Something Special
4 Capítulo 3 - Parte II
Notas iniciais
Coralina Sánchez Mills,ou Cora,como os amigos e parentes a chamavam,era uma pessoa espirituosa.Conheceu o marido,o oficial da Marinha americana Henry Mills,quando trabalhava no restaurante de uma das tias em Havana,na época do Carnaval.Ok,digamos que ela não estava servindo mesas.Estava em cima de uma delas.Dançando.E gritando que os americanos eram todos uns merdas.Essa era e é,Cora Mills.
– Mãe! — Regina chamou quando viu a excêntrica senhora entrar pelo portão dos fundos,usando um vesido vermelho mais curto que o dela,óculos escuros,saltos e um chapéu maior do que a própria cabeça — Wow!Isso é um chapéu ou uma versão Godzilla de um sombrero? — exclamou quando foi abraçar a mãe — Espera,você tinha isso quando nosso guarda-sol quebrou nas férias do ano passado e Milagros virou praticamente um camarão em Varadero¹? — Cora a encarou por alguns segundos
– Deixe o passado no passado,querida e me ajude com essa caixa. — finalmente respondeu e sorriu,entrando na casa
– Mãe!Poderíamos ter fincado um cabo de vassoura na areia e colocado isso em cima! -Regina exclamou,antes de se abaixar para pegar a caixa — Deus,o que tem nisso?Pedras? — resmungou ao tentar arrastar a mesma
– Ah,deixe disso,é o presente do Roland.Uma moto vermelha e azul à bateria! — e se jogou em uma das espreguiçadeiras à beira da piscina — Isso é muito bom,quando foi que Robin melhorou o gosto nos móveis?
– Espera,você disse moto? — Regina bufou — MÃE,ELE TEM 3 ANOS!Ainda não consegue nem ir no banheiro sozinho!
– Ei,princesa,o que está acontecendo? — o pai de Regina havia chegado e logo foi recebido com um abraço apertado da morena — Já vi que não gostou do presente,não é?Tentei convencê-la de levar um boneco do Batman mas ela não me ouviu.Prometo levar você junto para comprar o presente de Natal do garoto. — e deu sua famosa gargallhada sonora.
Regina gargalhou junto,ainda abraçada ao velho.Como ela sentia falta daqueles dois.
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Conforme os convidados iam chegando,a "mansão Hood" ficava cada vez mais sem espaço.Robin e Regina não conseguiam se sentar um minuto:sempre que tentavam,algum dos convidados chamava ou os filhos ou a equipe do buffet cada vez que Zelena entrava na cozinha e tentava roubar alguma bebida.
– Mãe,mãe!Venha ver como a filha do tio Killian está uma graça! — Milagros entrou na sala,puxando Regina pela mão — Venham vocês também! — disse para Mary Margaret,Emma,Tinker e Ruby,amigas de trabalho de sua mãe.
Com certeza,Claire Jones seria a fofura da festa.Era uma menina linda de cabelos cor de mel e olhos verdes,da idade de Roland.Usava uma vestidinho branco com estampas de rosas amarelas.Todos exclamaram um "Awn" quando ela se soltou da mão do pai e correu para Regina assim que esta chegou ao quintal.A morena e abaixou para ficar do tamanho da pequena e sorriu.
– Olá,mocinha!Que linda você está hoje! — e cutucou de leve a barriga da menina,que sorriu e a abraçou apertado. — Espera,meu amor,Roland queria te dar uma coisa mas acho que ele está tímido demais para falar com a coleguinha. — disse um pouco mais alto,sabendo que Roland estava no colo de Robin,ali perto.A morena fingiu que procurava pelo filho — Onde ele se meteu?Ah,ali está! — disse apontando para o filho,que logo escondeu o rostinho no pescoço do pai
– Ei,Roland!Se quiser seu presente de aniversário,é melhor não deixar minha filha esperando! — Killian brincou e todos gargalharam — Vamos lá,amigão,ela escolheu esse vestido especialmente pra vir na sua festinha hoje!
Ao ouvir aquilo,Roland se mexeu no colo do pai,pedindo para descer,e foi andando devagar e meio sem jeito em direção à menina.Deu o pacote de balas já vazio para Regina e abriu a outra mãozinha,revelando uma pequena margarida já amassada,estendendo à mesma para Claire:
– Toma! — disse rápido com um sorriso no rosto e foi surpreendido por um abraço apertado da menina,que disse um baixíssimo "Bigada".
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Notando como o amigo ficara calado durante o churrasco,Robin pegou duas cervejas e foi até o outro lado da piscina,perto do jardim,onde Killian se encontrava sentado olhando fixamente para a água.
– Ei,cara,tudo bem aí? — disse entregando uma garrafa para o amigo e sentando ao seu lado
– Ela se parece tanto com ela,Robin.Até no jeito tímido mas caloroso de receber presentes e agradecer. — Killian tinha a voz embargada — Como aquilo pode acontecer? — algumas lágrimas teimaram em cair
Há 1 ano,a esposa de Killian,falecera vítima de leucemia.Ele havia ficado desolado e precisou entrar em terapia para superar a morte de Milah,pois ainda tinha um filha pequena e teria de melhorar pelo bem dela.
– Killian,ninguém tem culpa disso,é a vida. — deu um tapinha nas costas do amigo — Agora você tem de levantar a cabeça e olhar para o caminho à sua frente.Olhe,veja lá no final quem te espera:Claire. — e sorriu
– Acha mesmo que estou fazendo um bom trabalho com ela?Quer dizer,não entendo de meninas e sei que ela uma hora ou outra,vai precisar de uma mãe e eu não sei se algum dia estarei pronto para me casar ou me relacionar de novo com alguém — enxugou mais algumas lágrimas e tomou um gole da cerveja.
– Claro que você faz um bom trabalho,ela é um doce de menina!E olha,Regina e eu sempre estaremos aqui.Ajudamos você há 1 ano e vamos ajudar sempre,amigos são pra isso mesmo.
Os dois ficaram mais um tempo observando a água,os pássaros,as folhas que balançavam e caíam com o vento e algumas nuvens escuras que se formavam,anunciando chuva.Killian terminou a cerveja e riu de repente.
– É engraçado como você ainda fala "Reginae e eu" mesmo depois do divórcio.
– É apenas um modo de falar,Killian. — Robin abaixou a cabeça e ficou batucando na garrafa
– Ah,cara,olha isso! — Killian gargalhou — Parece que estou olhando para o Robin de 17 anos atrás quando sentou ao meu lado em uma das festas da faculdad,lá em Storybrooke e me contou que iria pedir Regina Mills em casamento. — Robin riu com a imagem daquela lembrança em sua mente — Você não mudou nada...nem os seus sentimentos. — acrescentou após uma pausa. — Todos vemos o modo como vocês ainda se olham..
– Esqueça,Killian.São águas passadas,não somos compatíveis e... tudo mudou. — disse fitando uma folha que havia caído na piscina e agora se movia lentamente com o vento — Não há um caminho de volta... — suspirou com pesar e se levantou,bebendo o último gole da cerveja.
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Quando a chuva começou foi uma correria só de todos os adultos para tirar as crianças e as comidas do lado de fora e montar tudo de novo na sala de jantar da mansão.E finalmente,depois de todos se acalmarem,chegou a hora tão esperada,a hora do parabéns.Regina e Milagros arrumaram novamente a mesa do bolo e dos docinhos,enquanto Henry e Robin ficaram encarregados e verificar se os iPads estavam carregados para que muitas fotos e vídeos fossem garantidos.
A um certo ponto,quando todos já estavam em volta da mesa do bolo,Milagros desceu as escadas correndo.
– Mãe,não consigo achar o Roland em lugar nenhum! — ela disse,ofegante
– Como assim?Você olhou em todos os cômodos? — Regina segurou as mãos da filha — Ele tem medo de tempestades,deve ter se escondido.Fique aqui,eu vou olhar.
1 hora se passou e Regina havia virado a casa de ponta a cabeça.Até arriscou abrir a porta da varanda do quarto de Robin e a porta de entrada da frente,mesmo com toda aquela ventania.E nenhum sinal do menino.
– Algum sinal dele? — Robin perguntou,preocupado
– Pessoal,por que o Max está fora do canil? — disse Emma,olhando para o quintal pela porta de vidro,se referindo ao filhote de golden retriever que estava todo molhado e latia insistentemente.
Robin abriu a porta da varanda e chamou Max mas o cachorro continuava latindo e correndo de um lado para o outro na beirada da piscina.
– Pai... a piscina não deveria estar coberta? — Milagros estava quase chorando
Ao ouvir aquilo,Robin arregalou os olhos e correu para fora.No minuto em que colocou os pés no quintal,sua roupa se encharcou e ele teve de se segurar em uma pilastra para ficar em pé no vento."O vento deve ter levado a cobertura",pensou.
– ROLAND! — gritou mas ouviu sua voz ecoar — ROLAND!ONDE ESTÁ VOCÊ? — franziu os olhos,a fim de enxergar do outro lado mas as árvores e arbustos no fim da piscina se agitavam muito e o latido de Max não o deixava pensar direito.
– ROBIN! — ele ouviu Regina,que agora também estava do lado de fora e toda ensopada,gritar e apontar para o cachorro — A PISCINA! — ela chorava e tentava se aproximar da beirada,lutando contra o vento.
"A piscina.Meu deus,não pode ser!",falou para si mesmo e prestou atenção na direção em que Max latia,bem na hora em que a chuva e o vento apertaram e um dos troncos de árvore caiu na parte mais funda da piscina e ele viu algo se mexendo.
– ROBIN! — Regina gritava e chorava.Ele se deu conta de que Roland estava ali e então se jogou na água.Chegando perto viu o filho desacordado e preso no ralo da piscina pelo cadarço do sapato. — MEU BEBÊ!NÃO! — Robin podia ouvir os gritos destorcidos de Regina embaixo d'água.Rapidamente ele tirou o sapatinho de Roland,o agarrou pela cintura e nadou com ele para a superfície — ROLAND!!
Robin pousou o menino na beirada da piscina,onde Regina estava e chorava desesperada quando tomou o filho nos braços.Ele saiu da água e a chuva começou a cessar.Se ajoelhou ao ladoda ex-esposa,que colocou Roland no chão,e começou a pressionar seu peito,a fim de fazer a água sair.
O menino então tossiu,colocando a água para fora e esfregou os olhinhos,para tirar a água,abrindo-os em seguida.
– Mamãe,papai...
Regina o pegou no colo e Robin a abraçou por trás.Todos tinham lágrimas nos olhos e um sentimento de alívio no peito.Olhando aquela cena,Milagros teve um dèja vú do dia do nascimento de seu irmão,em que a pose dos pais havia sido a mesma,e sorriu para Henry,que assentiu também sorrindo.Tinham certeza de que aquilo era pra sempre e não deixariam que se desperiçasse.
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