(Super Trouper – ABBA)

Robin pegou seu violão e se sentou no sofá do seu camarim sem tocar, estava pensando. Sua vida estava se tornando uma coisa que ele não conseguia explicar parecia que faltava algo. Ele, Robin de Locksley, um cantor famoso, amado por muitas mulheres e até homens, tinha muito dinheiro. O que estava ou poderia estar faltando, não é? Bom, Robin queria alguém para dividir tudo aquilo... Geralmente ele tinha alguns casos de uma noite ou duas, e quando alguém se aproximava dele era por interesse.

Já existiu alguém uma vez, e era nesse alguém que Robin não parava de pensar. Regina Mills. Eles se conheceram no verão, quando Robin foi passar o fim de ano em Vancouver, ele ainda se lembrava de cada detalhe...

Vancouver, uma semana para o ano novo.

Robin havia acabado de chegar de viajem e já estava em seu quarto de hotel, ele descansou um pouco depois do longo período de tempo dentro daquele avião e pensou em ficar por lá mesmo, mas depois resolveu sair e andar um pouco por Vancouver, então se agasalhou melhor e foi.

O loiro estava andando pela Robson Street, um dos pontos turísticos mais cobiçados por turistas e moradores de Vancouver, encontrando alguns fãs pelo caminho, até que resolveu entrar em uma loja que lhe chamou a atenção. Ao entrar no local, esbarrou sem querer com uma mulher que estava distraída mexendo em seu celular, fazendo com que as compras que ela carregava caíssem no chão.

— Oh, desculpe. — disse o cantor, pegando as sacolas no chão e entregando para ela.

Robin não tinha reparado antes, mas ela era linda. Morena, olhos castanhos, cabelo curto, lábios rosados... ele congelou por alguns segundos.

— Sem problemas. — disse pegando as sacolas e tirando Robin de seu transe. — Obrigada. — sorriu.

Meu Deus! Aquele sorriso era a melhor coisa que Robin já tinha visto na vida e tudo o que ele conseguiu fazer foi sorrir de volta.

Os pensamentos de Robin foram cortados quando ele ouviu a voz de seu agente, Robert Carlyle, ou como ele prefere ser chamado, Mr. Gold.

— Robin? Robin, vamos, o seu show começa daqui a 10 minutos! — disse, eufórico.

Robin suspira e diz:

— Acho que preciso de férias...

— Férias? Hum, claro você só... — respondeu, distraído mexendo em seu iPad. — O que? Mas é lógico que não! — ele parou de mexer no aparelho e franziu o cenho. — Robin você está começando uma turnê agora, como pode querer férias?

— Eu não sei, eu só... sabe estou cansado...

— Pois trate de arrumar um jeito de descansar! Agora vamos! — Gold sai do camarim batendo a porta e Robin bufa.

O loiro respirou fundo, mas antes que saísse de seu camarim, uma mensagem muito especial foi notificada em seu celular.

“Espero que você arrase no show de hoje. Boa sorte. ”

Robin leu aquilo e um sorriso enorme brotou em seu rosto. Ele respondeu:

“Obrigado, Regina. ”

***

Robin tinha acabado seu show e já estava voltando para casa. Ele amava fazer shows em Londres, porque além de ser sua terra Natal, o público de lá era sempre bem animado, mas nos últimos meses ele tinha perdido essa emoção.

Enquanto Gold ainda estava resolvendo alguns assuntos, Robin esperava no carro, e recebeu uma mensagem que deixou sua noite mais feliz.

“Como foi o show? Espero que pelo menos tire uma foto hoje. ”

Era Regina, e ele rapidamente respondeu.

“Foi legal e desculpe vou ficar devendo sua foto. ”

“Nossa que animado. ”

“Desculpa, mas ainda tenho aquela sensação de que está faltando alguma coisa. ”

Robin enviou e viu que Regina visualizou, mas não estava respondendo então ele mandou mais uma mensagem.

“Regina? ”

“Oi, estou aqui. Me liga quando chegar em casa. ”

“Tudo bem...”

Após enviar isso, se passou um tempo até Gold entrar no carro e mandar seguirem em frente.

No caminho, Robin estava pensando em Regina e ele sabia que não devia seguir nesse sentido, pois eles estavam a exatamente 5577 quilômetros de distância um do outro, se falando apenas por mensagem.

“Isso só podia acontecer comigo não é? ”, pensou olhando para cima.

Mas ele não sabia que daqui a alguns minutos ele iria receber a melhor notícia de todas...

***

Chegando em casa Robin se despediu de seu agente e saiu do carro depois de ouvir mais alguns elogios. Antes de entrar em casa ele checou para ver se não havia nenhum paparazzi escondido em algum lugar, respirou aliviado de não ter achado nada e entrou na grande mansão.

Robin foi até a cozinha e preparou alguma coisa para comer, pois estava morrendo de fome. Ele lembrou que Regina tinha lhe pedido para ligar para ela então começou a comer mais rápido.

Depois que terminou sua refeição o cantor foi direto para seu quarto e pegou seu celular, ligando para Regina.

“Alo? ”

Ela atendeu.

“Oi! ”

“Oi, Robin! Já está em casa? ”

“Já, o que tinha para me falar? ”

“Você comeu antes de me ligar ou veio igual um louco desesperado? ”

O cantor riu, ela sempre se preocupava com ele.

“Eu comi, mãe”

A morena deu uma risada do outro lado da linha.

“Tudo bem, tenho uma coisa para te perguntar. ”

“Diga. ”

“Você tem algum quarto de hospedes nessa sua mansão ou eu vou ter que ficar em um hotel? ”

O telefone quase caiu da mão dele quando ela disse isso. Seu coração estava batendo a mil.

“Ahn... espera... você está me dizendo o que eu acho que você está me dizendo? ”

“Se você acha que o que eu estou dizendo é que eu estou indo para Londres, sim, é isso mesmo que eu estou dizendo. Mas minha pergunta foi séria, eu preciso de um lugar para ficar. ”

Sabe quando parece que fogos de artificio vão sair de você? Então, era exatamente isso que Robin estava sentindo.

“Ai, meu Deus! Mas é claro que você pode ficar aqui, tem espaço de sobra! Quando você vem? ”

“Amanhã, eu pego o voo das nove da manhã e chego ai umas nove da noite no horário local do Reino Unido. ”

“Ok, eu vou arrumar tudo para quando você chegar. ”

“Nossa, me senti importante agora. ”

“Você sabe que é.”

Um não podia ver o outro, mas eles sabiam que os dois sorriram.

“Tudo bem, eu tenho que ir agora. Até amanhã. ”

“Até amanhã. ”

Eles desligaram e Robin quase saiu pulando pela casa toda. Regina Mills ia para a Londres e ficaria na casa dele. Ele não conseguia explicar a felicidade que estava sentindo naquele momento, parecia que o vazio tinha sido preenchido.

Naquela noite, Robin foi dormir mais do que feliz, mas antes ele ficou olhando para o teto com um sorriso bobo e lembrando dos momentos que eles passaram juntos...

Robin resolveu parar para comer alguma coisa e entrou na Waves Coffee House. Ele foi até a bancada, fez seu pedido e quando se virou para ver em que mesa sentaria, viu que estava cheio, não havia um lugar para sentar. O cantor pensou em pagar e ir embora, mas ele viu lá no fundo do local uma mulher sentada e adivinha só, era a mesma mulher com quem tinha se esbarrado na loja mais cedo.

O cantor foi até lá com esperanças de que ela não gritasse com ele.

— Ahn... Oi, lembra de mim? — perguntou quando se aproximou da mesa.

A morena, que estava mexendo em seu celular, parou o que estava fazendo e o olhou.

— Claro, foi em você que eu esbarrei mais cedo hoje na loja.

— Isso... é... então, eu não queria parecer estranho, mas é que aqui não tem muitos lugares para sentar, ai eu queria saber se podia ficar aqui... — Robin disse com calma, já ouvindo o não que iria levar.

Ela olhou para ele por alguns segundos e falou:

— Tudo bem.

— Ah, sério? Obrigado. — ele soltou o ar que estava preso e colocou seu café e seu brownie em cima da mesa.

— Você é um turista suponho?

— Sou, e você?

— Também, mas eu tenho a impressão de já ter te visto em algum lugar...

Robin congelou. Falar ou não?

— Ahn... deve ter sido alguém parecido comigo... — tentou disfarçar.

— É... — a morena arqueou as sobrancelhas. — Deve ter sido isso...

— Então, qual seu nome? — Robin perguntou, tentando mudar de assunto.

— Regina. Regina Mills.

— Robin de Locksley. — falou seu nome torcendo para que ela não o conhecesse.

— Esse nome... eu também já ouvi falar, você é famoso?

— Eu? Não, isso deve ter sido outro Robin.

— É pode ser. — deu de ombros.

— Você já veio para Vancouver antes? — o loiro perguntou, tentando mudar de assunto de novo.

— Não, eu sou de Nova York e queria passar o natal aqui, mas como não deu certo vim no ano novo. E você?

— Eu venho sempre aqui quando posso, adoro essa cidade. Ahn... você tem alguma coisa para fazer depois daqui?

— Eu ia conhecer mais da cidade, por quê?

— Queria te mostrar meus lugares favoritos, já que você é nova aqui, pelo menos vai ter boas lembranças. O que me diz?

Regina pensou por alguns segundos.

— Tudo bem. — sorriu.

Aquele sorriso, aquele maldito sorriso...

***

Robin acordou bem cedo e acordou radiante. Era nove da manhã na Inglaterra, e ele fez sua higiene matinal, se trocou e foi tomar café. Depois de sua refeição, ele foi checar seu celular e ver se tinha alguma mensagem importante. Haviaavia algumas mensagens de Gold dizendo que queriam uma entrevista com o cantor quando ele fosse à Itália em sua turnê. Robin resolveu isso e mandou uma mensagem para Regina, mesmo sabendo que lá ainda era madrugada.

“Bom dia! Espero que você faça a melhor viagem possível. ”

O loiro pensou no que tinha que fazer. Comida! Ele tinha planejado fazer um jantar para Regina hoje, então pegou as chaves do seu carro, um óculos escuro e foi direto para a Tesco, a maior rede de supermercados de todo o Reino Unido. Quando chegou lá, comprou tudo o que precisava e voltou para casa.

Agora ele tinha que arrumar o quarto de hospedes e tinha que ligar para seu motorista ir buscar Regina no aeroporto. Ele fez as duas coisas com muita calma para que nada desse errado.

Robin podia ter contratado alguém para fazer tudo isso, mas preferiu fazer ele mesmo, afinal, era uma pessoa muito especial que estava vindo.

Para descansar um pouco, o cantor se sentou em sua poltrona na enorme sala de estar, pegou um pequeno caderno e caneta que estavam na mesinha do lado e continuou escrevendo uma música que ele tinha começado em Vancouver, mas nunca terminou. E é lógico que, enquanto ele escrevia, pensava em Regina, e pensou na primeira briga que eles tiveram...

Já tinha se passado vários dias e hoje faltava dois dias para o ano novo. Robin estava se arrumando em seu quarto de hotel para encontrar Regina, os dois tinham ficados muitos próximos e tinham passado muito tempo juntos nessa semana. Ele tinha pensado em contar para Regina quem realmente era, mas resolveu fazer isso só quando fosse embora. Para sua sorte, o cantor não encontrou nenhum fã ou paparazzi enquanto estava com ela.

Ele terminou de se arrumar e foi se encontrar com Regina no Stanley Park.

Em outro hotel Regina, que também estava se arrumando, pensou o quanto essa viagem tem sido louca. Ela pensou que vir para Vancouver seria uma coisa normal, mas então ela conheceu Robin e ele acabou causando um efeito nela que não dava para explicar. Ela gostava do jeito que ele a fazia rir, de como suas covinhas apareciam quando ele sorria, de como ele foi legal com ela e lhe mostrou a cidade e dos olhos. Ah... aqueles olhos... O mais engraçado de tudo isso é que eles se conheceram se esbarrando em uma loja na Robson Street, e agora eles iam passar o ano novo juntos.

Regina correu, pois viu que se atrasaria e foi para o local que combinou de encontrar Robin.

O cantor estava sentado em um banco observando as pessoas passando quando viu a morena se aproximando e lá estavam as mil borboletas em seu estomago, que apareciam toda vez que ele a via.

— Oi, desculpa a demora. — ela disse abraçando ele.

— Tudo bem, você eu perdoo. — riu retribuindo o abraço.

Eles ficaram muito tempo assim.

— Onde vamos hoje? — Regina perguntou.

— Ahn... eu estava pensando em só andar e conversar e quem sabe comer... — riu. — Não sei, só podíamos ir por ai sem uma direção especifica.

— Parece bom pra mim. — sorriu.

Aquele sorriso. Robin não sabia explicar, mas ele amava aquele sorriso.

Os dois foram caminhar pelo parque, mas uma coisa que não estava nos planos aconteceu.

— Ai meu Deus! Eu não acredito, é o Robin de Locksley! — Eles ouviram uma pessoa gritar de longe e se viraram. O coração de Robin quase pulou para fora.

— O que? — Regina olhou para ele e olhou para a fã que vinha correndo na direção deles.

— Eu posso explic... — ele tentou falar, mas a fã o cortou.

— Oi, meu nome é Mackenzie. Você pode tirar uma foto comigo, por favor? — A menina pediu sorrindo.

— Ahn... claro!

Eles tiraram a foto e a menina deu um abraço nele.

— Eu mal posso esperar para a sua turnê vir pro Canada!

— Pode deixar que eu venho sim. — Robin disse, tentando acabar com aquilo.

— Muito obrigada! Tchau. — ela quase gritou e saiu correndo.

Robin sabia que devia dar muitas explicações e que estava encurralado.

— Então, Robin de Locksley. — Regina falou com os braços cruzados. — Você pode me explicar o que aconteceu aqui? Por que mentiu pra mim?

— Regina eu... — ele suspirou. — Acho melhor irmos para outro lugar.

— Não, Robin! Eu quero uma explicação.

— E eu vou te dar uma, mas vamos para um outro lugar.

Depois de insistir muito Regina acabou indo com ele e os dois foram para uma área mais afastada do parque, onde não havia muitas pessoas.

— Olha, — ele começou. — eu sei que errei, mas...

— Ah, você sabe? — ela o cortou. — Meu Deus eu ainda não acredito que mentiu pra mim, eu... nossa... eu sabia que te conhecia de algum lugar e você conseguiu esconder isso bem, já que para a sua sorte eu não sou muito ligada nesse mundo da música. — passou a mão na cabeça e bufou. — Por que? — ela o olhou e Robin podia ver que aqueles olhos estavam cheios de mágoa.

— Eu só... — ele respirou fundo. — Desculpa. É que quando se é famoso as pessoas geralmente se aproximam de você por interesse e eu não queria que isso acontecesse de novo.

— Espera. Você não me contou, viu que eu gostava de você de verdade, mas mesmo assim não ia me contar a verdade? Quando você pensou em contar? Nunca? Eu não acredito que não confia em mim.

— Não é isso, eu só achei que não era necessário...

— Como não era necessário, Robin? — ela falou em um tom um pouco mais alto. — Isso é uma parte de você, você gostando ou não. E eu não posso gostar só da sua metade, eu tenho que te conhecer por inteiro. — algumas lágrimas começaram sair.

Ela realmente estava chateada. Robin tinha despertado um sentimento nela que Regina não sentia a tempos e descobrir que ele não confiava nela o bastante para contar seu “segredo” lhe partiu o coração. Ela estava gostando dele de verdade.

— Eu sei, me desculpa. — foram as únicas coisas que ele conseguiu dizer, ver Regina chorando era a pior coisa do mundo. Pior que isso era saber que ele era a causa das lágrimas.

— Bom, parabéns. Você acabou de estragar o meu ano novo. — Após dizer isso Regina foi embora enxugando seu rosto

***

Já era noite e Robin tinha mandado seu motorista ir pegar Regina no aeroporto já que o horário de sua chegada estava se aproximando.

A hora não passava para Robin e de tão nervoso ele não percebeu que já tinha dado a hora. Regina lhe enviou uma mensagem.

“Fique tranquilo que essa foi a melhor viagem possível, aliás adorei seu carro. ”

Seu coração parecia que ia pular para fora, ela já estava a caminho. Robin foi direto para o jardim de entrada esperar Regina. Parecia que estava demorando anos para ele, mas então ele ouviu um carro entrando em sua residência. O loiro não sabia o que fazer, nem o que pensar, quando ouviu passos de salto alto andando e a figura de Regina aparecer em sua frente, distante. Os dois ficaram se olhando por alguns segundos até que eles começaram a andar e se encontraram no meio do jardim, dando o melhor abraço do mundo todo.

Regina sorriu. Ela ainda não acreditava que estava ali e que estava abraçando ele, fazia tanto tempo. Seu coração se aqueceu de uma forma que ela não sabia explicar.

E não foi diferente com Robin. O cantor abraçou a morena o mais forte que podia, sem machuca-la, e soltou o seu melhor sorriso. Sua cabeça estava a mil, mas ele só conseguia pensar no quão feliz estava.

Qualquer um que estivesse ali poderia sentir o amor e a saudade que pairavam no ar.

— Eu ainda não acredito que isso é real. — Regina falou baixinho de olhos fechados.

— Nem eu. — ele disse no mesmo tom, também de olhos fechados.

Os dois foram se soltando do abraço aos poucos, mas sem tirarem o sorriso do rosto.

— Como foi a viagem?

— Boa, mas agora está sendo ainda melhor.

— Espero que sim. Ah, ahn..., o que você quer fazer primeiro? Entrar e descansar e depois pegar as suas coisas ou pegar as suas coisas e depois descansar?

— Vamos pegar minhas coisas primeiro. Tenho uma coisa para te dar.

— Pra mim? O que é? — ele perguntou surpreso.

— Você só vai descobrir se vier comigo. — ela disse isso e saiu correndo para o carro, parecia uma criança. Robin a seguiu rindo.

— Nossa o que você tanto trouxe aqui? — ele perguntou após tirar a mala dela do porta malas.

— Só o essencial, sempre. — a morena disse, abrindo a porta de trás do carro e pegando um pacote enorme que estava lá dentro.

— O que é isso? — Robin arqueia as sobrancelhas.

— Seu presente, mas eu só vou te dar lá dentro.

— Tudo bem vamos. — ele revira os olhos.

— Ei. — Regina dá um leve tapa em seu braço. — Não revire esses olhos para mim.

— Desculpe, senhora. — ele colocou a mão no coração e fez uma leve reverencia.

— Idiota. — eles riram.

***

Regina já havia se ajeitado no quarto de hospedes e estava com Robin na cozinha enquanto ele preparava o jantar para os dois.

— Não acredito que você cozinha.

— Eu tenho muito dons. — ele falou enquanto preparava seu “toad in the hole”, um prato típico inglês.

— Realmente, quer ajuda?

— Olha eu aceito. — diz Robin fazendo a massa.

— O que eu faço? — perguntou se levantando do banco.

— Ahn... pode enrolar aquelas salsichas ali no presunto?

— Claro.

Depois de ajudar Robin ela deixou ele terminar o resto e então eles jantaram. Após terminar a refeição, eles foram para a sala e ficaram conversando.

— O que achou da minha humilde residência? — o loiro perguntou.

— Claro, bem humilde. Mas eu gostei. — eles riram. — Hum, eu tenho que te entregar meu presente. Já volto.

Ela foi no quarto correndo, pegou o presente e voltou para a sala.

— Aqui. Eu espero que você goste. — disse entregando o pacote para ele.

— Vindo de você, com certeza eu vou gostar.

Ele desenrolou o pacote com cuidado e ficou surpreso quando viu o que era.

— Um violão... — Robin disso sorrindo e pegando o objeto.

— É... eu queria te dar alguma coisa que pudesse te fazer lembrar de mim, até coloquei alguns adesivos aqui a trás. — ela apontou sentando do lado dele. — Sabe, eles me fazem lembrar do ano novo em Vancouver...

— Eu amei, de verdade. — ele olhou para ela e sorriu. — Muito obrigado. — Robin não conseguia dizer, mas esse violão agora tinha um valor imensurável para ele.

— Fico feliz com isso. — ela olhou de volta e também sorriu.

Os dois ficaram assim, se olhando e sorrindo por um tempo até que Robin disse.

— Ahn... nossa! Nós nem vimos a hora passar já são meia noite e meia.

Regina ficou decepcionada.

— É... É assim mesmo quando começamos a nos divertir. Então acho que eu já vou dormir. — ela se levantou.

— É eu também, mas antes vou dar uma ajeitada naquela bagunça na cozinha. — disse também se levantando

— Tudo bem. — Regina foi até a escada. — Boa noite, Robin.

— Boa noite, Regina.

***

No dia seguinte, Regina acordou e foi fazer sua higiene matinal, após fazer isso, ela foi se arrumar e enquanto se arrumava, ela lembrou da véspera de ano novo em Vancouver...

Era véspera de ano novo e Regina ainda não havia se resolvido com Robin. Já era noite e a morena estava em seu quarto de hotel deitada quando bateram em sua porta.

— Ahn... oi? — ela disse arqueando as sobrancelhas quando abriu a porta.

— Senhorita Mills? — um senhor de terno perguntou.

— Sim, aconteceu alguma coisa?

— Não, não. Eu só fui enviado aqui para entregar esse cartão para a senhorita. — ele disse tirando o cartão do bolso e estendendo para ela.

— Ahn... ok, obrigada. — ela sorriu e pegou o cartão, depois fechou a porta.

Nele estava escrito.

“Eu sei que não quer me ver, mas eu não posso ir para o outro ano sem que estejamos bem. Espero que você também queira isso. Pode me encontrar na Grouse Mountain?”

O coração de Regina bateu mais forte. Era obvio que ela queria fazer as pazes com ele, mas seu orgulho falava mais alto. Ela não sabia o que fazer, ainda estava brava com Robin. Mas então ela lembrou de uma coisa que sua mãe sempre lhe dizia:

“Perdoe, minha filha. Saiba si perdoar e perdoar os outros, pois você não vai querer passar a vida inteira brigada com alguém, principalmente alguém que você gosta. ”

Ela estava certa. Então Regina jogou seu orgulho e sua raiva para trás, se vestiu e foi encontrar com Robin.

Era exatamente onze horas da noite, ou seja, faltava uma hora para o ano novo no qual Regina tinha programado passar em seu quarto de hotel.

Ela correu e pegou o primeiro táxi que conseguiu.

— Para Grouse Mountain o mais rápido possível, por favor. — ela pediu e o taxista saiu quase voando dali.

Parecia que nunca chegava e o taxista disse que em véspera de ano novo o trânsito era assim mesmo. Ela só respirou fundo e tentou manter a calma.

Quando ela chegou no lugar, Regina pagou e desceu do táxi o mais rápido possivel, mas não sabia para onde ir. Lá era enorme e ela não sabia onde encontrar Robin, mas ela não precisava porque ele a encontrou.

— Regina? — ela ouviu uma voz conhecida atrás dela e se virou.

— Robin. — sorriu e foi abraçar ele. — Ai meu Deus achei que não iria te encontrar.

— Mas eu encontrei você. — retribuiu o abraço. — Vem comigo.

Robin a levou para um lugar afastado da montanha, um lugar onde não tinha muitas pessoas e o melhor, a vista de lá era linda.

— Nossa! — Regina disse encantada. — Que vista!

— Achei que ia gostar.

— Adorei. — sorriu.

— Regina... — Ele pegou a mão dela. — Eu sei que eu errei e eu sei que você está brava e chateada comigo, mas eu só queria te dizer que essa foi a melhor viagem da minha vida porque eu conheci você. Você me conquistou em uma semana. Eu amo o seu sorriso, o jeito que você fala de Nova York, o jeito que você mexe seu nariz quando está com frio... e eu demorei para perceber isso, mas eu... — ele estava criando coragem para dizer o que estava preso dentro dele. — Regina Mills, eu amo você. Amo você e não quero ir para o outro ano sem te dizer isso.

Ela estava em choque. Regina Mills pela primeira vez não sabia o que dizer. Ela também o amava, e saber que esse amor era reciproco a fez congelar.

Robin suspirou.

— Eu sabia que não devia ter falado isso, olha se você quiser a gente pode fingir que esse momento nunca aconteceu e...

— Robin. — ela o cortou e sorriu. — Eu... — respirou fundo. — Eu também amo você. E é por isso que eu fiquei tão brava e chateada, eu não quero amar só uma parte de você, quero amar todas as partes.

— Eu sei, eu sei. Me desculpa eu estava com medo...

— Tudo bem, eu te desculpo.

— Bom, — Robin deu um passo para frente e nem percebeu. — pensa pelo lado bom pelo menos você já está amando a melhor parte. — sorriu.

— Mas eu gosto de desafios então quero conhecer a pior. — ela também sorriu e sem perceber deu um passo pra frente.

Devia ter sido alguma força maior ou a neve que começou a cair, mas Robin sentiu que esse era o momento certo e então, ele pegou levemente o rosto dela e se inclinou um pouco para frente, beijando-a.

Sabe a sensação de estar beijando a pessoa certa? Pois é, foi o que ambos sentiram junto com as borboletas no estomago. Era um beijo calmo e apaixonado.

Os dois só pararam quando ouviram os fogos de artifícios e bem de longe alguém gritar “feliz ano novo”.

— Feliz ano novo, Robin.

— Feliz ano novo, Regina.

E se beijaram novamente.

***

Regina desceu para tomar café da manhã e Robin já estava na cozinha preparando tudo.

— Bom dia... — ela disse se aproximando.

— Bom dia! Como foi sua primeira noite de sono em Londres? — ele perguntou terminando de arrumar os pratos.

— Foi ótima, obrigada. — sorriu. — Você faz isso todo dia?

— Não. Só para quem é especial. — ele piscou e ela riu.

Os dois comeram o café da manhã e Robin levou Regina para conhecer Londres. Eles foram no Big Ben, no London Eye, na Madame Tussauds e até no Palácio de Buckingham. Tinham se divertido muito e tiraram várias fotos, as vezes encontrando com algumas fãs.

Eles haviam acabado de chegar no carro para ir para casa quando o celular de Robin tocou.

— Com licença. — ele disse olhando para Regina e atendeu. — Alo?

— Robin?

— Eai, Gold! Como vão as coisas?

— As coisas vão ótimas principalmente para você.

— Pra mim? Por que?

— Amanhã você tem outro show aqui em Londres, acabei de arrumar para você.

— O que?

Ele perguntou com a voz um pouco mais elevada o que fez com que Regina olhasse para ele.

— Você não pode desmarcar isso? Eu tenho visitas e...

— Robin sinto muito, mas a sua visita ou vai com você ou fica em casa. Você vai fazer esse show e pronto! Vai ser bom para você.

Robin bufou, sabia que não dava para discutir com Gold e ele nem queria.

— Tudo bem. Só me passa as informações mais detalhadas por mensagem, ok?

— Ok, até amanhã.

— Até. — ele revirou os olhos e desligou.

— O que aconteceu? — Regina perguntou.

— Mil desculpas, Regina, mas eu tenho um show de última hora para fazer amanhã. — disse calmamente esperando a reação dela.

— Ah, tudo bem. Vou finalmente em um show seu. — ela disse sorrindo.

Essa mulher era incrível.

— Não só ir, mas ficar na área VIP mais conhecida como ficar comigo.

— Uau! Me senti importante agora. — eles riram.

***

O outro dia tinha chegado e Robin teve que ir bem cedo para o local do show ensaiar. Ele falou que Regina podia ficar livre fazendo o que ela quisesse, mas ela insistiu em ir com ele.

O resto do dia foi ensaio, comer, ensaio, como sempre era.

— Você não se cansa? — perguntou Regina quando Robin estava em uma pausa.

— Sim, as vezes tudo isso fica chato sabe? Mas é o que eu escolhi para a minha vida. — deu de ombros.

— E você faz isso muito bem. — ela sorriu para ele. — Ainda estou esperando seu show em Nova York.

— Pode deixar que quando você menos esperar, eu estarei lá. — Robin sorriu de volta.

***

A noite havia chegado e a hora do show também.

— Robin? Está tudo certo? — Gold perguntou entrando no camarim.

— Sim, pode ficar despreocupado.

— Ótimo. 15 minutos. — avisou e saiu do camarim.

— Está nervoso? — Regina perguntou enquanto Robin pegava uma água em seu frigobar.

— Não. — ele parou para pensar. — Pela primeira vez eu não estou nervoso.

— Que bom, fico feliz em ajudar. — ela riu.

— Ah! Preciso disso. — Robin disse pegando o violão que Regina havia lhe dado.

— O que vai fazer com ele?

— Na hora você vai ver. — piscou.

— 10 minutos! — um homem passou gritando em frente ao camarim.

— Acho melhor eu ir. — ele se virou.

— Espera. — a morena pegou sua mão fazendo ele parar. — Desde que eu cheguei aqui eu venho querendo fazer isso. — ela se aproximou mais dele.

— O que? — ele sussurrou olhando para os lábios dela.

Ela sorriu e o beijou. Robin colocou a mão em seus cabelos castanhos e mais uma vez a sensação de estar fazendo o certo e as borboletas na barriga apareceram.

Eles só pararam quando alguém bateu na porta de camarim e gritou “7 minutos”.

— Sempre alguma coisa nos atrapalhando. — Robin riu acariciando o rosto dela.

— É uma coisa nossa. — eles riram. — Boa sorte.

Eles deram mais alguns selinhos e Robin foi para seu lugar e Regina foi para o seu na primeira fila.

O show foi um sucesso como sempre e depois de cantar a “última música”, Robin pediu para levarem o violão que ganhou de Regina até o palco e o pegou.

— Esse violão. — ele disse no microfone. — Eu ganhei de alguém muito especial. Então eu acho que nada mais justo do que eu cantar uma música que eu compus especialmente para ela.

O público começou a gritar e Regina sorriu de onde estava.

Ele cantou e cantou com o coração, pela primeira vez Robin estava inteiramente feliz naquele palco e após terminar de cantar, enquanto o público gritava loucamente, ele se virou para onde Regina estava e sussurrou um “eu te amo”.

— Eu te amo. — ela sussurrou de volta.

Tonight the Super Trouper beams

are gonna blind me, but I won't feel blue

Like I always do 'cause somewhere in the crowd

there's you

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