Somebody To You

14 O Caso de Juvia Lockser. - Estado de choque.


Notas iniciais
E então voltamos aos tamanhos "normais" dos capítulos. kkkk Oi! Faltando muito pouco, como sempre, estou dentro do prazo. Gostaria de agradecer a todos os que comentaram, e especialmente à Namie, que favoritou a história ;) Eu, dentro de toda a minha opinião de escritora, adorei o capítulo. Não foi nada muito grande, nem feliz, mas acho que teve bastante emoção. Me digam aí o que acham, né? Boa leitura ;)

– Juvia Lockser, — a voz fina, porém masculina, disse. – há quanto tempo. Ou nem tanto assim, não é? Afinal, você nem nos deu tempo para nos despedirmos.

Arfei, com o medo. Monsieur Sol e Aria estavam ali.

Eu não sabia ao certo o que fazer. Apesar de ter consciência de que não seria nada efetivo, correr parecia uma tentação. A surpresa e o susto provocados pelo aparecimento repentino dos dois me paralisaram.

Sol, o mais baixo, porém mais irritante, continuava do mesmo modo. O cabelo verde espetado, o bigode fino (pois ele não tinha pelos suficientes para um de verdade) e os monóculos que ele insistia em colocar sobre um dos olhos, apesar de não precisar. A correntinha dourada fazia um barulho irritante toda vez que ele andava, o que sempre me fizera ter o desejo de arrancá-la e parti-la. Sua ascendência estrangeira misturada ao seu talento no tênis fizeram dele um ser extremamente pomposo e arrogante. Era um dos favoritos de Jose, do tipo “manda que eu faço”.

Aria, grande e quieto, não era muito do tipo de demonstrar suas emoções. Jogava na posição de pivô do time de basquete. Por andar com Sol e outros, soubera desde o primórdio que dele eu não poderia esperar grandes coisas, e essa teoria apenas se tornou cada vez mais embasada. O modo como ele parecia não temer a derrota, pois faria de tudo para vencer, juntamente como, em silêncio, conseguia transmitir todo o seu desprezo pelos seus oponentes, me fizeram notar que ele era tão podre quanto o seu amigo, porém de um jeito diferente. Enquanto Sol gostava de humilhar e se dizer melhor explicitamente, clamando por confusão e público, Aria assistia às obras do amigo com um olhar que poderia ser confundido com o de tédio, sendo ainda possível se notar a curvatura de um leve sorriso em seus lábios. Em seu íntimo, ele se divertia.

Eu não sabia o por que deles estarem ali. Bem, isso era claro. Mesmo que eles me odiassem, desejassem o meu pior, me considerassem uma traidora, vir atrás de mim não resolveria o caso. Além do mais, Jude não mandaria eles fazerem algo tão explícito ou estúpido como um atentado físico. Ou pelo menos era isso de que eu tentava me convencer. Mesmo que esse não fosse o meu verdadeiro medo.

– E então? – disse o Monsieur, como Sol gostava de ser chamado. – Não tem nada a dizer, garotinha?

Ambos saíram das sombras, e eu me postei de costas para o Casarão. A cada passo que eles davam, minha respiração ficava mais pesada e eu tropeçava pequenas distâncias para trás.

– O-o que vocês querem? – eu balbuciei com a voz mais infantil que eu tinha.

Parei onde estava. Se eu tivesse de falar com eles, não poderia agir assim. A fraqueza em nada me ajudaria. Balancei a cabeça, ajeitei a postura, e, dentro do possível, mantive a voz confiante.

– Por que vieram aqui? Jose mandou alguma mensagem?

– Apressadinha você, hein? Não acha que nós poderíamos ter simplesmente termos sentido a sua falta? – eu me forçava a encará-los.

A pergunta era retórica. Enquanto Sol se aproximava, eu fazia força para me manter no lugar. Se eu vacilasse, ele com certeza faria algo pior do que já tinha em mente. Enquanto Aria se postava ao meu lado e Sol à minha frente, respirei pesadamente. O arrogante colocou um de seus dedos sobre meu queixo, me forçando a levantar o rosto e examinando-o.

– Ao que parece você já entrou em outro time, não é? E que time. – seu tom era sarcástico. – Nós sentimos a sua falta.

Impossível. Me controlei para não cuspir em seu rosto. Com um olhar de desgosto, murmurei:

– Faça-me um favor e vá...

Antes que eu pudesse terminar a frase, Aria pegou minha mochila e a abriu, observando o que havia dentro. Com um sorriso, ele entregou o meu uniforme para Sol.

– Você não vai precisar disso. – ele soltou meu rosto, que apertava até então. – Quero dizer, você acha que tem alguma chance de você conseguir ficar aí por muito tempo? Depois que eles descobrirem que você não consegue nem fazer o básico...

– Cale a boca! – eu berrei enquanto esperneava para me livrar dos braços de Aria.

– E ainda levou o seu amiguinho junto, não é? – ele não parara de falar. – Espero que esteja satisfeita agora.

Aria jogou a mochila de volta para as minhas mãos. Depois de vasculha-la, notei que eles não haviam pegado nada a mais.

– Mas, pelo menos, ele não nos prejudicou tanto quanto você. – ele suspirou enquanto se virava girando minha gravata azul. — Boa sorte, Juvia Lockser. Ou o máximo que for possível.

Eles foram se afastando, até entrarem no carro. Ao ligar os faróis, me observaram por alguns momentos, enquanto eu tremia, parada. Dando a partida, Sol acelerou, parando com o carro em minha frente, para então cantar pneus, deixando um forte odor de borracha queimada. E no meio de toda a fumaça, os tremores se intensificaram, gerando gemidos estranhos, que geraram o choro. Ao ver o carro dobrar a esquina, me permiti cair ao chão de asfalto, encarando o Casarão ao longe.

...

Eu só não queria que eles notassem. Mas isso era meio impossível, considerando o meu estado: olhos vermelhos, cabelo bagunçado e rosto inchado. Além do fato de que Ultear viera correndo em minha direção, cerca de um minuto após eles irem embora.

– Juvia! Está tudo bem? – ela dissera ao colocar uma de suas mãos em minhas costas. – O que aconteceu?

Em uma tentativa inútil, eu virei o rosto e tentei prender o choro. Ela segurou-o estre suas mãos, de um modo muito mais gentil do que Sol fizera, e me fez olhá-la de frente.

– Sabia que aqueles garotos tinham feito algo estranho. Venha.

Ela disse, e, pegando minha mochila e estendendo a mão, me ajudou a levantar. Até chegarmos à entrada, ela me abraçou de lado, sem dizer nada e com as sobrancelhas franzidas.

– Você está com as suas chaves? – ela indagou.

Eu assenti, abrindo a mochila e as entregando para ela. Antes que ela pudesse abrir a porta, porém, a interrompi:

– Ul, você poderia... não falar disso para todos?

Pela expressão dela era claro que ela não guardaria segredo.

– Juvia, eu não sei o que aconteceu, mas foi alguma coisa minimamente séria para você estar assim. Não vou deixar que isso passe despercebidamente.

Assim que entramos no saguão, busquei manter minhas feições o mais tranquilas possível. Se eu não poderia esconder tudo, que pelo menos não os deixasse tão preocupados.

– Ultear, o que aconteceu? – gritou Chelia da sala de estar. – Você saiu correndo do nada...

– Juvia? – ouvi a voz de Lyon. – O que houve?

E com isso, todos vieram em minha direção. Perguntas como por que e como eram repetidas a todo momento, o que só fez ficar mais difícil controlar o choro. Eu sabia que a intenção deles era ajudar... Sempre é. Mas o sentimento de sufocamento enchia o meu peito, e permitir que as lágrimas voltassem a jorrar. Eu não dizia nada, e em um estado deplorável, fui conduzida até à cozinha. Enquanto Lyon buscava me acalmar, me dizendo palavras gentis, ao fundo Ultear explicava o pouco que sabia.

– Aqui. – Chelia me estendeu um copo de água com açúcar.

Eu não acreditava muito nessas histórias de calmante, mas, com um sorriso de gratidão, peguei o copo de sua mão. Naquele momento, todo o seu remorso contra mim parecia ter se esvaído.

Ur, retardada pela perna eternamente comprometida, chegou um pouco depois. Todos se afastaram enquanto ela se aproximava. O sentimento de sufoco foi amenizado.

– Pode falar o que quiser. – ela sussurrou em meu ouvido. – Ou melhor, tem alguma coisa que você quer?

Passei os olhos pelo recinto.

– Cadê o Gray-sama? – eu sussurrei.

Minha voz saiu como em um pedido infantil, mas, naquele momento, me permiti o luxo de ser um pouco mimada. Só a presença dele ajudaria. Em um disparo, Ul correu para o andar de cima. Após poucos segundos de gritaria, passei a ouvir o barulho de seus passos na escada, e uma conversa que não era para ser perceptível.

O que?! – Gray dizia. – Ela foi atacada?

Shhh... Eu não sei. Eu encontrei ela no chão da rua, depois de dois garotos a abordarem e saírem de carro.

Gray dera um riso baixo.

Você me chamou para isso? A Juvia sabe lidar com esse tipo de cara, você não viu como ela fez no dia em que...

Eles pararam em frente à porta da cozinha, e Ul pareceu barrá-lo por alguns momentos.

Ela ainda é uma garota, Gray. Você não pode achar que ela simplesmente vai conseguir bater em dois caras, principalmente quando um deles era enorme. E dessa vez... acho que foi diferente. Não foi esse tipo de abordagem.

Ao abrirem a porta, imediatamente Gray virou-se em minha direção. A expressão de descrença, que ele tinha até então, murchou. Vendo o meu estado crítico, ele pareceu meio confuso, mas ao notar que todos o encaravam, ele veio em minha direção. Por bem ou por mal, ele estava sendo forçado, por mim e por todos, a me confortar. E, desajeitadamente, enquanto ele buscava aconchegar minha cabeça em seu peito, seu cheiro e presença fizeram o efeito. Talvez não do modo esperado por todos.

Aquele sentimento de afogamento, de queimação, que eu tentava suprimir, e que só piorara quando todos os outros se aproximaram, fora substituído por outro, levemente pior, ao eu me permitir derramar algumas lágrimas. Mas com ele ali, e com a sensação de suas mãos, que passeavam pelas minhas costas e se emaranhavam em meus cabelos, eu liberei todos esses sentimentos, em um berro desesperado. Talvez o melhor modo de me acalmar fosse soltar tudo o que eu prendera à séculos lá dentro.

Ela ainda é uma garota, Gray.

Talvez fosse isso que passasse pela mente Gray ao sentir suas mãos me apertarem mais forte. Seus olhos, antes assustados, assumiam um tom escuro, ameaçador. Envolvi-o com meus braços, completando um abraço apertado. Por alguns minutos, ficamos assim, ignorando o mundo e os outros, em um conforto silencioso. Ao menos por minha parte, meu desejo era de que continuássemos assim para sempre. Eu sentia sua respiração em meu pescoço, e aspirava profundamente o odor característico dele. Quem sabe – pensei com um sorriso triste –, eu possa culpar o momento de fraqueza por tudo isso.

Sendo tudo o que é bom curto, sabia que não poderia me manter assim. Após ter chorado tudo o que desejava, com um leve empurrão sinalizei para ele que já estava bem. Corado e de cabeça baixa, ainda que me olhasse de lado, ele ficou encostado em uma das paredes. Tomei coragem, e antes que me fizessem mais perguntas, fiz o único pedido que me faltava.

– Alguém pode chamar o Gajeel?

...

O moreno chegara em trinta minutos, com uma expressão séria, quase tão assustadora quanto a de Gray. Passando por todos e vindo direto a mim, ele segurou minhas mãos e me encarou nos olhos.

– Foram eles?

Eu assenti e ele esmurrou o chão, para logo depois se levantar. Acompanhando-o, nos dirigimos a Ur.

– Será que eu poderia leva-la ao andar de cima. – ele perguntou.

Não sei o que Ur pensava daquilo, se iria me interrogar mais tarde ou não, mas a situação fez com que ela nos liberasse. Seu espírito de mãe a fazia ter ações que poderiam ser aparentemente erradas. Mas isso não significava que todos fossem aceitar isso. Por que quando tentamos sair pela porta da cozinha, Gray se postou na nossa frente. Parecia ter a intenção de nos acompanhar. Eu desviei o olhar.

– Com licença. – disse Gajeel rispidamente.

– Juvia... – Gray murmurou.

Ele não saiu do lugar. Me observava.

– Gray-sama... por favor, dê licença. – eu mantinha o olhar o mais distante dele possível.

O garoto estava paralisado. Era a primeira vez que eu rejeitava sua presença, afinal. Só o som de tal palavra me doía.

– Gray Fullbuster! – Ur gritara do outro lado do local, fazendo com que tomássemos um susto.

Senti pena dele. Envergonhado, Gray se dirigiu ao lado de Lyon. O segundo me olhava carinhosamente.

Não falando mais nada, eu e Gajeel subimos ao meu quarto. Ainda não totalmente arrumado, ainda se notavam algumas caixas nas paredes do mesmo. Nos sentamos em minha cama. Ainda que o clima fosse de aconchego e Gajeel tivesse me emprestado seu ombro, eu já não queria mais me lamentar. Em baixo tom, contei-lhe toda a história.

– E eles fizeram alguma coisa com você?

– Fisicamente, não. Eles levaram meu uniforme. – eu lhe mostrei a mochila quase vazia.

Gajeel, se é que isso era possível, estava mais irritado. Ele andava de um lado para o outro pelo quarto.

– Aqueles idiotas! – e assim reproduzo por que os nomes dos quais ele os chamou foram bem piores. – Mas, você não pode ligar para isso, viu? – ele parou na minha frente.

– Un? – eu o questionei, entristecida.

– Espere aí. – ele segurou meus pulsos. – Nem pense em se culpar por nada, ok? Eu saí de lá por que eu quis.

– Eu sei. Mas acho que depois de tudo isso eu relembrei um pouco de tudo.

Ele se sentou no chão. Parecia não conseguir mais ficar quieto.

– E é obvio que eles fizeram isso para fazer você perder a confiança. Eles têm medo do seu potencial, querem que você vacile. Mas isso não vai acontecer. – ele parecia acreditar nisso, mas ao mesmo tempo tentava me animar, como se fosse uma brincadeira. – Não é?

Eu ri levemente e concordei.

– A partir de hoje tente não andar mais sozinha, ok? Eu sei que você não é nenhum bichinho indefeso, mas precisamos nos prevenir. – eu assenti. – E sabe o que eu acho?

Os olhos deles já tinham um olhar mais sádico. Eu sabia que dali ele surgiria com algum tipo de plano.

– Acho que devemos é destruir todos eles nas competições, só para mostrar que é que está por cima.

Notas finais
Ge-he... Eu sinceramente fiquei na dúvida entre chamarem o Gajeel ou a Juvia pedir pra chamar ele, mas eu não queria fazer dela uma personagem tão dependente, mesmo quando está fragilizada. Gostaram?