a voz que já era quase um sussurro. – me prometa que vai seguir em frente, me prometa que vai arranjar alguém que te ame quase tanto quanto eu amei. – ela disse. Andy era jovem, mas muito inteligente, era impossível mentir pra ela.

–eu prometo, mas você ainda vai estar aqui para ver isso. Não vou te perder, não vou.

–Damien, eu sei que sou nova e que aparento não entender das coisas, mas já li livros suficientes pra saber que quando a dor se vai, a morte está próxima, e eu não sinto mais a dor. Eu te amo, dam. Cuide de Hera pra mim, ela vai sentir minha falta. – senti as lagrimas correndo pelo meu rosto. Ela estava colocando hera em minhas mãos, hera era a criatura que ela mais amava na vida, sua cadelinha, ou sua filha, como ela dizia. Pressionava a mão sobre o ferimento para estancar o sangue. Corri ao banheiro e peguei toalhas para me ajudar, pressionei o ferimento tentando desesperadamente salvar a vida da minha pequena irmã. – diga a Brandon que eu disse adeus, e que eu o amo. – ela fechou os olhos, mas logo os abriu de novo. – eu vejo a mamãe, ela está me chamando. Disse que lá é lindo e pediu para que te dissesse que te ama, disse que papai também te ama, e que eles não te culpam e que não é pra você se culpar. Mas, se culpar por que, dam? – comecei a chorar desesperadamente.

–me perdoe Andy.

–não chore irmão, eu te amo muito. – ela estendeu a mãozinha pálida e fraca até meu rosto e enxugou minhas lágrimas. – te ver chorando me causa aflição. Mamãe disse que eu tenho que ir, e eu quero ir, você vai ficar bem? – assenti com a cabeça. – estou ficando com sono, acho que vou dormir, quero que saiba que eu não estou mais sentindo dor. – disse e eu comecei a chorar mais ainda. – me deite em seu colo, quero sentir de novo como é o abraço do meu irmão, quero me lembrar de você assim. – ela disse.

–Andy, eu te amo muito. – disse chorando. Peguei-a no colo e a embalei. – não me deixe, por favor.

–está ficando louco? Eu não vou te deixar, nunca, eu vou estar sempre com você. – eu não disse nada. – eu estava com medo, não de morrer, mas de morrer sozinha. Eu não tenho medo da morte, ela é só mais uma aventura, mais um desafio que eu estou enfrentando. Irmão, você foi minha companhia em vários momentos importantes na minha vida, estou feliz que também seja minha companhia no momento da minha morte. – beijei sua testa e afaguei seus cabelos. Seus olhos se fecharam e eu percebi que seu peito não se mexia mais. Ela havia partido.

–não! – gritei enfurecido. – volte pra mim Andy, volte! – a balançava e gritava, mas não havia reação.

Dias atuais.

– que quarto é esse? – keyla perguntou quando chegamos ao corredor do segundo andar. – todo cor de rosa, aposto que é o seu. – ela disse com gozação. Entramos no quarto de Andy e meu peito doeu. Eu sempre vinha aqui, sentia seu perfume, olhava seus ursos, deitava em sua cama e olhava suas fotos. Andy amava tirar fotos, tirava foto de tudo e depois mandava imprimi-las para que pudesse prega-las em seu mural. ‘’ – tudo aqui tem um significado pra mim, nada pode sair da ordem’’ ela dizia. ‘’ – como, por exemplo, essas daqui. – disse apontando para três fotos: uma era o um casulo fechado, a segunda era um casulo rachado e a ultima, uma borboleta. – eu, agora, estou em um casulo, mas quando sair serei uma bela borboleta. Eu serei livre para voar para onde eu quiser, mas tudo tem um limite de tempo. – ela disse apontando para uma quarta foto, uma que não tinha percebido antes, na qual mostrava a mesma borboleta da foto anterior, mas ela estava morta no chão. – a encontrei morta dois dias depois. A morte chega mais cedo para alguns, não é? – ela perguntou. – espero que eu possa viver por muito tempo depois que virar uma borboleta. ‘’

– é o quarto de Andy. – eu disse. – essa é ela. – apontei para uma das fotos no mural, aonde ela estava em cima de um galho de arvore e a luz do sol batia em seus cabelos loiros, o azul do céu destacava seus olhos e seus lábios estavam vermelhos.

–ela é linda. – disse keyla. – quem tirou a foto?

–eu. – eu disse. – tiramos essa foto em uma viajem que fizemos uma vez, ela estava tão linda que tive que tirar uma foto.

–parece que você gosta muito dela, seus olhos estão brilhando. – ela disse sorrindo.

–olha essa, é Hera, a cadelinha de Andy. Ainda está viva, fica de guarda no quintal durante a noite.

–meu Deus, esse é o maior pastor alemão que eu já vi! Posso vê-lo de perto?

–claro, Hera é muito dócil. Compramos ela quando Andy começou a andar, então eram muito apegadas. Andy se apoiava nela e elas saiam andando pela casa. Quando Andy aprendeu a ler, aos 5 anos, ela lia historinhas para Hera, e assim ela aperfeiçoou a leitura. Hera também ensinou-a a nadar. Andy se pendurava no pescoço de Hera e ela saia nadando pela piscina.

–nossa, aparentemente o cachorro teve mais participação na vida da sua irmã do que seus pais. – ela disse e eu ri um pouco, mas depois fiquei sério, quase nostálgico.

–sinto falta dela. – disse sem pensar.

–oh, Damien. – keyla se aproximou e me abraçou. – logo ela estará de volta, está apenas em uma viajem. – eu bem queria que fosse assim.

–eu sei, mas é uma viajem muito longa.

Notas finais
gente, eu sei, sou uma pessoa horrivel. eu chorei, isso mesmo, CHOREI, escrevendo esse capítulo. :'( queria escrever mais com a andy, então em vários capítulos eu vou colocar partes do passado dos dois, como lembranças dele. :'( ainda estou pensando em traze-la de volta, mas ficaria muito estranho. Não sei...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.