Something Special
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Por alguns bons minutos,Robin ficou sentado na cadeira do quarto.Todo o diálogo que tivera com Regina insistia em passar em sua cabeça,como se fosse o filme mais longo da história;sua consciência fizia questão de lhe mostrar o quanto fora imbecil e egoísta.Uma batida na porta o despertou de seus pensamentos.
– Com licença,senhor. — chamou uma enfermeira,parada na entrada do quarto — Vou pedir que se retire.Vão transferir um paciente da UTI para cá e precisamos preparar o quarto. — completou,oferecendo um sorriso fraco ao que Robin respondeu com um aceno de cabeça
Ao sair do quarto,o britânico começou a caminhar pelos corredores,sem realmente prestar atenção nos movimentos à sua volta,quando algo chamou sua atenção.Ao chegar a uma certa ala do hospital,uma risada fraca penetrou seus ouvidos.
Robin diminuiu o ritmo de seus passos quando percebeu que o som vinha de um quarto logo à frente.Ele não sabia o porquê daquilo estar prendendo tanto sua atenção mas era quase como se fosse magnético,tão magnético que,sem perceber,o britânico estava agora parado a poucos centímetros do cômodo.Apertando os olhos,ele pode ver pela porta entreaberta a cena e a dona da risada.
Dentro do quarto,um homem,que devia ser apenas um ou dois anos mais velho que ele,estava sentado na cama com o braço esquerdo enfaixado e alguns curativos no rosto.Entretanto,não parecia com dor;pelo contrário,ele ria como se aquele fosse o dia mais feliz de sua vida e a razão disso pulava ao seu lado,gargalhando e fazendo sons de animais.
Ao lado da cama,uma menina de não mais que quatro anos,pulava e imitava um leão,colocando aos mãos em posição de ataque,como se fossem garras e rugia.
– Ah,eu sou um leão! — ela disse,se aproximando dele,que fingiu estar com medo e implorou para que ela não o devorasse.
A menina riu mais uma vez,porém logo parou quando o homem teve um acesso de tosse repentino.Robin viu quando todos no quarto pararam de conversar e rir,ficando apreensivos com a situação,e quando uma moça,da mesma idade do homem,chegou perto da cama e sentou na mesma,puxando a menina para seu colo.
– Calma,quer um pouco de água? — ela perguntou,esticando a mão para pegar um copo que estava na mesa ao lado da cama mas a garotinha foi mais rápida e pegou o mesmo,colocando-o na boca do homem
– Está melhor,papai? — a menina,que agora estava absurdamente séria,perguntou quando o homem terminou de tomar a água
– Estou,meu amor.O que seria de mim sem você! — ele respondeu,fazendo um carinho com a mão livre na cabeça da filha e bagunçando a trança da menina
– Papai!Minha trança,cuidado! — ela resmungou,torcendo o nariz mas logo lhe deu um sorriso banguela e o abraçou apertado — Papai,papai,quer que eu faça o leão de novo pra você se sentir melhor? — perguntou com um sorriso que ia de orelha a orelha,fazendo os pais rirem e batendo palminhas quando o homem assentiu
Robin sentiu um sorriso se formar em seus lábios ao ver cena e abaixou a cabeça,percebendo que,involuntariamente,ele tinha a mão esquerda no pulso direito e passava delicadamente o polegar por ali.Com uma risada abafada,ele olhou o relógio,deu meia-volta e dobrou à esquerda em um dos muitos corredores brancos do hospital,desaparecendo depois de uma porta.
– Olá,leãozinho. — o britânico finalmente disse ao abrir a porta do quarto de Milagros e olhou mais uma vez para seu pulso direito e para a tatuagem de leão no mesmo,antes de entrar no cômodo
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Sete horas em ponto e o carro já era um campo de batalha.Lancheiras e bichinhos de pelúcia voavam nas janelas e na parte de trás dos bancos da frente,fazendo Regina e Robin tomarem um total de cinco sustos em menos de dez minutos desde que dobraram a esquina.
– Ok,já chega! — disse Regina,tirando o cinto de segurança e se virando para trás depois que um boneco de ação do Batman voou em seu colo,bagunçando todas as anotações que ela revisava para uma prova da faculdade — Milagros,Henry,parem já com isso!Vão acabar fazendo seu pai bater o carro!
– Mas mãe,ela que começou,ela sempre começa! — o menino choramingou,fazendo bico
– "Ela começou,mãe,ela sempre começa" — Milagros imitou a voz do irmão — Você é um bebê chorão,Henry!
– Não interessa quem começou ou não!Vocês vão parar com isso agora ou eu vou comer sozinha todos os doces que ganharam da sua avó!
– MAS MÃE! — reclamaram os dois mas logo abaixaram as cabeças quando ela lhes direcionou um olhar desafiador,se virando para frente em seguida
Depois de alguns minutos de silêncio,Robin estacionou em frente ao portão da escola e desceu do carro para ajudar Henry e Milagros.
– Se comportem,ok? — ele disse,se abaixando para ficar da altura dos filhos — Henry,sem se meter em confusão,por favor.Aquele braço quebrado mês passado já foi o suficiente.E Milagros,isso vale pra você também,ouviu?Não façam bagunça ou já sabem o que vai acontecer com os doces. — completou rindo e abraçou os dois,se levantando em seguida — Ah,avisem à diretora que hoje vão sair mais cedo.Venho pegar vocês assim que a minha prova acabar para nós começarmos as férias mais cedo. — o britânico deu um beijo na testa de cada um e voltou para o carro.
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Quando o sinal bateu avisando que era hora do recreio,as crianças desceram as escadas em disparada,fazendo os professores que caminhavam pelos corredores se segurarem nas paredes para escapar daquela "avalanche".
Milagros estava mais ao longe,sentada em um dos bancos de pedra,mostrando um livro para as amiguinhas,quando viu um pequeno montinho de garotos se formar no pátio,perto de uma árvore.
– Ei,Mills! — gritou um garoto loiro de cima de uma árvore,depois de jogar uma goiaba em Henry — Ainda choramingando muito por causa do bracinho machucado? — ele caçoou,enquanto seus amigos riam
– Você fez aquilo de propósito,eu sabia! — Henry gritou,indo pra cima dele mas logo foi impedido pelos amigos que diziam que aquilo não valia a pena — Como não vale a pena?Primeiro,ele roubou no jogo,segundo ele me fez cair de propósito!E se eu tivesse batido com a cabeça,ao invés do braço?!
– Ah,por favor!Pare de ser tão menininha! — o garoto zombou mais uma vez
– Menininha?Eu vou te mostrar quem é a menininha,Draco! — e com isso,o garoto se soltou dos amigos,que o seguravam pelo casaco,e partiu para cima do loiro,pronto para lhe desferir um soco quando sentiu alguém o puxar para trás novamente
– Henry,não! — todos se viraram,a fim de achar de onde vinha a pequena voz autoritária — Papai disse sem confusão!Quer estragar as nossas férias e acabar com o outro braço quebrado? — Milagros resmungou,fazendo sua melhor cara de séria,do alto de seus cinco anos, e colocando as mãos na cintura
– Olha,Mills,você tem uma escudeirinha! — Draco caçoou mais uma vez,fazendo os amigos gargalharem
Aquilo fez o sangue de Milagros ferver e Henry abaixou o punho,reprimindo uma risada pois sabia muito bem o que viria em seguida.
– Escudeirinha? — a menina repetiu,inspirando fundo e fazendo seu peito inflar
– Sim,escudeirinha.Em que série você está?Quer que eu soletre pra você? — o loiro continuou zombando e se curvou,ficando da altura de Milagros — Es-cu-dei-ri-nha! — e completou lhe tocando a ponta do nariz com o indicador,enquanto abria a boca para rir mais uma vez
Porém,o som que Draco emitiu não foi uma risada e sim um grito de dor,pois Milagros havia mordido seu dedo e não soltava de jeito nenhum.
– Não fiquem aí parados,façam alguma coisa! — ele gritava,desesperado porque agora a menina segurava seu pulso com toda força — Mills,pare de rir e tire as presas da sua irmã de mim! — ouvir aquilo só fez com que Milagros mordesse com mais força e pisasse no pé direito do garoto,para em seguida,lhe acertar com toda força no meio das pernas,o fazendo cair no chão
Todos em volta riram e começaram a aplaudir Milagros,inclusive os amigos de Draco.
– Quem está chorando agora,hein? — dessa vez,foi a vez de Milagros se curvar para conseguir falar com o loiro,que ainda se contorcia no chão — Da próxima vez que fizer alguma coisa de ruim pro Henry,vai ser bem pior.Ele é um bobão?É!Mas ninguém machuca o meu irmão a não ser eu!
– Meu pai vai ficar sabendo disso! — Draco ameaçou,se levantando devagar
– Ah,vai tentar chupar o sangue dele então,Drácula! — Milagros zombou e mostrou a língua,se virando em seguida,apenas para dar de cara com a diretora
– Os três!Na minha sala,agora! — a senhora ordenou
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Regina estava de costas na cozinha do apartamento preparando a lasanha para o almoço quando Robin a abraçou por trás,dando um beijo em seu pescoço.
– Robin! — disse,soltando um gritinho e deixando a colher cair dentro da panela com o molho — Já disse pra não chegar assim e se as crianças estivessem em casa! — a morena deu um tapa em seu braço — Conseguiu achar o filme?
– Mas elas não estão,nosso semestre acabou de acabar,somos adultos,casados,responsáveis,não estamos fazendo mal à ninguém e além do mais,estamos na nossa casa. — o britânico retrucou — E sim,eu comprei o filme.Eles dois vão amar!Mas agora,não é hora de fala disso... — disse com um sorriso travesso nos lábios
– Robin,o almoço... — Regina não teve tempo de terminar a frase pois quando percebeu já estava sentada na mesa da cozinha com Robin distribuindo beijos demorados ao longo de seu pescoço
Por sete minutos,o casal esteve no céu,até que foram interrompidos pelo som estridente do telefone.Regina deu um pulo e foi correndo atender.Cinco minutos depois voltou,bufando e quase soltando fogo pelas ventas.
– Sua filha mordeu um aluno. — foi tudo o que ela disse antes de voltar a mexer o molho
– Como? — Robin perguntou chocado mas ao mesmo tempo,tentava reprimir uma risada
– A diretora quer que você vá lá agora.E pare de rir,isso não é engraçado.
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Uma lágrima escorreu pela bochecha de Robin,indo cair em cima da tatuagem em seu pulso direito.Ele levantou a cabeça,que estava encostada na grade da cama e olhou para a filha;inerte,alheia a tudo e a todos,talvez presa em seu próprio mundo,talvez presa numa escuridão ou num vácuo sem fim.
– Por que eu tenho que fazer tudo errado,Milagros?Por que? — ele sussurrou,levando as mãos ao rosto — O que eu disse à sua mãe hoje,não tem perdão.Eu não me perdoaria se estivesse no lugar dela e certamente não me perdoria se estivesse no lugar do,bem... — ele parou de falar pois não sabia se a menina conseguia ouvir e,se conseguisse,não era assim que queria dar a notícia de que ele e Regina estavam juntos de novo,o que dirá que ela teria um novo irmão ou irmã dentro de alguns meses — Será que eu sou um pai tão ruim assim?
Como se quisesse contrariar o que o pai dizia,o monitor que controlava a frequência cardíaca da garota começou a ir mais rápido.Robin levantou a cabeça,assustado e olhou para a filha,enquanto novas lágrimas se formavam em seus olhos.
– Milagros?!Filha?! — ele pegou a mão da menina mas esta continuava inerte,apesar de que,cada vez mais,a frequência dos batimentos aumentava — Consegue me ouvir?Você consegue me ouvir! — o britânico agora sorria,sentindo uma felicidade enorme explodir em seu peito.Ele pensou por alguns segundos e resolveu fazer,sem saber,a mesma coisa que Henry havia feito algumas semanas antes;contar uma história e "conversar com ela" — Sabe,hoje eu vi uma menina parecida com você,aqui no hospital,não tinha mais que quatro ou cinco anos.Mas calma,ela não estava internada ou doente,estava apenas visitando o pai e imitando sons de animais — disse,deixando escapar uma risada e se sentando de novo no banquinho ao lado da cama — Mas não era um animal qualquer,era um leão.E acho que você já sabe do que eu me lembrei...
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Robin quase não conteve sua risada quando abriu a porta da sala da diretora e encontrou talvez a cena mais peculiar e engraçada de toda sua vida.Um menino de sete anos,com o dedo enfaixado,sentado do lado esquerdo do pai para escapar das caretas e ameaças de uma menina de cinco anos,enquanto esta resmungava a cada cinco minutos,coisas como "Henry,você é um idiota!Da próxima vez,eu deixo você enfrentar o albino ali sozinho!"
– Ah,Sr. Hood! — exclamou a diretora quando o viu parado na porta — Sente-se,por favor.Agora que chegou,podemos começar a discutir o que aconteceu hoje. — ela completou,enquanto Robin se sentava em uma cadeira entre Henry e Milagros — Bem,eu acredito que vocês dois saibam porque os chamei aqui.O que aconteceu hoje na hora do recreio é algo que eu não quero que se repita.Nós não podemos simplesmente atacar os outros daquela forma,Milagros.
– É,não podemos! — Draco esbravejou,segurando o dedo machucado
– CALADO — o pai de Draco já estava começando a levantar a voz quando recebeu um olhar da diretora — Draco... — completou,normalizando o tom
– Bem,como eu ia dizendo,não podemos resolver nossos problemas assim,a socos e pontapés.E certamente,não vamos resolvê-los trapaecando em jogos e machucando os colegas. — continuou, juntando as mãos em cima da mesa e dirigindo um olhar a Draco,que se encolheu na cadeira — Dos três,o mais sensato foi Henry — ao ouvir isso,o menino sorriu de orelha a orelha — porém,não tão sensato assim por ter deixado que a irmã fizesse,digamos,o serviço por ele.
– Diretora,eu sinto muito.Isso não vai mais acontecer. — Robin se pronunciou
– Eu espero que não,Sr.Hood.Eu não gostaria de ter que expulsar esses cabecinhas brilhantes da escola. — ela dirigiu um pequeno e quase imperceptível sorriso a Henry e Milagros — Bem,como já estamos a três dias do fim do ano letivo,eu não vou dar uma detenção ou suspensão.Ao invés disso,espero que as férias façam vocês três refletirem sobre isso e que voltem novos em folha no próximo ano;sem brigas,empurrões,mordidas,nem nada.Estamos entendidos? — a senhora completou,alternando o olhar entre as crianças e os dois pais presentes,que assentiram e se levantaram
De repente,a porta abriu com um estrondo e uma menina um pouco descabelada entrou,arfando.
– Vovó! — ela exclamou e correu para trás da mesa da diretora,abraçando a mesma — Que saudades da senhora!
– Eu também estava com saudades,querida!Está se sentindo melhor?Você nos deu um susto e tanto! — a diretora quase se esqueceu de que os outros estavam ali mas logo o pai de Draco fez questão de lembrá-la,forçando uma tosse — Ah,sim,me desculpem.Esta é minha neta,...
– Hellie! — a diretora foi interrompida por Henry e Draco,que suspiraram e disseram o nome da menina ao mesmo tempo
– Henry,Draco.O que estão fazendo aqui?Aprontaram de novo? — a menina de cabelos castanho-claros e levemente cacheados perguntou,em seu sotaque britânico habitual
– Não,claro que não! — eles disseram juntos mais uma vez,fazendo-a rir
– Bem,diretora. — o pai de Draco voltou a se pronunciar,depois de revirar os olhos — Se era só isso,nós já vamos indo.Até mais,Robin,crianças. — ele acenou cordialmente com a cabeça,nunca perdendo a pose austera e prepotente,e colocou a mão no ombro do filho,conduzindo o menino para fora da sala
– Bem,nós já vamos indo também. — disse Robin — Até mais,diretora.
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Ao final da lembrança,Robin ria,ainda segurando a mão da filha,como se ela realmente estivesse acordada e conversando com ele."Bem,ela pode me ouvir.Pelo menos não estou fazendo papel de louco."
– Eu lembro disso como se fosse ontem.Bem,pelo menos você deu uma lição naquele menino! — disse,rindo mais uma vez — Quem diria que hoje ele e seu irmão são amigos!Você se lembra da época em que ele tinha uma queda por você?E falando em queda,se lembra de como caçoamos do Henry aquele no caminho da escola até em casa,por causa do modo como ele agiu quando aquele menina,eu acho que ela ainda estuda com o seu irmão...Hellie Black,o nome dela!,quando a Hellie entrou na sala? — o britânico balançou a cabeça,olhando para a janela e sorrindo — Mas acho que nada,nada me deixa mais feliz do que a lembrança do que aconteceu no fim daquele dia...
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Ao chegarem em casa,as crianças já estavam brigando de novo.Os dois já iam se jogar no sofá quando Regina apareceu na porta da cozinha com as mãos na cintura.
– Pés no chão,agora!Tirem esses sapatos e fiquem sabendo que eu não gostei nada do que aconteceu hoje,ouviram? — ela esbravejou — Alguma coisa que queira dizer em sua defesa,Milagros?
– Eu mordi o dedo do Draco e bati nele e não me arrependo! — a menina cantarolou,rindo em seguida
– Milagros! — Robin a repreendeu — Lembra do que a diretora disse?Não é assim que você resolve os problemas! — depois disso ele assistiu a menina se levantar do sofá e ir em direção aos dois,agarrando-os pela cintura
– Por favor,por favor,por favoooor!Eu prometo nunca mais fazer coisas ruins,prometo,prometo,prometo? — ela levantou a cabecinha,encostando o queixo na barriga da mãe e fez bico
– Promete mesmo? — perguntou a morena,ao que a menina assentiu prontamente — Então está bem.Agora vão os três tomar banho pra jantar e depois ver a surpresa que preparamos.
O que se seguiu depois daquela ordem,foi uma noite de uma família normal.Os Mills-Hood jantaram na cozinha do pequeno apartamento de Nova York,que era perto da faculdade do casal e apenas quinze minutos do colégio das crianças,e depois foram pra sala,onde assistiram ao 'Rei Leão'.Bem,na verdade Henry e Milagros eram os únicos prestando atenção no filme,pois Robin e Regina estavam muito mais intrigados com a reação dos filhos.
Quando a cena em Scar empurra Mufasa do penhasco e o rei morre,Regina cutucou Robin de leve e apontou com a cabeça para os filhos.Henry,já dormia em seu colo,alheio a tudo e Milagros,tentava segurar todos os soluços e lágrimas possíveis,tentando se fazer de forte.Mal sabiam eles que naquela mesma noite,teriam uma surpresa.
Eram três da manhã quando Milagros levantou com um pulo da cama,os cabelos bagunçados e o rosto vermelho de tanto chorar e algumas gotas de suor na testa.Ela pegou seu ursinho de pelúcia e correu para o quarto dos pais,parando do lado da cama no qual Robin dormia;o pesadelo relacionado à cena mais icônica do desenho ainda rondava seus pensamentos.
– Pai... — ela chamou,tentando segurar os soluços -Pai?...levanta... — pediu,deixando o ursinho cair no chão e levando as mãozinhas ao braço de Robin,caído para fora da cama,tentando levantá-lo — Pai,tem que levantar...pai,eu tive um pesadelo,pai... — ela continuou chamando,sem saber que Robin havia tomado um calmante,pois não conseguira pegar no sono de vez — Mãe!Ajuda,por favor! — Milagros agora chorava copiosamente,o pequeno corpinho tremia com os soluços
Regina,que tinha ido ao banheiro,abriu a porta correndo quando escutou os gritos da filha.Ela foi em direção ao quarto e encontrou Henry já de pé e parado na porta,olhando pela fresta.
– Henry?O que está acontecendo?O que está fazendo aqui fora,cadê a sua irmã? — ela se abaixou,pegando o filho no colo mas tudo que o menino,já chorando,conseguiu fazer foi apontar pro quarto.A morena então abriu a porta e correu para perto da cama ao ver a cena — Milagros?Robin,meu deus! O que aconteceu?
– E-ele...não...acorda... — a menina soluçou e se jogou nos braços da mãe,chorando
– Robin? — Regina colocou a mão em seu braço e o sacudiu — Robin,isso não é engraçado!ROBIN! — ela gritou e ele acordou num pulo
– O que?O que aconteceu? — o britânico perguntou,ainda sonolento e arregalou os olhos ao ver os três ao lado da cama — Milagros,Henry?O que estão fazendo aq...
Robin nem pode terminar a pergunta,pois Milagros logo pulou em seus braços,chorando mais do que antes e se agarrando nele.
– Eu,eu achei que você tinha morrido!No meu sonho,o leão,o penhasco,eu vi você morrer! — ela tentava formar uma frase entre os soluços — Não tinha ninguém pra me ajudar...papai,você não morreu!Você não morreu! — a menina envolveu o pescoço de Robin,que estava assustado,com os pequenos bracinhos e chorou mais.O britânico olhou para Regina,que segurava Henry contra seu peito e tinha lágrimas nos olhos,procurando uma resposta mas tudo o que a esposa fez,foi sussurrar "O filme...lembra?" e tudo ficou mais claro para ele.
– Ei,filha,escute. — o britânico disse,se sentando na cama e puxando a menina para seu colo — Eu não morri,estou vivo!Olhe pra mim...ei,está tudo bem...eu sou forte como um leão e sei que você também é,eu resisto a tudo,tudo mesmo pra ficar junto de você — ele segurou o rosto da menina entre as mãos e limpou as lágrimas que ainda caíam — Meu leãozinho,nada vai me tirar de você.De nenhum de vocês.Nada... — completou abraçando a mulher e os dois filhos,que agora já estavam na cama também — Sempre que precisarem,estes braços,estes pulsos e estas mãos vão estar aqui pra protegê-los de todo o mal...
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Robin chorava copiosamente,deixando as emoções fluírem,já não tentava esconder o quanto estava sofrendo e o quanto tudo aquilo lhe doía.Ele se agarrava à mão da filha e beijava a mesma.
– Eu falhei,Milagros,eu falhei. — soluçou — Mas não vou falhar mais.Nada e nem ningué vai vir antes de vocês;nunca mais...eu te prometo isso,filha.Eu sei que fiz essa promessa naquela noite,tornei a fazê-la quando mostrei pra vocês a tatuagem de leão no meu pulso e passei anos prometendo.Infelizmente,na maioria das vezes,eu não cumpri e sei que desapontei você,seus irmãos e,principalmente,sua mãe mas isso não vai mais acontecer. — ele se levantou e fez um carinho nos cabelos bagunçados da menina,que parecia apenas dormir tranquila — Eu tenho que ir agora,já estou aqui fora do horário de visitas,não sei como ainda ninguém me viu aqui mas eu prometo voltar,ainda essa semana se possível.Eu quero vê-la acordada,Milagros,eu sinto tanto a sua falta...por favor,acorde logo,preciso da sua opinião e da sua bronca em tantas coisas,em tantos projetos... — ele deixou uma lágrima cair no canto externo do olho da menina e fechou os olhos,suspirando — Eu te amo mais do que tudo.Obrigado por,como sempre,me mostrar o caminho que devo seguir. — e se abaixou para depositar um beijo demorado na testa da filha,se retirando do quarto em seguida.
Talvez,se ele tivesse ficado mais dois minutos,teria presenciado o que aconteceu.Quando a lágrima do britânico já estava descendo e quase chegando no travesseiro,outra lágrima apareceu,se juntando com aquela e formando uma gota maior,na mesma hora em que os lábios de Milagros se partiram levemente e os monitores voltaram a marcar uma frequência de batimentos mais rápida.
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