Somente Por Amor

28 XXVIII- Arrebatada


Notas iniciais
Boa leitura.

Qualquer pessoa do mundo pode me julgar pela decisão que eu tomei ao acordar naquela manhã de sábado, e me julgaria de idiota tendo toda a razão do mundo. Na verdade, quero que as pessoas me julguem, pela primeira vez na vida me sentiria bem com isso. Porque, realmente, a decisão que eu tomei foi muito idiota.

Eu passara a noite inteira sonhando com Felipe, sonhando que ele me batia, depois o sonho mudava e ele vinha até minha casa me dizer adeus e me contava que estava morrendo, depois nós nos encontrávamos numa floresta estranha e ele me dizia que tinha que se mudar de país, enfim...posso dizer que delirei a noite inteira. Acho que foi isso que me induziu a acordar as 11:20h naquele sábado, mais tarde do que o meu normal, e mandar uma sms para ele falando: ''Eu aceito encontrar com você''. Apenas isso, não dei mais nenhuma explicação porquê, sinceramente, queria que ele não entendesse a mensagem e então ele me perguntaria do que se tratava que eu me recusaria a responder. Mas ele respondeu-me apenas: ''Ok''.

Foi mais do que o suficiente para que eu saltasse da cama e fosse até o banheiro tomar um rápido banho, quando sai do mesmo encontrei minha mãe esperando-me na porta do quarto.

- Vai sair querida? — Perguntou ela, apenas assenti. — Com o Felipe? — Apenas assenti novamente, entrando no quarto. — Se cuide. -Disse ela, saindo e eu fechei a porta. Enquanto me vestia procurei não pensar muito na decisão que eu acabara de tomar, sabia que se pensasse muito terminaria mudando de ideia e eu não queria mudar de ideia.

Terminei de me arrumar em 15 minutos. Despedi-me de meus pais e sai de casa, indo até a parada de ônibus mais próxima. O ônibus demorou uns 15 minutos para vir e eu cheguei ao restaurante passavam três minutos do meio dia. Assim que entrei no local olhei a minha volta a procura de Felipe, imaginando que ele não tivesse chegado ainda, pois não vira o carro dele nas redondezas, mas ele estava lá. Sentado, de cabeça baixa, na mesa mais afastada do restaurante. Lindo como só ele conseguia ser, pelo menos aos meus olhos. Fui caminhando até onde ele estava sentado um pouco exitando, pensando se era correto aquilo, se a minha atitude era boa...não consegui formar uma resposta e quando dei por mim estava me sentando em frente a ele.

- Oi. — Falei e só então ele ergueu os olhos para mim.

-Oi. — Falou ele e nós ficamos em silêncio. Logo um garçom veio fazer nossos pedidos e depois de dizermos o que queríamos ficamos em silêncio novamente.

- Pensei que quisesse conversar comigo. — Falei rispidamente.

- Pensei que não queria falar comigo. — Respondeu ele, usando o mesmo tom de voz que eu havia usado.

- Se é assim então eu vou embora. — Falei irritada, pronta para me levantar, mas ele falou:

- Desculpe. Ando com problemas para controlar meu humor.

- Falta das drogas? — Perguntei ironicamente enquanto me sentava de novo.

- Na verdade sim. — Respondeu ele. — Por um tempo eu realmente havia me controlado e no dia que te falei que havia parado de fumar...eu realmente tinha parado com o cigarro e há alguns dias eu tava limpo. Mas não consigo, é mais forte que eu. Pode me chamar de covarde e do que mais você quiser, eu realmente mereço isso.

- Ainda bem que você sabe. — Falei. — Mas sabe o que me irrita, eu prometi a mim mesma que lhe ajudaria e eu não consegui isso. — Tive que controlar minha voz, pois a vontade que eu tinha era de gritar com ele. Felipe movimentou os braços como se fosse pegar minhas mãos que estavam em cima da mesa, por sorte nesse momento o garçom chegou com nossos pedidos. Fizemos boa parte da refeição em silêncio. Quando estávamos quase terminando Felipe falou:

- Não diga isso. Você me ajudou Sophia, e me ajudou muito. Se você quer saber, eu me abri para meus pais, contei tudo o que vinha acontecendo e pedi para que eles me colocassem numa clínica. Eu nunca teria pedido isso se você não tivesse entrado na minha vida.

- Fico feliz. — Falei simplesmente, sem sorrir. Passamos mais uns dois minutos em silêncio.

- Eu sei que você não quer minhas desculpas, nem quer mais me ouvir falando isso, mas eu realmente sinto muito por aquele dia, se eu pudesse voltar atrás, se eu pudesse fazer alguma coisa diferente... — Notei que ele realmente parecia arrependido, mas eu não o perdoaria assim tão fácil.

- Não tem por que se preocupar, assim fiquei sabendo quem você é de verdade. — Falei largando meu talheres, eu havia terminado de comer, e bebendo o resto do meu suco de manga.

- Você realmente acredita que aquele era o meu verdadeiro eu? — Perguntou ele, imitando meus gestos.

- A gente sempre mostra quem somos de verdade nas horas mais inusitadas.

- Espero poder te mostrar um dia quem eu sou de verdade. — Falou ele, quase sussurrando.

Depois desse nosso pequeno diálogo fomos até o caixa pagar a conta, Felipe insistiu para pagar a minha, mas eu neguei e no final ele acabou cedendo. Tudo aquilo, cada pequeno gesto, cada palavra que ele me dizia ia me amolecendo cada vez mais. Não se esquece um amor da noite para o dia, na verdade, um amor verdadeiro nunca se esquece. Quando saímos do restaurante me virei para despedir-me dele, mas Felipe falou:

- Quer dar uma volta comigo? Podemos apenas caminhar sem rumo, sei que você gosta disso. — Fiquei em dúvida se deveria ou não aceitar, mas no fim concordei. Havíamos dado alguns passos quando eu perguntei:

- Onde está seu carro?

- Minha mãe tirou ele de mim de novo.- Respondeu ele, com um sorriso triste;

- Ah sim. — Foi a única coisa que consegui falar. Demos mais alguns passos em silêncio. — Quanto tempo você vai ficar fora? — Perguntei, sabendo que ele entenderia do que se tratava.

- 6 meses. — Respondeu ele, olhando para o chão. Não sabia o que falar, por isso fiquei em silêncio. — Mas eu volto a tempo de cumprir a promessa que fiz a minha vó. Não estarei cumprindo exatamente ela, mas vai ser o mais próximo que conseguirei chegar...

- E qual é a promessa? — Perguntei, eu continuava curiosa quanto a isso.

- Prometi que passaria no vestibular, que seria alguém na vida. Volto a tempo do vestibular de inverno. — Respondeu ele. Entramos numa pracinha pública e sentamos em baixo de uma árvore.

- Não pensei que fosse algo tão...legal assim. — Falei sorrindo e arrancando um pouco de grama do chão.

- Mas é. Algo simples, mas que era muito especial para vovó Clara. — Falou ele e senti que seu olhar estava grudado em meu rosto. — Meus pais vão fazer um jantar na virada do ano e querem que você e sua família compareçam. — Disse ele e continuou me olhando e eu continuei encarando o chão.

- Acho que não é uma boa ideia.

- Por favor. Não precisa ir por mim, mas pelos meus pais. Eles realmente gostam de você e eu quero vê-la. Não precisa nem chegar perto de mim se não quiser, mas eu preciso te ver uma última vez antes de ir viajar. Ficaremos um bom tempo sem ver-nos. — Fiquei pensando algum tempo, enquanto esfarelava um pouco mais de grama, por fim me decidi:

- Eu vou. — Ele sorriu. — Mas não se acostume com essas minhas crises de bondade.

- Não vou. Mas você me deixou tão feliz que eu poderia te dar um beijo. — Ele falou e, não sei de onde eu tirei isso, mas falei:

- Por que não dá então?! — Ele me olhou um pouco espantado, tenho de confessar que eu tava espantada comigo mesma, mas então ele aproximou-se de mim, mais rápido que o normal, provavelmente com medo de que eu mudasse de ideia, e selou nossos lábios. Eu sempre sentia correntes elétricas passarem pelo meu corpo quando ele me beijava, mas dessa vez foi diferente, foi muito mais intenso. Se esse negócio de arrebatamento realmente existe foi o que aconteceu comigo naquela hora.

Notas finais
Faltam uns 9 capitulos ou menos para o final da história, então comentem. *-*aksokaso. Beijos