Notas iniciais
Capítulo meio chatinho e menor do que eu sempre posto, mas ele é tipo essencial e tudo mais. Na última frase vcs vão entender tudo (espero tutstuts) Enjoy :3

Acordei cedo. Estava confuso... como eu tinha parado ali? Não me lembrava de ter ido até a enfermaria nem nada parecido. Acho que peguei no sono lá mesmo, na grama. Alguém devia ter posto-me para dormir.

E... o que havia acontecido?! Ah, não. Aquilo foi real? De repente, tudo ficou turvo e eu já não podia afirmar se aquilo havia sido um sonho ou não.

Olhei para a janela. O sol ainda nem iluminava as inúmeras camas hospitalares do local, e ainda estava tudo um pouco escuro. O sol nasceria daqui a pouco tempo.

Tentei virar-me de lado e voltar a dormir, mas parecia impossível. Minhas pálpebras estavam pesadas, mas dormir era improvável. Não tinha sono algum. Decidi, então, assistir ao nascer do sol, sem outra opção melhor.

Mal o sol começou a surgir, a porta foi aberta. Era um garoto que eu nunca tinha visto antes. Perseus havia falado sobre ele... Patrick? Talvez.

– Oi. Você é Nico, não é? – ele pediu.

Assenti com a cabeça. Ele deu um sorriso.

– Bem, Percy viria aqui te avisar, mas ele está de ressaca. Então, como pode imaginar, ele me mandou aqui e tudo mais. Ahn... vamos ter atividades matinais, e Quíron te liberou para ir, se quiser.

Dei de ombros.

Na verdade, eu não queria ir. Mas decidi considerar a opinião do Percy. Talvez realmente houvesse algumas pessoas legais para conhecer. Então, naquela hora, eu tomei a decisão estúpida de fingir que nada tinha acontecido no dia anterior; que nada havia me feito correr.

– Pode ser – disse.

– Ok. Estou te esperando ali fora. Pode se trocar, depois só vai ali que eu te levo para a área da escalada, valeu?

– Ok.

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– Então... é aqui.

Olhei ao redor. Havia pessoas por todos os lados. Algumas conversavam, outras massageavam as têmporas, como se estivessem com dor de cabeça. Tinha até algumas pessoas dormindo – por causa da ressaca, imagino. É, eu perdi uma grande festa.

Olhei para a parede de escalada. Lava escorria por ela, e de repente desaparecia, como se houvesse uma barreira impedindo que ela fritasse todo mundo que assistia (e provavelmente existia mesmo). Levei um susto. Podia até parecer que não, mas ainda estava sendo difícil de assimilar todo aquele mundo paralelo mágico. Caramba, havia um centauro e um deus grego (literalmente) andando por aquele Acampamento. Que tipo de pessoa se acostuma rapidamente a isso?

– Legal, não é? – Patrick falou, notando que eu olhava para a montanha. – É um lugar literalmente quente...

Ele estava olhando para algumas garotas, que eu julguei serem filhas de Afrodite.

– Pois é – respondi, só para não deixa-lo falando sozinho. Ele parecia ser um cara legal.

– Ahn, eu sei que você não gosta muito de socializar, conversar e esse tipo de coisa... Mas posso te fazer uma pergunta? – ele perguntou.

– Acabou de fazer uma.

Ele também sorriu.

– Até que você tem senso de humor. Mas e então? Posso?

– À vontade.

Ele olhou para mim.

– Hum, o Percy me contou sobre ontem à noite.

Meu coração falhou uma batida.

– O quê? O que ele disse?

– Ele falou sobre uma hora que vocês estavam lá, conversando... e você, bem, desapareceu. Do nada. Puf.

Ah, graças aos deuses. Não era aquela parte.

– Eu queria te pedir – ele continuou – sobre o que foi aquilo e como você fez? Meus deuses, acho que não tem nenhum deus do tele transporte instantâneo, tem?

– Acredite, se eu soubesse te diria.

– Acho que você deveria conversar com Quíron. Ele deve saber o que fazer, e pode te explicar alguma coisa.

Não. Aquilo não era uma possibilidade. Imaginei a chuva de perguntas que cairia em mim.

Por que você saiu correndo?

Por que estava chorando?

O que aconteceu depois?

Eu não poderia responder a nenhuma. Não poderia e nem iria querer.

– Acho que não, cara. Ahn... algum dia eu descubro.

– Essa é sua desculpa? Algo do gênero “o destino vai se encarregar de tudo”? Caramba, eu achava que você era diferente daqueles babacas ali. – ele apontou para um grupinho de garotos musculosos e garotas bonitonas. – E diferente do filósofo do Percy, é claro. Ele faz cada filosofia besta e sem sentido... enfim. Pare de frescura. Você é homem, é macho. Vai lá, descubra o que está acontecendo. Depois, volte aqui e mostre pra todo mundo como você é foda, e sambe na cara da sociedade. Beleza?

Revirei os olhos, brincando.

– Ok, eu vou lá. Mas quem tentou filosofar agora foi você, e não o Percy.

Ele riu.

– Querido, eu não tentei. Eu realmente filosofei. – ele olhou novamente para as filhas de Afrodite. – Agora, tenho que ir. Ainda está muito frio aqui, sabe. Tenho que me esquentar um pouco.

Eu ri.

– Só tome cuidado pra não...

– Ah, espere, espere, espere! – ele me interrompeu. – Elas estão vindo pra cá. Os deuses realmente existem!

Elas vieram rebolando em cima de seus saltos-altos, como se estivessem em uma passarela (o que eu achei ridículo).

– Oi, Pat – uma garota loira falou, e depois abanou para ele. – Oi, gostosão.

Olhou para mim de cima para baixo.

– Você parece ser tímido e antissocial. É rockeiro? Eu adoro o perigo. – ela falou, descendo a mão pelo meu peito. Senti meu rosto fervendo.

– Desculpa... eu tenho namorada – menti. Ela fez beicinho.

– Não tem problema, gato. Não tenho ciúmes.

Ela mandou um beijinho e saiu rebolando.

– Você é idiota?! Podia ter pegado ela! Não acredito. Você desperdiçou, de primeira, a coisa que eu sonhei durante minha vida toda.

Eu ri.

– Elas não são meu estilo. Vou lá falar com...

Gelei, exatamente como ontem à noite. Eu não só o estava vendo, e ele não só estava sorrindo; ele estava vindo em minha direção. Patrick sorriu e abanou para ele, sinalizando para que viesse. Ele me puxou mais para perto, quando tentei sair dali. Ele estava cada vez mais perto.

– E aí, cara? – disse Patrick, quando o garoto dos olhos castanhos chegou. – Não te vi ontem, na festa. Onde você estava?

Ele deu de ombros. Tomou um gole do refrigerante que segurava em mãos.

– Por aí, né. Pegando algumas filhas de Afrodite. Sou gostoso demais para elas resistirem.

Ele passou, brincando, a mão em seu cabelo, como se estivesse se arrumando. Os dois riram.

Patrick me puxou ainda mais para perto (como se fosse possível) e me deu um cascudo, desarrumando ainda mais meu cabelo. Eu olhava para longe, tentando pensar em alguma maneira de desaparecer dali, como ontem. Quando levantei a cabeça, ele me fitava com seus olhos castanhos. Seus lábios curvaram-se em um sorriso.

– Esse aqui é o Nico di Angelo. Um amigo do Percy – disse Patrick, visivelmente animado. – Nico, este é o Leo. Leo Valdez.

Notas finais
Reviews?