Somos Todos Crianças

3 Desaparecimento? Mesmo?


Notas iniciais
Nossa gente, desculpa a demora '-' Sério mesmo. Sei o quanto é chato quando você está acompanhando uma fanfic e o autor para de escrever do nada sem dar explicações. O meu motivo é pq estou no final das minhas férias e estou saindo direto. Perdoem-me. De qualquer jeito, vou recompensá-los. Escreverei um capítulo enooooooooooorme hoje e amanhã! o/

Leiam e fiquem intrigados...

Tudo ficou em extremo silêncio. Não consegui ouvir mais nada que eu costumava ouvir enquanto a casa estava vazia... Geralmente eu conseguia escutar os pequenos pardais cantarolarem em minha janela, os enormes pinheiros e carvalhos ao redor da cidade balançando ao vento e até mesmo o som da chuva tintilando na rua de paralelepípedos. Mas agora meus pensamentos estavam vazios, sem rumo, sem direção. "O que foi que eu fiz?" — perguntava a mim mesma... "Eu apenas queria desenhar o balanço. Não me lembro de estar em nenhum lugar errado." De repente, ouvi uma barulho vindo da sala... Achei que deveria ser meu tio Ryan, já que a voz dele era a mais rouca da minha família, e o escutei dizer algo sobre como estava desesperado e que precisava de todos nós imediatamente.

Foi então que meu pai bateu à porta novamente:

- Filha, já está pronta? Seu tio está aqui e temos que ir agora!

- J.. já.. já vou pp...apai. — minha voz começou a falhar inacreditavelmente. Eu sabia que algo estava errado. Eu era apenas uma criança, não faria mal a ninguém. Minhas mãos trêmulas mal conseguiam dobrar o papel, mas com um esforço muito grande consegui e guardei-o na gaveta da minha escrivaninha.

Saí do quarto e fui direto para sala. Meu rosto permanecia pálido de susto e eu estava andando feita bêbada. Meu tio olhou para mim com um profundo olhar de tristeza e sofrimento. Afinal, Jack era seu único filho e o sonho dele era tornar-se professor da faculdade da cidade, o mesmo caminho que o meu tio tomara.

- Filha, você está bem? Quer um copo d'água? — perguntou meu pai e seu instinto protetor.

- Coitada. Deve estar abalada por causa de Jack também, não é querida? — indagou meu tio com sua voz mais rouca do que o comum.

- Si.. sim tio Ryan! Só quero que tudo isso passe logo. — Mal eles sabiam que eu não falava somente do meu primo.

- Então vamos logo! Não podemos demorar mais do que já demoramos!

Saímos de casa e fomos para a garagem. Meu pai tinha o típico Fusca alemão que ele comprara quando se casou com minha mãe. Apesar de parecer antigo, o "azulão", como meu pai o chamava, socorreu nossa família diversas vezes. Entrei no carro juntamente com meu tio e fomos em silêncio absoluto para casa dele... Sabe, às vezes o silêncio nos faz pensar. Durante todo o trajeto eu lembrava do quanto Jack elogiava meus desenhos e que ele sempre me dizia para não parar de acreditar e que, se dependesse dele, uma das minhas pinturas já estaria pendurada no Museu do Louvre. "Viva a vida porque você nunca sabe se o colorido vai virar preto e branco", dizia ele. Ri baixinho dentro do carro enquanto meu tio soluçava. Por um segundo desviei meu olhar para o retrovisor do carro e vi o mesmo mendigo que não queria devolver meu livro e que me entregou aquela carta aterrorizante. Ele estava conversando com alguém que vestia um capuz preto e seus sapatos estavam sujos de algum líquido vermelho. De repente, o sem-teto apontou para o nosso carro e eu tirei os olhos. "Com mil tintas-guache, o que esse mendigo tem contra mim?", eu já ia perguntando a minha mente quem era aquela pessoa quando meu pai estacionou o carro.

- Chegamos. Vamos entrar porque Caroline está esperando. — Argumentou meu tio. Percebi o quão desanimada sua voz pareceu.

A chuva não havia parado desde o momento que eu desci da montanha então resolvi pegar o guarda-chuva reserva que minha mãe sempre deixava no carro. Desci do carro e entrei bem devagar na casa. Todos os meus parentes ali, reunidos, como em um Domingo festivo. A grande diferença é que não havia alegria, não havia gritaria, não havia conversa... apenas choro e silêncio. Nunca um dia chuvoso combinara tanto com a minha situação. Corri para os braços da minha mãe e a abracei como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo... e na verdade, ela era. Encheu minha cabeça de beijos e olhou para o meu machucado remendado pelo meu pai. Pela primeira vez deu um sorriso e perguntou se eu estava bem. Respondi que sim, segurei sua cintura e ela começou a falar com sua voz meiga e chorosa:

- Ryan, todos estamos aqui por um motivo. Sabemos que Jack... sumiu. Já chamei a polícia e eles estão procurando pela cidade nesse momento. O que todos precisamos saber é se você e Caroline sabem de alguma coisa ou se alguém queria o mal dele.

- O que você está dizendo, Ligia? Está chamando nosso filho, o seu sobrinho, de criminoso? — indagava tia Caroline com seu nariz pontudo vermelho.

- Acho que... o que minha esposa quis dizer é que precisamos reunir todos os dados e não descartar nenhuma possibilidade. Em nenhum momento falamos ou acusamos Jack. Todos nós apenas queremos que a paz volte a reinar em nosso meio. — meu pai retrucou e olhou para minha mãe dando uma piscadinha. Eles tinham essa capacidade. Quando um falava algo, o outro completava e seus argumentos pareciam um só... E ainda sobrava tempo para paquerarem mesmo nos tempos ruins.

Meus tios se olharam com temor do que iam nos contar... Parecia que uma bomba cairia naquela casa de tão grande era a tensão formada naquele instante.

- Bom... tem uma... coisa... — gaguejou minha tia.

- Então fale. É melhor sabermos a verdade logo! — Respondeu rapidamente minha mãe.

- Como todos vocês sabem, Jack estaria completando três meses de namoro hoje. Ele e Sara parecem que foram feitos um para o outro. Porém, nos últimos dias, Jack estava encontrando com uma pessoa que usava uma espécie de sobretudo preto...

- Tipo um capuz? — Perguntei repentinamente, o que fez com que toda família olhasse para mim. Eu como sempre, tive vergonha, e abracei ainda mais minha mãe que passou a acariciar meus cabelos.

- Isso Lara... Como se fosse um capuz. E há uns três dias, Sara veio jantar conosco e saiu com Jack para tomar um sorvete. Na volta, eu e Ryan vimos os dois discutindo sobre a tal pessoa. Ela parecia revoltada, mas Jack deu-lhe um beijo calmo e demorado e disse que tudo ficaria bem. Nós não entendemos e não perguntamos nada. Achávamos que era briguinha de casal. — Caroline deu um longo suspiro e tomou um gole do copo de água que estava na sua mão.

Tudo estava confuso na minha cabeça. Será que era a mesma pessoa? Será que eu também iria desaparecer?

No mesmo instante, ouviu-se o barulho da campainha e meu pai pediu para eu ir atender. Abri a porta e vi meu melhor amigo parado na minha frente. Ele estudou comigo desde o Jardim de Infância e desde então, nunca nos separamos. Ele era o típico menino engraçado e carismático que qualquer pessoa adoraria ter como amigo, mas que quase não fazia amizades. Tinha cabelos ruivos e olhos verdes-escuros que ficavam claros à luz do sol e era apaixonado por livros. Perdi a conta de quantas vezes ele veio comentar comigo sobre os livros que lia.

- Oi Lucas! O que você está fazendo aqui? Não deveria estar em casa? Aliás, temos um trabalho de Artes sobre impressionismo para próxima semana e...

- Lara! Você fala demais! — E deu aquele riso que damos quando queremos que algo que nós falamos não pareça tão sério (mesmo querendo dizer que aquilo era verdade). Eu não falava muito. Somente quando estava com Lucas.

- Desculpe. Só estou um pouco apavorada. Mas me diga, a que devo a sua visita? Pelo que eu saiba, nós marcamos de ir na biblioteca somente amanhã!

- Eu sei. Mas eu precisava falar com você! Fui até sua casa e nem você nem seus pais estavam lá, então vim aqui para casa do seu tio. De qualquer maneira, vou direto ao assunto. — Lucas parecia sério e fez uma longa pausa para continuar a falar. — Eu estava lendo um dos meus livros quando minha mãe me chamou para ir a cozinha. Desci as escadas e quando cheguei, ela estava com uma carta na mão endereçada a você. Sabe que eu não sou intrometido, porém não consegui controlar minha ansiedade e abri e li a carta...

- Céus, Lucas! Eu sei que você é meu amigo, mas isso não se faz. Quantas vezes...

- Deixe-me terminar? Então, eu li a carta e nela estava escrito "Viva a vida porque você nunca sabe se o colorido vai virar preto e branco". Não era isso que seu primo costumava dizer para você?

Estava pronta para responder Lucas quando a pessoa do capuz preto passou em frente a casa dos meu tios.

Notas finais
:O
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.