Notas iniciais
A partir deste capítulo, voltaremos um pouco no tempo e conheceremos um pouco mais dos personagens citados no Capítulo 1. Neste, em especial, vamos conhecer um pouco mais sobre Dick Avery.

Pode-se dizer que Dick Avery era um homem bonito, não de modo excepcional, mas ainda assim chamava a atenção das mulheres. Não era do tipo atlético, mas seus sessenta e cinco quilos eram muito bem distribuídos nos seus um metro e setenta e cinco de altura. Talvez, parte de seu sucesso se devesse aos seus lindos olhos azuis. Ou talvez fosse o charme, ficava cada vez mais charmoso à medida que seus cabelos pretos iam ficando grisalhos. Era como um vinho que ficava cada vez melhor conforme envelhecia. Era um homem muito interessante, bastante inteligente e tinha extremo bom gosto para se vestir. Também tinha uma boa lábia. E se tinha uma coisa que Dick Avery sabia como fazer bem, era como tratar uma mulher.

Além disso, era muito bem sucedido profissionalmente, era fotógrafo de editoriais de moda, um dos mais requisitados. Fotografava para as marcas mais importantes do mundo da moda.

Na sua lista de conquistas estavam mulheres lindíssimas, muitas delas modelos. Dick Avery era um sedutor. Um conquistador inveterado. E algumas vezes também era o que as pessoas chamam de “heartbreaker”.

Dick Avery sempre imaginou que seria um solteirão a vida inteira, nunca pensou que pudesse se apaixonar de verdade por alguém, nunca pensou que tudo poderia mudar quando aceitou fotografar o vernissage da artista plástica japonesa, radicada na Inglaterra, Amy Miyazaki.

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Tirou uma foto e baixou a câmera para apreciar melhor o que acabara de ver. Lá estava ela, de costas apreciando um quadro de arte moderna que era meio enigmático para Dick. Ela poderia perfeitamente estrelar as campanhas de moda que ele fotografava. Deveria ter aproximadamente um metro e setenta e no máximo uns cinquenta quilos. Estava muito elegante num vestido preto longo que parecia ser feito sob medida para ela. Será que era um Dior? Dick apostava que era um Dior. O cabelo era preto e o corte pixie à La Audrey Hepburn. Caminhou em sua direção:

– Dá até para sentir toda a angústia expressada nesta tela, não é mesmo? – ela disse virando-se para Dick.

– É – respondeu Dick sem ter muita certeza de ter entendido o mesmo em relação à tela e tirando uma foto dela de frente agora.

– Hey, eu pensei que era para você fotografar as obras de arte e não os convidados.

– E é o que eu estou fazendo. Acabei de fotografar a obra de arte mais bela desse vernissage.

– Essa cantada funciona na América? – ela disse se divertindo ao pronunciar cada palavra.

– Percebeu tão rápido o meu sotaque? Nunca serei um britânico de verdade. Sabe, você pode até sair da América, mas a América não sai de você.

– E o que o trouxe as terras da rainha? – ela perguntou com uma curiosidade genuína.

– Uma mulher. Eu morava em Nova York. Conheci uma modelo britânica, namoramos por um tempo. Passei algumas semanas em Londres. Gostei tanto daqui que resolvi instalar a minha base aqui. A propósito, eu sou fotógrafo de editoriais de moda. Mas às vezes faço um trabalho mais artístico como esse do vernissage. Você é mais bonita que todas as modelos que já fotografei. Poderia estrelar alguma campanha.

– Não obrigada. Não aprecio muito esse tipo de arte.

Amy aproxima-se do casal:

– Olá Sr. Avery. O que está achando da exposição?

– Muito bonita Srta Miyazaki. Você é uma grande artista.

– Amy, por favor, me chame de Amy.

– Ok, mas então me chame de Dick, nada de Sr. Avery.

– Está certo! Hey, vejo que você conheceu minha amiga Jo. E aí Jo? O que está achando?

– Está tudo muito bonito Amy.

–Nossa! Mas que grosseria a minha, nem me apresentei a sua amiga. Dick Avery.

– Jo Stockton.

Um indiano muito bonito aproximou-se do grupo:

– Olá Jo, aqui não, por favor.

–Olá Dr. Robert. Mas é claro que eu não faria isso aqui.

–Olá Amy. Adorei o vernissage. Ah! Jo, por favor, aqui me chame apenas de Robert.

– Como quiser.

–Olá, Dick Avery.

–Robert Shankar.

– Onde está Latika? – perguntou Amy.

– Ela não pôde vir, então eu vim com um amigo.

– Vamos deixar estes dois aqui para continuarem a conversa que nós interrompemos, aí você me apresenta esse seu amigo.

– Ok. Até mais então.

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–Hey George, onde você estava? Essa é a Amy. A artista. Você perdeu a oportunidade de conhecer a Jo.

–Olá, sou George MacPherson. Ah! Aquela moça sobre a qual você falou? Que pena! – disse um escocês alto e ruivo.

– Você iria gostar de conhecê-la.

– Sabe que agora estou até curioso!

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– E você trabalha com o quê?

– Não é glamouroso como o seu trabalho. Sou formada em história da arte e filosofia e trabalho como museóloga no British Museum. Ah! Já escrevi alguns livros nessa área.

– Interessante.

– Você não achou interessante de fato, não é mesmo?

– Você não acha que editoriais de moda são artísticos ou que tenham valor.

– Eu não disse isso, mas não se ganha o Pulitzer por isso.

– Isso é verdade.

– Você nunca pensou em tirar fotos como as do Carter?

– O Carter ganhou o Pulitzer, mas o que ele fez pela criança?

Fez-se um breve silêncio.

– Touché – disse Dick com ar triunfante.

– Ok, você venceu Dick Avery!

– Hey, eu já acabei o meu trabalho aqui. Tem um lugar que eu queria muito que você conhecesse. Vamos? Afinal, eu venci.

– Acho que é justo.

Eles saem do vernissage e vão para um bar de jazz. Dick estava fascinado por ela, nunca tinha saído com uma mulher como Jo, o que tornava tudo novo e bastante assustador para ele também.

– Jazz? Dick Avery, o senhor me surpreende cada vez mais!

– Você ainda não viu nada! Os músicos são meus amigos, vou pedir para tocarem alguma coisa para você.

Dick sai da mesa e aproxima-se do pianista da banda, um homem negro, alto, muito bonito, impecável em seu smoking.

– Olá Jimmy.

– Olá Dick. Vejo que você está muito bem acompanhado. O que manda?

– Você poderia tocar alguma coisa para ela?

– Claro! O que você quer? É só falar.

– Que tal When I fall in love do Nat King Cole?

– Ótima escolha.

Dick retorna a mesa e o pianista anuncia a próxima canção.

– A próxima canção chama-se When I fall in love, e é para alguém que veio aqui pela primeira vez. When I fall in love. It will be forever. Or I’ll never fall in love…

O garçom aproxima-se da mesa:

– Olá Dick. O que você vai beber hoje.

– Um scotch, Neil.

– E a senhorita?

– Vou querer o mesmo.

Neil vai buscar as bebidas.

– Sabe Jo, um bom whisky deve ser apreciado assim, com duas pedrinhas de gelo.

A noite foi tão agradável para ambos que eles nem sentiram as horas passarem:

– Nossa! Mas já é tão tarde? Vou chamar um táxi para você. Só um minuto, eu preciso fazer uma coisa antes.

– Hey, Neil. Você poderia me emprestar um papel e uma caneta?

– Claro Dick! – responde Neil estendendo um bloquinho e uma caneta para Dick.

Dick escreve algo no papel e o guarda no bolso.

– Muito obrigado! Até mais, Neil!

– Até Dick! Disponha!

Finalmente o táxi de Jo chega:

– Espere um pouco. Um encontro não pode ser considerado bom se não terminar assim – dizendo isso, ele a puxa para si e a beija intensamente. Só Deus sabe como ele se conteve para não fazer isso no momento em que a conheceu, mas ele sabia que com Jo tinha que ser diferente.

Ele retira o papel do bolso e entrega a ela:

– Mas o que é isso? – pergunta Jo.

– O número do meu telefone.

– Não era eu que deveria estar fazendo isso? – pergunta Jo, divertindo-se com a situação.

– Talvez, mas achei que você não me daria o número do seu telefone. Por favor, me ligue no dia seguinte. Eu não suportaria ser rejeitado! – responde Dick sorrindo.

– Tchau, Dick Avery – despede-se Jo entrando no táxi.

– Tchau, Jo Stockton.

Dick não sabia se havia feito a coisa certa. Será que ela iria ligar? Algo lhe dizia que sim. De qualquer forma, ele sabia que com ela a abordagem tinha que ser diferente. Estava até achando divertido. A sorte estava lançada. Agora só lhe restava esperar.

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Na manhã seguinte, Jo anda de um lado para o outro em seu apartamento, segurando em uma das mãos um papel já muito amassado de tanto ser apertado. Por fim, pega o telefone e disca:

– Alô.

– Alô Dick.

– Jo. Que bom que você ligou. Estava preocupado. Não tinha certeza se você iria ligar – disse Dick sendo realmente sincero.

– Você poderia me encontrar hoje à tarde? – pergunta Jo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! =)