Somos mais parecidos do que parece.
7 Capítulo 6.
Notas iniciais
Pov. Niklaus
Hayley só pode estar querendo testar a paciência que eu não tenho! Como ela ousa dizer que eu não tenho feito nada sobre o que está acontecendo? Ela está tirando conclusões precipitadas, da mesma forma que Elijah tirou ao pensar que eu usaria o sangue de meu filho para fazer um exército híbrido. Eu nem sequer sabia que a criança poderia fazer isso.
Viro a esquina e entro no bar e olho em volta a procura de Cami. Sei que não está sendo nada fácil para ela desde que as bruxas lançaram um feitiço em seu tio, e ela diz ter descoberto um modo de desconfigurar esse feitiço, porém eu acho que não vai dar certo, bom, vamos ver o que ela ter a dizer...
– A Cami ainda não chegou? – Pergunto a uma garçonete que está limpando o balcão.
– Desculpe o atraso. – Ouço a voz da própria Cami atrás de mim antes mesmo da garçonete dizer uma palavra.
– E então, vamos? – Pergunto após me virar para ela.
– Sim, claro. – Ela diz e sai do bar e eu a sigo.
– Como ele está? – Eu pergunto depois de alguns minutos silenciosos de caminhada.
– Trancado. A compulsão está aumentando. – Ela diz. Pobre padre, alguns não tem sorte na vida...
– Sinto muito. – Digo e seguimos o resto do cominho até a igreja em silêncio.
Chegamos a igreja e vamos para o subsolo. Cami para ao lado da porta onde Davina ficava e a abre.
Diferente de quando Davina estava aqui o quarto está uma bagunça. Lençóis revirados, objetos quebrados e travesseiros rasgados. O padre estava sentado em uma cadeira e a sua expressão era de ódio.
– Com licença. – Diz um rapaz atrás de min e eu me afasto para o lado enquanto ele passa com uma espécie de maca, e Cami explica para ele corretamente aonde colocar.
Demora algum tempo até eu perceber o motivo de essa maca ser diferente, é uma máquina de choque. Ela quer dar choque cerebral nele.
– Cami, não tenho certeza se isso realmente vai ajudar. – Eu digo para ela.
– Vai. O tratamento de eletrochoque leva ondas de energia até o cérebro. Se eu conseguir reconfigurar o cérebro dele ele vai se ver livre do feitiço. – Ela diz.
– Tratamento eletrochoque? Isso é praticamente tortura Cami. – Eu digo.
– Mas é a minha última chance. – Ela diz e se vira para min e eu vejo dor no fundo de seus olhos. Resolvo não falar mais nada pois ela já está decidida a fazer isso.
Fico no canto do quarto enquanto ela começa com essa loucura. Enquanto ele recebe seus choques e dá gritos de dor e agonia eu acabo de lembrando de meu pai.
Das surras, dos castigos, das palavras... De tudo...
Saio da sala não aguentando mais ver aquilo, ou então eu iria acabar com essa ideia maluca de Cami. Ando de um lado para o outro do lado de fora da igreja e penso em ligar para Elijah ver se Hayley ainda está lá.
Ando de um lado para o outro do lado de fora tentando me distrair dos gritos. Depois de algum tempo percebo que eles não param e resolvo intervir. Eles vão acabar matando o homem...
– Cami, pare com isso. – Você vai mata-lo. – Digo assim que retorno para a sala. Ela olha para o tio e depois para mim e percebe que estou certo. E então fala para o médico parar e o e tenho certeza de que o corpo do padre só não cai para frente por que a cadeira tem amarras.
– Me ajude a colocá-lo na cama. – Ela diz enquanto desamarra e eu o seguro para que ele não caia para frente.
– Talvez esteja funcionado. Ele não está atacando. – Ela diz.
– Ele apenas está fraco. – Eu digo e ela me olha como se sentisse medo do que está por acontecer então não falo mais nada.
Ajudo-a a colocar o seu tio deitado na cama e vejo que ele parece fraco, fraco até demais.
– Teste os batimentos cardíacos dele. – Eu digo e Cami e o médico olham para mim.
– Faça o que eu disse. – Digo para o médico e ele faz o que eu mando.
– Está bastante irregular. – Ele diz ficando vermelho e começando a sua. Ora essa, o padre está correndo risco de morte e o médico que passa mal....
– Mas como? – Pergunta Cami.
– O corpo não está acostumado com isso. Eu avisei que era perigoso. – Ele diz enquanto faz uma massagem cardíaca no padre e os aparelhos apitam cada vez mais indicando que isso não está fazendo efeito.
– Saia! Saia do quarto. – Eu digo para o médico e ele me olha e então volta a fazer a massagem no médico.
O puxo pela manga da blusa e olho dentro de seus olhos para hipnotiza-lo.
– Você acordou e passou o dia em casa. Não vai se lembrar e nada. Vai embora. – Eu digo e ele vai sem falar nada.
– O que você vai fazer? – Cami pergunta de olhos arregalados.
– Tentar resolver a situação. – Eu digo e faço uma massagem em seu peito, mas nada muda.
– Klaus, por favor. – Ela diz e vejo lágrimas em seus olhos.
– Eu vou tentar. – Digo e volto a fazer a massagem. Mas ela de nada adianta. Começo a fazer com mais força e isso não ajuda em nada e então os seus batimentos cardíacos vão de altos para inexistentes.
Mordo o meu pulso e olho para Cami pedindo permissão, e a mesma acena com a cabeça. Coloco o pulso em sua boca e sinto um leve sugar. Depois de algum tempo tiro o pulso de seu braço e o limpo.
– O que acontece agora? – Ela pergunta.
– Ele acorda. Mas sentira sede. Daí para frente tudo depende dele. – Eu digo.
– Eu preciso desta despedida. – Ela diz. Como eu pensei, ele não iria matar...
– Está bem. Ele deve acordar a daqui a duas horas. – Eu digo. – Tenho que ir. – Falo me lembrando de Hayley e o seu julgamento.
– Você não pode ficar mais um pouco? – Ela pede e eu não tenho como negar, pois a sua dor é palpável.
– Está bem. – Eu digo.
*********
– E então está preparado para ser papai? – Cami pergunta tentando amenizar o clima.
– Cami! – Ouvimos a voz do padre e Cami levanta quase que correndo mas eu a seguro.
– Não sabemos se o feitiço ainda está funcionando. – Eu digo.
– Tio? – Pergunta Cami.
– Sim? – O padre pergunta e não tem a mesma expressão assassina que estava quando eu cheguei.
Cami corre até ele e o abraça e ele faz o mesmo.
– Me desculpe. Tinha de ser feito. – Ela diz.
– Você sabe que eu não vou terminar isso. – Ele diz e ela assente.
– Klaus se não se importar gostaria de um momento a sós com meu tio. – Ela diz e eu não me movo. – Pode ir, está tudo bem. Por favor. – Ela diz e eu saio.
Ando até o lado de fora da igreja e decido ligar para o celular de Hayley. Digito o número e o telefone dá desligado. Droga, ela não tocou nesse celular desde que eu a levei para a minha casa...
Ouço um grito de Cami e entro na igreja correndo. Vejo o padre a atacando e a jogando contra os vários bancos, corro até ele e torço o pescoço dele. Olho para Cami pedindo desculpas, pois não tinha mais como evitar essa situação.
– Eu sei. – Ela diz e se levanta devagar pois está um tanto machucada.
– Eu sinto muito pelo seu tio. – Eu digo e vejo seus olhos com lágrimas.
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