Something new
11 Getting ready
Notas iniciais
Depois de contar para as pessoas que realmente importavam, em alguns dias todos já sabiam que o casal Dixon teria um bebê dali alguns meses. Maggie tinha ido até a casa da irmã se desculpar, falando que tinha sido egoísta quando não ficou imediatamente feliz por Beth, e que estava realmente animada para ser titia. As duas choraram, lembraram do pai, da família que tinham no passado.
— Quem diria que aquela menininha da fazenda, que surtou quando soube que eu usava anticoncepcionais iria se casar com um caipira grosseiro e que teria um bebê tão nova! – Maggie falou sentada no sofá da casa de Beth.
— Não acho que seja nova, na realidade na atual situação acho que idade cronológica pouco importa. – comentou com a irmã que prestava atenção em Hershel que estava deitado no chão brincando com mordedor que fazia barulho que Daryl havia levado para o menininho de sua última saída. – O Hershel está crescendo tão rápido, Maggs. – completou seguindo o olhar da irmã.
— Sim. Ele era tão bebezinho outro dia, agora já está querendo começar a sentar. – respondeu. – Ele e o primo vão ser grandes amigos, Beth. – falou e a irmã caçula sorriu e deitou a cabeça no colo da mais velha que fez carinho nos cabelos loiros dela.
As duas ficaram ali quase a tarde inteira, observando o bebê, conversando, algumas vezes só aproveitando a companhia uma da outra. Beth contou a Maggie da conversa que ouvira de Rick e Daryl sobre Jane, a morena ficou chocada com a audácia da outra, as duas comentaram que já tinham reparado os olhares desejosos dela para cima do arqueiro, e que não seria uma pessoa que acabara de chegar, nem ninguém que tiraria Daryl de Beth, os dois tinham passado muitos desafios para finalmente conseguirem ficar juntos, para finalmente admitirem tudo o que sentiam um pelo outro. Beth contou que Alison tinha dito que Jane não media esforços para conseguir o que queria, o que tinha deixado a loira ligeiramente preocupada. A irmã mais velha respondeu que ela não precisaria se preocupar, e que Jane não faria nada.
Mais tarde naquela mesma noite, Beth e Daryl estavam jantando, ela lhe contou que passou a tarde com Maggie e que antes do jantar tinha ido até o consultório de Denise para lhe contar a novidade, e que a mulher havia lhe dado algumas vitaminas para que ela tomasse. Daryl tinha passado o dia com Rick e Glenn acertando os últimos preparativos para a saída deles, que seria no dia seguinte. Beth tentou engolir a preocupação que surgiu em sua mente, principalmente depois do homem comentar que na divisão dos grupos ele teria que ir com Jane. Suspirou quando o marido lhe beijou o pescoço enquanto ela arrumava a cama para que pudessem deitar. Ela riu levemente e se virou para ele que abraçou sua cintura e a beijou lentamente, como poucas vezes fazia.
— Não precisa fingir que não está preocupada Beth. – ele lhe disse quando separaram os lábios. – Eu que tenho motivos para ficar preocupado, estou te deixando sozinha, grávida...
— Não tem nenhum motivo. Ficarei bem. – falou juntando seus lábios ao dele mais uma vez. – Melhor, nós ficaremos bem. – corrigiu e Daryl olhou nos olhos azuis dela, procurando firmeza e encontrou, a Beth decidida estava ali. – Só fique a salvo para nós dois.
Os dois não tiveram outra conversa conexa pelas horas que seguiram, as roupas foram tiradas, as partes do corpo beijadas, caricias, gemidos, frases sussurradas e o barulho dos corpos em movimento foram os únicos sons escutados na casa. Beth adormeceu deitada no peito de Daryl enquanto ele a observava, o homem ficou algum tempo ali parado, até que o sono o consumiu.
O dia seguinte começou relativamente cedo, os dois se levantaram e tomaram banho juntos antes de descerem para o café da manhã. Comeram em silencio, e Daryl logo foi até a sala verificar se sua mochila tinha tudo para uma emergência, se sua besta estava no lugar. Alguns minutos depois ele se despediu de Beth na porta, a loira o beijou e sussurrou que o amava, ele deu um sorriso desajeitado e sem graça e respondeu que a amava também, e que voltaria com o que precisassem para o bebê. Beth ficou vendo o marido andar até o ponto de encontro e sumir ao fazer a curva no final da rua. Respirou fundo e acariciou sua barriga como se quisesse dizer ao bebê ali dentro que os dois ficariam bem, e que papai voltaria logo.
Daryl chegou ao portão e viu que Carol já arrumava tudo na caminhonete que iriam sair. Ele iria com Carol e Jane, no carro e no grupo deles ainda teriam Rick, Padre Gabriel e Rosita. Glenn, Michonne, Tara, Noel e Spencer tinham acabado de sair. Jesus, Abraham, Sasha, Eugene (que iria para ajudar na procura para uma máquina que estava consertando) e mais dois moradores de Hilltop também sairiam. Daryl estava se preparando mentalmente para ficar dentro do carro com Jane depois de tudo que ouvira, apesar da quase ordem de Carol para que ela fosse no carro de Rick a mulher não entendeu. Eles entraram na caminhonete, Daryl no volante, Carol no meio e Jane bufando por não ter conseguido sentar perto dele. Quando eles ultrapassaram os limites dos muros de Alexandria, Daryl sabia que teria que ter muita paciência para simplesmente não deixar Jane na primeira parada que fizessem.
A busca seria feita pelos três grupos, eles manteriam contato via rádio, Eugene tinha conseguido consertar alguns que encontrara no porão de casa. Conforme fossem se aproximando de Washington eles iriam se reunir para entrar na cidade. Enquanto avançavam na estrada em busca da primeira parada que ficava em um desvio da estrada há uns 4 quilômetros de Alexandria, viam alguns carros parados no acostamento e poucos walkers perambulando. Eles chegaram a loja que estava aparentemente intacta, pois tinha placas de metal na frente, reforço nas portas e janelas. Daryl deu a volta no local e encontrou uma porta que poderiam abrir. Ele e Rick forçaram a porta por algum tempo com um pé de cabra, e ela acabou abrindo.
Era uma loja de departamento do interior, para a felicidade deles. Eles bateram na parede para atrair walkers que poderiam estar ali, mas tudo o que obtiveram em resposta foi o silencio. Rick tirou de seu bolso uma lista e falou algumas das coisas essenciais que poderiam precisar além de todo tipo de comida que encontrassem. Daryl e Carol foram para a sessão de roupas e Daryl simplesmente pegou todas as roupas de bebê que viu pela frente enquanto Carol separava algumas roupas para Beth, e para os outros. Daryl jogou as coisas na mochila, pegou uma outra bolsa que encontrou para poderem ter mais espaço. Ele ouviu a voz de Rick o chamando de outra sessão e foi até lá.
— Fraldas. Bebês precisam de fraldas. Me ajuda a carregar os pacotes lá para a caminhonete, porque é infinita a quantidade de fraldas que essas crianças usam, ainda temos uma boa quantidade daquela vez que encontramos o caminhão de entregas das farmácia, mas com mais um bebê chegando é bom termos garantias. – comentou e Daryl pegou os pacotes com o amigo. – Essa loja foi com certeza uma sorte, não sei como nunca vieram aqui, parece que está intocada, só o setor de comida mesmo, e a maior parte do que se foi foram enlatados, mas o estoque está com alguma coisa.
— Mas não chega perto da nossa meta de comida. Espero que os outros encontrem, não estou empolgado para me enfiar numa cidade que vai estar lotada de walkers. – Daryl comentou. – Vou ver se tem mais alguma coisa que possamos carregar.
Ele entrou de volta na loja, foi procurando, até que encontrou um cercadinho, como o que a Judith tinha, servia até de berço para a garotinha, e Hershel tinha um, ele e Glenn tinham conseguido numa loja perto de Alexandria também. Pegou a caixa e quando estava quase na porta encontrou com Jane que ia levando uma sacola com o que parecia ser comida.
— Outro cercadinho? Hershel é meio pequeno para ganhar um irmão. – Jane riu. E Daryl revirou os olhos e a ignorou.
— AH, Daryl, que bom que encontrou o cercadinho, mal posso esperar para ver o pequeno Dixon aí dentro. – Carol disse se aproximando, ela tinha ouvido tudo e andava sem paciência para Jane.
— Pequeno Dixon? – A mulher perguntou com os olhos se arregalando.
— Sim. Você não sabia? Daryl e Beth vão ter um bebê daqui alguns meses. – Carol disse sorrindo e Daryl revirou os olhos, bufou e saiu pela porta colocando a caixa na traseira da caminhonete. – Claro, não que seja da sua conta. Mas não é incrível? – a mulher provocou sorrindo, e saiu pela porta atrás de Daryl carregando duas bolsas com roupas e material de higiene pessoal.
Jane ficou olhando para a porta durante alguns segundos, antes de voltar a si e levar as coisas para o carro. Durante mais de uma hora tudo o que fizeram foi empacotar e colocar as coisas nos carros. Rick tinha encontrado uma “caçamba” e tinha a acoplado junto com Padre Gabriel a caminhonete para que pudessem colocar as coisas que fossem encontrando pelo caminho. Todo estoque seria pouco, afinal de contas ainda dividiriam o que achassem com Hilltop. Jane sentou-se na parte de trás da caminhonete e fingiu que descansava por um momento, ela só pensava em como Beth tinha sido esperta em engravidar de Daryl, mas não seria aquilo que a faria desistir, ela teria de ser mais radical.
Rick passou um rádio para Glenn que disse que não tinham tido tanta sorte, encontraram alguma comida, e um depósito com alguma munição. Eles combinaram de continuarem se comunicando enquanto dirigiam. Abraham avisou que eles tinham conseguido algumas coisas também, pouca comida, mas tinham achado uma casa com bastante refrigerante e bebida, coisa que o ruivo fez questão de carregar. Eles seguiriam até uma casa abandonada onde tinham feito uma varredura, e o grupo todo se encontraria ali a noite para acampar e decidir o que fazer em seguida.
Eles vasculharam a área durante horas, a procura de qualquer coisa que pudesse valer a pena, e pudesse os manter em casa durante os meses do inverno. Quando tinham certeza que já haviam carregado tudo o que podiam, e o céu já dava indícios que ia anoitecer Rick chamou Daryl,
— Acho melhor que mandemos Gabriel e Tara para casa com tudo que pegamos, não quero correr o risco de perdermos isso na estrada. Apesar de não ser tudo o que precisamos é uma boa quantidade. – comentou
— Ok, pensei a mesma coisa. Mande Jane de volta para casa, ela é um pé no saco. – Daryl comentou abrindo a mochila e verificando o que tinha jogado ali dentro.
— Não posso, ela é uma boa atiradora, e sabe se virar, se formos entrar em Washington... – respondeu vagamente. Jane passou o dia cercando Daryl e já estava tirando a paciência até de Rick, a todo momento a mulher não perdia a oportunidade de reclamar que Maggie e Beth tinham ficado em casa. Numa das vezes Rick se irritou e gritou com ela avisando que ela tinha se voluntariado para a saída e que se não estava satisfeita poderia voltar a pé. – Bem, ela passou o dia reclamando, se ela quiser pode ir embora mesmo, mas não vou mandar.
— Faça o que achar melhor, só espero que ela mantenha distancia de mim. – Daryl respondeu. – Vamos falar logo com eles, melhor irem na estrada enquanto ainda está claro.
Rick juntou todos e explicou seu pensamento, não que realmente precisasse. Gabriel e Tara concordaram, e antes que saíssem com a caminhonete lotada de coisas, Daryl se apoiou na janela de Tara e lhe entregou uma sacola com algumas coisas.
— Pode entregar a Beth para mim? – perguntou no máximo de gentileza que conseguia. E Tara assentiu sorrindo. – Otimo. Cuidado na estrada padre, o diabo pode estar à espreita para pegar quem se descuida. Avisem pelo rádio quando chegarem. – terminou e desencostou da janela do carro, e os dois partiram de volta para casa.
Carol, Rick, Jane e Daryl se enfiaram no carro e voltaram para estrada em direção ao ponto de encontro. Foram os últimos a chegar, e quando desceu do carro Rick foi direto abraçar Michonne que estava de guarda na porta. Eles todos entraram para decidir os próximos passos.
— Mandei Gabriel e Tara para casa, eles já avisaram que chegaram, vocês devem ter ouvido. Não quis correr o risco com as coisas que encontramos, apesar de não bater a nossa meta, foi uma boa quantidade. – Rick avisou.
— Encontramos alguma coisa também, mas acho que será inevitável irmos a Washington. Passamos o dia vasculhando toda essa área, e o que encontramos foi pouco, lojas, algumas casas. – Glenn disse enquanto comia uma barrinha de cereal que tinham encontrado pelo caminho, ele distribuíra para todos. – Não era com certeza meu objetivo de vida entrar na capital lotada dessas coisas.
— Não é o de ninguém. – Daryl bufou do seu canto. – Não estou nem um pouco animado para me enfiar numa cidade lotada dessas cosias. Mas já que estamos aqui. – comentou e encostou na parede atrás de onde estava sentado.
— Concordo com o Glenn. – Jesus disse. – D.C. vai ser nossa última jogada antes do inverno. – ele esticou os braços atrás da cabeça. – Acho melhor descansarmos, amanhã vai ser o dia.
— Se é o que todos acham, vamos a capital. – Rick disse, e voltou para o lado de Michonne. – É melhor todos descansarem. Vou pegar o primeiro turno da vigia. – Vamos sair amanhã de manhã.
Algum tempo depois tudo o que se ouvia naquela sala de estar eram os barulhos que todos faziam enquanto dormiam. Rick ficou sentado na varanda olhando a escuridão até Daryl se aproximar e sentar-se do seu lado. Os dois ficaram ali olhando o nada, com armas prontas para o caso de uma emergência.
— Se quiser pode ir deitar. – Daryl disse. – Não vou conseguir dormir de qualquer maneira. – comentou e acendeu um cigarro.
— Não, estou bem. Preocupado com amanhã, a última cidade grande que tentamos não foi muito agradável. – Comentou com o amigo.
— A última vez que estivemos em uma cidade de verdade eu saí de lá com Beth com um tiro na cabeça. Se eu morrer nessa merda amanhã, — Daryl começou e Rick olhou para o amigo. – Você pode cuidar de Beth e do bebê para mim?
— Que merda é essa, Dixon. Você não vai morrer. Nós vamos voltar inteiros. Sempre voltamos, desde o início dessa bosta. – Rick disse, ele nunca tinha visto Daryl falar aquelas coisas.
— Eu nunca me preocupei muito em morrer. Não tinha preocupações com isso, mas a Beth, ela está me deixando um viado. Eu não quero que ela fique sozinha, não quero meu filho sozinho. Nunca pensei que fosse ser pai, e agora nessa situação... Eu realmente só quero voltar a salvo para ver meu filho pelo menos uma vez. – comentou e tragou o cigarro mais uma vez.
— Me lembre de agradecer a Beth quando voltarmos. Ela implantou em você o senso de autopreservação que nunca tinha visto em nenhum Dixon, a loira está de parabéns. – Rick comentou e Daryl bufou e resmungou alguns palavrões. – Você e eu somos irmãos, e vamos cuidar de tudo um pro outro caso algo aconteça. – comentou. Os dois deram a conversa por encerrada, mas Rick estava achando muito doida a mudança que estava ocorrendo em Daryl Dixon, ele havia falado sobre seus sentimentos com o amigo, e por mais que ele dissesse que aquilo era coisa de “viadinhos” Rick estava orgulhoso do trabalho de Beth para desconstruir o muro ao redor de Daryl. Do lado de dentro da casa, Jane que estava deitada perto da janela ouvia toda a conversa, e pensava mais uma vez como faria para tirar Beth do caminho dela.
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