Someone Like She
2 - Capítulo 1 -
Tudo que ela queria naquele momento era acordar sem sentir aquele terrível vazio, aquela sensação que uma parte sua havia partido, porém quando abriu os olhos e viu a cama ao lado da sua feita e um post-it cor de rosa pregado no criado mudo localizado entre elas com a letra suave e arredondada de sua irmã em uma despedida melosa que era sua cara, Holly soube que Laurine já havia ido embora. Não costumar falar muito isso para as pessoas, muito menos para a sua família, mas sentia falta de sua irmã todos os dias. Suspirou e continuou ali em sua cama deitada, não que estivesse sem planos para aquela manhã, afinal hoje era o primeiro dia do último ano e ela já se lamentava por ter que acordar cedo, mas simplesmente não se sentia muito entusiasmada ou até mesmo acordada para se levantar daquelas cobertas macias que a esquentavam. Ia começar tudo de novo, com o bônus de que esse ano seria o ano decisivo de seu futuro.
Não gostava de pensar nisso, não gostava de pensar que talvez tivesse que se contentar em fazer algum curso qualquer na NYU, pois seus pais se recusavam a pagar pra que ela fizesse uma graduação em dança e seguisse seu sonho. Segundo eles isso não era futuro, mas era o que ela queria, ela via o futuro da dança em sua vida sim. Suspirou pela segunda vez melancolicamente em menos de cinco minutos. Tais pensamentos a faziam mal, a faziam até mesmo perder a vontade de ir para a aula, não que já estivesse com alguma antes, mas a desculpa era válida para que ela ainda continuasse deitada mesmo sabendo que não seria fácil assim escapar do primeiro dia, não com sua mãe sendo sua professora de biologia avançada. Suspirou então pela terceira vez, jurando a si mesma que seria a última vez o fazia no dia e finalmente puxou as cobertas de cima de si e se levantou indo direto ao banheiro.
O banho frio podia não ser a melhor pedida em uma manhã nublada de Nova York, nem mesmo serviu para suavizar as olheiras que fora obrigada a cobrir com maquiagem alguns minutos mais tarde, mas definitivamente a despertou. E depois de escovar os dentes e passar um milagre em sua cara, popularmente conhecido como corretivo foi em direção ao seu pequeno closet. Escolheu uma calça jeans rasgada, uma camiseta de listras pretas e uma bota de cano baixo para compor seu visual, pegou sua mochila e antes que pudesse sair do quarto escutou batidas na porta seguidas pela voz de seu irmão mais novo.
— Holly, mamãe falou que se não descer em cinco minutos terá que ir e metrô para a escola – Um segundo após o aviso de Kyle ela saiu do quarto o encarando.
— Bom dia, pirralho – sorriu ficando na ponta dos pés para bagunçar os cabelos do menino a sua frente. Que revirou os olhos pelo jeito da irmã. Ele podia ficar mais alto, mais forte e até mesmo criar barba, mas ela nunca perderia a mania de sair como a irmã mais velha. Kyle já tinha 14 anos e ficará mais alto do que a menina, ela nunca entenderia como esse fenômeno aconteceu, quer dizer ele é seu irmão mais novo, não deveria ser tão alto.
— Animada com o último ano? – Kyle tentou puxar assunto enquanto seguiam descendo as escadas até a cozinha e Holly revirou os olhos em uma careta deixando explicita sua opinião, não aguentava mais esse pressão toda para que esse fosse o ano de sua vida. Não que achasse a escola um pesadelo, mas convenhamos que estudar não estava entre suas atividades preferidas.
— Talvez eu estivesse mais animada caso meu carro não estivesse no conserto e eu precisasse ir e voltar da escola com a mamãe – falou sarcástica, o olhando de forma intensa e acusatória um segundo depois.
— Não mandei me emprestar o carro – dessa vez o olhar mudou de acusatório para incrédulo, às vezes não acreditava na cara de pau do irmão. Tudo bem, Holly que havia concordado com a ideia insana de emprestar seu carro para um menino de quatorze anos que só havia dirigido nos vídeo games trancado em seu quarto, sendo assim as responsabilidades estavam todas em suas costas, mas isso não quer dizer que ele ter batido o carro em um hidrante seja sua culpa. Afinal foi ele que a convenceu em entregar as chaves com aquele papo de que quanto antes ele aprendesse a dirigir menos ele dependeria dela para ser levado aos cantos. – Sou só uma criança, você é a mais velha por aqui.
— Kyle! – seu cinismo a enchia de raiva e quando ele escutou o seu nome saindo repreensivo de boca de sua irmã não conseguiu conter a gargalhada.
— Holland! – falou ainda entre risos tirando sarro da voz fina da garota quando falou seu nome anteriormente, a fazendo o estapear até chegarem à cozinha. – Ai Holly, isto dói! Mãe! Mande-a parar! – Falou para a loira mais velha que tomava uma xícara de café e lia o jornal sem ao menos ligar para a agressão física que seu filho sofria.
— Sabe que ela tem todo o direito de estar brava com você, Ky – Falou os olhando por cima das folhas em sua mão – Você acabou com a traseira do carro dela.
— Está vendo, mané? – disse se glorificando por sua mãe estar do seu lado ao menos essa vez – Você leva todo o crédito por eu estar sem meu bebê para ir a aula.
— Na verdade, filha... – sua mãe começou a fala e Holland bufou já sabendo que a mãe daria metade da culpa a ela, por isso nem fez questão de ouvir, filtrando os barulhos externos, ou seja, a voz de sua mãe relembrando a tragédia com seu carro no dia anterior e Kyle reclamando quando a culpa caia para si, se concentrou em pegar o que era necessário para seu excelente café da manhã. Leite, cereal, um pote para ocorrer a mistura e a colher para desfruta-lo. Sabia que em poucos minutos estaria no carro indo para o último primeiro dia de sua vida em Westvill Middle and High School.
***
Matthew podia ter inúmeros defeitos, mas acordar tarde com toda certeza não era um deles, ou pelo menos não costumava ser. Só que justamente hoje, justamente no dia em que começavam suas aulas a ressaca falou mais alto e seus olhos não queriam abrir quando o barulho irritante do despertador gritou ao fundo. Maldita hora em que aceitou sair com Lucas e Pip noite passada.
— Qual é Matt, despedida das férias cara – Lucas tagarelava enquanto entrava no quarto do melhor amigo bem atrás dele. O Matthew revirou os olhos já cansado dessa conversa do amigo, se dependesse de Lucas eles teriam passado as férias inteiras em festas e enchendo a cara, ainda bem que Pip e ele eram racionais e não o incentivavam.
— Pensei que a despedida tivesse sido ontem quando fomos até Coney Island – falou sabendo muito bem que o amigo nunca aceitaria isso como uma despedida, não adiantava se não tivesse bebida, pra Lucas um encerramento descente só seria um encerramento com bebidas e meninas. Para isso a festa na casa da Hillary era exatamente o que ele procurava , não um parque de diversão na praia.
— sabe muito bem o que eu penso – Matthew concordou com a cabeça sentando em sua cama e vendo o amigo pegar seu computador. – Essa festa vai está repleta de meninas e bebidas e até o Pip vai!
— Não sei não, amanhã temos aula – As desculpas não eram nada quando se tinha Lucas Wright como melhor amigo. Sabe que no final ia acabar cedendo, mas não custava nada tentar.
— Não iremos embora muito tarde, prometo – falou com uma cara de maior abandonado até parecendo que essa promessa era verdadeira. Matt assistiu o amigo entrar no seu facebook e confirmar o evento. Respirou fundo e balançou a cabeça se dando por vencido. Ele sabia que se daria muito mal em ter concordado, a aula no dia seguinte seria um pesadelo se ele bebesse todas. Bufou se levantando para tomar um banho para não ter mais que olhar a cara de satisfeito de seu amigo.
Se arrependimento matasse ele já estaria morto agora. Assim que o despertador parou de tocar ele voltou ao sono, não sabe por quanto tempo, mas a voz de sua mãe gritando palavras agressivamente e o apressando para se arrumar parecia dez vezes mais alta do que realmente era quando o acordou de novo. Demorou um pouco para que seu corpo respondesse aos comandos de seu cérebro e ele finalmente saísse da cama, quase como um zumbi, indo até o banheiro fazer a sua higiene matinal, sem muita coragem de enfrentar um banho naquele tempo frio nova iorquino, apenas se encheu de perfume para disfarçar o cheiro de álcool ainda estava presente nele. Quantas latas de cerveja ele havia tomado ontem? Nem ao menos se lembrava como havia voltado pra casa, passado por seus pais e ainda conseguido trocar de roupa pra dormir. Só sabia sentir aquele cansaço e uma dor de cabeça gritante.
Assim que saiu do banheiro a porta de seu quarto foi aberta e o pai colocou metade de seu corpo para dentro levantando as sobrancelhas para a cara de morto vivo do filho, mas não falando nada a respeito.
— Hey garotão, se não quiser um surto de sua mãe é melhor comer só essa maça e se apressar – falou jogando a fruta a ele. – ela mandou lhe avisar que esta o esperando na garagem.
Matthew agradeceu ao pai saiu logo atrás dele em direção a porta de casa enquanto dava uma mordida naquela maçã. Parece que seu pai adivinhara que se comesse qualquer outra coisa que não fosse aquela fruta era capaz de por tudo pra fora. Ou talvez nem tivesse adivinhado e sim o acobertado na hora que chegou em casa ontem (ou seria hoje?) e sabe-se lá como chegou ou com quem. E pelos gritos de sua mãe quando ele acordou ela parecia bem irritada, alguma coisa ele deve ter aprontado. Beber todas e voltar porre pra casa era sua desconfiança. Pediu mentalmente para que Lucas ou Pip levassem algum remédio de dor de cabeça para a escola, não iria pedir para que a mãe parasse em alguma farmácia, não estava nem um pouco afim de saber o que ela faria se sonhasse que aquilo era uma tremenda de uma ressaca.
Saiu apressado do apartamento no mesmo minuto em que sua vizinha saia do dela. Thea mexia em seu celular sem prestar muita atenção no que tinha na sua frente e Matt estava apressado demais para olhar o que estava ao seu redor. O esbarrão entre eles foi inevitável.
— Thea! – falou surpreso olhando para a menina – desculpa, eu estava distraído – se apressou em falar enquanto observava que seu café da manhã havia ido parar no chão.
— Desculpa eu, Matthew! Olhe só isso, derrubei sua maçã no chão. Desculpe mesmo. – ele sorriu dizendo que não havia problemas e recusando a oferta dela de voltar em casa para pegar outra fruta para ele. Os dois acabaram então andando em direção ao elevador juntos que por sorte já estava no andar. Thea guardou o celular com a expressão entre a preocupação e a raiva. Ele a olhou intrigado, talvez isso tivesse algo a ver com a loira demoníaca que ele tanto odiava. Onde estava a sua fiel escudeira afinal? A essa hora ela não deveria nem mesmo esta no prédio, afinal Holly sempre chegava cedo para busca-la.
Pensando desse jeito ele parecia um stalker, mas não era a sua intenção. Era tudo uma questão de aprendizagem de comportamento. Quer dizer, desde que Holland tirou a carteira nunca deixará a amiga sem carona e sempre iam muito cedo pra escola, ele só sabia disso porque quando o pai o levava eles saiam na mesma hora que as duas meninas.
— Esta tudo bem ? – Perguntou se arrependendo no minuto seguinte, você nem é amigo da garota pra se meter na vida dela desse jeito seu, idiota. Foi o que pensou. Provavelmente não havia acontecido nada e ele só estava tendo mais uma de suas viagens. Efeito da bebida ainda quem sabe. Cadê seu filtro, Baker?
— tudo, só que o carro da Holly ainda não saiu do concerto e vou ter que ir a pé até a Westvill. – ela disse como se lesse os pensamentos do garoto. Então a loira estava sem carro, bem ele não se importava, até aquele momento nem sabia que o carro dela poderia estar no mecânico ou algo assim.
— Seu irmão não está em casa? – ele perguntou meio segundo após refletir que ela falará que iria a pé. Não era segredo pra ninguém que Thea morava apenas com o irmão mais velho e eles dividiam o carro, ou melhor poderia até ser, mas não pra Matthew Baker seus vizinho de porta e armário da escola, desde o sétimo ano em ambos.
— Acho que ele passou mais uma noitada fora. Pela terceira vez em uma semana – Falou a última parte sussurrando como se Matt não pudesse ouvir , mas ele pode. Não que se importasse, ele apenas ouviu. Antes que pensasse sobre o que falaria a seguir as palavras escaparam de sua boca, no instante em que o elevador parou na portaria.
— Posso te dar carona – os olhos de Thea pareceram ascender quando se direcionou a ele bem no momento em que a porta se abriu. Cadê a porra do seu filtro hoje, Baker? Fez uma nota mental de nunca mais beber em véspera de aula. É nisso que dá escutar o Lucas, seu grande babaca.
— Tem certeza? – falou já quando estava quase saindo. Não era pra menos, Westvill inteira sabia das desavenças de Matthew Baker e Holland Mitchell, mas aquela não era Holly, era apenas a amiga dela. A melhor amiga dela. Ele sorriu de lado tentando parecer convincente, afinal já havia oferecido a carona não podia deixa-la ir a pé. Na verdade podia, mas iria contra todos os seus princípios e aquela pose de bom moço. Como seus amigos diriam, iria contra sua síndrome de príncipe encantado.
— Minha mãe te adora, pode vir – Finalmente falou parecendo convincente. Ela sorriu agradecida e seguiu com ele para a garagem. Matt pedia ao ser superior que Holly não estivesse lá na hora que ele chegasse, não queria desentendimento no primeiro dia de aula, sua ressaca já era grande demais para mais um fator ajudar seu cranio a explodir. Holland Mitchell daria mais do que uma simples dor de cabeça caso visse quem deu carona para a sua preciosa Thea.
***
Thea agradeceu a carona e desceu do carro apressada. Assim que viu Holly parada em frente a escadaria da escola de costas para a rua só pensou em sair do carro o mais rápido que pudesse, não queria confusão com sua melhor amiga caso ela a visse saindo do carro do menino que mais odiava. Matt também saiu do carro e fechou a porta atrás de si parando por um tempo enquanto a observava correndo de sua maneira graciosa entre as pessoas até chegar na loira e quando a viu ali não conseguindo evitar o momento nostálgico que se seguiu. Seus olhos fechados e o ar saindo pela sua boca, tudo muito clichê. Será que isso fazia parte da tal síndrome de príncipe encantado? Bem ele não sabia e nem queria saber. Não queria lembrar disso. Não queria lembrar de uma época em que era vulnerável a Holland. Não queria ter lembrado bem do que acabara de lembrar.
A buzina atrás de si denunciando que sua mãe continuava ali o fez voltar para o mundo real e virar-se para o carro, apoiando seus braços na janela aberta do banco do carona do Honda CR-V branco de sua mãe.
— Tenha um bom dia, querido – Sorriu para ele e Matt quase podia sentir o alivio em si por ele não ter falado nada sobre a noite anterior ou sobre o fedor de bebida ainda impregnado nele. – Tire essa cara de ressaca do rosto e aproveite o seu primeiro dia – Cedo demais para comemorar. – Mais tarde conversamos – ele desencostou do carro ainda admirado com o cinismo de sua mãe e paralisando de terror pelo tipo de conversa que teriam mais tarde, sua mãe deu partida e assim que o carro saiu de seu campo de visão tentou voltar ao estado normal e virando-se para a escola mais uma vez.
As duas melhores amigas ainda estavam ali, olhando para o prédio daquela velha escola onde estudavam. Thea havia passado as mãos entorno do ombro de Holly e esta por sua vez passou o braço por sua cintura e as duas começaram a caminhar juntas. Só elas entendiam aquilo e o significado de estar entrando finalmente no final. Essa frase pode parecer meio errada, mas era exatamente como elas viam. E assim que chegaram até o fim da escadaria se largaram apenas para empurras as portas que davam entrada naquele lugar e se entreolharem ansiosas.
— Bem vinda ao último ano no inferno – Holly falou travessa quebrando todo o clima que as duas haviam construído e fazendo Thea gargalhar caminhando ao lado da amiga até seu armário. – Só falta esse chuva cair de uma vez para termos certeza que o pior ano começou. – Thea revirou os olhos dessa vez, enquanto ajeitava seu vestido florido com as mãos e pegava seu celular que guardara no bolso da jaqueta.
— Sabe que isso não é uma verdade não sabe?
— O que? Seu vício eterno nesse aparelho igual a de uma barbie que esta em sua mão – O olhar mortal que Thea lançou a amiga não surgiu o efeito desejado, uma vez que Holly riu virando-se para seu armário e pegando o livro de biologia avançada. Queria morrer quando soube que sua primeira aula seria justo com sua mãe.
— Pare de graça, fofinha. Parece até que acordou com um espirito de palhaço dentro de você – Holly revirou os olhos com comparação da amiga fechando seu armário e acompanhando a amiga até o dela.
— Qual sua primeira aula? – falou Holly vendo a amiga lutar contra o cadeado para abrir seu armário. Thea fez uma careta quando finalmente conseguiu abrir o armário, como se não entendesse o porquê estava dando errado antes e então se virou para a amiga para responder sua perguntar, mas nesse momento Holly provavelmente não a escutaria. Seus olhos estavam vidrados em algo atrás dela e a feição de raiva ia se formando aos poucos. Thea virou rapidamente a cabeça para espiar o que acontecia e tudo fez sentido.
Matt vinha caminhando até seu armário com Pip contando o que acontecera noite passada, ele ria do que ele mesmo havia feito e não se lembrava. Não era pra menos, ele não tomou só vodka e cerveja como havia pensado, a tequila entrou no meio e como é de conhecimento geral, quando a tequila entra o inconsciente é liberado. Pelo menos foi isso que ele aprendeu e uma eletiva de psicologia que tivera semestre passado, onde seu professos meio sem noção só sabia falar de Freud. O sorriso teria continuado em seu rosto caso ele não tivesse olhado pra frente, na direção de seu armário e visto ela. Lá estava Holly, o encarando com aquele mesmo olhar de desdém e raiva dos últimos cinco anos, o mesmo olhar que ele revidou.
— olá, Baker – Assim que as palavras saíram da boa de Holland, Thea saia que devia tira-la de lá caso não quisesse que a escola explodisse antes que ganhasse o seu certificado do ensino médio.
— Mitchell – Falou erguendo as sobrancelhas e Pip ao seu lado ficou tenso.
— oh não os sobrenomes não – Thea se lamentou baixinho. Era sempre assim quando voltavam as aulas, pareciam dois cães querendo marcar território. Pip estava tão apreensivo quanto Thea. Os dois conseguiam visualizar tudo que aconteceria a seguir.
— Como foram as férias? Se divertiu muito trancado no seu quarto jogando seus joguinhos de nerd? – Ai, essa foi pesada. Thea sabia que a resposta dele seria o dobro de agressiva e tampou os olhos não querendo ver o tapa que Matt levaria.
— Dá pra sair de frente do meu armário? – Como é que é? Ele não respondeu? Pip olhou incrédulo para o amigo, já estava esperando que ele fosse parar da direção logo no primeiro dia, mas parece que a bebida tinha instalado uma dor de cabeça daquelas. Já que nem com Holly ele queria brigar hoje.
Thea tirou as mãos de seus olhos ainda meio descrente do que havia escutado e olhou para a cara de que porra é essa da sua amiga e então antes que Holly o irritasse de verdade Thea a puxou pra bem longe dali fechando seu armário enquanto deixa algumas pessoas que estavam por perto meio confusas com o que estava acontecendo. Até mesmo Matt estranhou sua própria atitude, ele tentava por a culpa apenas na ressaca, mas sabia que no momento em que viu a Holly olhando a escola do mesmo jeito em que olhou há seis anos atrás no primeiro dia deles ali, Matt soube que algo havia mudado. Mas nunca iria admitir.
***
Matt saiu do carro se despedindo do pai e assim que se virou Holly já havia se perdido naquela multidão. Eram apenas crianças. Era seu primeiro dia na Westvill, o garoto ficou preocupado que algo pudesse ter acontecido a amiga e começou a andar entre as pessoas chamando por seu nome. Não que houvesse necessidade, já que poucos segundos depois a encontrou parada em frente a escadaria encarando o prédio a sua frente.
— Holly? – Ele chamou enquanto parava ao seu lado.
— Tudo vai ser diferente não é? – sua pergunta era muito mais profunda do que aparentava. Era o primeiro ano que ela não ia para a escola com a irmã, não queria que fosse assim. Sentia sua falta, mas Matt estava lá e não deixaria que isso a afetasse. Ela sabia que só precisava dele. E ele estava ali. Segurou a mão da menina sentindo seu coração bobo de garoto de 12 anos bater mais acelerado quando as mãos se encontraram. Ele nunca diria, mas sabia que algo já estava bem diferente há algum tempo.
— Não enquanto eu estiver aqui para você. – Ela o encarou sorrindo e deu um beijo em sua bochecha logo segurando mais firme sua mão e subindo a escadaria.
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