Notas iniciais
Minha primeira fic de OUAT. Espero que gostem!

— O QUE VOCÊ FEZ? — Regina gritou contra a mãe, segurando o corpo de Daniel no colo, enquanto lágrimas quentes escorriam por seu rosto.

— Querida, isso é para o seu bem, um dia você vai entender. Agora levante, largue o cavalariço, volte para o castelo e não me contrarie mais.

— Você deixou o meu filho sem pai. — Regina confessou num tom monótono, enquanto ficou em pé e saiu correndo floresta adentro.

— Como? — Cora ouviu perfeitamente o que a filha mal-agradecida havia dito, mas não podia acreditar nisso. Regina, sua filha que me breve seria a rainha, dona de toda a corte, estava grávida de um plebeu? Ela não poderia correr o risco de deixar Regina estragar tudo aquilo que ela sempre quis para si e agora, a filha tinha conquistado tão facilmente. Não deixaria. E foi o que fez, saiu do celeiro sem nenhuma condolência ao corpo desfalecido à sua frente e foi até o castelo.

Em menos de uma hora, Regina estava de volta, não por espontânea vontade, mas ela não sabia. Logo que chegou foi para seu quarto e Cora a esperava por lá.

— O que você está fazendo aqui?

— Ora, querida, estou resolvendo seus problemas, é claro, já que sou a única sensata aqui. Consegui convencer o rei a se casar com você o mais rápido possível, afinal, você está muito apaixonada. Com um pequeno... porém. Se ele perguntar, é uma tradição muito antiga a esposa ficar separada do marido nos primeiros 8 meses, por questões pessoais. Enquanto isso, você não saíra do seu quarto, até... essa coisa sair de dentro de você eu por um fim nisso.

— Você não vai encostar nel...

— Ah, eu vou sim, querida. Regina, é só para o seu bem e ninguém vai me impedir.

— Eu vou fugir e você nunca vai nos achar! — Regina chorava de raiva, com a mão protegendo seu ventre.

— Não vai...

— Não serão guardas que irão me impedir!

— Não mesmo.. Será magia. Você se casará com o rei amanhã de manhã, aqui mesmo. Afinal, à partir de agora está presa ao castelo. Você não sairá daqui, senão seu feto morre. Não é isso que quer, certo? A escolha é sua, deixar-me cuidar disso, ou ser a responsável por...

— Chega! Chega, eu não quero mais ouvir sua voz! Como pôde?

— Regina... Lembre-se. Você está presa ao castelo, e depois de amanhã, presa somente ao seu quarto. A escolha é sua, Darling... — Cora saiu triunfante e fechou as portas atrás de si.

Regina em seu quarto entrou em desespero, pensava em mil maneiras de largar o castelo, mas não podia perder a única lembrança que teria de Daniel pelo resto de sua vida, não podia perder o bebê do amor que ela jamais teria de volta. No fim do dia, ela apenas deitou-se e jurou encontrar uma saída após o casamento maldito.

O casamento de última hora aconteceu no saguão principal do castelo do rei, com toda a nobreza reunida de última hora, mas felizes pelo rei e pela pequena Snow, que teria uma referência de mãe para acompanha-la. A única que não demonstrava nenhum alívio era Regina. Não havia dormido nada, não conseguia relaxar sabendo que Daniel fora morto e seu filho ou filha seria arrancado dela e ela não poderia fazer absolutamente nada. Quando a cerimônia acabou e ela voltou à seu aposento, perguntando-se como o rei fora tão burro (ou tão enfeitiçado) em acreditar que era normal em algum casamento, o par ficar separado por tanto tempo. Isso não era o problema para ela, afinal, não amava o rei. Mas se ele pudesse percebesse que algo estava errado, pudesse ajudá-la. Acontece que o rei não percebeu e assim que ela entrou no aposento, a porta foi selada por magia. Ela tinha tudo à seu dispor lá dentro, mas não tinha o que desejava: liberdade para proteger a criança que crescia dentro dela.

Oito exatos meses depois, Regina deu a luz sozinha à uma menininha de cabelos negros como o dela e olhos como o de Daniel. Assim que embrulhou-a numa manta que passou todo o seu confinamento produzindo. Mal terminou de embrulhar a filha recém-nascida e a porta de seu quarto, selada há um tempo, foi aberta e sua mãe entrou.

— Não. Não, por favor! Não!

— Anda, Regina! Fizemos um trato!

— Não fizemos trato nenhum! Não! Por favor! Não leve ela de mim, por favor!

— Regina, o dever te chama, vamos logo com isso! — Cora arrancou a bebê do colo da filha com uma mão e com a outra, prendia Regina na cama com magia, impedindo-a de vir atrás. Assim que Cora saiu novamente do quarto e trancou a porta, Regina se afundou em meio às colchas e lençóis chorando desesperadamente e desenvolvendo sua raiva por Cora. Foi nesse momento que Rumplestiltskin apareceu e entregou-lhe o espelho, o qual Regina mais tarde empurrou sua mãe para dentro. À partir daí, você já conhece a história: Regina só teve uma raiva ascendente por sua mãe e por Snow, por qualquer um que passasse por seu caminho que não tivesse aquele par de olhos castanhos brilhantes que viu uma única vez. Jogou a maldição por sobre todos os reinos, preservando apenas a sua consciência e a de Rumple, como prometera.

2007 — Storybrooke

Assim que Emma quebrou o feitiço ao beijar Henry no hospital, todos os moradores da cidade no Maine lembraram-se de quem eram, do que haviam perdido, do que buscavam, enfim, lembravam-se de seus propósitos. Uma coisa que acometeu Regina Mills foi a lembrança de um bebê minúsculo que fora arrancado de seu colo no outro reino. Essa lembrança foi a única que não estava com ela na cidade, no outro mundo, a única forma de raiva da Rainha Má que ela não sabia de onde vinha, e agora sabia. Havia se lembrado. Com certeza, era obra de Rumple.

Mesmo assim, nem sabia como começar a procurar: não sabia como a garota estava, nem sabia se estava viva, na cidade ou no reino, não sabia nada, assim como não sabia anteriormente. Além disso, Henry, seu filho, estava em estado crítico no hospital porque havia comido a torta envenenada dela, a cidade toda queria sua cabeça e Emma precisava encontrar a poção com Malévola. Estava encurralada.

Estava em sua casa com Henry quando a campainha tocou e batidas nada calmas na porta ecoavam pela sala. Ela correu abrir e encontrou praticamente toda a cidade ali em sua frente, com cara de poucos amigos.

— O que...?

— Você jogou a maldição em nós, nos lembramos quando ela foi quebrada e agora, senhora Prefeita, é melhor não sair correndo, porque só descansaremos quando tivermos sua cabeça presa na praça. — Whale tomou a frente.

Regina arregalou os olhos de medo e podia jurar que suas pernas tremiam. Durante alguns minutos ela fitou toda a multidão raivosa até conseguir formar uma frase lógica.

— Ok. — Ela abaixou a cabeça. — Certo. Eu posso só... me despedir do Henry? Dois minutos!

— Não tente escapar, Regina. Sabemos que você está sem poderes, vamos cercar sua casa e...

— Ei! Ninguém vai fazer nada! — Emma passou pelo meio da multidão e foi até a porta da casa da prefeita, falando para os cidadãos. — Eu ainda sou a xerife aqui e...

— Você não esteve no nosso tempo e não viveu aprisionada, xerife. Desculpe, mas isso não é da sua alçada! — Whale reclamou.

— Senhorita Swan, eu aprecio o que está fazendo, mas eles estão certos. Eu só... quero me despedir do Henry. — Regina pediu baixo, enquanto o povo cercava sua casa. — Entre.- Ela convidou a xerife para certificar que nada de ruim aconteceria.

— Regina, isso não está certo. Você definitivamente não é o tipo de pessoa que faz isso e se você está pensando em fazer alguma coisa com o Henry, eu estou armada e...

— Emma. Eu não estou tramando nada, pela primeira vez na vida. No nosso tempo, antes a da maldição , eu perdi algo muito valioso e não encontrarei por aqui, logo, não tenho mais nenhum propósito.

— E o Henry...?

— Ah, Emma, por favor. Nós duas sabemos que a coisa que ele mais quer é sair de perto de mim, ele não me ama. — Com sua sinceridade e com a exposição dos fatos tão sem medo, Regina até causava comoção em Emma.

— Mas... Essa não é a saída! Não podemos procurar o que você perdeu?

— Eu nem sei como é o me foi tomado. — Regina olhou para o chão.

— O que foi?

— Uma filha. — Regina falou um pouco mais alterada pela insistência de Emma. — Uma filha que eu nem pude segurar nos braços por mais de um minuto. Eu não sei onde ela está, não sei como se chama, não sei como é, não sei nada. Durante todo esse tempo, eu não me lembrava disso. E agora que eu lembro, não posso fazer nada. Absolutamente nada.

Emma ficou sem reação. Regina se recompôs e olhou para o lado de fora.

— Henry! — Ela chamou e o garoto desceu as escadas desanimado, porque estava de castigo há um dia. — Você não está mais de castigo.

— Não?

— Não. Vem cá. — Ela chamou e ele foi até ela, parando em sua frente. A mulher abaixou-se em sua altura e o olhou séria, tentando guardar todo e qualquer detalhe que havia deixado passar em todos esses anos. — Desculpa pelo que fiz com você. Eu só quero... Me despedir.

— Despedir? Onde você vai?

— A cidade vai cuidar da Rainha Má, como já deveriam ter cuidado há um tempo.

— Não... Não pode!

— Você pode ficar com Emma agora, eu não vou mais tentar nada, e desculpe de novo. Só saiba que eu te amo, de verdade.

— Você não pode... Eu te amo também.

— Ama?

— Sim. Você é a rainha Má, mas não tão má. — Henry tentou um elogio à seu modo.

Regina o abraçou, aproveitando para guardar o cheiro dele também. Depois, entregou-o para Emma e abriu a porta.

— Seu tempo acabou. — Leroy anunciou e pegou Regina pelos braços. A multidão se reuniu em volta dela e foi arrastando-a por seu jardim. Henry atrás ficou com Emma, ambos sem saber o que fazer.

Já estavam quase saindo da propriedade pelos fundos, Regina já estava com alguns hematomas no rosto, já recebera algumas pancadas e arranhões, quando Snow e Charming chegaram correndo pela frente e chamaram a atenção do povo.

— Parem! Parem! Ninguém vai fazer justiça com as próprias mãos! — Charming anunciou.

— E quem é que vai impedir?

— A consciência de vocês vai fazer isso, se for do jeito fácil. Se for do jeito difícil, vai ser eu.

— E porque deveríamos fazer isso?

— Primeiro, porque essa briga é minha com Regina. — Snow tomou a palavra. — E depois que conviver com tudo o que causou já vai ser ruim o suficiente. Não se rebaixem à isso.

— Todos circulando! — Charming foi até Regina e expulsou todo o pessoal, e ela sentou-se no chão.

— Por que vocês se importam tanto comigo agora? — Regina falou com uma mistura de raiva e angustia.

— Porque você continua sendo uma pessoa. E eu te devo uma coisa ainda. — Snow chegou perto.

— Como?

— O nosso conflito só começou porque eu fui ingênua e contei para sua mãe sobre você e Daniel... E eu me sinto culpada, ao contrário do que você pensa. Mas... quando você se casou com meu pai e ficamos no seu castelo e eu soube que era “tradição de família” ficar longe do marido por muitos meses, eu desconfiei que algo estava errado. Não te via mais pelo castelo, você não saía do quarto, e ninguém entrava. Até o dia que eu vi Cora tomar o caminho para o seu quarto e a segui, ela entrou e logo depois saiu com um bebê no colo. Segui-a escondida até o vilarejo, onde ela colocou o bebê num monte de palha e foi embora. E foi aí que eu entendi o que estava acontecendo e que eu devia isso pra você, Regina. Eu peguei o bebê e levei-o até uma antiga amiga da minha mãe. Ela tinha outros filhos e saberia o que fazer. Até você me banir, eu visitava-o todos os dias, e dizia sobre você. Nunca te contei porque... Algo me dizia que sua mãe saberia disso também e as coisas ficariam piores. — Snow abaixou-se ao lado de Regina e contou tudo o que sabia.

— Ela... está viva? — Regina perguntou, em meio a soluços que se formaram no meio da história de Snow.

— Sim. E sabe quem você é.

— Onde...?

— Danielle, vem cá. — Snow chamou com toda sua fofura rotineira e a garota apareceu detrás do muro. De longe, Regina pôde ver os mesmos olhos que viu há anos atrás e os cabelos escuros como os seus. No momento que a menina de 13 anos apareceu, ela cobriu a boca de espantou e gotas grandes e quentes de lágrimas fizeram caminho por sua bochecha.

— Oi... — A menina disse envergonhada.

— É você... — A voz de Regina saiu como um sussurro enquanto ela se levantava e aproximava-se de Danielle.

— Eu pedi para a amiga de minha mãe pôr esse nome... Por motivos de... você sabe. — Snow comentou e deu de ombros.

— Obrigada. — Foi a única coisa que ela conseguiu dizer com o pouco de fôlego à Snow.

— Vamos deixar vocês à sós, qualquer coisa estamos na sua sala. — Charming avisou e deixou as duas no jardim.

Regina estava comovida e olhava cada pedaço da garota, cada característica.

— Snow sempre me contou sobre você...

— Tenho certeza que não foram coisas boas.

— Na verdade, ela contava de quando você a salvou no cavalo. O que aconteceu com você?

— Isso é pra outra hora. Eu nem acredito que... você está viva, e aqui e...

— E nem eu que eu estou te vendo pela primeira vez...

— Desculpa. — Regina abraçou a menina com força, mas com cuidado. — Eu nunca, nunca mais vou te perder de vista.

Notas finais
Gostaram?
Comentem o que acharam, por favor! É importante! Heheh
Bem, espero que tenham sim gostado e é isso.
Até.
Beijas de lux.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!