Notas iniciais
Olá, olá, é um prazer conhecer todos vocês!
Não faço a menor ideia do que estou fazendo aqui, obviamente, mas tive vontade de postar algo que escrevi e achei interessante. Não sei se vou continuar com a fanfic, é apenas algo para passar o tempo mesmo, mas é bem divertido até :)

Somniabunt

por i n g e n i u m

[...]

1

O loiro caminhava por entre os corredores escuros do castelo na madrugada das três da manhã escondendo-se sempre perto de uma das inúmeras armaduras que haviam pelo lugar, dos monitores que passavam vigiando cada canto daquele lugar. Respirou fundo, voltando a seguir seu caminho até a biblioteca. Precisava chegar até ela e conseguir, de alguma forma, ir a seção restrita e pegar aquele maldito livro para sua pesquisa, pois não haviam muitas informações nos livros comuns de Hogwarts.

O garoto entrou na biblioteca a passos felinos, não fazendo um barulho sequer. Ele chegou à porta da seção restrita e averiguou o local. Trancou a porta de entrada da biblioteca com sutileza e ergueu a varinha escondida sob suas vestes escuras de Hogwarts.

'Abaffiato'

O feitiço fora lançado e ele se permitiu suspirar, tentando de todos os meios adentrar àquela porta. Quando não obteve sucesso, deu meia volta e viu uma porta suspeita, com a madeira de carvalho escuro velha e cheia de arranhões, ao lado da mesa principal da bibliotecária, Madame Pince.

O loiro quase correu até a porta e sussurrou melodiosamente um dos muitos feitiços que conhecia. Ouviu um click, e a porta foi aberta. Sorridente, ele entrou no lugar, dando de cara com um quadro esquisito e do tamanho real de alguém. Lá, descansava uma senhora de, no máximo, quarenta anos, vestindo um vestido de gala negro, a pele anormalmente pálida como papel e o rosto aristocrática e firme. Os cabelos castanhos paralisados tal como o de uma pintura.

A mulher, de repente, abriu os olhos escuros, vendo a criança fitando-a com curiosidade.

"O que queres por aqui, querido?" ela perguntou, a voz soando doce.

"Preciso ir a seção restrita e pegar um livro, mas as portas estão trancadas. Encontrei essa e achei suspeita, por isso entrei." sussurrou temendo que alguém o escutasse, mesmo que o feitiço de silenciamento evitasse tal coisa.

"Oh, entendo. Se quiseres, posso revelar-te o segundo caminho até lá." os olhos infantis brilharam em perspectiva e a criança acenou com a cabeça. Logo, o quadro com aquela mulher subitamente moveu-se para o lado, mostrando uma passagem escondida sob o quadro de madeira clara.

Surpreso, o loiro caminhou a passos rápidos até a passagem do mesmo tamanho do quadro em tamanho real. Ele, com medo de que a mulher se arrependesse de deixá-lo passar, entrou na passagem correndo, e passou despercebido por ele os olhos cruéis da mulher e seu sorriso malandro.

'Mais um para minha coleção, Alexander, querido' ela pensou com ternura, observando a criança gritar quando pisou em um osso de braço humano antigo.

Logo, um buraco se abriu no chão segundos depois da entrada da criança na passagem. O loiro caiu neste direto para a perdição. Abaixo de si, o que o aguardava era pior do que a morte. Inúmeros espinhos de metal finos, outros grossos, o esperavam. Quando ele caiu, fora perfurado em todas as regiões de seu pequeno e frágil corpo pelas estacas de metal. Sangue jorrando por todos os cantos da sala escura. E, naquela noite, somente a gargalhada assustadora do quadro proibido da Madame Sangrenta ecoava pelo castelo, pois o feitiço lançado pelo loirinho tinha sido desfeito em sua morte. Ele não pôde nem gritar antes de perder a consciência para sempre.

***

"Draco!" Harry Potter sentou-se na cama de sobressalto, suor escorrendo de sua testa e os olhos verdes nublados pelo medo do pesadelo recente.

O garoto respirou muito rápido, não conseguindo se acalmar e normalizar a respiração. Sentia que estava prestes a ter um ataque de pânico e isso seria terrível. Ninguém sabia desse seu problema, mas Harry tinha constantes ataques de pânicos em certas situações, desde em brigas feias com seus amigos ou aos olhares raivosos e decepcionados de seus professores. Tudo isso lembrava-o dos Dursley, e de como eles estavam sempre com raiva de si, decepcionados, e como sempre brigavam consigo pelos motivos mais fúteis.

Também detestava lugares apertados, o pânico se tornava maior quando Harry recordava-se do armário debaixo das escadas, tão pequeno, empoeirado e sujo, cheio de restos de seu sangue depois das torturas físicas que sofria com aquela família de trouxas. Normalmente, a criança resolvia seus ataques desacordando a si mesmo com um feitiço, mas ele estava assustado demais com o sonho tão real que ele teve.

"Merda, merda, merda!" sussurrava sem saber o que fazer. Harry, tremendo, pegou sua varinha debaixo do travesseiro e a capa de invisibilidade, e saiu do quarto lentamente.

Precisava esfriar a cabeça e talvez uma caminhada o ajudasse antes de ser realmente atingido por um ataque de pânico. Sair do salão comunal foi relativamente fácil, pois o quadro da mulher gorda estava dormindo e os demais residentes da casa também. Cobrindo-se com a capa, Harry se esgueirava pelos corredores evitando chocar-se com algum monitor. Não percebeu quando subiu as escadas em direção a biblioteca e, quando o fez, tentou abrir a porta, só para surpreender-se ao vê-la fechada. Lembrando-se de seu sonho, a criança tocou a ponta da varinha na maçaneta.

'Alohomora'

A porta abriu-se quase que de imediato e Harry entrou na biblioteca sem pestanejar, sendo surpreendido pela visão de uma porta ao lado da mesa da madame Pince aberta, e o som de zumbidos indicando que um feitiço de silenciamento tinha sido usado. Atingido pelo medo do pesadelo não ser só um pesadelo, Harry correu até a sala escura e viu, com espanto, ele.

Draco Malfoy conversava com interesse com o quadro de uma mulher esquisita que tinha óbvios olhares mal intencionados na direção do pequeno rapaz, que estava tão concentrado em entrar na seção restrita que não prestara atenção realmente na feição da mulher.

Nenhum dos dois notou a presença de Potter na sala e este surpreendeu-se quando o quadro da mulher moveu-se para o lado revelando uma passagem. O loiro platinado sorriu de orelha a orelha e fez menção de entrar na passagem, sob o rosto alegre da mulher dentro do quadro. E foi quando Harry decidiu agir, retirando a capa sob seu corpo e a guardando com pressa no bolso da calça.

"Draco, não entre aí!" O Potter correu, agarrando-o pelo pulso e puxando-o para si, no mesmo instante em que o buraco se abria no chão e os dois puderam ter um vislumbre de inúmeras estacas de metal esperando pela próxima vítima lá embaixo.

"O-o que foi i-isso?" Draco gaguejou incrédulo, dando dois passos para trás ainda sendo segurado pelo garoto menor. Harry respirou aliviado, sentindo seus batimentos cardíacos acelerados.

"Ela está te enganando. Não sei qual o motivo, nem o porquê, mas essa mulher ia te matar!" Harry olhou com desconfiança e raiva para a mulher, que já fizera o quadro se mexer mais uma vez, cobrindo o buraco que seria a causa da morte do loiro.

Nenhum dos dois percebeu quando Draco manteve os dedos firmemente agarrados às roupas finas de Harry, nem quando ele escondeu o rosto no ombro do menor — mesmo que fossem quase da mesma altura -, tremendo de medo do que teria acontecido consigo se Potter, o maldito Potter que ele tanto dizia odiar, se o menino mais aclamado atualmente, não tivesse salvado sua vida. Mas a pergunta era, como?

"Como você...sabia que eu estava aqui? Que ela ia me enganar?..." a confusão também pairava nos olhos assustadores da mulher dentro do quadro, tais como nas orbes azuis tempestuosos de Draco Malfoy.

Harry não sabia como respondê-lo, pois nem mesmo ele entendeu o que tinha acontecido. Por fim, deu apenas uma resposta que ele sabia não estar totalmente incorreta. Sussurrando no ouvido alheio, provocando arrepios em Draco com o hálito quente tocando sua pele fria.

"Magia" respondeu Harry com diversão contida na voz.

Draco arregalou os olhos e franziu a testa, não gostando nem um pouco daquela resposta, e Harry ignorou sua reação.

"Vamos, vamos sair daqui. Amanhã, contamos ao professor Dumbledore sobre o que aconteceu, ele vai saber o que fazer com...isso." apontou com a cabeça para a mulher irritada dentro do quadro.

"Dumbledore? Aquele maldito canalha?! Chame-o até aqui, criança! Faça-o! Aquele pedaço de esterco de dragão precisa pagar por me prender dentro deste maldito quadro mágico!" A mulher bradou em fúria, assustando as duas crianças, que saíram da sala aos tropeços e fecharam a porta com pressa.

Eles se entreolharam quando saíram da biblioteca, ambos estavam tremendo. Harry suspirou e puxou Draco para perto de si e os cobriu com a capa de invisibilidade. Eles não queriam pensar em quão próximos estavam naquela posição, quase abraçados. Caminharam durante minutos, desceram escadas atrás de escadas e o Malfoy não sabia para onde estavam indo. Não era o caminho para a torre da Gryffindor, nem as masmorras da Slytherin.

"Para onde estamos indo?" sussurrou, uma vez que o monitor do sétimo ano da Hufflepuff passava por eles rapidamente.

"Cozinha." deu a resposta direta, passando pela torre da Hufflepuff e entrando pela porta branca da cozinha, que ficava mais próxima daquela casa. Realmente, os Hufflepuffs eram sortudos pela torre deles ser justamente próxima a cozinha. Quando ficassem com fome, teriam um lanche da meia noite enquanto os alunos das outras casas sofriam até o café da manhã no salão principal.

O garoto de olhos verdes retirou a capa dos dois e ambos olharam para a cozinha, vendo os elfos domésticos — agora livres e recebendo salário — de Hogwarts já trabalhando no preparo do café da manhã. Afinal, eram muitas bocas para alimentar e passavam-se das três da manhã.

"Com licença." sob o olhar assustado de Draco, os elfos livres sorriram, largando todos os seus deveres para se aproximar das duas crianças.

"O que nós podemos fazer por vocês, jovens?" nenhum deles se importava se aqueles alunos estavam andando por aí no toque de recolher, afinal, não eram pagos para isso e estavam felizes somente em atender aos pedidos das crianças, almas tão puras e boas.

"Desculpe incomodar, mas eu posso pegar a cozinha emprestada por alguns minutos para fazer algo para eu e meu amigo?" Harry pediu com educação e os olhos esmeraldinos brilhando em expectativa.

Os elfos se encararam por alguns segundos, antes de tornarem a sorrir e liberarem espaço para Harry passar. Este que, sorridente, deixou a capa nas mãos de Draco.

"Espere aqui, eu já volto." Draco sentou-se em uma cadeira que os elfos trouxeram para ele, agradeceu com um sorriso sem dentes e esperou.

Harry voltou alguns minutos depois, trazendo duas canecas de chocolate quente, entregando uma ao loiro curioso, que pegou a caneca branca com os olhos brilhando.

"É uma bebida trouxa, não sei se você conhece ou não. Chama-se chocolate quente".

"Bom, meus pais gostam de saber sobre os trouxas para apontar o quão idiotas eles são, e desde que me interesso por doces, descobri algumas coisas sobre aquele mundo. Não sabia que você sabia fazer isso." disse como quem não quer nada.

"Aprendi a cozinhar desde muito novo, e posso dizer que faço um dos melhores chocolates quentes que você já provou na vida. Vamos, experimente." Harry mandou num tom brincalhão.

Draco arqueou a sobrancelha para a óbvia animação do menor e bebeu lentamente o chocolate quente para não se queimar, e imediatamente os olhos escuros da criança de cabelos platinados brilharam.

"Isso é...incrível!" exclamou, tornando a beber com ainda mais devoção.

Harry riu baixinho. "Obrigado." segurou a caneca com ambas as mãos e bebeu o conteúdo dentro desta, quase sorrindo pelo gosto doce do chocolate quente.

"Mas, por que você se deu ao trabalho de fazer...bem, o chocolate quente, para nós?" o loirinho perguntou em um sussurro quase inaudível.

Potter olhou para cima como se o teto fosse a coisa mais interessante do mundo, antes de abaixar a cabeça e fitar os olhos curiosos de Draco, e sorrir.

"Pensei que gostaria de beber algo depois de passar por um susto daqueles." respondeu, dando de ombros. "Quando terminarmos, te levarei até às masmorras."

O Malfoy corou, virando o rosto para o lado de maneira que o moreno não notasse como ficou envergonhado.

"Obrigado…"

***



Notas finais
Até o próximo (talvez) capítulo. Espero conseguir continuar e que o tédio não me vença mais uma vez. Novamente, escrevo isso por diversão e falta do que fazer apenas. Tenho uma conta no wattpad com outras fanfics e se a vontade surgir, eu posto elas aqui também.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.