Minha cabeça estava atormentada. Minhas mãos pareciam cubos de gelo e meus batimentos cardíacos ganhariam fácil da banda do McKinley. Eu quase não conseguia me descolar da porta, parecia estar sendo puxada, não sei se pelo meu medo ou pelo meu bom senso.
O que eu estou fazendo aqui? Eu sou uma pessoa egoísta? O que eu irei me tornar? Se descobrirem eu receberei perdão?

Rachel entra no quarto. Os olhos de Santana brilham em sua direção e um sorriso largo toma conta do rosto da latina. A pequena baixa a cabeça e caminha preguiçosa até chegar perto de sua amada. Um sussurro corta o silêncio.

Santana:– Eu sei que não deveria estar feliz dessa maneira, mas eu não consigo conter isso dentro de mim

Rachel:– Está feliz?

Santana:– Sim. Eu não deveria?

Rachel:– Eu não sei, pensei que estaria triste e chorosa

Santana:– Triste estou, mas chorosa jamais! Meu filho nasceu, quer dizer, o nosso

Rachel:– Como assim?
A pequena faz uma rápida analise do quarto e dispara.

Rachel:– Cadê a Quinn?

Santana:– Pensei que perguntaria pelo nosso bebê, mas a Quinn... Foi embora

Rachel:– E o bebê dela?

Santana:– Você não soube?

Rachel:– De que?

Santana:– Ele morreu... Então ela decidiu partir

Rachel:– IMPOSSÍVEL!

Santana:– Calma, você está quase gritando e vai acordar o nosso pequenino

Rachel:– Han? Nosso pequenino?
A enfermeira sai de trás da cortina com um belo bebê, ele parecia um anjo. Rachel ficou sem ar, ela não podia acreditar naquilo, afinal ela havia desistido de seu plano. Como aquele bebê foi parar ali?

Santana:– Não vai segurar?

Rachel:– Eu acho que não posso

Santana:– Está com medo senhora Berry? Ele não morde

Rachel:– Preciso de ar, não estou bem

Santana:– Hey! O que deu em você? Vai renegar meu filho?

Rachel:– Eu só...
Ela corre, na verdade ela foge daquilo que estava se tornando realidade. No meio do estacionamento , atrapalhando sua rota de fuga estava Finn. Ele estava tão encolhido que parecia menor do que realmente era.

Rachel:– O que você está fazendo? Cadê a Quinn?

Finn:– Vai se ferrar! Me deixa sozinho

Rachel:– Desculpa... Sinto muito por você

Finn:– Do que isso vai adiantar? Vai trazer meu filho de volta?

Rachel:– Mas seu filho está aqui!
O grandão olha para Berry. O desespero representa a expressão do rosto dele.

Finn:– Pois o traga aqui! Me deixe sentir o cheiro dele, sentir sua respiração... Anda! Você não disse que ele está aqui
Os dois choram. Rachel se ajoelha na frente de Finn e coloca sua mão no peito dele.

Rachel:– Acabei de toca-lo... Finn tenha fé, tudo irá se resolver

Finn:– Por que logo ele? Nem pude me despedir

Rachel:– Não tenho respostas certas para te dar, mas posso te apoiar

Finn:– Vai apoiar a Santana e curtir o bebê lindo de vocês

Rachel:– Me perdoa

Finn:– Melhor você ir

Rachel:– Mas quero ficar, por favor

Finn:– Vai agora ou irei te jogar longe daqui. Eu preciso desse tempo
Berry levanta. Enxuga o rosto. Não tinha nada que ela pudesse fazer pelo seu amigo naquele momento.

Santana:– Ela saiu correndo

Kurt:– Deve ter ficado emocionada

Santana:– Pareceu mais assustada, como se fosse errado o meu filho estar aqui

Kurt:– Sério? Pensei que ela seria a primeira pessoa a te apresentar o bebê

Santana:– Não. Quando acordei ele já estava aqui

Kurt:– Hmm... E já escolheu o nome?

Santana:– Ainda não

Kurt:– Ele parece um anjo, deveria ter um nome especial

Santana:– Então nunca terá o seu nome

Kurt:– Vai começar?

Santana:– Eu preciso liberar meu estresse pós-parto

Kurt:– Posso segurar seu filho?

Santana:– Claro, só tente não sufoca-lo quando abrir a boca e soltar purpurina nele todo

Kurt:– Sua ridícula

Santana:– Sua fuinha banguela
Hummel revira os olhos e vai dar atenção para o bebê. Santana está inquieta, ela quer saber onde se meteu Rachel Berry.

Santana:– Fuinha você acha que ela renegar o meu filho?

Kurt:– Quem seria capaz de fazer algo assim? Ele já me ganhou

Santana:– Ela pode lembrar do Sam e não gostar

Kurt:– Esse menino não vai parecer nada com o Sam

Santana:– Como você pode ter tanta certeza?

Kurt:– Apenas intuição... Mas e a Quinn?

Santana:– Sumiu! Quando acordei apenas tinha um recado dela, nada mais

Kurt:– E o que dizia esse recado?

Santana:– Leia você mesmo
Ele pega o pedaço de papel e começa a ler.

Eu não sabia que era forte. Nunca imaginei que conseguiria suportar tamanha dor. Pareço uma ponte não acabada, um carro sem rodas, um espaço vazio... Hoje eu posso me descrever como a pessoa mais perdida do mundo. Estou respirando, estou pensando, escrevendo, mas por mim não estaria, pois cada segundo sem meu filho é uma facada que é dada sem dó no meu peito.
Não estou feliz por você, não mesmo... Somos amigas e devo ser sincera com você. Meu filho está morto, meu casamento está morto e eu... Ah! Eu também me sinto assim, ou pior, pois me sinto uma morta sendo obrigada a viver...

Kurt aperta o papel contra o peito.

Kurt:– Que cruel

Santana:– Ela queria tanto esse filho

Kurt:– Isso é injusto, é ruim demais

Santana:– Quando eu puder irei atrás dela

Kurt:– E o Finn?

Santana:– Deve ter sumido também

Kurt:– Tudo aqui está fora do lugar, isso não deveria ser assim

Santana:– Tudo não

Kurt:– E se fosse você no lugar dela? Estaria tudo certo?
Antes que a latina falasse, Rachel bate na porta e coloca a cabeça para dentro do quarto.

Rachel:– Olá mamãe

Kurt:– Amiga que bom que chegou

Rachel:– Preciso falar com você em particular amigo

Santana:– E com o seu filho não vai falar?

Rachel:– Daqui a pouco, prometo
O produtor vai com sua melhor para fora do quarto. Ele parece furioso.

Kurt:– Como você foi capaz? Eu pensei que você desistiria dessa barbaridade

Rachel:– Eu desisti! Esse é o problema

Kurt:– E o que o filho da Quinn está fazendo nos braços da Santana?

Rachel:– Juro que não sei, não fui eu

Kurt:– E quem foi? O papai Noel? Não minta pra mim

Rachel: – Estou tomando coragem para dizer a verdade para a Santana, ela não pode ficar com esse bebê

Kurt:– Eu estava louco para fazer isso

Rachel: – Deveria ter feito

Kurt:– Negativo, você que tem que fazer. Eu não vou me sentir culpado por destruir o sonho de alguém, por acabar com um laço que acabou de ser firmado entre mãe e filho

Rachel:– Você está me deixando pior

Kurt:– Assuma o que fez!

Rachel:– Não fui eu!

Kurt:– Desculpa, mas não consigo acreditar

Rachel:– Tive medo que a Santana soubesse e me deixasse, que dessa vez ela não fosse capaz de me perdoar

Kurt:– Eu ficaria do lado dela

Rachel:– Você não está sendo um bom amigo

Kurt:– Estaria sendo ruim se desse apoio para essa loucura

Rachel:– Vou te provar que não tive culpa

Kurt:– Quero muito que consiga. Agora vai naquele quarto e abraça a pessoa que mais te ama

Ela havia adormecido, não sei qual dos dois era mais lindo de admirar. Peguei aquele anjinho nos braços e meu coração se encheu de amor, ele é a cara do Finn, mas é loirinho como a Quinn, acho que por isso que Santana não estranhou tanto. Sam era loiro também.
Eu quero muito devolver a felicidade do Finn e da Quinn, porém terei que arrancar da pessoa que eu mais amo nessa vida e isso me faz tremer. Errei ao pensar que daria certo toda essa história, que tola eu fui. Tenho defeitos, isso eu assumo, mas não sou tão má como as vezes pareço ser. Vou devolver o filho da Quinn e me entregar incondicionalmente para apoiar minha Santana, ela é forte e juntas seremos como uma rocha!! Vou resolver tudo, só que dessa vez da forma certa, eu sei que posso...
A pequena balança o bebê nos braços e sorri.

Santana:– A cena mais linda que já vi

Rachel:– Amor... Linda mesmo é você

Santana:– Veio finalmente conhecer seu filho?

Rachel:– Não, vim conversar com você primeiro...