Somos Iguais

5 Não podia acreditar


Dezembro, 2013

— Eu e sua mãe vamos nos separar.

Aquelas palavras me atingiram de uma maneira arrebatadora. Eu não sabia o que dizer, era como se um buraco tivesse sido aberto no meu peito. Tudo bem que separações nos dias de hoje são normais, mas eu não estava preparada para aquilo. Mesmo que eles andassem brigando muito achei que fosse normal, as pessoas dizem que é normal casais discutirem, eu imaginei que fosse mesmo, aliás, mamãe sempre foi muito nervosa, porém dessa vez não era só isso, não podia me afastar do meu pai, era muito apegada a ele, as coisas sairiam do controle, não podia ser verdade.

— Por... Por que, pai? — perguntei, deixando as lágrimas escorrerem por meu rosto.

— Não está mais dando certo, filha, não está fazendo bem para nós dois, é melhor assim.

— E Bárbara e Maria? E eu? — indaguei soluçando.

— Vai ser melhor para vocês também.

— Não pai... — o choro se intensificou mais.

— Vai sim... Calma. — me abraçou. — Estou me separando de sua mãe, não de vocês. — acariciou meus cabelos. — Calma...

Algum tempo depois, eu consegui parar de chorar e fui tomar um banho, numa tentativa falha de organizar as ideias.

Mamãe chegou e nos chamou para conversar.

— Ele já conversou com vocês, não é? — indagou, sentando na cama.

— Sim. — Bárbara, que é a mais velha, respondeu e abaixei a cabeça.

— Vai ser melhor para vocês, e não vão se afastar dele, tudo bem? — nós assentimos e ela nos abraçou. — Amo vocês. — sussurrou.

— Que dia ele vai? — perguntei, sentindo meus olhos marejarem outra vez, porém segurei as lágrimas e me soltei de mamãe.

— Depois do Natal. — suspirei e ela se levantou, indo para o banheiro. Faltava menos de uma semana para o Natal.

(...)

Nós passamos o Natal na casa de nossa avó materna, alguns parentes de Belo Horizonte estavam lá e fomos visita-los. Eu ganhei alguns livros de presente e as meninas ganharam as coisas que queriam, como bolsas e acessórios e jogos. Contudo não foi uma data feliz, vovó não sabia e por isso não entendia o motivo da nossa tristeza, porém a cada momento eu me sentia pior, ainda não conseguia aceitar e pensava que a qualquer momento acordaria, percebendo que tudo não havia passado de um pesadelo, mas isso não aconteceu, não acordei até hoje, esse pesadelo está durando demais.

No dia 27 de dezembro eu estava na casa de vovó, brincando com minha prima e Maria, quando mamãe chegou do trabalho com Bárbara e foi nos buscar, elas pareciam mais tristes que antes e foram para o quarto para conversar com minha avó.

Eu, Tatá e Maria passamos pela porta do quarto enquanto decidíamos do que iríamos brincar e vimos mamãe abraçada com nossa vó, ela chorava. Minha prima me perguntou o motivo, eu disse que não sabia, tinha vergonha do que estava acontecendo e não queria contar a ninguém, só guardar para mim. Porém por um lado eu não sabia mesmo, minha mãe estava triste nos últimos dias, mas não chorava, então fiquei um pouco preocupada.

Mais tarde, naquele mesmo dia eu soube o que havia acontecido, depois de mamãe não nos deixar dormir na casa de nossa avó. Papai havia mesmo ido embora, não tinha mais nada dele em nossa casa.

Notas finais
Os capítulos ficarão maiores, prometo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.