Someplace
1 1- A story
Mais um dia, acordei me sentindo o lixo de sempre, sentei na beira da cama, olhei meus pulsos, e as cicatrizes da noite anterior, os cortes ainda ardiam, olhei para o relógio, 13:30.
Tomei banho, coloquei uma simples roupa, e fui ver minha agenda
*Entrevista as 17:30 — Família Horan
Fiz careta de desgosto por estar naquele orfanato á 10 anos, e nada de adoção.
–Juliana, ainda ai ? não vai tomar o café — Thállyta, minha amiga afro descendente entra no nosso quarto dizendo
–Não Thálly, obrigada, não estou com fome, muito menos vontade de descer e ver as pessoas desse inferno de orfanato — eu falei fitando o chão
–Juliana, você não pode ficar ai sentada esperando a entrevista, dessa vez pode dar certo — ela disse ajoelhando na minha frente
–todas as vezes você fala a mesma coisa Thálly — eu revirei os olhos e a abracei
–ei Ju, dessa vez pode dar certo, fica calma, uma hora você vai sair daqui com alguém — ela disse, e eu comecei a chorar
–Thálly, eu estou esperando esse dia chegar a 10 anos, 10 anos, — eu repeti, e logo continuei — eu estou esperando isso a quase a minha vida inteira, eu fico pensando se um dia vou sair daqui, e ainda vou conseguir uma vida, aqui dentro ninguém gosta de mim Thálly, porque alguém estranho teria que gostar ?
Eu ainda chorava muito, Thállyta, sem saber oque dizer, se retirou do quarto. Eu me joguei na cama desarrumada do quarto, e gritei, o mais auto que pude. Então fiquei ali, até dar 16:00 horas, as quatro, coloquei uma roupa simples, uma calça jeans, uma blusa do nirvana preta, um all star preto , e amarrei meu cabelo num rabo auto
Na entrevista me perguntaram, oque eu gosto de fazer finais de semana, mostrei meus deves de casa, perguntaram minha idade, nome inteiro gostos de todo quando é coisa e blá bla, voltei pro quarto sem nenhuma esperança, me sentei na cama e tirei meu tênis, deitei de barriga pra cima, e encarei o teto, por aqueles poucos segundos, senti meu coração acelerar de lembrar da minha vida no passado
*
–filha, a mãe precisa conversar com você – minha mãe me disse me levando até o sofá –mamãe precisa te levar ao um lugar, que você terá... novas... mães... e terá uma família nova, um papai também
–mas oque aconteceu com meu pai ? –perguntei curiosa
–ele... ele se foi querida, a mamãe também terá que ir- minha mãe terminou de falar e bateram na porta
Ela atendeu, e entraram mais de 5 homens me carregando para um carro, sem mesmo deixar uma criança de 8 anos dizer adeus a sua mãe, eu me debatia contra aqueles sujeitos que me carregavam, minha mãe ficou apenas parada na porta com lágrimas nos olhos, e acenando para mim de forma calma e triste. Eles estavam me levando para longe da minha mãe, me colocaram dentro do carro e apenas pude ver minha mãe acenando e mexendo os lábios em forma de ‘’adeus’’
*
Voltei daquela lembrança com uma lágrima no canto dos olhos, e o mesmo sentimento de quando me levaram para longe da minha mãe, oque eu sentia era saudades, e também uma tristeza, por só aquele dia eu entender que meu pai tinha morrido, e minha mãe não teria condições de cuidar de mim.
–Juliana ? Juliana ! tenho a melhor noticia da sua vida pra te dar agora – Emelly, a inspetora mais legal daquele orfanato chegou animada no meu quarto
–que foi Emy ? as cozinheiras são novas ? – perguntei sem emoção e ao menos olhar para a pessoa parada na minha frente com uns papéis na mão
–Juliana por favor, levante e vá arrumar suas malas –ela disse pegando as mesmas que ficavam em cima do guarda roupa
... mas pera
–AI POHA COMO ASSIM ? –eu falei num pulo da cama
–você adotada Juh, você vai pra casa –ela disse e eu sorri de orelha a orelha com lágrimas nos olhos
Eu a abracei e a agradeci por tudo que ela já avia feito pra mim os 10 anos q passei lá dentro
Logo Thállyta entrou no quarto e pulou em cima de mim e disse
–eu não falei que dessa vez daria certo ?! eu não falei ! – ela disse toda feliz
–é Thálly você disse, mas... agora a gente vai se separar, e não vamos nos ver, talvez nunca mais – eu falei triste
– hey, fica calma, a gente sempre vai ser ver, sempre, nunca vou esquecer de você, e vou dar um jeito da gente se ver – ela disse esperançosa, Thálly como mais velha, sempre cuidou de mim, como uma irmã mais nova, vai doer muito perder ela
Arrumei minhas malas, desci as escadas do orfanato correndo e fui direto para o saguão, me despedi de Emelly e da Thállyta, e sai de lá chorando, mais uma vez na minha vida, uma perda que iria doer pra sempre, o pior, era ver que ela ficaria lá, talvez, mais alguns anos, e eu estava deixando minha infância todinha com ela, foi com ela que eu cresci.
Talvez mais um problema pra mim.
...
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