Somebody To You

23 O Caso de Juvia Lockser. - Um quase primeiro movimento.


Notas iniciais
Feliz ano novo para todo mundo! Tentei postar antes, mas acabou não dando. Gostaria de agradecer a todos os que comentaram (lina23 XD), mas especialmente a Deliorati por acompanhar a história. Muito obrigada e bem-vinda à fanfic! Não estou muito animada para falar agora (kkk), mas boa leitura ;);

O ginásio de natação de Magnólia, usado para as regionais, estava lotado de expectadores. Por todo lado, se viam pessoas com bandeirinhas e placas em mãos, prontas para torcer. Era apenas a primeira fase de três, mas pela presença da Lamia Scale e a Fairy Tail, dois colégios de destaque, interessados apareciam de todos os lados, assim como alguns repórteres de revistas esportivas e colegiais.

No ano anterior, as finais haviam sido em uma cidade ao sul, porém não havia um local fixo para o evento. Nada havia sido divulgado ainda, mas era possível que o local escolhido fosse Magnólia. A estrutura do ginásio era enorme.

Logo na entrada, existia uma grande praça descoberta, com espaço para que os ônibus dos diferentes colégios estacionassem e uma rotatória para que as pessoas fossem deixadas o mais próximo possível dos portões. Vigas de aço que se cruzavam davam sustento à cobertura da piscina, feita de vidro azulado. Eram sempre incríveis os resultados dos altos investimentos que as grandes cidades faziam no esporte juvenil.

Meredy, ao meu lado no banco do ônibus, estava boquiaberta. Ela nunca tinha estados em tais eventos, afinal. Assim como eu e todos da equipe, vestia calças e agasalho oficiais da equipe, brancos com detalhes azuis e pretos e a marca do colégio no peito direito. Ela estava adorável com o cabelo dividido em duas tranças.

– Vamos descendo! – Aquarius gritou da entrada do veículo.

Ela e Gray tinham se sentado juntos, e discutiam algo a respeito da organização do evento e as probabilidades de vitória. O resto ficara apenas conversando ou – em alguns casos especiais – recitando mantras e pedindo a algum ser místico pela vitória.

Apesar da confusão e um pouco de empurra-empurra, conseguimos descer do ônibus, nos dirigindo à entrada lateral que levava aos vestiários dos competidores. Ali deixaríamos nossas mochilas e subiríamos para a área de onde assistiríamos as provas. Quando chegasse a minha hora de competir, eu desceria para me trocar.

A única divisão entre os vestiários era por sexo, o que fazia com que, naquele momento, o local estivesse muito cheio. Acabamos por encontrar Chelia lá dentro, conversando com algumas das suas colegas de equipe.

– Só vou desejar boa sorte por que não vai competir na mesma modalidade que eu. – ela me disse, apertando minha mão. – Apesar de eu ainda querer que a minha equipe vença e Lyon pare de achar que você nada tão bem.

Ri enquanto agradecia a ela.

– Boa sorte também. Apesar de que...

– Eu vou estar lá. – se meteu Meredy. – Vamos ver quem vence no nado borboleta.

As duas trocaram sorrisos desafiadores e nos afastamos para nos juntarmos ao resto da equipe.

Ufa! – a rosada passou uma das mãos sobre a testa.

– O que foi? – Cana perguntou.

– Dar blefes é difícil. – ela mantinha os olhos arregalados. — Não sei se vou conseguir nem ficar em uma boa colocação, quanto mais vencer.

– É sempre bom pensar positivo. – coloquei um de meus braços sobre os seus ombros. – Além do mais, sendo o seu primeiro ano nadando em competições, participar já é um privilégio.

Cana me deu um empurrãozinho e correu na nossa frente.

– Mas que discurso de enterro, hein? Tá parecendo prêmio de consolação... Vamos só fazer nosso melhor.

Meredy e eu nos encaramos, e corremos atrás da morena.

...

Gray estava tenso. Enquanto as últimas preparações eram feitas e os competidores do nado peito se trocavam, eu me sentara ao seu lado. Não só por sua própria prova ele estava assim, mas pelo time como um todo. Ou, ao menos, era o que parecia. Não ousava perguntar depois de ter quase atrasado ele durante a manhã.

Após acordar tarde totalmente desorientada e me arrumar, Ur me informara que ele estivera me esperando na entrada do Casarão por quase vinte minutos.

– Ele pode estar irritado, mas disse que não ia largar você aqui. – ela me contou com um sorriso. – Corra logo, e mais tarde nos encontramos depois das provas.

Agradeci e tomei café às pressas. Despedi-me de Ur e Ultear, que nos assistiriam e que sairiam em breve. Não poderíamos ir com elas, já que era regra que as equipes tinham que chegar juntas. Tínhamos de ir até o colégio, onde encontraríamos os outros e partiríamos do ônibus do mesmo.

Saindo pela porta da frente, encarei Gray encostado na parede. Ele anotava algo em um bloquinho, e estava concentrado. Não tinha coragem de chama-lo para avisar que eu já tinha saído, então me mantive parcialmente escondida. Propositalmente, pisei em algumas folhas secas no chão, fazendo com que ele levantasse os olhos e notasse que eu estava ali.

Sem uma palavra, começou a andar, e silenciosamente o segui. Achei que ficar calada fosse a melhor opção, e não disse nada ou fiz qualquer barulho. Quando estávamos próximos à escada que levava ao metrô subterrâneo, ele disse bem baixinho:

– Você não achar que só por que está em silêncio isso vai melhorar alguma coisa, né?

Lembro-me de ter paralisado no momento. Ficando para trás, notei que seus lábios se curvavam para cima, como que em um sorriso torto. Era sutil, mas isso fazia parecer que ele estava se divertindo.

– Vamos Juvia! – ele se virou para me chamar.

Me apressei , correndo atrás dele e não entendendo muito bem a sua reação. Entramos dentro do vagão e voltei a ficar em silêncio, apreciando seu comportamento estranhamente compreensivo.

Isso explicava a minha relutância em puxar um assunto ou pergunta-lo no que estava pensando. Tinha sido fácil demais. Pelas experiências anteriores eu achava que ele fosse agir agressivamente por mais tempo, mas não me dava muita atenção, ao seu lado.

No fim, ele só saiu do seu estado de reflexão quando a narração do evento foi iniciada. Nas nacionais, em geral quem a fazia era Jason, o principal repórter do The Weekly Sorcerer, que tinha uma versão em revista voltada para os esportes. Como ainda não estávamos em tal nível de visibilidade, o narrador era Shitou Yajima, um ex-competidor de nado borboleta e amigo do diretor.

Agora, vamos iniciar a prova de cem metros peito masculino!

O público aplaudiu. Um por um, os competidores foram entrando e preparando. Cada colégio tinha o direito de inscrever um nadador para cada prova, e apenas os dois primeiros colocados passavam para as estaduais.

Entre os participantes, reconheci um membro da Lamia, além do garoto da nossa equipe. Cruzei os dedos na esperança de que eles fossem os dois a vencerem. Felizmente, foram. Não era à toa que os dois colégios eram reconhecidos.

As provas femininas e masculinas se alternavam, e logo, um a um, meus colegas se dirigiam para o vestiário. Quando Cana foi anunciada, para peito feminino, eu e Meredy fizemos um coro de encorajamento e contagiamos o resto da equipe.

Foi uma sucessão de vitórias. Nem sempre ficávamos em primeiro, mas não houve muitas provas em que não nos qualificássemos. Até Meredy ficara em segundo, impressionantemente.

– Juvia! – ela veio correndo, molhada, e pulou em cima de mim. – Consegui!

Derrubada em cima de um banco e esmagada, eu a abracei.

– Que bom, né? Parabéns!

Ela se virou e olhou para mim com um olhar engraçado.

– Mas sabe quem é agora? – neguei. – Gray!

Ela apontou para o moreno, que começava a se levantar, alongando os braços. Enquanto se dirigia para a saída, a maioria dos integrantes o cumprimentava e desejava boa sorte. Eu fora interrompida por um deles, e por isso não pudera fazer o mesmo. Ele, no entanto, parou na saída e se virou para trás, para dar uma última olhada.

Boa sorte. – balbuciei depois de conseguir chamar sua atenção.

Ele fez um sinal positivo com a mão e desceu as escadas. Meu coração palpitou mais forte e a temperatura pareceu subir.

Enquanto a prova não se iniciava, Meredy me dizia o quão nós éramos meigos. Eu a ouvia, sabendo que Gray com certeza não sentia “borboletas no estômago toda vez que me via”, enquanto observava o público. Encontrei nossos amigos, Ur e Ultear e a equipe da Lamia, na multidão. Era possível notar a expectativa de todos. Os capitães iriam competir.

A multidão urrou quando o sinal para o início da prova de costas soou, e os dois foram com tudo. Os irmãos se diferenciavam dos outros. De modos diferentes, conseguiam se impulsionar mais à frente, e tinham grande vantagem em relação aos outros.

– Vai! Vai! Vai! – gritava Erza do outro lado do ginásio. – Eu corto sua cabeça se você não vencer!

Ela estava extremamente animada com os dois. Como já havia dito para Lyon, eu acreditava que Gray fosse vencer. Por isso, gritei em plenos pulmões, torcendo. Ao fim da prova, uma possível impressão de que Lyon iria vencer – por estar levemente à frente – foi destruída por Gray.

E mais um primeiro lugar para a Fairy Tail. Com diferença de dois segundos, olhem só!

Pulei e berrei de alegria. Nossa torcida comemorou, e vi Ultear e Ur sorrirem. A situação era complicada para elas, que não torciam especificamente para nenhum dos dois. De todo modos estavam alegres, pois os dois passaram para a segunda fase.

Assim que Gray subiu, fui até ele cumprimenta-lo. Ele agradeceu e pediu que eu descesse logo, já que – felizmente e infelizmente ao mesmo tempo – o nado livre era o último. Enquanto recebia palavras de encorajamento, andei em direção à escada que lavava aos vestiários. No meio do caminho, no entanto, me distraí com Meredy e acabei por tropeçar em meus próprios pés. Provavelmente fora por causa do nervosismo. Que beleza seria se eu me machucasse logo antes de nadar.

Ainda bem, Gray conseguiu me segurar antes que eu chegasse ao chão (ainda que nos colocando em uma posição que se aproximava a de um contorcionismo). Ele – e toda a equipe -suspiraram de alívio quando eu me levantei e mostrei que estava bem. O Fullbuster parou para pensar antes de decidir dizer as seguintes palavras:

– É incrível como em um momento tão sério você consegue ser tão atrapalhada. – ele riu baixinho.

Claramente havia ali uma referência aos eventos daquela manhã.

– G-Gray-sama! Juvia não queria que fosse assim, é só porque...

– É... irritantemente relaxante.

“Então quer dizer que você quase cair é relaxante para ele?”, foi o que o olhar de Meredy me transmitia. Ignorei a ironia da rosada.

Eu corei, abaixei minha cabeça e corri para as escadas. Definitivamente, eu tinha um motivo para vencer.

...

Depois de me trocar e colocar a touca, fiquei a esperar meu nome ser chamado. Alguns nadadores transitavam pelo corredor atrás de mim, e entre eles estava Lyon. Ele parecia triste. Tinha sorrido para as fotos, mas era óbvio que estava incomodado por, após tanto treino e o intercâmbio, não ter conseguido vencer o outro.

Eu sorri para ele, que acenou, balançou o rosto e transformou sua feição em uma alegre. Afinal, ele tinha que encorajar os outros membros de seu time.

– Não posso pensar muito nisso. Depois eu falo com ele. – murmurei para mim mesma.

Olhei cada uma das nadadoras na fila à minha frente. Nenhuma delas era excepcionalmente famosa, mas de algumas me lembrei. Senti-me levemente insegura a respeito da prova. Não, a Phantom não estava ali e isso era imensamente tranquilizador. Mas isso não me impedia de pensar que eu poderia perder por causas naturais. Além do mais, era difícil não me lembrar de que, caso eu tivesse vitória ali, iria encontra-los nas estaduais.

Não tive muito tempo para tais reflexões. Depois de uma série de chamamentos, era a minha vez:

– Estreando na Fairy Tail, Juvia Lockser! – Yajima anunciou.

Vacilante, caminhei pela beirada da piscina ouvindo os gritos dos expectadores. Entre eles, reconheci a torcida da própria equipe — o que não era lá muito difícil -, e a voz de Natsu, que berrava algo como:

– Juvia, gostosa! Hey, hey! – ele pulava, esbarrando em Lucy e Gajeel.

Sorri para eles, tentando não cair na gargalhada. Gajeel me encarou, indagando algo. Ele estava preocupado se eu estava bem, ao que eu respondi concordando com a cabeça. Após anos de amizade, conseguimos desenvolver esse tipo de habilidade.

Depois disso, o que me lembro é de ter me posicionado, ajeitado os óculos e esperado o alarme soar. Naquele momento, eu conseguira esquecer a insegurança. A menos que houvesse uma grande razão, eu não poderia deixar sentimentos como tal interferirem no meu desempenho.

Saltei, nadei, bati o mais forte possível. Me concentrava em dar as braçadas e respirar nos momentos corretos. Não era possível ter grande noção da minha colocação, mas tive vislumbres das pessoas que ultrapassei.

Com a respiração já pesada, bati na placa eletrônica que marcaria o meu tempo, e imediatamente vim à superfície para olhar o telão de resultados.

1º: Juvia Lockser. 54,33 segundos.

Um sorriso tomou conta do meu rosto, e esperei todas terminarem para me erguer para fora da piscina. Havia uma diferença considerável entre meu tempo e o da segunda colocada, uma primeiro-anista da Lamia.

Subi para encontrar os outros, sabendo que só faltava uma única prova. Comemoramos e, ao fim, em apenas duas delas não tivemos sucesso.

...

Com o fim do dia, toda a equipe, acompanhada da turma, foi a um restaurante. Aquarius deu um novo discurso, mas até ela, que tentava manter a pose de carrancuda, acabou por sorrir. Makarov também estava por lá, e fez questão de nos lembrar de que na semana seguinte seria o primeiro jogo de basquete e a primeira fase de karatê.

– É meio que um sistema rotativo, ao menos no início. Cada fim de semana vai ter um ou dois esportes sendo disputados nessa primeira fase. É por isso que as estaduais da natação serão apenas daqui a três semanas. Nessa fase, pode haver algumas competições ocorrendo ao mesmo tempo. – eu explicava para Meredy.

O ambiente poderia ser outro, mas as regras eram as mesmas do ano anterior. Ao menos as explícitas.

– Ah, nas nacionais isso piora muito. Não temos a mínima garantia de que vamos poder assistir um ao jogo, corrida, etc, do outro. – Cana complementou. – Até por que, em alguns casos, as equipes têm de viajar.

– Acho que entendi. – Meredy concordou.

Verdadeiramente, aquilo fora só um teste inicial. Nossa vitória apenas significava que teríamos algum valor. Em casos especiais, como Gray, sabíamos que ele teria uma boa colocação, mas isso não era garantido a todos. Eu mesma poderia ser um destaque ali, mas muita coisa poderia dar errado nas estaduais ou nas nacionais. Muita coisa mesmo.

Contive os pensamentos negativos ao lembrar que isso não me levaria a nada.

– Vamos? – eu indaguei a Gray depois de um tempo.

Ele concordou e fomos embora, após retirarmos Freed de seu lugar ao lado de Laxus. Ele estava animado por ter sido elogiado pelo maior devido à sua velocidade no nado borboleta. Já tínhamos cumprimentado Ur e Ultear na saída do ginásio, mas eu tinha a sensação de que tinha de conversar com Lyon.

Ao chegarmos ao “Centro de Treinamento”, subi imediatamente para o meu quarto. Antes que a briga começasse, corri para o banheiro e tomei um banho quente. Vestida, procurei Lyon pela casa, não o achando. Sendo a última alternativa, bati à sua porta.

– Lyon-sama?

Ele colocou o rosto para fora.

– Juvia? Pode entrar.

Eu caminhei pelo cômodo e me sentei sobre a sua cama. Dei uma batidinha no espaço ao meu lado, chamando-o para ali se sentar, o que ele fez. O garoto apoiou sua cabeça em um dos meus ombros, com um sorriso triste.

– Percebeu como eu estava, é?

– Uhum. Pode falar. O que foi? – perguntei-o. – Foi por que ficou em segundo lugar?

Lyon franziu as sobrancelhas.

– Como? Sobre o que você quer falar?

– Você sabe, Lyon-sama. Não precisa ficar triste, é como você disse: ainda falta muito, não dá para predizer os resultados finais. Você ainda pode...

Ele riu forçadamente.

– Não, eu não posso. – Lyon se virou para mim e segurou meus pulsos carinhosamente.

– Claro que você pode. Só por que ele foi um pouco mais rápido...

– Você acha que eu fiquei assim só por causa dele?!

Eu tinha a impressão de que talvez não estivéssemos falando a respeito da mesma coisa. Lyon se levantara e caminhava de um lado ao outro do quarto, nervoso.

– Lyon-sama?

Ele se parou à minha frente.

– Você realmente gosta do meu irmão, né? – ele me olhava nos olhos.

Enrubesci e desviei o olhar. Não entendia o porquê dele estar falando sobre tal assunto naquele momento.

Eu vi você torcendo, o desejando boa sorte. Quero dizer, eu vejo o quanto você o adora todos os dias, mas acho que não queria encarar tudo de frente. Sim, fiquei meio triste por perder hoje, mas isso eu posso recuperar. Estou assim por que... Perdi para ele em outro aspecto. – ele fez um sinal apontando para mim.

Ah. – foi o único som que saiu dos meus lábios.

Nesse momento eu entendera o que Ultear quisera dizer com “quem faria o primeiro movimento”.

Em meus dezesseis anos de vida, eu nunca havia recebido uma confissão de amor. Não tinha a menor ideia do que fazer. Eu não o via como nada mais que um amigo, e me negaria a mantê-lo como “segunda opção” ou escolhe-lo por que era “o cara certo”.

Se fosse para seguirmos um script de novela, provavelmente um de nós choraria ou começaríamos uma discussão. Mas Lyon não parecia nem um pouco irritado. E tudo o que eu acharia de mais patético era chorar ali. Em minha posição, talvez isso não fosse possível, mas eu gostaria de reconforta-lo.

Me sentei ao seu lado e ficamos em silêncio.

– Sim, eu gosto dele. – afirmei. – Lyon-sama, eu...

– Só não diga que sente muito, por favor. Eu já sabia que ia ser uma rejeição. Ainda assim, estou bem mais tranquilo agora. – ele se virou para mim, e fez um carinho nos meus cabelos. – Não precisa me chamar mais de Lyon-sama se não quiser.

Ele olhou para mim com uma falsa compreensão.

– Que?! – eu indaguei.

Eu sei que eu tinha de considerar seus sentimentos, mas fiquei irritada pelo modo como ele parecia achar que eu iria abandona-lo apenas por causa daquilo.

– Lyon Vastia, eu vou continuar a te chamar de Lyon-sama sim. Não sei da sua parte, mas eu quero que continuemos a nos dar bem daqui para frente.

Ele olhou para mim, que tinha me levantado. Fez um gesto indicando desculpas, e me puxou novamente para o seu lado. Ficamos ali, quietos, e eu deixei que ele me abraçasse por um tempo indefinido. Não tinha coragem de me mexer ou voltar ao tocar no assunto. Se eu fizesse algo, talvez apenas piorasse a situação. Lyon notou meu desconforto:

– Fica um climão depois disso, não é? – ele riu um pouco.

Novamente, tentava me alegrar.

– Com certeza.

– Mas não vamos ficar assim não. Faça-me um favor? – ele pediu.

– Claro.

– Faça o que você quiser, só não... Não deixe ele te magoar, ok? Gray nunca fez mal propositalmente a ninguém, mas ele pode ser bem insensível.

Concordei com a cabeça.

– E se... Não der certo, saiba que eu estou aqui. A partir de agora, só como amigo, mas estou aqui.

– Pode deixar que vou dar meu máximo para derreter aquela geleira.

Eu segurei sua mão e dei-lhe um último abraço apertado. Era claro como o dia que, apesar dele estar agindo assim, precisava de um tempo sozinho.

– Ah, o que acabou de acontecer não significa que eu vou parar de tentar fazê-lo sentir ciúmes, ok?

Eu ri e me dirigi à porta. Tudo o que eu queria, naquele momento, era que ele não ficasse triste. Não subestimaria seus sentimentos, mas esperava que eu não tivesse sido um “grande amor” para ele, que não fosse algo difícil de superar.

Ao sair no corredor, tudo o que encontrei foi Chelia, parada ao lado da porta dele. Ela demostrava ter ouvido tudo, e, diferentemente do que eu esperava, sorriu para mim.

– Obrigada por não ter dado a ele falsas esperanças.

“E obrigada por estar aí para ele.”, foi tudo o que pensei quando ela entrou no quarto de Lyon, provavelmente para ajuda-lo a passar por aquilo.

Notas finais
O que acharam??? Comentem!