Somente Sem Sorte
15 Nada fácil
Notas iniciais
Mesmo que eu quisesse disfarçar, meu desejo era inegável. Meu corpo estava abrasado com os toques tão instigantes dele.
Ele parecia muito afoito no nosso beijo e isso era mais do que delicioso. Eu me deixei levar cada vez mais, até mesmo esqueci que eu ainda tinha uma taça de champagne em uma das mãos e, por isso, acabei virando um pouco a taça. Eu só pude sentir a bebida gelada escorrendo entre os meus seios e me afastei rápido do Mason. Droga! Eu soltei a taça e puxei o decote do vestido rápido um pouco para a frente, tentando fazer com que o tecido não molhasse.
— Quer que eu limpe para você? – o Mason estava com aquele olhar levemente escurecido enquanto umedecia os lábios. Eu sabia o que ele estava imaginando. Pervertido!
— Mason! – eu tentei cobrir meu decote. Ele sorriu divertido da minha reação.
— Vou buscar algo. – ele continuava com aquele sorriso safado enquanto se afastava.
”Loucura” era a palavra perfeita para definir o que acabara de acontecer... Dessa vez eu não resisti. E ele é meu chefe! Ele estava com a Suzane há dias atrás! Como eu posso me deixar levar assim?! É óbvio que ele diz essas coisas a qualquer uma! “Única”... Como você é burra Marie Anne Hall Gray! Mas o olhar dele... Não, Anne! Isso não é real... É?
Logo ele voltou interrompendo meus pensamentos. Ele trazia toalhas de papel, as quais me entregou.
— Obrigada. – eu me virei de costas para ele, secando a bebida da minha pele.
— Não é como se eu já não tivesse visto. – eu tenho certeza que corei com esse comentário, mas, tudo bem. Eu estava de costas, então ele não veria isso também. Eu admito que demorei um pouco mais do que o necessário, eu não sabia como agir. Eu queria beijá-lo mais uma vez, mas que diferença faria? E como eu posso me sentir tão atraída por ele? Há dias eu estava noiva! Céus! Eu não sei mais o que sinto. Talvez eu esteja tão carente assim por que ainda sinto falta do Matthew. — Tudo bem, An?
— Mason... Eu não sou assim. De verdade. Eu sei que é difícil de acreditar, afinal, eu te agarrei aquela noite e foi muito bom, mas eu nunca faço esse tipo de coisas! E eu não quero que me veja como uma mulher atirada e fácil por que eu não sou assim... – eu acho que estava falando rápido demais. Eu sempre falo rápido demais quando estou nervosa.
— An... – ele me interrompeu, me lembrando de respirar. – Calma. – ele sorriu, um sorriso um pouco diferente do de costume. Ele se aproximou de mim e colocou uma mecha do meu cabelo para trás. – Eu não te acho fácil. – ele foi aproximando mais o corpo dele do meu, me deixando cada vez mais ansiosa. – Eu só te quero. – ele segurou forte na minha cintura enquanto olhava nos meus olhos, nossos lábios estavam quase colados. Eu podia sentir a respiração dele. Ele colou nossas testas, ainda olhando profundamente nos meus olhos. – Eu te quero muito, An. – ele tentou me beijar e eu me afastei. Foi difícil resistir à tentação, mas eu estava decidida.
— Eu não quero alguém que apenas me queira. — eu disse me desvencilhando dos braços dele. Eu não sou o tipo de mulher que se sente à vontade com um relacionamento aberto, eu sou confusa e emocional demais para isso. Eu me envolvo demais, me entrego totalmente. E eu não podia fazer isso. Eu nem mesmo sabia como. Meus sentimentos sempre foram incontroláveis para mim. E eu me prometi há muito tempo que nunca aceitaria menos do que amor. Eu errei com o Matthew, eu não vi que ele não se importava como eu. Seria muita tolice me deixar levar por um homem que eu sei... Droga!... Um homem que eu sei que só quer transar comigo... Já chega.
— Não posso continuar com isso, Mason. – ele parecia um tanto surpreso com a minha reação. — Eu não quero e não vou ser só mais uma. – eu disse entregando-o o casaco que ele tinha vestido em mim. Logo eu fui em direção à porta de entrada do salão.
Essa não sou eu, Mason.
De repente o tempo se arrastava. Embora eu me sentisse bem melhor do que antes, eu ainda estava muito ansiosa, tanto que minhas mãos tremiam levemente. Isso me fez lembrar do meu tempo de ensino médio, quando um amigo meu me apelidou carinhosamente de “Parkinson” já que minhas mãos sempre estavam tremendo pela minha ansiedade. Eu acabei sorrindo sem humor. Eu não sou mais aquela garota... Não posso ser.
Consequentemente à ansiedade que me tomava, quando dei por mim, já tinha comido milhares de salgados e docinhos. Eu me sentia agora pior do que antes, mas eu precisava de algo bom para me distrair de tudo o que eu sentia. Os aperitivos eram tão deliciosos, eles faziam eu me sentir melhor por um momento. E eu estava extremamente inquieta, era simplesmente inevitável. Como se existisse um vazio no âmago do meu ser que eu precisava preencher de qualquer forma. Por um momento, eu não acreditei que estava nesse estado de novo.
Tentei me acalmar e aos poucos fui conseguindo me controlar. Meus pais não podiam perceber minha aflição, eles se preocupariam demais. Eu continuei fingindo estar bem, algo que eu tinha me acostumado a fazer. E eu podia ficar um pouco mais tranquila já que o Mason se mantinha distante, superficial depois de nossa última conversa. Acho que ele entendeu dessa vez. Eu finalmente me fiz clara, afinal.
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