Somebody To You

39 Extra 1. - Sight Of The Sun.


Notas iniciais
WaterLady, eu escolho você! (ai que brega kkkk). Mentira gente, n escolhi nada não, foi um sorteio. Mandei minha irmã mais nova dizer um número aleatório e acabou caindo no pedido dela, que eu particularmente gostei ;). Enfim, o especial escolhido por vocês será sobre um aniversário surpresa para Juvia, para comemorar o aniversário da fanfic! (por mais que vá sair bem atrasado). Além disso, gostei tanto da sugestão sobre um especial Jerza que vou fazê-lo também. Todo mundo sabe que eu tenho um penhasco por esse shipp, e meio que já planejava isso... Fora esses e esse que posto agr, ainda há um para Wendy e Romeo, uma para Meredy, um para Elfman e Evergreen e um que eu não posso explicar mas que vai ser bem... Engraçado hehe. Mal posso esperar para escrever o último. Qual a ordem que vcs desejam? (ah, todos eles serão em terceira pessoa!) Obrigada a todos que comentaram os últimos capítulos *v*. Mas, falando sério... Cadê vcs? T-T Fiquei meio tristinha pq o último capítulo só teve 1 comentário... Gente, só consegui postar mesmo por causa do feriadão e pq uma de minhas provas foi adiada, vou tentar escrever outro logo. Para piorar tudo, está chegando aquela época do ano... É, a mesma do ano passado... Para quem não se lembra, é a época do projeto que toma todo o meu tempo por um mês. Não sou líder esse ano, então ainda vou ver como vai ser, vou tentar continuar postando. *pedradas* Sendo realista, minha ideia é terminar os especiais logo e começar e adiantar dentro do possível a segunda temporada durante as férias. Por favor não me abandonem, eu faço tudo dentro do possível... Só quero terminar dizendo que vocês são maravilhosos, que eu FINALMENTE respondi aos comentários de algum capítulo e que nunca vou abandonar isso aqui *v*. A pedido de imsorryhelpme... A indicação dessa vez é Sight Of the Sun da banda Fun. Pra mim, essa canção caiu como uma luva para o capítulo hehe. Esse é para todos que se comoveram com a situação de Freed! Boa leitura!

Existem certas situações e vivências que não são passíveis de compreensão exceto caso as tenha experimentado. Por mais que a maioria tente entender os sentimentos dos envolvidos, tudo era em vão. Talvez fosse incompreendido pelo resto da vida, não sabia. Duvidava que alguém fosse capaz de amenizar suas angústias – ou ao menos tentar insistentemente −, e muito menos conseguia se imaginar se aproximando de outro se esse não cumprisse com a condição, caso fosse apenas um “rosto bonito”.

Comum mesmo era ouvir todos aqueles conselhos de quem tentava se convencer e fazê-lo acreditar que não era tão diferente assim, que todos passavam por situações semelhantes. Só que ele tinha certeza de que isso não era verdade, era uma exceção em seu círculo de conhecidos. Isso o incomodava. As outras pessoas tentavam “ajudá-lo”, animá-lo com histórias com finais felizes, com outros assuntos. No fundo, o que eles tinham como parâmetro não era nem de perto tão complicado quanto a realidade.

Freed Justine sabia que estava sozinho naquilo.

Talvez tivesse chegado ao fundo do poço, ainda que isso soasse meio engraçado. Até mesmo Chelia, com quem mais convivia e achava que o conhecia totalmente, não poderia ajudá-lo com aquilo. Primeiramente, por que não era do seu feitio falar sobre aquele assunto, seria estranho. Ninguém ouvira dele nada sobre sua solidão. Era doloroso e vergonhoso demais.

Bem, ele... Não queria sair espalhando que queria ter alguém (ou que pelo menos queria saber como era ter alguém). Já não bastava ter que ocasionalmente ouvir perguntas relacionadas à sua sexualidade, seria pior ainda ficar com a fama de “desesperado”. Sabia que isso ocorreria, e ele odiava a balbúrdia que surgia quando alguém declarava para o grupo de amigos que estava namorando ou apaixonado. Seria especialmente difícil para ele se tivesse que ser meter em tal tipo de circunstância. Como um garoto, não podia transmitir a imagem de um sonhador. Não era uma donzela, afinal de contas.

Seu coração apertava toda vez que via os amigos, especialmente o amigo e sua namorada. Não, nunca odiaria Mirajane, mas tinha um pouco de ciúmes. Ela tinha tudo o que ele nunca pudera ter, mesmo que, depois de um tempo, ele tivesse se conformado a apenas observar Laxus de longe. Sabia que sua admiração pelo loiro nunca chegara a ser uma paixão, estava mais para uma paixonite ou uma tara, encantamento. Laxus, na verdade, nunca tinha conversado muito com ele sobre o assunto, e o Justine sabia muito bem seu lugar. Seria sempre o “amigo gay” do qual o loiro não poderia se aproximar demais para que ele não criasse esperanças. Então, se conformou em simplesmente estabelecê-lo como modelo. Fora a parte de gostar de garotas e não ter nem conseguido manter a conversa na única vez que Freed falara sobre suas frustrações, ele era encantador.

Perguntava-se se algum dia ele realmente encontraria esse alguém “perfeito”, se apaixonaria, se existiria alguém que pudesse realmente gostar dele. Não era um iludido, também. De todos os homossexuais que conhecera, poucos tiveram a coragem de se aproximar, e os que o fizeram queriam apenas conversar ou ir “rapidinho em algum canto”. Eca. Também nunca gostaria de passar a imagem de um devasso.

Já havia sido chamado de “florzinha”, de “delicado”, de “assexuado”: procurava não se importar, ou pelo menos não demonstrar que o fazia. A respeito o último apelido, no entanto, ele guardava certa mágoa. No fundo, o Justine sabia que talvez nunca tivesse tido uma relação por puro medo, por uma hesitação desnecessária, fruto de sua imaginação que lhe pregava peças. Tinha receio de destruir a ideia de “impecabilidade”, “inocência” e “inteligência” criada sobre ele, e especialmente de errar, escolher errado e quebrar a cara. Isso só lhe parecia cada vez mais evidente ao observar o quão estático ele se encontrava diante da sua tristeza por se sentir ridículo em meio a tantos casais. Não movia um músculo para mudar a situação, parecia esperar que um milagre o arrebatasse.

Como naquela tarde, por exemplo.

Depois que a “Porta” e a “Louca da Phantom” se resolveram e o Casarão parecer faltar apenas exalar o odor de rosas e ser decorado com corações, ele se aproximara de Lisanna Strauss. Sabia que aquilo ocorrera apenas por os dois compartilharem uma infeliz experiência: corações partidos por amigos dos quais não conseguiam guardar rancor. Por mais que ela já estivesse se resolvendo no quesito de estar solteira − Bickslow era rápido e vinha mantendo Freed informado sobre seus progressos −, a garota parecia ser a que mais poderia ajudá-lo, ao menos emocionalmente. Não custava nada tentar.

O esverdeado respirou profundamente, lutando consigo mesmo para não se irritar.

­− Será que você não poderia nos deixar sozinhos? – questionou.

O garoto à sua frente teve a cara de pau de negar, com um sorrido presunçoso, enquanto apertava ainda mais o abraço na cintura de Lisanna. Eles estavam sentados no chão, e a garota fora puxada para o espaço entre suas pernas. Não demorou muito para que ela se afastasse, fazendo-o bufar, e o olhasse como se ele fosse um bicho inconveniente e asqueroso.

− Ah gente, por favor. Eu cresci com você. – Bickslow apontou para Freed. – E arrependida ou não, você me convidou para passar a tarde na sua casa, Lisanna. Qual o problema de eu participar dessa conversa?

Justine se sentiu envergonhado, curvando os ombros para frente e corando. Esperou que Lisanna respondesse à pergunta enquanto observava a coleção de CDs na prateleira dela. A Strauss inesperadamente tinha um apreço por rock alternativo.

− Nós...

Ela parecia tentar confirmar com os olhos se poderia continuar. Freed não tinha problema de admitir suas escolhas e quem se mostrasse curioso, mas gostava de ser o mais conciso e discreto possível. Pigarreou.

Vamos falar sobre garotos. – ele soltou o ar lentamente durante a fala.

Bickslow não conseguiu evitar uma careta. Realmente aquele não seria seu tópico favorito em uma discussão, mas fez um esforço pelo amigo. Queria que Freed, teimoso, soubesse que só porque ele era hétero isso não significava que precisava manter tudo para si, não compartilhar nada. Poderia contar com ele também, apesar do baterista saber que não seria de muita ajuda. Bem, ao menos ele não imaginava que fosse contribuir significativamente na discussão. Não sabia apreciar um bom tanquinho, Lisanna o dissera.

− Aleatoriamente ou sobre alguém específico? – ele fez insinuações com o olhar.

− Aleatoriamente. – a garota falou.

− Infelizmente. – Freed murchou. Bem que gostaria caso houvesse algo real para discutirem, mas sua vida amorosa estava tão deserta quanto seu estômago.

Bickslow não fazia nem um pouco o tipo ciumento, por isso, por mais que tivesse noção de que Lisanna falaria e já tinha falado muito com Freed sobre os “caras atraentes”, não se sentia intimidado ou irritado. Claro que preferia não ficar ouvindo, mas a única possibilidade que o faria se revoltar seria caso o tópico do dia fosse Natsu Dragneel. Não era nada pessoal, mas... Ele meio que tinha mantido a garota por quem Bickslow era apaixonado fora do seu alcance por anos, seria meio difícil simplesmente observar ela voltar a cair de amores por ele – não que houvesse a menor possibilidade dele permitir que isso ocorresse. Não fosse por isso, o jogador era bastante simpático.

− Mas você não pensa em... Sei lá, sair com algum garoto? – ele questionou, curioso acerca da razão para Freed parecer se manter solteiro por escolha. – Sei que não chovem oportunidades para ninguém, mas já vi alguns te abordarem.

O de cabelos longos se retesou, aprumando-se como um animal assustado. Ameaçado.

− C-com quem e-eu sairia? Nunca conheci ninguém realmente agradável...

− Isso porque você também se importa muito com primeiras impressões. – Lisanna ressaltou.

− Pode até ser, mas também não tem ninguém realmente interessado em mim. Como estou agora, também não teria coragem de tomar a iniciativa.

E acho que ainda não estou realmente preparado.”, pensou. Talvez fosse melhor manter suas ilusões românticas nos sonhos e nos livros e simplesmente esperar o dia em que esse sentimento sumisse.

− Nem se você gostasse da pessoa? Não agiria nem mesmo assim?!

Freed preferiu não responder. Não queria decepcioná-los. A Strauss chiou, levantando-se e indo para trás do esverdeado para começar a brincar om seus cabelos, muito mais longos do que os dela. Do jeito como estavam naquela época, os cabelos de Freed já batiam em sua cintura, e ela adorava trançá-los.

− Talvez se algum dia a pessoa surgisse na minha frente... Mas por enquanto não há nenhum candidato.

− E se nós achássemos um para você?

Freed calou-se novamente. Teria buscado ajuda em Bickslow, mas esse já estava concentrado demais jogando em seu celular algum desses aplicativos de tiro. Desgraçado. Não tinha o estômago para admitir em voz alta que era um covarde. Talvez fosse mesmo assexuado, não costumava sentir interesse por ninguém, e, quando por algum motivo seu coração batia mais forte, era sempre por algum desconhecido com quem se esbarrara na rua e que nunca mais veria na vida, algo do tipo.

− Como teriam certeza de que ele seria...

Nesse momento, batidas na porta do quarto foram ouvidas e os três se voltaram ao ver Mirajane adentrar no cômodo com uma bandeja de biscoitos amanteigados e refrigerante. Não poderia ter escolhido um momento pior para fazê-lo, era humilhante para Freed tê-la como conselheira.

− Do que estão falando? – perguntou após pousar a comida na mesa de centro baixinha próxima a eles.

− Freed, que tem medo de seres do mesmo se sexo. Melhor, de se insinuar para algum deles.

Silêncio mortal. O Justine não tinha tido tempo nem sequer para pedir que o colega parasse, logo estava com o queixo caído e extremamente vermelho.

− O máximo que pode acontecer é você receber um não. – Mira soltou despreocupadamente, como se a questão fosse simples.

Não era tão simples quando a resposta era sempre não. De todos os lados, antes mesmo de que ele pudesse falar algo. Mesmo assim, sorriu de canto e fez um meneio com a cabeça como se agradecesse pelo encorajamento. Não muito tempo depois, ela saiu do quarto e ele finalmente pode suspirar, relaxando. Prendera a respiração ao tentar manter a pose e nem notara.

Ao olhar para frente, Freed estranhou Bickslow, que de repente assumira uma feição estranha, reflexiva, como se tentasse se lembrar de uma memória distante. Ele mantinha as sobrancelhas franzidas e algo como um bico nos lábios.

− Bicks? – Lisanna puxou a mão que ele mantinha sobre o queixo para segurá-la entre as suas. – O que foi?

Ele fez um carinho na palma da mão dela, lentamente, e Freed imaginou se não estava chegando o momento dele ir embora e deixar de ser inconveniente, apesar de não fazer a menor ideia do que estava se passando por ali. Quando já considerava realmente se retirar daqueles aposentos, Bickslow levantou seu olhar do chão e fitou-o.

− Se eu dissesse que eu conheço um cara com o qual você possa até ter chances, o que você diria?

Freed sentiu a boca ficar seca. Abriu-a e fechou-a em um intervalo de alguns segundos. Enquanto os outros esperavam a respostas, Lisanna estando super animada, ele sentia um desejo enorme de recusar antes mesmo de saber do que se tratava: de fugir dali, se esconder em seu quarto no Casarão, sonhar com os personagens das histórias de yaoi que lia e fingir que aquilo nunca tinha acontecido. Era mais seguro. “Deixe de ser idiota”, pensou. Forçou-se a falar enquanto sentia uma gota de suor escorrer por suas costas, ainda que fora da casa a temperatura fosse abaixo de zero:

− Ele é um tarado? – foi a primeira e a única pergunta na qual conseguiu pensar inicialmente. Mais vergonhoso impossível, mas o esverdeado sentia que precisava confirmar a informação. Não estava desesperado a esse ponto. Gostaria de acreditar que não estava desesperado de todo, mas estaria mentindo se assim afirmasse.

Bickslow arregalou os olhos em surpresa e divertimento pelo estranho questionamento.

− Não! Eu nunca te apresentaria a um... Tarado. – ele teve de se segurar para não rir e cuspir todo o refrigerante que acabara de colocar na boca. Esperou que o desejo de gargalhar terminasse antes de continuar. – É só que ele também é... Você sabe. Já viu uma foto sua no meu celular uma vez e te achou atraente.

Freed ergueu uma das sobrancelhas em estranhamento. Não sofria de baixa autoestima nem algo do gênero, mas sabia que não tinha, nem de perto, um físico que atraía os outros a primeira vista. Era magro, alto, e sem nada de estonteante como característica − especialmente quando não tinha o tempo ou a dedicação necessários para vestir boas roupas e ajeitar a palha que tinha na cabeça. Na verdade, o de cabelos roxos havia preferido omitir que as palavras do seu conhecido haviam sido “uma princesa”, “enrustido” e “bunda bonita”, proferidas em um tom provocador, ao invés de simplesmente um “atraente”, mas se perdoou ao pensar que aquilo era em prol de um bem maior.

Hun... E eu conheço esse seu amigo? – Freed parecia estar começando a ser mostrar interessado.

− Na verdade não. Ele é o vocalista da minha banda, geralmente fica lá na frente. – Bickslow procurou não dar muitos detalhes, especialmente notando como o outro o observava, procurando qualquer falha em seu discurso. – Como tivemos uma mudança na formação durante o ano passado, você ainda não teve a oportunidade de conhecê-lo.

− Ah, você está falando do... – Bickslow calou Lisanna antes que ela pudesse terminar sua fala, o que causou certo estranhamento por parte do Justine. Ainda mais quando a garota mantinha uma expressão de choque.

− Por que vocês parecem que estão tentando esconder algo? – Freed indagou-os, e os dois outros se olharam obviamente tentando elaborar uma desculpa. Depois de uma discussão com olhares, a garota parecia ter entrado no jogo de Bickslow.

Já estava ficando impaciente. Se aquilo era sobre ele, não tinha o completo direito de saber com quem, possivelmente, iria se encontrar? Eles não pareciam pensar assim.

− Podemos dizer que ele tem uns gostos... Peculiares.— o amigo tentou ser o mais sutil possível.

− E você teria que deixar de lado essa coisa de “imagem do cara perfeito” e de ter de base as primeiras impressões se quisesse dar a ele uma chance.

Freed bufou. Ali estava, mais uma vez. Ninguém dizia em voz alta, mas todos pareciam acreditar que só porque estava sozinho ele aceitaria “qualquer coisa”. Não queria ser exigente, mas nas poucas vezes que acatara a encontros às escuras, acabava descobrindo que tinham tentando lhe empurrar algum chato, nojento ou velho. Antes de recusar prontamente, como normalmente faria, observou os amigos. Não acreditava que eles fossem lhe apresentar algum idiota, ou pelo menos gostaria de imaginar que não. Talvez devesse dá-los um voto de confiança, não tinha nada a perder mesmo.

− O que foi? Ele é feio? Se for, nem tenho muita implicância com isso... – suspirou, já esperando a confirmação.

O que obteve, no entanto, foi uma estranha reação de Lisanna, que o olhava de modo meio excitado e intenso, com as bochechas coradas, como se o quesito beleza fosse a última coisa com a qual ele precisava se preocupar. Se não era esse o problema, e nem a idade, só lhe restava imaginar em que aspecto esse “pretendente” seria meio asqueroso. Talvez os outros estivessem certos, ele deveria começar a aceitar os lados difíceis das pessoas. Em um súbito momento de coragem, disse para Bickslow que, se a outra parte realmente estivesse disposta, ele toparia ir a um encontro. Era melhor responder logo antes que o medo o tomasse mais uma vez.

Lisanna comemorou, Freed tentou esconder seu constrangimento, e, em meio à barulheira, Bickslow se perguntava se realmente estava fazendo a coisa certa.

...

− O que é isso, Lu-chan? É claro que ele fica muito mais bonito com esse colete! – Levy berrou, saindo de perto do guarda-roupa do esverdeado. Em seus braços pequenos, carregava uma calça, algumas camisas de mangas cumpridas e o tal colete que, quando vestido, chegava aos joelhos de Freed.

− Claro que não! O sobretudo é bem melhor.— Lucy e Juvia rebateram juntas, em estranha sincronia. Estavam ajudando a Erza e Lisanna, que decidiam que tipo de penteado fariam nele.

Aquilo já estava lhe dando nos nervos.

Eu não sou a porcaria de uma garota!— Freed berrou ao se levantar com raiva, chocando as meninas com a agressividade, desfazendo a trança recém-feita nos cabelos.

Entendam, desde que a notícia do seu encontro se espalhara, assim como ele temia − já não bastavam suas próprias expectativas para aquele dia, ainda havia as dos outros −, as adolescentes se animaram e o que seria simplesmente Chelia e Lisanna lhe ajudando a escolher roupas havia se tornado uma convenção de mulheres que desejavam o fazer se assemelhar a uma boneca de porcelana. Fujoshis inconvenientes. Até maquiagem queriam que ele usasse, vejam só. Mesmo que não tivesse problemas com corretivos e coisas do gênero, odiava que notassem que ele usava algo, nas poucas vezes que o fazia. As loucas, no entanto, pareciam querer transformá-lo em um festival de cores ambulante.

− Nós... Só estávamos querendo ajudar. – Levy se encolheu, o que imediatamente o fez se sentir culpado. Não sabia como expulsá-las dali sem ser grosso.

− Eu sei, mas... Não dá para ser um meio termo? Se eu chegar muito espalhafatoso é capaz dele fugir. – Freed riu envergonhado, ao que elas responderam com um coro de “owns”.

− Sabemos como é. – Evergreen falou, estranhamente corada. – Todo o nervosismo... Não se sabe o que fazer.

A vontade dele era dizer que nenhuma delas, que acenavam que concordância, tinha a mínima noção do que ele passava. Ao menos quando vocês veem um cara, não precisam ficar se perguntando sempre se ele se interessa pelo seu sexo. Infelizmente, isso tornava impossível para Freed se aproximar de mais de noventa por cento dos casos de seu interesse. Por uma condição pré-definida, elas tinham vantagem em relação a ele desde o início. Não sabiam como era imaginar que qualquer pessoa interessada poderia ser a última em muito tempo (visto que ele não frequentava muitas festas).

Depois de alguns dias desde a marcação do encontro, por intermédio de Bickslow, Freed começou a ser perguntar se estava fazendo a coisa certa. Era tímido demais para começar uma conversa, prepotente demais para se mostrar interessado imediatamente e cara de pau de menos para fugir caso tudo desse errado. Não precisava de mais motivos para se estressar, já estava nervoso demais. Suprimiu todas as sensações e agiu como se elas estivessem sendo de grande ajuda. Com certa condução, poderiam assumir esse papel mesmo.

Ele ainda teria um grande trabalho tentando controlá-las, mas pelo menos isso o manteria de mente ocupada.

...

A praça onde Freed se encontraria com o tal vocalista estava coberta pelos restos de neve que caíra na noite anterior. Ao respirar naquele ambiente, podia observar o vapor saindo de sua boca e formando a “fumaça” que subia para os céus. Os bancos de madeira, posicionados nas extremidades do passeio, estavam ocupados principalmente por famílias com crianças pequenas. Ele respirou fundo. Sentia-se ainda mais constrangido ao ter que fazer aquilo na frente daquelas pessoas.

− É bom que esse seu amigo seja mesmo incrível, Bickslow. – Freed resmungou ao telefone e tentou ignorar o fato de que o amigo ficou em silêncio do outro lado da linha. – Onde mesmo que você falou para ele ficar me esperando?

− No lado esquerdo da pista de patinação, perto do balcão onde compram os ingressos. – o garoto fez uma pausa antes de continuar. – E... Freed?

− O que?

− Tenha um pouco de tolerância com ele.

Antes que o esverdeado pudesse finalmente perguntar que tipo de homem ele estava querendo o apresentar, para que o tempo todo fosse necessário fazer ressalvas, Bickslow desligou na sua cara. O Justine chiou, mas sabia que já era tarde demais. Caso o encontro fosse péssimo, simplesmente descontaria nele mais tarde.

Observou-se como pode, para ver se tudo estava em seu lugar. No fim, convencera as garotas a simplesmente prenderem seu cabelo em um rabo de cavalo e elas haviam decidido no par ou ímpar qual seriam suas roupas. Até que estava razoável, e seus traços faciais finos ajudavam nisso.

Com o coração batendo forte, começou sua busca pela multidão ao chegar ao local marcado. E se ele fosse burro, idiota ou meio retardado? Freed entendia que “os opostos se atraem”, mas não conseguiria conviver com alguém que simplesmente o ignorasse toda vez que ele tocasse em algum assunto mais sério, filosófico. Além do mais, nunca soubera como se livrar do tipo “grudento”, dar um fora explicitamente.

Não havia mais volta, e não sabia dizer se isso era bom ou ruim.

Em meio aos diferentes grupos, em um canto havia alguns jovens, e foi ali que focou seu olhar. O loiro? O moreno baixinho perto da garota estranha? Não fazia a menor ideia, talvez tivesse que esperar até o outro lhe achar, visto que Freed até a aquele momento não fazia a menor noção de como ele era.

Enquanto vasculhava novamente o perímetro, viu o primeiro sinal de alguém o reconhecendo. Um aceno leve, seguido de um sorriso. Seu coração parou. Imaginou que fosse um erro, mas o indivíduo continuou andando em sua direção, até parar na sua frente.

Finalmente entendera o que Bickslow quisera dizer com “gostos peculiares”. Lisanna também estava certa ao dizer que com atributos físicos Freed não teria que se preocupar, ele notou ao observar o outro. Pensou em correr, em inventar desculpas para dispensar o garoto, mas enquanto ainda refletia seu braço foi agarrado.

− Olá, princesa. — Freed se assustou com a voz grave, que em nada combinava com a aparência daquele a sua frente. – Estava te esperando. Freed, estou certo?

O esverdeado demorou alguns segundos para responder, visto que seu queixo estava no chão. Isso porque seu pretendente era ninguém mais ninguém menos que a “garota estranha” que vira junto aos outros jovens, extremamente feminino e aparentemente mais “delicado” do que o próprio Freed, por mais que mantivesse uma carranca na cara.

Ele era adepto ao estilo visual kei.

Isso basicamente significava que tudo o que Freed havia insistido em não usar, o outro estava vestindo. Parecendo pouco ligar para os olhares estranhos que recebia, trajava pulseiras e um colar grossos de couro com spikes, um colete escuro e extravagante, batom roxo nos lábios, lápis preto nas pálpebras, e, para completar, lentes vermelhas que deixavam seus olhos enormes. Os cabelos, longos na frente e curtos atrás, eram uma mistura de preto e branco que acabou por lembrar o Justine da personagem Cruella de Vil. Parecia uma jovem rebelde, ao invés de um garoto estiloso. Ao tentar soltar seu braço do aperto provocado pela mão que o segurava, Freed notou que ele também tinha as unhas pintadas. Ah, mas é claro que ele pinta as unhas.

Tentou evitar uma careta ao se dirigir a ele.

− I-isso. E você, qual o seu nome mesmo? – tentou demonstrar que não havia esquecido, simplesmente não fora informado.

− Midnight. – o outro respondeu, seco, já virado de frente para ele e sorrindo ao notar como Justine parecia sentir nojo.

Freed tratou de se ajeitar e esconder seu constrangimento por estar julgando tanto o outro. Notara que ainda mantinha seu olhar exasperado. Não era culpa dele não fazer o tipo do nadador. A culpa era, na verdade, dos seus amigos. Ele tentava elaborar uma desculpa educada para explicar logo que teria que ir embora, “infelizmente” não poderia ficar muito. Começaram a andar aleatoriamente, buscando deixar para trás o choque.

− Seu nome verdadeiro é Midnight?

O que você acha? – o de cabelos estranhos foi irônico, o que irritou um pouco Freed. Midnight revirou os olhos ao notar que o outro estava meio ofendido. Que frescura. – Sim, é esse mesmo. Até que acabou servindo bem, as pessoas costumam achar que é artístico.

O Justine tinha que concordar que até combinava com ele, aquele nome. Olhando de perto, percebeu o quão branco o outro era, e os dois pequenos alargadores que tinha nas orelhas.

− Posso te fazer uma pergunta? – Midnight questionou-o, sem esperar verdadeiramente uma resposta. – Por que você está me olhando tão estranhamente, princesa? Achou estranho eu não ter surgido com um cavalo branco para te levar para o nosso castelo? Não sou seu “homem ideal”?

Não fosse pelo tom debochado, Freed teria ficado calado. Realmente, estivara rebaixando o outro apenas pela primeira impressão que os outros tanto condenavam, mas fazer o que? Era de sua natureza. Midnight, no entanto, estava ali o ridicularizando. Começava então a perceber que de delicado – tendo nariz pequeno, lábios rosados e rosto fofo, sendo mais baixo do que ele −, o outro nada tinha. Na verdade, finalmente compreendia que a “tolerância” pela qual Bickslow lhe implorar era relativa à personalidade do outro, não à sua aparência. O roqueiro era simplesmente grosso.

− A-achei que você que tivesse pedido para me encontrar. – Freed soltou baixinho, irritado. Já tinha se deixado levar até uma área mais afastada, entre as árvores sem folhas e sem ninguém por perto.

− E o que isso tem a ver? – o outro indagou. – Sim, queria saber como era o tal amigo gay do baterista da minha banda, especialmente quando ele fez questão de destacar o quão certinho e sonhador você era.

− Eu não sou sonhador. – Freed bufou, contrariado.

− E eu não sou homossexual. – Midnight fez pouco da sua revolta. – Mas não posso mentir que algumas outras coisas me atraíram...

Freed notou os olhos do outro descerem até alcançarem as suas nádegas, corando violentamente. Mais um tarado. Aquilo era ultrajante, e o que ele mais desejava era mandar o vocalista embora a pontapés.

− Calma, calma! – Midnight se afastou rapidamente ao notar o olhar assassino e a tentativa de dar-lhe um soco do estudante da Fairy Tail. Enquanto tentava se aproximar, devagar, foi a vez dele de receber uma olhada maliciosa, só que de desconhecidos. Nem fingiu não notá-los, dando-lhes seu dedo médio para apreciação. – Calma, garotinho. Eu tenho a mesma coisa que você entre as pernas, recebo os mesmos olhares, sei como é essa sensação. Só não precisa partir para a briga só porque alguém te achou gostoso.

Freed se incomodou profundamente pelo vocabulário direto e meio sujo do outro. Midnight parecia não ter pudor ou vergonha daqueles assuntos, ou de simplesmente demonstrar seus desejos. O Justine sentiu um pouco de inveja, mas sabia que aquilo nunca combinaria com ele: seu perfil era do quieto e tímido, por mais que às vezes não quisesse ser assim. Ainda estava meio irritado pelo modo provocador do moreno, mas preferiu não se deixar levar. Mesmo que o encontro não desse certo, ao menos encontrara alguém para conversar sobre tais assuntos após tanto tempo.

Observando o de cabelos verdes, Midnight tentava imaginar o que se passava em sua mente. Desde o início, não imaginava que ele fosse “aceitá-lo” de primeira, por mais que não considerasse de modo algum um “defeito” o fato de gostar de se vestir diferentemente — se sentia confortável de tal modo e acreditava que seus amigos deveriam aceitá-lo assim. Essa premonição só se confirmou ao ver a expressão enojada que o esverdeado exibiu ao vê-lo inicialmente, e então o vocalista se perguntou se tinha vindo ali apenas para receber um fora. Inesperadamente, ele ainda continuava por perto, com uma cara birrenta, e tudo em que Midnight podia pensar era que ele realmente se parecia com uma criança mimada naquele momento. Com um sorriso travesso, sorrateiramente agarrou a mão esquerda do outro, que distraidamente observava a neve no chão.

− Ei! – Freed puxou sua palma para longe com tanta violência que Midnight acabou ficando com a sua luva.

Não acreditava que ele achasse que as coisas estivessem dando certo ao ponto de puder fazer aquilo. Verdade, ele já tinha começado a se repreender por achá-lo estranho por suas roupas, mas isso não mudava o fato de que ele era um boca suja arrogante. Mais baixo e muito mais feminino do que Freed, ainda era ele que parecia estar tomando atitudes! Na verdade, o nadador se sentia muito envergonhado de fazer tais coisas, tão incomuns para ele. Andar de mãos dadas... Óbvio que não!

− Posso ficar com a luva então? – o cantor questionou-o. Freed simplesmente tentou arrancá-la de suas mãos. – Epa! Tudo bem, te devolvo.

− Obrigado.

Na verdade, o que Freed realmente queria era esquecer aquele “obrigado” e empurrá-lo na neve, mandando que ele engolisse aquela luva, mas resolveu ser civilizado enquanto conseguia.

− Vamos para onde? Fazer o que, quero dizer? Imagino que você não seja mal educado o suficiente para não ter planejado nada.— provocou-o.

Midnight pensou, com um sorriso, que poderia brincar com ele ao mencionar a quantidade de coisas que eles podiam fazer escondidos atrás de alguns arbustos, mas parou sua linha de pensamento ao perceber que o jovem realmente esperava por uma resposta, curioso. Não conseguia se manter irritado por muito tempo, o roqueiro notou, apesar de ser explosivo. Começou a achar o comportamento do Justine um pouco fofo.

− Pensei que poderíamos patinar mesmo. Você sabe?

Freed exibiu uma expressão presunçosa.

O que você acha? Eu sou o às da patinação. – tentou não demonstrar o quão envergonhado estava por dizer aquilo com falsa convicção. O garoto a sua frente, no entanto, simplesmente sorriu.

− Ótimo, porque eu sou uma bosta.

...

Midnight não mentira ao definir seu modo de patinar. Realmente, ele era horrível. “Uma bosta.”, Freed riu internamente enquanto tentava ajudá-lo a se equilibrar. Mesmo que ele não fosse tão maravilhoso quanto prometera, ainda era muito melhor do que o outro patinando. Não queria admitir, mas até que estava se divertindo ao ouvir todos os xingamentos desesperados que ele pronunciava a cada vez que quase caía. Por isso, o Justine até aceitara segurar suas mãos enquanto patinavam, apenas para impedi-lo de se machucar. Ironicamente, elas eram mais calejadas que as suas. Não que ele se importasse muito com isso.

Acabou agradecendo mentalmente às garotas por terem prendido seus cabelos. Caso contrário, eles o atrapalhariam a cada vez que uma rajada de vento viesse em sua direção. Isso não afetava tanto Midnight, que parecia se preocupar mais em salvar a própria pele do que em simplesmente de mover com elegância. Era engraçado.

− Já quer sair? – o moreno perguntou. – Eu ainda nem tive uma hemorragia, estava esperando o momento certo!

Freed se segurou para não rir. Sua fome havia voltado algum tempo atrás, e achava que a do outro também. Devolveram os patins para os funcionários do local e foram andando até o centro daquele bairro, onde existiam diversas lanchonetes. Midnight insistiu tanto que acabou o convencendo a ir a um fast food qualquer, adorava comidas gordurosas.

− Minha treinadora me mata se souber que estou jantando aqui. – o esverdeado comentou após engolir um enorme pedaço de seu sanduíche com cheddar.

− É só você não contar para ela. Simples.

O outro parecia muito concentrado em descobrir como beberia um milk-shake enquanto acabava com suas batatas, mas parou para respondê-lo com a boca cheia. Reparando no silêncio alheio, ergueu o olhar e notou Freed o encarando. Havia um pouco de ketchup em suas bochechas. Em um gesto rápido, o “meio emo” lambeu um de seus dedos e o esfregou contra a pele do outro, limpando a região. Por um momento, seus olhares se cruzaram, e o nadador não pode acreditar que começara a achar Midnight charmoso com o batom meio apagado após comer. Freed recuou imediatamente.

− Não gosto de mentir. – relutou.

O vocalista pareceu entendeu a mensagem e voltou para o seu lugar. Talvez realmente tivesse achado que seria fácil demais aquele dia, que antes do anoitecer já teria um novo garoto para brincar em suas mãos. Naquele caso, se quisesse continuar tentando, teria de ter um pouco mais de dedicação.

− Então conte tudo para ela e receba uma bronca. É isso que quer? – ele se mostrou falsamente irritado. No fundo, gostava um pouco de discutir com os outros.

Freed resmungou algo em voz baixa, pois sabia que não faria aquilo. Realmente odiava mentir, mas sempre fugia das broncas de Ur. Na verdade, ele até tinha um estoque secreto de porcarias escondido embaixo de sua cama, sobre o qual nem Chelia tinha conhecimento. Quando desejava comer algum doce, nem precisava fugir do Casarão.

− Ok, só dessa vez.

− Finalmente você cedeu! Sabe, às vezes uma pequena mentira não faz mal. – Midnight se levantou da cadeira em que estava sentado, limpando as mãos, e foi jogar seu lixo fora. Antes que Freed pudesse fazer o mesmo, ele voltou e pegou sua bandeja também.

− Obrigado.

Eles sorriram um para o outro. Por alguns minutos, ficaram sem falar nada, e Freed começou a se sentir um pouco desconfortável. Sabia que já era tarde, isso era bastante perceptível ao saírem do restaurante e não avistarem muitas pessoas caminhando. Provavelmente já passava das oito e ele estava começando a ficar cansado após tanto movimento em um período de tempo tão curto. Logo teriam que voltar para suas casas, e ele não sabia se queria isso.

O dia não havia sido de todo ruim, acabara gostando da estranha companhia de Midnight. Não que estivesse encantado ou caidinho, mas também não queria voltar a o mesmo estágio em que estava até a semana anterior. Com isso, ele se referia à insociabilidade opcional. Queria ao menos voltar a encontrá-lo, mesmo com seu gênio difícil. Já o cantor, no entanto, não parecia estar ligando muito para isso.

Caminharam até a estação de metrô mais próxima, e Midnight insistiu em acompanhá-lo até onde Freed sairia. Esse não relutou muito, de todo modo. Sentaram-se em um dos cantos do vagão vazio, e, enquanto o trem andava, a cabeça de Freed acabou por pender para no ombro do outro, tomado pelo sono. Foi um choque para o que estava até então observando a escuridão dos túneis subterrâneos.

O menor – mesmo que fossem por apenas alguns centímetros −, passou então a olhar o que aparentemente dormia, notando os cabelos do esverdeado chegando quase até o chão. Sentiu um desejo enorme de passar os dedos por entre aqueles fios que pareciam ser tão macios. Por Freed estar dormindo, ele se permitiu tal luxo, sem pensar muito. Antes que se esquecesse, também vasculhou o telefone dele até achar seu número, anotá-lo, e depois salvar o seu com o nome de “Querido”. Só para garantir que o nadador não conseguiria fugir.

Na verdade, depois de alguns minutos Justine havia acordado, mas não tivera coragem suficiente para pedir que o outro parasse de afagar sua cabeça ou para ter que encarar o constrangimento de tal situação. Preferiu então ficar calado, e quieto ficou até sentir o outro agitar seus ombros avisando-o que haviam chegado ao local onde ele desceria. Fingindo se espreguiçar, recuperou seu telefone como se não soubesse de nada, e, com um sorriso, saiu do vagão em silêncio.

− Posso te perguntar uma coisa? – perguntou ao outro ao pisar na estação meio vazia. Midnight assentiu, feliz por ele não ter ficado calado, mas sabendo que logo iria embora. – Essas lentes não lhe incomodam não?

O cantor riu. Esperava um pergunta mais séria, um insulto ou uma promessa de que eles nunca mais iriam se ver.

− Não sei, depende. Quem sabe da próxima vez em que sairmos eu não te convenço a se vestir que nem eu e você me diz? – propôs.

Freed respondeu com uma negação marcada, aquilo não era nem um pouco seu estilo. Ainda assim, sorriu de volta, aquele momento era meio nostálgico. Logo após isso, as portas do vagão se fecharam, e ele observou o trem se afastar. Antes de sumir na escuridão do túnel, viu Midnight fazer algo semelhante a uma continência militar, e não conseguiu segurar a risada.

Até a próxima, idiota.

Notas finais
* Visual kei -.O Visual Kei é um movimento musical que mistura vários estilos de rock e forma mais uma das tribos que frequentam as ruas de Tóquio. É caracterizada por um estilo Punk / Gótico híbrido. Refere-se a um movimento entre músicos japoneses caracterizada por trajes elaborados, maquiagens marcantes, cabelos coloridos com penteados incomuns, performances extravagantes e em alguns casos, aliado a uma estética andrógina. Gente, gostaram desse casal? Outro criado por mim! KKKKK Não fazia a menor ideia sobre com quem colocar freed, então fiquei pensando e deu nisso. Eu não sei quantas pessoas sabem disso, mas... Eu meio que sou fujoshi kkkk. Não leio yaois muito pesados, mas casais assim simplesmente... "Soltam mais arco-íris que os héteros em alguns momentos", como disse MyraD. Enfim, os sentimentos de Freed e seus medos são meio que baseados em algumas coisas que eu sinto, misturado com ficção, claro. Gostei tanto deles que pensei em colocá-los na segunda temporada, o que acham? Gostei bastante da capa tb, modéstia a parte kkk. Comentários!