A velocidade com a qual os grãos de areia varriam todo o deserto do Hueco Mundo mantinha-se constante, como se tais dias dentro de um abrigo fossem um teste tanto psicológico como físico para os seres superiores que deveriam reinar tal mundo agora abandonado.

Uma simples tempestade de areia: um acontecimento natural de tal natureza morta ou a consequência do desfalque de reiatsu e derramemento de sangue que aquele mundo vivenciara? A influência de Aizen Sousuke e seus capangas, até onde ela iria? Seria tão forte a ponto de controlar um deserto indomável e seres abissais como os Menos Grandes, ainda que fracos perto dos Arrankars? Aizen Sousuke, até onde o Shinigami fora, consumido por sua luxúria?

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Aizen-sama... — Neriel não mais se sentia confortável ao usar tal tratamento honroso diante do Shinigami que há pouco fora considerado o senhor do Hueco Mundo. - Aizen — corrigiu-se — ... Foi derrotado.

A ex-Espada finalmente anunciou a notícia bombástica e, como se esperasse alguma reação de Nnoitra, pausou sua fala por um breve momento. A mão do Quinto, a qual ainda encontrava-se em sua garganta, aos poucos ia se afrouxando e deslizando lentamente até próximo ao colo da Arrankar antes de ser afastada por completo. Uma reação exasperada, imaginava Neriel. Decidiu compartilhar tudo que sabia então.

- Quando sua luta com aquele Shinigami terminou, mais Shinigamis apareceram com o aviso de que Aizen cometera um deslize e estava quase a sucumbir. Vieram requisitar ajuda. Parece que Harribel, Ulquiorra, Barragan e Starrk também sucumbiram... Não achei que fosse verdade; não perguntei os detalhes.

Franziu o cenho. As lembranças vinham de sua forma infantil, na qual estivera durante todo o acontecido. Confusas, amedrontadas, inexplicáveis. Demorou alguns minutos a mais até que procurasse contar os detalhes distorcidos e enfim concluir sua vaga e talvez incoerente explicação. — Eu não sei dos outros Espadas. Não sei se Grimmjow sobreviveu ao seu ataque daquela vez... Só sei que o Itsygo teve que ir embora correndo para o mundo dele. Antes disso Inoue me... Me ajudou.


Deslizou os dedos mais uma vez na máscara agora reconstituída, intrigada e dolorida interiormente pela lembrança de como ela uma vez se quebrara. Suspirou e com o olhar novamente pesado concluiu.

- Ela curou também seus ferimentos e depois que eles foram embora eu liberei minha zanpakutou e te trouxe na garupa até aqui. Há cinco dias não tenho informações do quê ou quem restou... Mas já pressinto o caos...

A Espada pareceu constranger-se ao admitir sua participação na história porém não por tempo o suficiente para suavizar o clima antes de o Quinto Espada revoltar-se junto à sua posição cética quanto a história de Nel.

- Heh, está querendo que eu acredite que Aizen-sama foi derrotado por aqueles Shinigamis idiotas? Não me faça rir, Neriel! Que você sempre foi fraca e ingênua eu sei, mas afiliando-se a Shinigamis, defendendo-os como fez há pouco?? Voltando-se contra um companheiro de sua espécie por uma humana e um Shinigami de merda?! Tch! Você não presta e nunca prestou, Neriel!

As palavras de Nnoitra foram rudemente cuspidas na face de Neriel em meio a pequenos gesticular do Arrankar ao demonstrar sua indignação. Exaltado quanto as supostas blasfêmeas à Arrankar mulher, findou sua fala ao gesto de tocar a própria testa com o dedo polegar, reafirmando-se diante desta

- Espere e verá, Neriel. Com ou sem Aizen-sama, eu ainda sou o Espada mais forte! Não pense que apenas porque voltou e tem seus poderes de volta que eu vou abaixar a cabeça para você. Pare de inventar historinhas e vamos lutar. Eu vou te derrotar, mais uma vez. Eu, Nnoitra Jiruga, o Quinto Espada!


Eram como lâminas afiadas que lhe machucavam profundamente o peito, as palavras de Nnoitra. Neriel Tu O\'Deshwank era, como o próprio Fráccion de Nnoitra um dia dissera, uma pedra. Porém, tal pedra não deveria ser exposta como sinal de empecilho ou algo semelhante e sim para demonstrar o quão firme aquela mulher era e poderia ser. Farta da arrogância do Espada, ouvi-lo chamar a si próprio de companheiro da mesma por serem da mesma espécie fora o cúmulo para ela. Sem hesitar, ao fim do discurso do dito companheiro, ergueu sua mão direita e acertou-a em cheio no rosto alheio. Havia força, raiva, indignação e até mesmo lágrimas em tal ato exasperado de Neriel. O rosto de Nnoitra, surpreso, parecia fixar-se ao novo ângulo que adotara pós-tapa; o único olho arregalado para com a mulher que sempre se mostrara pacífica.

Sua vagabunda, está maluca? — Indagou irritado Nnoitra.

Companheira? COMPANHEIRA?! O que te faz pensar que somos iguais, Nnoitra? Sermos da mesma espécie? Estarmos sob o mesmo céu ou antigamente sob ordens da mesma pessoa? Se eu pensasse assim, seria semelhante até aos Gillians! Se bem que eles são tão humanos quanto você!

Explodiu em acusações. A voz da mulher de cabelos esverdeados, que anteriormente estivera arrastada de raiva, aos poucos amansava-se junto ao formar de lágrimas que intensificava em ambos os olhos.

- Você atacaria mesmo uma companheira sua apenas para provar sua força e a largaria longe, machucada, com amnésia e naquela forma frágil à mercê dos perigos desse deserto?? Você ao menos sabe onde está seu Fráccion? Sabe o que aconteceu com Tesla?!

- Não é da minha con -


- Ele está morto!

Neriel o interrompeu antes mesmo terminasse sua frase egoísta, sobrepondo sua voz a dele, histérica. Mais uma vez, movida pela fúria feminina e pela falta de humanidade do mesmo, direcionou sua mão ao outro lado da face de Nnoitra visando bofeteá-lo novamente. Dessa vez, mais lenta e talvez não intencionada realmente, seus movimentos puderam ser interrompidos por Nnoitra que lhe segurou o pulso, firme.

A Arrankar puxava com certa forma seu braço de volta e, em contrapartida o Espada mais lhe segurava procurando mantê-la parada.

Nnoitra, você é um monstro sem coração! — Trovejou ofensiva ao homem quando finalmente cessava a tentativa frustrada de obter a liberdade de sua mão.

O Espada, por sua vez, manteve o delicado pulso da mesma preso por sua máscula mão enquanto a puxava ligeiramente para si. Tudo que Neriel sentiu foi então o tocar do queixo alheio em sua máscara ao mesmo tempo que parecia assim, estar dentro de um abraço.

Tch. Você fala demais, Neriel.. Já que não tenho coração, fique quieta e me deixe escutar seu.