Somente Amigos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Porra Iza! Sai logo desse banheiro! — Mar gritava do lado de fora.
Dei um suspiro longo e depois passei meu gloss, me olhei no espelho e parecia bom. Estava usando minha saia preta que batia na metade da coxa, uma blusinha folgada branca com o símbolo do infinito e minha sapatilha também preta. Meu cabelo estava solto. Nossa, eu já disse que adoro meu cabelo? Ele é loiro e bate na metade abaixo dos meus seios. Nem liso, nem ondulado. Isso depende do meu humor no dia.
–Relaxa ,Mar! Eu já terminei! — Abri a porta do banheiro e fiz um sinal do tipo 'satisfeita?'
Mariana me olhou espantada e eu me perguntei se tinha alguma coisa errada na minha roupa. Poxa, depois de uma hora me arrumando, seria uma decepção.
– O que foi?- a olhei confusa.
– Você ainda pergunta? Caralho, Iza! Nós vamos ver um filme, na casa do Eduardo.
– E daí ?
– Repetindo: Vamos ver UM FILME na casa do Eduardo.
– Deixa de ser chata, vai! Eu gosto de me arrumar.
– Até parece, Izabella!- Mar riu, escandalosa como sempre- Você gosta é de outra coisa... -Ela me olhou maliciosa.
– Não começa, Mariana!- Revirei os olhos.
– Tudo bem, tudo bem! Se você não gosta de ouvir a verdade, eu paro.
– Entra logo nesse banheiro e se arruma! Seu querido Nico vai estar lá.- Cantarolei para irritá-la.
– Pode parar! Você sabe que eu odeio o Nicolas!- Mariana bateu na porta do banheiro com força, mas eu sabia que ela não estava irritada.
Um tempo depois estávamos prontas. Mariana falava de mim, mas estava tão arrumada quanto eu. Usava um vestido listrado nas cores azul e branco e uma sapatilha também azul. Ela tinha um cabelo maior que o meu, batendo no meio das costas. Seu cabelo era preto com as pontas num tom castanho. Ao contrário de mim, ela só usava ele liso, e agora com uma trança frouxa.
– Nossa, assim você me humilha. — assoviei, bom, ao menos tentei.
– Anda palhaça, vamos nos atrasar.
Dei risada enquanto trancáva-mos a porta e íamos á pé até a casa do Edu, não era longe, só ficava á uns cinco minutos da nossa casa.
– Quem está lá? — Ela perguntou.
– O Edu, o Dan, o Nando e o Nicolas. — Sorri
– Edu, Dan , Nando e Nicolas. — Ela pronunciou o nome do Nico como se fosse a pior coisa do mundo.- Tinha que ter alguém que estrague tudo.
Suspirei.
– Mar, sério... Quando vocês vão se acertar?
– Nunca. Eu nunca vou me acertar com aquele filho da puta.
– Ei! Minha tia é legal, ok? — fingi ficar ofendida.
– Desculpa, Iza. A tia Ana é um amor mesmo — Ela me abraçou de lado e sorriu.
Chegamos na casa do Edu e ele atendeu a porta, cumprimentou a Mar com um abraço e um beijo no rosto. Senti que estava ficando meio vermelha com a cena e então chegou a minha vez.
– Já estava com saudades da minha loirinha.- ele estendeu os braços e fez um bico totalmente fofo.
– Ai, como você é manhoso. — Praticamente pulei no garoto e o abracei.
Era tão bom abraçar ele assim, o Edu tinha um abraço tão bom, fazia qualquer um ter vontade de nunca mais soltar, e o perfume então? Eu preticamente me perdia naquele perfume. Ele me fazia tão bem.
– Você é bom em dar abraços- sussurrei de leve no seu ouvido.
– Eu também sou bom de cama. — Ele sussurrou de volta fingindo uma voz mais sensual.
– Palhaço! — Dei um tapa no seu braço.
– AAAI, A IZABELLA ME AGREDIU! SUA MONSTRA! — Ele correu até a Mar com uma falsa cara de choro e todos deram risada.
– Calma bebê. — Mar sorria também, e acariciava os cabelos do Edu — Então, que filme vamos ver?
– O grito, que é um clássico que deixa garotinhas com medo.- Dan se pronunciou, piscando para mim logo em seguida.
– Claro! Afinal, eu e a Mar não temos nem direito de opinar.
– Na verdade vocês podem escolher onde vão sentar.
Fiz uma careta e fui me sentar no sofá maior, entre Dan e Nico. Dan logo me fez encostar a cabeça em seu ombro.
– Ei ei ei! TÁ ROUBANDO A MINHA MULHER, DANIEL? — Edu começou á fazer barraco.
– TÔ, CARA! O QUE VOCÊ VAI FAZER? — Dan começou á gritar também. Ai meu Deus, esses dois me matavam.
– O QUE EU VOU FAZER? O QUE EU VOU FAZER? É LÓGICO QUE EU VOU EXPULSAR O NICO! — Ele puxou o braço do Nico, que caiu exatamente no colo da minha querida Mar.
– SAI DE CIMA DE MIM ,DESGRAÇA! — Ela berrou, irritada.
– POR QUE VOCÊ TÁ ME XINGANDO, PORRA? FOI ESSE ANIMAL QUE ME DERRUBOU! — Nico apontou para Edu e foi se sentar na ponta do sofá.
– VAMOS PARAR DE GRITAR, POR FAVOR?- Berrei também, puxando Edu para meu lado. — Você fica quietinho aqui. Nico, você vai dividir o sofá menor com o Nando e a Mar. Eu fico no maior com esses dois animais aqui.
– Ai amor, vamos trocar. — Dan falou, fingindo uma voz de gay. — O sofá menor é mais apertadinho. — Ele me olhou malicioso.
Joguei uma almofada em Dan.
– Vocês estão muito engraçadinhos hoje hein. — Me sentei entre meus dois 'maridos'
Você deve estar pensando ' Porra, quem sente medo de ver O grito?' Bom, você não conhece eu e a Mar. Digamos que nome fez muito sentido. O filme estava quase acabando e metade de nós já estava dormindo. Certo, os únicos acordados eram eu e Edu. Mar havia dormido com a cabeça no ombro de Nando. Nico como sempre, estava no canto dele, aquele meu primo era sério viu! Dan estava deitado no meu colo com metade do corpo do lado de fora do sofá e eu estava meio aninhada com Eduardo.Ok, situação meio constrangedora.
– Só estamos nós dois. — Ele disse meio que sussurrando.
– É, e o filme acabou. — falei querendo parecer indiferente, mas quando esse tipo de clima rolava, eu meio que não conseguia me fazer de boba.
– É, o filme acabou. — Ele repetiu.
– Eu vou acordar a Mar! Temos que ir embora. — Me levantei meio rápido, acordando Dan.
– Hein? — Dan e Edu disseram ao mesmo tempo.
– Volta á dormir, Daniel. E você, dona Izabella, não vai embora ! Vai dormir aqui hoje.
– Ficou maluco ? Onde eu vou dormir?- Acabei gritando e acordando geral.
Eles se olharam meio atordoados e depois ME olharam.
– Desculpa meninos. Mar, vamos embora.
– Embora? Para onde? — Ela disse meio que ainda 'dormindo'
– Para casa, né idiota!
– É mesmo. Vamos indo meninos.
– Eu já disse que não! — Edu falou meio autoritário.- Vai todo mundo dormir aqui. Todo mundo já estava dormindo aqui, só que essa escandalosa acordou geral! — ele me deu um empurrão leve.
– Por mim tudo bem, e vocês meninos? — Nando olhou para os outros. Estava quase dormindo de novo.
– Lamento crianças, mas eu vou embora agora. — Nico se levantou e nem esperou alguém dizer alguma coisa. Foi embora do nada.
– Esse aí não tem jeito mesmo. — Eu disse todos concordaram. — Bom, o que você acha, Mar?
– Está brincando? Agora que o Nicolas foi embora sou capaz de morar aqui! — Ela disse instantaneamente animada.
– Nesse caso, a resposta é sim. — Eu disse e todos comemoraram.
Acabamos todos dormindo em um bando de colchões no chão da sala, na ordem de: Mar, Nando, Daniel, Eduardo e eu. E não me pergunte como, eu acordei abraçada com Eduardo. Ai Eduardo, você me deixa tão confusa.
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