Somebody to love.
7 Desconcentração.
Notas iniciais
Leon’s pov.
As aulas foram das piores. Violetta não parava de me olhar e eu tinha vontade de soca-la. Os alunos riam de alguma gracinha que eu não havia prestado atenção. Eu estava suando frio, estava com o semblante pensativo. A que ponto chegamos.
– Professor? – Francesca levantou a mão. – Professor? Leon?
– Oi! Desculpa, estava com o pensamento longe. – Sorri baixo.
– Percebemos. – Todos riram alto. – O sinal bateu. – A menina disse olhando pro relógio, o que me faz dar um pulo quando percebi que já tinha tirado 5 minutos do próximo professor.
– Oh, por Deus, desculpe. – Peguei minha bolsa e em segundos já estava quase saindo da sala. – Aliás, Violetta, eu quero conversar com você. Te encontro na sala dos professores no final do período. – Senti meu sangue esquentar, e meus nervos se entrelaçarem. Percebi também que a menina havia se esquivado, e que estava assustada. Soltei um sorriso ganancioso.
– S-s-sim. – A menina gaguejou.
Era verídico, eu iria confronta-la. Iria coloca-la em seu lugar, nada mais. Estava feliz, confesso, mas estava com medo, o poder daquela argentina era tamanho.
As aulas passaram como de costume, eu, no entanto, continuei aéreo. Violetta é diferente, ela me faz queimar. Ela é um redemoinho, quem não tomar as devidas providências caí, e lá, não sei o que realmente encontrará. Sinceramente, não tenho vontade de saber! Dela, a única coisa que quero é distancia, somente isso.
Violetta’s pov.
– EU NÃO ACREDITO! – Gritei com Fran. – Quem aquele carrancudo pensa que é? Não responda, eu sei bem. Ele pensa que tem muita autoridade sobre todos nós. Mas não sobre mim, não mesmo!
– Vilu, calma. – Fran me seguia enquanto meus passos cresciam cada vez mais. – Acho que ele só quer... – Não deixei a garota acabar a frase.
– QUER O QUÊ? ME PEGAR COMO FAZ COM AS VADIAS??? – Virei-me para a mesma com o semblante bem mais aborrecido que o normal. Eu estava triste! Era estranho, porque eu definitivamente não queria ficar com a fixa manchada com um dos professores mais importantes bem no começo do ano.
– Não seria tão ruim assim. – Fran soltou um riso malicioso. – Aí você poderia escrever um livro sobre como é pegar o professor nas aulas vagas.
– Credo, Deus me livre. E cala a boca, senhorita Francesca! – Dei um tapa leve em seu braço. A garota soltou um riso doce e contagiante, era impossível não rir junto. Em instantes, a porta das salas dos professores se abriram, sem eu ao menos toca-la.
– Vejo que teve coragem de vir. – Leon cuspia as palavras enojado só de olhar para meu rosto. Tentei contar minha face de desapontamento e medo, mas fora impossível. Bufei e dei ombros.
– Não tinha porquê não ter coragem. Não é?! – Essa fora a típica pergunta das quais não precisariam de resposta. Estava claro que ambos estavam tensos. Nossa discussão na sala ainda renderia muita coisa, eu tinha certeza.
– É... acho que já vou. Te vejo amanhã. Beijos, Vilu. – Fran saiu em passos largos, não dando tempo de me despedir. Voltei a encara-lo.
– Bom, agora podemos ficar mais à vontade. – Por que teríamos que ficar mais à vontade? NÃO, EU NÃO QUERO. Minha mente criavam frases soltas.
– Acho que sim. – Fitei-o com cuidado. Seus traços eram marcantes. Seu olhos, apesar de pequenos, eram esverdeados. Não pude notar que o mesmo soltou um riso ao ar, e seu sorriso, ah, era lindo. Merda, para de reparar. PARA! Fiz uma careta.
– Tem algo engraçado aqui? Se tiver, por favor, me conte.
– Nada, só lembrei de algo e... enfim, você não tem nada haver com isso.
– Você se acha dona do mundo, e isso é insuportável, garota.
– Se me chamou para me insultar, desculpe, mas estou saindo.
– Vejo que já está aprendendo o português rápido. Burra você definitivamente não é.
– Acha mesmo que vou levar a sério suas críticas? Elas não passam de nada para mim, assim como você. – Ele ficou surpreso, e eu também. Como conseguira dizer aquilo? Eu estava me superando, estava recebendo forças de meu mais intimo, e isso me perturbava. Leon causava ânsia em meu estômago, mas causava reações nunca causadas, também. Voltei a minha pose normal e dei os ombros. – Eu realmente tenho mais o que fazer. Sendo assim, adeus.
– Espera. – Puxou-me pelo braço deixando uma breve distancia entre nós. Extávamos tão próximos que podia ouvir as batidas do seu coração. Elas estavam aceleradas, assim como as minhas. Ficamos por segundos nos olhando, daquela forma estranha e desconfortável, mas, naquele momento, nenhum dos dois estava dando a mínima.
– Vai me esculachar mais ou vamos ao que interessa? – O que realmente interessava naquele momento? Caralho, eu tinha que me conter para não beija-lo. Seus olhos me prendiam e me puxavam cada vez para mais perto. Era sobrenatural.
– Queria pedir desculpas por hoje de manhã. – Ele se afastou e mexeu nos cabelos. – Teremos que nos ver por mais meses e meses, então acho que não devemos começar com o pé esquerdo. – Riu falso.
– É, concordo. – Retribui.
– Então, é... Vamos deixar pra lá o que aconteceu de manhã? – Ainda sorrindo, estendeu sua mão para que eu pudesse toca-la em sinal de paz, talvez.
– Vamos. – Apertamos as mãos. – Eu realmente tenho que ir. Espero que você, opa, nós sejamos melhores.
– Eu também. – Ele sorriu e eu virei as costas, seguindo o corredor completamente vazio que dava para o portão.
Leon’s pov.
Foi uma conversa realmente difícil. A nossa distancia me deixou louco. Louco porque a queria mais perto, mais minha. Ela é uma garota extremamente atraente, não posso negar. Seus cabelos relando em seu pescoço marcando a sua respiração que passava de lenta para rápida em questão de olhares trocados. Eu a queria, mas não podia. Além do fato de nos odiarmos (que já não é mais o meu caso) eu sou seu professor, e prezo meu trabalho. Mas não posso negar, eu a quero perto, quanto mais, melhor.
Fale com o autor