Somente Uma História

1 Melark, uma destruidora salvação


Um dia eu fui uma pessoa quase normal, criada com uma tia de nome Ariana, vivi bem até meus 13 anos. No dia de meu aniversário ela me presenteou com uma adaga, tinham escritas estranhas gravadas ali, desde aquele dia treinavamos diáriamente. Minha tia dizia que eu iria precisar daquele treinamento um dia. Três anos depois ela morreu, agora um ano depois da morte dela descobri o porque dos treinamentos.

Um "vilão" assolava a cidade, destruira tudo com seus poderes anormais e eu sentia que só eu poderia derrotá-lo. Sai de casa no intuito de acabar completamente com os planos do cara, cheguei nele, só não esperava que ele não fosse humano, era um ser repugnante que era incolor, branco como a mais pura neve, gargalhou da minha vã coragem. Não sei como fiz, mas o derrotei com a força mais incrível que já havia visto ou ouvido falar. Estava tudo bem. Até a chegada dele, que mais tarde descubriria que era chamado de Maggof. Era um gigante de garras e presas que resolveu tomar a cidade para si. Não entendo o que essa cidade havia, era pequena e com poucos habitantes, muito bonita e bem cuidada, mas bem pouco habitada por turistas ou algo assim, nela havia sim uma coisa diferente, não tinhamos governante, era completamente democrático todas decisões que tomavamos ali, era mais rural do que urbano, mas sobreviviamos sem problema algum. Maggof havia descoberto que eu havia derrotado Bidgark, o ser repugnante de face incolor, e resolveu eliminar-me destruindo minha moradia e refúgio, casa de minha tia que era um pouco afastada de todas as outras. Passei a me esconder a troco de planejar derrota-lo antes que fizesse mais mal. Havia destruido tudo, a cidade estava em ruínas, as pessoas das ruas sumiram e o céu parecia que esquecera que algum dia havia existido a luz do sol.

Tinha uma grande construção por se fazer, criaturas das mais horríveis trabalhavam para concluir o que não dava forma a nada que eu já havia visto, era no centro da cidade. Eu precisava abastecer meu estoque de alimentos que estava escasso, segui até uma antiga loja que haviam coisas que eu poderia pegar, sei que é errado, mas era necessário, o perigo é que ali perto havia um daqueles monstros carregando uma grande barra de ferro, envergada em uma das pontas como um pé de cabra mas muito maior, e temi que poderia me ver, tentei passar despercebida já que era muito menor que ele mas não deu, a criatura me pegou pela gola da camisa, e me levou até Maggof. Parecia um personagem mal feito de filme de terror, tinha um pedaço do braço arrancado e uma espécie de espada no lugar, cicatrizes profundas em todo rosto e não tinha lábios. Escancarou os dentes aparentes ao me ver e depois de zombar de mim — pelo menos ao que me pareceu pois ele falava em umq linguagem que eu deeconhecia — me prendeu. Consegui me libertar com ajuda de um anão, servo de Maggof que havia ali, depois de despistar a guarda, me levou até uma gruta, havia uma entrada pequena e apertada entre dois rochedos atrás de onde estavam construindo, depois de passarmos por um túnel até parar em uma porta, ele disse:

- Aqui teremos a quem recorrer e a quem pedir ajuda para derrotar Maggof.

Entramos ali.

Entrei em uma sala escura, que estava com um cheiro horrível que meu olfato ainda não distinguira.

- Senhor Norwen? — sussurrou o anão quase inaudívelmente.

- Quem é o idiota que ousa perturbar meu silêncio? — perguntou uma voz velha e frágil, porém arrogante.

- Sou eu senhor — disse o anão em tom um pouco mais alto — Dig, que o salvou das mãos de Maggof em seus tempos de glória.

- E o que o faz pensar que pode me incomodar senhor anão? — disse o velho no mesmo tom arrogante.

- É Maggof senhor, ele voltou, e precisamos do senhor... — o velho o interrompeu batendo com um tipo de bengala no chão fazendo ascender uma fraca luz.

- Já viu o estado em que me encontro meu rapaz? Dependendo de medicamentos para sobreviver! Acha que posso fazer algo? — e a essa altura o velho já estava gritando e tossindo, sacodindo aquela bengala perto do rosto de Dig — eu não me mexo sem ajuda, nem andar consigo, o que quer que eu faça hein?

- Meu senhor — disse Dig em um tom desesperado — não quero que vá a batalha, acalme-se, preciso explicar o que viemos pedir ao senhor e...

- Viemos? — disse Norwen novamente interrompendo Dig — quem mais esta aí?

- É, é a... — Dig.

- Menma — o interrompi — viemos aqui porque...

- Quem és tu para referir-se a mim dessa maneira? Uma garota? Ela veio aqui para brincar de bonecas? — disse Norwen.

- Meu senhor — disse Dig — ela é a única salvação que temos, ela pode enfrentar Maggof!

- Ela é só uma garota — disse uma voz grossa e ecoada de um canto invisível da gruta — não pode lutar.

- Ela matou Bidgark — retrucou Dig — ela pode tudo o que quiser!

- Não, não eu... — tentei me salvar mas comecei a gaguejar e me senti uma garotinha acoada, nunca me vi assim, não como uma simples garota que não sabia fazer nada e só queria brincar de boneca.

- EU NÃO PRECISO DA AJUDA DE VOCÊS! — gritei.

- Você não tem escolha — Dig bradou cansado.

- Ela não sabe lutar — falou novamente o rosto encoberto pela penumbra.

Perdi o pingo de paciência que ainda me restava e fui até a sombra e dei um soco no ar, ele segurou meu pulso e cuspiu as palavras. — Ela.é.só.uma.garotinha. — torceu um pouco meu braço e o largou — não sabe lutar. Acertei a boca de seu estômago e ele invergou para a frente mostrando seus cachos negros na luz pálida.

- Eu sei lutar, idiota. Fui criada para isso.

- Olha garotinha — disse o estranho entre tossidas — já percebi que você sabe lutar.

Ele se levantou e caminhou cambaleando até próximo à luz fraca de uma lamparina. Tinha entre 1,85 e 1,90 de altura, era muito alto mesmo para mim que tenho 1,75, seus olhos verdes queimavam a luz fraca e sua expressão facial era rija porém muito bonita.

- Parem as duas garotinhas — grunhiu o velho — Menma, agora sim te respeito, tem que ter coragem para bater em Klark.

O tal Klark olhou com um olhar de fúria para o velho e depois começou a rir, eu não entendi nada.

- Senhor Norwen — disse Dig — poderia ajudar-nos a derrotar Maggof?

- Mas é claro meu jovem, sentem-se e vamos tomar um chá.