Somos Todos Crianças

1 Além do arco-íris


Notas iniciais
Primeira história postada aqui no Nyah! Mas já havia escrito alguns capítulos mas nunca mostrei a ninguém! Espero que gostem! :)

Moro na pequena cidade de Yellowsville. Aqui tudo passa devagar... Todas as pessoas parecem andar pelas calçadas sem se importar com o tempo. As mães não precisam vigiar seus filhos pois eles sabem o caminho de casa e nenhum carro passa nas ruas de paralelepípedo com belíssimos canteiros de orquídeas rosas e amarelas. Nem parece que vivemos no século XXI. Fui criada numa casa simples com estilo alemão, onde toda a minha família se reúne aos domingos para discutir sobre os mais diversos assuntos: quem casou com quem, quem começou a estudar, quem está de mudança... E eu sempre estive quietinha no meu canto com minha boneca de pano feita pela minha avó, ouvindo todas as conversas:

– Não, Roberto. Quem ganhou a competição de melhor corredor foi Leonardo, filho de Lúcia. Não se lembra da vez que ele veio até aqui em casa entregar os convites para a IV Corrida De Meninos De Yellowsville? — perguntava minha tia.

– Ah, É verdade. Tanto que Dona Lúcia fez um almoço de comemoração na casa dela.

Sempre fui apaixonada por pintar e desenhar. Não havia nada naquela cidade que eu ainda não teria pintado. Exceto por uma coisa: o balanço no topo da montanha mais alta de Yellowsville. Todas as noites, antes de dormir, minha mãe me contava histórias sobre aquele balanço. Falava que poucas pessoas conseguiam chegar no topo pois era muito inclinado e as crianças cansavam rapidamente. Mas quem conseguia, tinha vontade de viver ali para sempre, principalmente quando o sol raiava após dias incessantes de chuva: o arco-íris formado pelas cores que invadem as gotículas de água e se transformam em luzes das mais diversas tonalidades encantavam...

E entre tantos assuntos, eu me perdia. Sempre ouvi casos e feitos de outros, contudo o que eu representava naquele pacato lugar onde podia-se ouvir o vento passar entre as colinas ao redor de tão silenciosa? Lembro muito bem que foi numa tarde de pensamentos fechados e sem visão futura que eu resolvi andar pelas montanhas sozinha. Levei uma garrafa de água, peguei um chapéu, meus lápis de cor, meu caderno e parti. “Finalmente estou desbravando o mundo“, pensava eu no auge dos meus 9 anos de idade. O engraçado é que quando vemos fotos de lugares inclinados pensamos que é bem fácil para subir e que aquela ideia de faltar de ar é frescura das pessoas... Até que você começa a andar. Confesso: pensei em desistir e voltar para o braços da mamãe e pedir biscoitos de chocolate quentinhos com chá de hortelã que só ela sabia fazer. Mas não. Eu insistia em provar para meu próprio cérebro que era capaz. Acontece que os pulmões conversaram com o meu cérebro e falaram ao contrário, fazendo com que eu parasse no meio do caminho.

Sabe aquela história de não olhar para baixo num lugar alto? Não o faça. Sei que ao olhar parece que os seus pés não tocam o chão e até sente-se um pequeno enjoo, mas olhe para baixo. "Você já escalou tudo isso!“, pensava eu. A sensação de liberdade e felicidade que eu sentia naquele momento era imensurável. Ah, a inocência da infância! Como eu gostaria que ela continuasse... A alegria invadiu o meu corpo de tal forma, que minha garganta resolveu fazer o que era necessário: gritar. Um grito não de cansaço mas de aventura, de esperança e principalmente dela... De inocência. Entretanto, algo aconteceu que simplesmente acabou com minha vida... acabou com a alegria... Algo que eu desejava nunca ter visto... ou ouvido...

Notas finais
XD