Somebody to love.
1 Hora de acordar.
Notas iniciais
– 7 horas, hora de acordar. – A garota levanta-se com os olhos ainda semicerrados e parte do cabelo caindo suavemente em sua face.
– Acelera, menina. Vai acabar se atrasando.
– Já vou. – A menina gritou, ainda penteando o cabelo enquanto fitava as roupas em seu guarda roupa.
–--
– Olá, veteranos. Hoje, em especial, quero desejar-lhes um bom dia, e claro, começar com o pé direito, ou como eu gosto de dizer, com um teste surpresa.
– Merda, teste de português? – A sala ouviu um mero resmungo vindo de uma garota do fundo.
– Ouvi algo? – O professor disse encabulado. – Bom, não querem meu bom humor? Que seja!
– E você, quem é? – O professor entregou o teste com receio.
– Sou Violetta, aluna nova.
– Hum, aluna nova. Já deve saber as regras, não é? Se não sabe, eu as explico quando quiser.
– Obrigada, eu já sei. – Riu baixo.
Violetta’s pov.
Merda, fui reconhecida. Tá certo isso? Reconhecida, se ninguém me conhece (?). Caralho, Violetta.
Eu não tinha gostado nem da turma, muito menos do professor. Em um breve resumo, eu tinha odiado tudo ali. No entanto, o fato de estudar em frente à praia era uma proposta tão irresistível que não pude deixar de acolhê-la de braços abertos. Afinal, aquilo era Rio de Janeiro, ops, isso é.
–--
– Já acabou o teste, aluna nova? – O professor riu sarcástico.
– Sim, meu querido. – Respondi do mesmo modo.
– Bom, deixando a ironia de lado. Meu nome é Leon. Muito prazer, Violetta.
– O prazer é todo meu. – Ri cabisbaixa, no entanto.
Finalmente cheguei em casa. Não aguentava mais aquilo tudo. Odeio com todas as minhas forças ser conhecida como a aluna nova, que besteira. E o professor? Confesso que ele não é nada feio, mas com aquele humor de ogro, difícil de aguentar por mais de dez minutos.
– Vilu, filha, como foi o primeiro dia de aula? – Meu pai me abraçou e beijou minha testa, como de costume.
– Em tese? Uma merda. Odiei a turma, e o professor mais ainda. A escola até que pode ser chamada por: um lugar agradável.
– Nossa, um lugar agradável? – Ele ria loucamente. – Cadê a minha argentina que nunca mudaria para o Brasil, pois não gosta de sol? – Ele deu uma pausa no riso, mas era notável que estava se segurando.
– Talvez ela tenha sido arrastada até aqui. – Ri também, para entrar no clima. – Mas confesso que tô gostando. A ideia de pegar um solzinho me deixa mais alegre.
– Que bom que gosta, filha, porque não tenho um tempo determinado para continuarmos aqui. Pode ser que seja rápido, mas também pode demorar.
– Eu sei, pai. E, sinceramente, gostaria que demorasse. Eu acho. – Parei um pouco para pensar em minha ultima frase.
– Tô indo trabalhar filha. Beijos, fica com Deus. – Ele me beijou outra vez.
– Bom trabalho, pai. Te amo. – O abracei forte.
Meu pai não tinha muito tempo pra ficar em casa. Depois da morte da minha mãe, e de ser “deixado” pela esposa (que no caso, era minha tia), ele meio que se apegou com o serviço. Até demais, se querem saber.
Subi para o meu quarto cobiçando os argentinos que ficaram em suas casas e não precisariam aprender um novo idioma. Abri o livro, página 1, gramática.
Fale com o autor