Notas iniciais
Bom, a fic já tinha sido escrita, mas resolvi dar uma passadinha pra dar uns aprimoramentos de última hora hahah ♥ Espero que não se importem. Muito obrigada por você estar lendo isso, sério. Bom... acho que agora é só dizer "boa leitura", não? Então lá vai... Aproveita aí!

– Você é, sem sombra de dúvida, a última pessoa que eu pensei encontrar aqui.

– Pois é. – pausa para suspiro. – Têm sido um dia cheio. – dá de ombros, e respira fundo.

Os passos dele se aproximam e ele se assenta ao lado dela. Relaxa seus ombros e cruza os braços acima da cabeça, balançando as pernas no que poderia ser um último cochicho. Bastava inclinar-se um pouco...

Seus olhos dourados miram o abismo em que se encontram e se perde um pouco com tantos carros abaixo de seus pés, indo e vindo com lanternas acesas e buzinas revoltadas.

– Queria que tudo fosse mais fácil. – ela admite, baixando o rosto, balançando suas pernas de bailarina desconjuntada enquanto uma única gota escapa de seus olhos.

– E qual seria o sentido? – ele questiona. E completa, fingindo lhe dar uma cotovelada na costela: — Você mesma disse que tudo aquilo que vem ou é fácil demais cansamos com uma facilidade ainda maior.

Mais uma lágrima que surgia.

Para esta, ele se inclina e a impede de viajar pelo rosto que parece dos céus ter sido pintado, com a técnica mais delicada que nenhum artista mundano, falecido ou não, seria capaz de recriar.

Os espessos cílios dela se encontram, num gesto bonito. Puro.

– O que mais me impressiona, Dylan, é o fato de você ter as asas podadas antes de sequer conhecer sua existência. – o brilho profundo de seus olhos lhe remete algum tipo de conforto, algo familiar, do qual ele sente falta. Se ajeita, tentando não transparecer isso. – Quer dizer, não sou uma sonhadora sem princípios que crê cegamente que somos algum tipo de ser alado e talvez tivéssemos a sorte de penas brancas e douradas brotarem de nossas omoplatas. E eu também sei que essa conversa seria absurda para alguém que nos desconhece, então...

– Ei! – Dylan finge expulsar uma nuvem negra acima de sua trança caramelo e pela primeira vez, ela sorri. – Ok, você fala sobre liberdade e asas podadas com seus belos seres alados ainda não identificados, e eu digo que isso seria a pior coisa pro mundo! – ele aponta pra si mesmo, e ergue-se, precisando esticar as mãos para manter um certo equilíbrio. – Sou um largado, um qualquer, um filho de alguém do mundo que certamente não seria selecionado pra ter essas asas maneiras que você deseja. Você... Holly, se tivesse asas, eu seria o pior sujeito do mundo.

Ela arqueia suas sobrancelhas, sem entender. Dylan, tão verdadeiro e tão confuso..

– Como você poderia ter asas e desvendar seu belo mundo novo enquanto eu, um meliante de pequeno porte, dou o meu sangue para lhe acompanhar? – seus punhos cerrados acertam seu peito, bem nos botões da camisa xadrez. – Deus é justo, qual é, o cara é gente boa! Não ia permitir que uma das suas crias morresse tentando alcançar um de seus anjos.

– Dylan...

– Droga, Holly! Droga, é isso que você vem sendo pra mim, e pra metade do estado! A mais pura droga que alguém poderia fabricar. – pigarreia. – Até mesmo Heisenberg gostaria de tê-la como fórmula!

Riso agudo.

– Portanto... não, não se levante. – sua boca tentava formular alguma frase inspiradora, sem muito sucesso. – Que isso estrague tudo, que isso nos leve á uma epifania divina ou nos condene ao inferno de uma vez por todas... o fato é: não posso ficar sem você.

Dylan engole em seco, sentindo o gosto melecado de suas palavras alcançar o estômago.

Holly se levanta, não dando atenção ao que ele lhe orientara e coloca suas sapatilhas em cima da borda do edifício. Fecha os olhos, e tomba a cabeça para trás, os fios desarrumados de uma franja bonita sacudindo contra o vento de outono.

– O quê está fazendo?! – ele berra.

– Venha aqui. – sua voz vem baixinha, quase como uma cantiga de ninar. As bochechas rosadas diminuem de tamanho quando um sorriso espera tomar seus lábios. – Me segure ou me deixe, você escolhe.

Dylan se concentra logo atrás dela, dedilhando sua cintura com os dedos longos enquanto estes se encontram com mais 10 dedos, finos e delicados. Afasta alguns fios que escaparam da trança e deposita seu queixo no ombro direito, sua respiração indo ao encontro de sua orelha.

– I have to find you, telling I need you, telling I set you apart¹… – a melodia ainda está fresca na mente dela, as notas do piano e o ligeiro espanto no rosto maduro dele. Desta vez, com a voz rouca sussurrada especialmente pra ela, a sensação é a de um delicioso déja vu que nunca aconteceu, a não ser em seus sonhos.

Presa em lembranças, escolhas erradas e circunstâncias nas quais foram tomadas, ela se permite embalar pelo movimento de seu tronco logo atrás e dançam á um mínimo centímetro do precipício no qual ela optara por terminar com tudo, poucas horas atrás.

– Tell me you Love me, come back and haunt me²… — as primeiras sílabas saem de forma estreita e pouco expressiva, enquanto o restante se torna algo belo e natural.

Em uníssono, Dylan e Holly recitam um para o outro o que seu corações esbravejam, sem perceber.

Ela mergulha em seu sonho e está voando, o peito do pé tocando as nuvens e uma bela trilha sonora. Dessa vez, entretanto, ela está acompanhada. De seu verdadeiro anjo da guarda.

Ele, por outro lado, respira fundo enquanto é conduzido para um de seus maiores medos. Não somente a altura, ou a falta de proteção na qual se encontram, porém o fato de perdê-la. Outra vez.

– Algum dia, Holly... algum dia.. vou segurá-la tão forte nos braços que nem mesmo um suspiro eu te deixarei dar. – o sorriso que dá contém as pequenas gotinhas que seus olhos carregam. – Algum dia, anjo, poderá voar. Mas ainda é cedo demais. Juro que quando for a hora, eu mesmo venho te buscar.

A voz doce estremece nas últimas estrofes, e as mãos tremulam.

Morde seu lábio e impulsivamente, desenha dois pequenos caminhos para suas emoções.

– Lembre-se: se você pular, eu pulo. – o peito sobe e desce, uma sensação estranha e um frio a invadem, enquanto um soprar de vento lhe atinge a nuca.

Recusa-se a abrir seus olhos, tendo a imagem intacta dele fazendo gracinhas e distribuindo piadas a quem quer que passe. Os lábios formigam ao imaginá-lo tocando-os e por um momento, tudo parece leve. Diferente. Novo.

Não pode abrir seus olhos, ou perderá sua maior preciosidade.

Entretanto, por algum motivo que Holly não consegue compreender ou agradecer, ela os abre. Sente então que algo macio está alojado em sua palma esquerda.

Curiosa, ela a expõe, dando de cara com uma pena branca, medindo desde seu dedo médio até o pulso, com recortes perfeitos e em tons de creme e branco.

O queixo tremula e ela volta a fechar os olhos, trazendo dessa vez o presente que ele lhe deixara até o coração.

“Algum dia, anjo, poderá voar”.

¹: "Eu tenho que encontrar você, dizer que preciso de você, dizer que escolhi você."

²: "Diga que me ama, volte e me assombre".

(The Scientist — Coldplay)

Notas finais
Bom, pessoal, espero que tenham gostado. Dei umas "podas" na história pra tornar tudo mais natural. Essa história dedico a dois amigos meus que me inspiraram a escrever essa história, e bom... pra curiosidade que possa surgir, ela não desistiu. Ás vezes, tudo o que precisa fazer, é ter um pouco de fé. Em si mesmo, em Deus, e que tudo o que está por vir tem uma razão. Por isso, pra todos aqueles que pensaram ou que pensam em desistir, não desista. Uma hora, você terá asas e poderá voar. Mas, ainda não é o momento. Hahaha, filosofei, mas essa é a minha opinião a respeito. Muito obg por lerem até aqui! Até a próxima
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.