Somebody To Love

8 Troubles in Paradise


Notas iniciais
capitulo meio tenso.. mas serve pra dar um desenvolvimento na história..

enfim.. demorei pra escrever ele porque são sentimentos REALMENTE difíceis de descrever.. espero que gostem. :D

Foi um choque de realidade, para Quinn e Rachel, encontrar o Glee Club na noite de natal. Chegaram juntas na festa, já atraindo olhares. Sam recebeu Quinn com um leve beijo, do qual ela tentou se livrar o mais rápido possível. Mas Rachel entendeu que aquilo era a deixa para voltarem a agir normalmente. Logo tomou a postura de líder e começou a distribuir ordens, preparando a surpresa para o professor.

- Gnomo! Q! – Sue gritou, soprando o apito fortemente – Eu sei que você é a líder dessa pequena gangue que vocês fingem ser um grupo, mas eu confio mais na minha cheerio principal. Organizem esse bando de hienas. E vão tirar os malditos biscoitos natalinos do forno.

Rachel organizou todos os membros do clube, que deveriam se esconder, antes de ir ajudar Quinn na cozinha. A garota loira ficou levemente envergonhada, ao se ver sozinha com a outra.

- Rachel.. desculpa... por.. Sam.. e.. as pessoas... e..

- Ta tudo bem. – ela disse, um pouco seca.

- Não, não está. Te conheço o suficiente pra saber quando você está estressada.. e pronta pra dar uma bronca em todos ao seu redor..

- Eu só estou nervosa em ter que ficar perto da Santana.. e do Finn..

- E?

- E o que, Quinn?

- E comigo?

- São seus problemas. Mas eu devo deixar claro que você deve resolver eles o mais cedo possível. Estou cansada de traições e mal-entendidos.

Ela disse isso tudo sem sorrir, e Quinn percebeu o quanto sentia falta do sorriso da garota. Buscou a mão e a segurou levemente, tentando dizer, sem palavras, que tudo se resolveria. Arriscou um pequeno sorriso para a outra, que retribuiu a contra gosto. Foram interrompidas com um novo apito agudo de Sue.

- Depois eu te levo para casa e conversamos, certo?

Rachel consentiu com um movimento afirmativo de cabeça, antes de pegar o prato de biscoitos e se dirigir a sala.

Passaram o resto da noite num diálogo de olhares. Rachel estava quase ficando tonta. Recebia olhares de Finn as vezes, sem entender o que o rapaz queria com aquilo. Ele sorria levemente para ela, a deixando confusa. E ela olhava de esguelha para Quinn. A garota parecia tentar manter alguma distancia de Sam, mas ela ainda estava levemente decepcionada. Talvez por isso tenha retribuído os olhares de Finn algumas vezes. O que deixou Quinn realmente mal ao perceber o que estava acontecendo. Ela isolou-se na cozinha, que já havia se tornado o local da casa do professor aonde ela iria para pensar, sempre que se reuniam ali. Ouviu alguém entrando na cozinha e sentiu seu animo despencar ainda mais quando percebeu que era Santana.

- Qual é a sua agora, ficando amiguinha da anã?

- Sant.. Por favor, dá um tempo.

- Você vai ficar do lado dela?

- Santana! Você destruiu o namoro dela por pura maldade.

- Não foi por maldade. Eu realmente quero ficar com o Finn.

- Tem certeza, Santana?

- E também.. ela precisava de uma lição, ela estava sendo completamente insuportável nos últimos tempos.

- Não cabe a você julgar e punir as pessoas, sua...

- Sua o que, mamãe do ano? – ela alterou o tom de voz, falando de maneira agressiva.

- Para, chega. – ela passou as mãos pelo rosto, respirando fundo. – olha, eu não estou do lado de ninguém, ok? Isso é um problema que você, Finn e ela devem resolver entre vocês. Mas.. Rachel é uma pessoa legal. Eu não vou deixar de ser amiga de ninguém por causa do que as cheerios pensam. Por favor, Santana, olhe ao seu redor. Sue Sylvester está fazendo uma festa de natal para o Prof Schue. Será que você não pode ser um pouco mais amável?

- Tudo bem, tanto faz. Contanto que ela fique longe do Finn..

- Eu espero que ela fique.. é o melhor para ela. Divirta-se com ele, Santana.

Ela revirou os olhos e saiu da cozinha apressada. Chegou na sala e presenciou mais uma troca de olhares entre Rachel e Finn, antes de sentir Sam a abraçando por trás. Ela bufou, amaldiçoando Santana, preferindo ainda estar sozinha na cozinha.

- Eu estou indo embora, Sam.

- Por quê? Está tudo bem?

- Mais ou menos.. acabei de brigar com a Santana.. Não agüento mais a treinadora Sylvester apitando no meu ouvido.. – o garoto a apertou mais contra ela, a abraçando de maneira protetora, e ela suspirou, se rendendo ao abraço. – eu estou cansada, desculpa.. depois conversamos, ok?

- Ok, Baby. – Ele deu um selinho nela, que o afastou rapidamente. – Boa noite. Feliz natal.

- Pra você também, Sam..

Ela se aproximou de Rachel, hesitante.

- Eu quero ir embora. Podemos ir, por favor?

- Por favor. – Ela se levantou num pulo, pegando suas coisas. Mal se despediram dos outros, saindo dali o mais rápido possível.

Quinn dirigiu até a casa de Rachel em silencio, enquanto a outra mantinha os braços cruzados, pensativa. Estacionou e soltou o cinto, se virando para encarar a morena.

- O que está acontecendo aqui, Rachel? O que nós estamos fazendo?

- Não sei. Mas não está funcionando.

- Claramente não.

Rachel inspirou profundamente. Não sabia o que falar. Estava se sentindo confusa e irritada por vários motivos.

- Só me responda uma coisa, Rachel. Aqueles olhares com Finn.. foi por causa do Sam?

- Não totalmente.. Bom, eu fiquei irritada com você e Sam. Não sei, eu meio que achei que... nós fossemos ficar juntas.. não juntas, juntas, mas pelo menos próximas, entende?

- Rachel.. eu queria. Mas.. você parecia tão irritada que eu achei melhor não tentar..

- Eu.. fiquei irritada.. de estar perto da Santana, e dos olhares de Finn.. parecia que ele queria brincar comigo, entende? Ele sorri daquela maneira, mas se eu me aproximasse ele certamente me afastaria e..

- Rachel.. por mais difícil que seja pra mim dizer isso.. o Finn não me parece do tipo que faz essas coisas..

- Eu não sei.. eu não queria ter ido lá hoje.. E você e o Ken não ajudaram..

- Me desculpa, Rachel.. Você tem razão, eu tenho que dar um jeito de resolver isso..

- Eu não estou te cobrando isso! Eu só acho que você parece ter certeza absoluta do que quer nesse momento, e estar com o Sam vai contra tudo isso.. Você.. você tem que fazer isso por você mesma! Independente de qualquer garota na sua vida.

- O que você quer dizer com isso? Porque se eu me lembro bem, você estava dizendo hoje cedo que..

- Quinn! – ela a interrompeu. – se acalme.

Rachel se assustou por um momento. A cheerio parecia nervosa e irritada, e isso, adicionado ao uniforme vermelho, dava a ela um ar realmente intimidador. Quinn respirou fundo, olhando para ela contrariada, uma das sobrancelhas erguida.

- Eu estou dizendo que, se você quiser repetir o que fizemos hoje, eu vou adorar. E, sim, se nós continuarmos a fazer isso, em algum momento você vai precisar contar a verdade ao Sam. Mas mesmo.. se você não quiser. – uma sombra de duvida passou pelo resto de Rachel, e ela mordeu os lábios. – se você não quiser, ainda assim você deveria fazer isso, porque ele claramente não se encaixa no que você quer pra sua vida. Não cabe a mim te julgar, mas eu acho que realmente seria o certo a fazer.. por você mesma.

- Rach.. – ela sorriu, balançando a cabeça negativamente – é lógico que eu quero repetir o que fizemos hoje. Em algum momento você duvidou disso?

- Eu.. bom, não sei..

Quinn se aproximou, segurando o rosto da morena, que se calou rapidamente, recebendo os lábios da outra contra os seus. Sentiu a língua de Quinn buscando a sua e soltou o cinto de segurança, se aproximando mais ainda da outra. Sua mão pousou no joelho da loira, fazendo um leve carinho. As bocas brincavam, se provocando, se tocando lentamente. Rachel não conseguiu segurar o sorriso que se formou em seus lábios e se afastou, olhando para Quinn.

- Eu também quero muito repetir o que fizemos hoje, Quinn.

- Rachel.. eu sei que você está magoada com Finn.. e que você ainda tem sentimentos por ele, que não vão desaparecer assim facilmente. Mas eu realmente.. queria tentar. Sabe. Te fazer esquecer ele.. – ela passou os polegares pelo rosto da garota, num carinho leve – você vai me deixar tentar?

- Eu diria que você já está até conseguindo.. – ela subiu a mão pela perna de Quinn, continuando o carinho, enquanto se aproximava para um novo beijo.

Trocavam um beijo intenso. Rachel mantinha a mão no limite da barra da saia da cheerio, arranhando levemente, enquanto as mãos de Quinn massageavam a nuca dela, a trazendo cada vez mais pra perto. O relógio do carro apitou, indicando que já eram meia noite. Com um leve gemido, Quinn se afastou.

- É melhor eu ir.. ainda tenho que ceiar em casa..

- Nós nos falamos amanhã, então?

- Sim. – um enorme sorriso se abriu no rosto de Quinn – feliz natal, Rachel.

-Feliz natal, Quinn. – elas trocaram um ultimo beijo, antes de Rachel descer do carro.

Quinn chegou em casa sentindo-se muito mais leve. Ceiou com a família, ainda com o sorriso bobo nos lábios. Trocaram presentes e, somente quando já estava em seu quarto, se preparando para dormir, é que percebeu que havia algo de estranho com sua irmã. Ela entrou no quarto sem pedir licença, e parou do lado da porta, observando Quinn terminar de arrumar o quarto para dormir.

- O que você tem, Frannie?

- Acho que precisamos conversar, Quinney.

- Sobre...? – Ela virou-se de costas pra irmã, evitando a olhar nos olhos, sentindo-se nervosa imediatamente.

- Sobre o que vem acontecendo com você. Eu percebi e a mamãe não é idiota, ela vai perceber também. Principalmente se você continuar trazendo essa garota aqui.

Quinn gelou. De repente, não sentia mais direito as coisas ao redor. Suas pernas tremeram e ela se sentou na cadeira do computador, ainda sem olhar pra irmã.

- O que.. o que você quer dizer com isso?

- Você sabe, Quinn. Eu vi o jeito que você estava hoje cedo. Eu vi o jeito como você voltou pra casa. Quinn, as pessoas vão perceber, mais cedo ou mais tarde.

- E-eu.. Frannie, eu...

- Olha pra mim. Você vai ter coragem de negar?

Quinn levantou-se e se virou para encarar a irmã. Incrivelmente, ela não chorava. Mas todo o seu corpo tremia e ela não conseguia formular uma frase.

- Quinn? Me fala, é verdade, não é? Você e aquela garota...

- É, é verdade. – ela respirou fundo, tentando organizar o pensamento e se forçar a falar. – eu sou lésbica. Era isso que você queria ouvir? – foi a vez da irmã mais velha ficar em silencio – E isso não tem nada a ver com a Rachel. Eu sei a meses. Anos, na verdade. Acho que eu sempre soube...

- Quinn.. o papai vai matar você se descobrir isso..

- O meu pai não tem mais nada a ver com a minha vida! Aliais, ele mesmo deixou claro que eu não sou mais filha dele.. – um misto de tristeza e decepção tomou conta dela, e uma lágrima finalmente escorreu dos seus olhos – Você me odeia agora?

- Quinn! – ela correu até a irmã mais nova, a abraçando forte – é claro que não, Quinney.. – ela sentia a irmã tremer – Ei, calma, não precisa ficar assim..

- Você vai contar pra mamãe?

- Não, Quinney, você vai. E você precisa contar logo.

- Nã- Não, eu não quero fazer isso.

- Mas você vai fazer. Ela não merece que você esconda mais nada dela, e eu preciso ter certeza de que vocês vão ficar bem. Você vai contar pra ela antes de eu ir embora.

- Ahn? Não, eu não posso contar pra ela assim!

- Ah, mas você vai. Assim, se ela surtar e te expulsar de casa de novo ou coisa assim, você vem comigo pra minha casa. Eu não vou te deixar sozinha de novo.

- Frannie.. você.. faria isso por mim?

- Quinn, eu vou ser bem clara com você, ok? Eu não vou dizer que eu aprove isso.. tudo bem, eu já tive as minhas experiências, é normal, na faculdade todo mundo faz isso...

- Eu não quero ouvir isso – Quinn sacudiu a cabeça, em negação. Mas não pode deixar de dar um pequeno sorriso.

- O que eu quero dizer é que.. tanto faz pra mim com quem você fica ou deixa de ficar.. Mas você só tem 16 anos. Você vai jogar uma bomba na cabeça da mamãe. Eu não posso deixar você fazer isso sozinha. Você tem que contar pra ela. O mais rápido possível.

- Eu.. – ela mordeu os lábios, pensando – é, eu acho que você tem razão. Você.. deixa eu me preparar? Eu conto pra ela amanhã.

- O tempo que você quiser.. eu vou estar aqui pra te ajudar, ok?

- Ok.

A irmã deu mais um abraço nela, antes de começar a deixar o quarto.

- Frannie!

- O que foi, Quinn?

- Você não é tão parecida com o papai quanto eu imaginava..

- Isso foi um elogio, certo?

- Claro. – ela sorriu. – Você se solta muito mais.. “na faculdade todo mundo faz isso..”

Frannie acertou uma almofada na irmã mais nova, arrancando risadas das duas, antes de deixar o quarto.

Mas Quinn não conseguiu dormir tranqüila. Virava-se na cama o tempo todo, pensando na forma certa de contar isso para a mãe. Olhou o celular. Eram três da manhã. E ela havia recebido uma mensagem de Rachel, meia noite e meia. Só dizia “Espero que você tenha tido um bom natal em casa. Até amanhã, Quinney.” Ela suspirou. Rachel era realmente apaixonante. A pessoa certa para estar com ela naquele momento. Ela respondeu a mensagem dizendo apenas “Queria que você estivesse comigo agora...” Não queria preocupar a outra garota. Provavelmente só falaria com Rachel novamente depois de já ter contado para a mãe. Mas surpreendeu-se com o seu celular tocando um segundo depois, o nome de Rachel piscando na tela.

- Rachel.. eu te acordei?

- Não.. bom, mais ou menos, mas está tudo bem..

- Me desculpa.. mas eu estou realmente feliz de falar com você agora..

- Quinn, ta tudo bem?

- Eu.. não consigo dormir..

- Que voz é essa? O que houve?

- Minha irmã.. descobriu.. sobre mim..

- Ai meu Deus, Quinn! Como isso aconteceu?

- Eu.. acho que ela deduziu, depois de me ver com você...

Rachel se calou, mortificada. Se Quinn estivesse encrencada por causa dela..

- Quinn, eu não sei o que dizer. Me desculpa. Eu não deveria..

- Para, Rach, por favor, não é sua culpa.. Eu estou até feliz que ela tenha descoberto.. o problema é que ela vai me fazer contar para a minha mãe..

- E você vai contar?

- Eu tenho que fazer isso, Rachel. Eu já menti demais para a minha mãe.. ela merece que eu conte a verdade..

- Você tem razão, Quinn..

- Eu só não sei como fazer isso.. Rachel, eu estou apavorada.. Eu estou a horas elaborando o discurso perfeito, mas eu simplesmente não sei como fazer isso.

- Você quer ajuda? Quer que eu esteja ai quando você for fazer isso?

- Eu adoraria... mas eu não sei qual vai ser a reação dela.. eu prefiro que você não passe por isso... É cedo demais pra te envolver nisso.

- Quinn. Para. Eu quero estar com você. Eu quero te ajudar..

- Você já está me ajudando.. – ela suspirou ao telefone – só.. fica comigo.

- Até de manhã, se você quiser, Quinney...

E elas conversaram até quase de manhã. Rachel conseguiu acalmar Quinn, chegando até a praticar o discurso de Quinn com ela. A cheerio conseguiu dormir logo depois de desligar o telefone, mas teve um sono conturbado. Assim, quando acordou, Quinn teve certeza que deveria estar com uma cara péssima, que refletia perfeitamente como ela estava se sentindo.

Sentou-se na mesa de café da manhã e trocou um olhar com a irmã, que deu um meio sorriso para ela. Quinn tentou comer alguma coisa, mas seu estomago revirava tanto que lembrava a ela a época da sua gravidez.

- Quinney, está tudo bem? Você mal tocou no bacon, querida...

- Eu.. não dormi direito.. acho que vou voltar pro quarto..

Ela se levantou e subiu as escadas sem tomar conhecimento do que estava fazendo. Parecia que todo o seu corpo estava dormente. Entrou no quarto e se escorou na porta, antes de cair no choro. Naquele momento, ela pareceu tomar consciência de tudo o que iria acontecer na vida dela, a partir do momento em que resolvesse se assumir. Tudo que teria que abrir mão. E então, pensou em Rachel, e tudo que a outra garota havia falado para ela durante a madrugada. Em como ela havia lhe acalmado. Na voz suave da outra garota lhe dizendo que tudo ficaria bem. E então ela decidiu que tudo aquilo valeria a pena.

Ouviu leves batidas na porta. Abriu, com os olhos inchados de choro. Sua mãe estava do outro lado, parecendo preocupada.

- Quinney, o que houve com você, minha filha? – ela perguntou, a abraçando.

- Mãe, me desculpa. Por favor, me desculpa.. eu tentei pensar em diversas maneiras de fazer isso sem parecer infantil, sem mentir, sem ser só uma adolescente assustada. Mas eu não consigo, mãe.. eu estou com medo...

- Medo de que, Quinney? O que está acontecendo? Você está grávida de novo?

- Não, mãe.. – ela riu, secando as lagrimas que escorriam pelo seu rosto. – mas.. você vai achar tão ruim quanto..

- Filha.. tem algo a ver com a Rachel, não é?

Quinn concordou com a cabeça, novas lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

- Não é culpa dela, mãe...

Judy desviou os olhos, balançando a cabeça em negação. Cobriu a boca com as mãos, enquanto olhava para Quinn, que chorava em silencio.

- Eu sei que não é culpa dela, Quinn.. Não é culpa sua também..

- Se eu pudesse mudar isso, mãe, eu juro que eu tentaria.. mas eu não posso..

- Eu sei.. eu.. eu sempre tive tanto medo disso acontecer, Quinn.. mães sempre sabem..

- Me desculpa, mãe. – ela olhou pra mãe, insegura.

- Vem aqui, minha filha – ela puxou Quinn para um abraço. – está tudo bem, ok?

- Você.. não vai me expulsar de casa ou coisa assim, vai?

- Claro que não... eu não cometeria o mesmo erro novamente.. Você e sua irmã são as coisas mais importantes da minha vida, Quinney. Eu não vou dizer que eu estou feliz com isso.. Mas nós vamos lidar com isso juntas, certo?

Quinn se afastou um pouco para olhar a mãe nos olhos. Um sorriso triste surgiu em seus lábios.

- Obrigada, mãe..

- Obrigada você por ter sido honesta comigo, minha filha..

- Agradeça a Frannie.. e a Rachel.. eu nunca teria tido coragem de contar se não fosse por elas..

Judy contraiu a boca num sorriso forçado a ouvir o nome da diva. Aquilo seria difícil de lidar.

- Você não vai.. me afastar dela, ou coisa assim, vai?

- Lógico que não, querida. Se vamos fazer isso, vamos fazer da maneira correta. E, aliais... Rachel parece ser uma ótima garota.

- Ela é.. ela realmente é..

- Vem, querida, vamos descer pra você comer direito.. eu vou fritar mais bacon pra você...

Quinn enxugou as ultimas lagrimas que teimavam em cair, dando um novo abraço na mãe.

- Eu queria ligar pra Rachel antes...

- Depois, Quinney.. primeiro você vai se alimentar direito.

E Quinn desceu novamente, deixando o celular no quarto. A irmã mais velha sorriu ao vez mãe e filha abraçadas, descendo as escadas. Não quis comentar nada na frente do marido, então só piscou para Quinn, segurando sua mão. A garota se sentia extremamente frágil. Havia passado por muita coisa nos últimos dias e sentiu a pressão de tudo aquilo sobre ela naquele momento. E sua mãe entendeu que havia feito a coisa certa. Não estar com a filha, naquela situação, destruiria as duas.

- Quinney – ela chamou, depois que a filha mais velha e o marido saíram da mesa – eu entendo se você quiser ver a Rachel hoje, mas eu gostaria de passar o dia com você.. Afinal, é natal.. e eu realmente quero estar perto de você nesse momento..

- Tudo bem, mãe.. eu falo com ela depois.. você precisa de ajuda com o almoço?

- Não realmente.. mas você pode me fazer companhia, se quiser.

- Eu quero. – ela sorriu pra mãe, se levantando junto com ela.

Ficaram juntas o tempo todo. Judy puxava alguns assuntos triviais, tentando deixar Quinn a vontade. Queria mostrar a filha que tudo estava bem e continuava normal. Almoçaram em um clima descontraído, e depois se reuniram na sala, aonde o cansaço da noite mal dormida venceu Quinn e ela adormeceu deitada no sofá.

Acordou com a irmã mais velha a sacudindo devagar. Demorou um tempo para entender o que estava acontecendo. Levantou e olhou ao redor. Já havia escurecido.

- Quinn, você está acordada?

- hmmm? – ela esfregou os olhos, tentando focar a visão. – o que está acontecendo?

- Rachel está ai. Ela parece bem desesperada.. Eu atendi a porta e ela estava chorando perguntando se você tinha sido expulsa de casa, ou se nós tínhamos tirado seu celular..

Quinn pareceu acordar imediatamente. Levantou-se num pulo, assustada.

- Eu dormi e não liguei pra ela! Meu Deus, ela deve estar desesperada.. Porque ela não entrou?

- Eu não sei se a mamãe ia aprovar a entrada repentina dela aqui.. principalmente do jeito que ela estava.. ela está lá fora te esperando.

- Eu vou lá.. – ajeitou levemente as roupas que usava – Eu to com uma cara muito péssima?

- Você está linda, Quinn. Agora vá logo acalmar sua namoradinha, anda.

E Quinn correu até a porta. Quando abriu, a ultima coisa que viu foi Rachel correndo até ela, antes de receber a morena num abraço apertado.

- Eu fiquei tão preocupada, Quinn – ela disse contra o pescoço da outra, ainda a abraçando forte – você não atendia o telefone e eu achei que pudessem ter te proibido de falar comigo ou coisa assim..

- Tá tudo bem, Rachel.. – elas finalmente se afastaram, e Quinn pode olhar para Rachel. Parecia que a garota havia chorado a pouco tempo – eu só.. dormi demais, estava cansada.. mas tá tudo bem..

- Como a sua mãe reagiu?

- Eu ainda não sei bem... acho que ela não está contente com isso, mas pelo menos ela.. só ficou perto de mim e está tentando fingir que está tudo bem.. – ela deu um pequeno sorriso. – Não precisava ter se preocupado tanto, Rach..

Rachel segurou o rosto de Quinn com as duas mãos, fazendo um leve carinho. A mais alta se aproximou mais dela, aproveitando o gesto.

- É claro que eu me preocupei. Eu quase pedi aos meus pais pra você ir morar lá em casa, caso fosse expulsa de novo..

- Não é pra tanto, baby... tá tudo bem..

- Eu estou tão aliviada.. eu não quis te deixar nervosa ontem, mas quando você me falou, o único pensamento que veio na minha cabeça foi algo do tipo... “eles vão matar ela.”

Quinn riu, virando um pouco o rosto e beijando uma das mãos de Rachel.

- Você foi ótima. Me acalmou muito. Acho que eu não conseguiria ter feito isso se não fosse por você... muito obrigada, Rachel, de verdade.

- Você não precisa agradecer.. – um sorriso enorme se espalhou pelo rosto dela. – Eu estou muito feliz de poder estar com você nesse momento, Quinn...

Elas ficaram assim por um momento, se olhando nos olhos. As mãos de Rachel ainda acariciavam levemente as laterais do rosto de Quinn. A morena deslizou o polegar pela boca da outra levemente, sussurrando “eu quero muito te beijar agora...” antes de Quinn passar as mãos pela cintura dela e elas unirem os lábios num beijo leve.

Terminaram o beijo com vários selinhos. Rachel escorregou as mãos até os ombros de Quinn, iniciando um novo beijo, mais profundo, brincando com a língua de Quinn, que provocava a dela com leves toques. Se separam rapidamente ao ouvir a porta se abrindo e a irmã mais velha de Quinn pigarreando atrás delas, para chamar a atenção.

- Desculpa interromper o casal, mas a mamãe mandou você entrar, Quinn. Ela disse que logo logo vai começar a nevar e vocês vão passar frio.. – Quinn acentiu com a cabeça, e Frannie se dirigiu a Rachel – ela disse que, se você quiser, pode entrar também.. nós vamos ver um filme... Você é bem vinda a se juntar a nós, Rachel..

- Eu.. eu não sei.. – a morena olhou para Quinn, insegura. – Quinn?

- Já estamos entrando, Frannie. Espera só eu conversar com a Rachel em particular, ok?

A irmã mais velha ergueu as sobrancelhas, desconfiada. “Deve ser coisa de família”, Rachel pensou, vendo ela entrar novamente na casa. Quinn segurou a mão dela.

- Eu não sei se você vai se sentir desconfortável.. mas eu realmente quero ficar mais tempo perto de você hoje..

- Você quer que eu fique?

- Quero. Muito.

- Então tudo bem. – ela deu um ultimo selinho em Quinn, antes de entrarem na casa.

Judy ocupava novamente a poltrona da sala. Sua filha mais velha e o marido estavam no sofá, então Quinn e Rachel sentaram no chão, dividindo um cobertor. Quinn buscou a mão de Rachel por debaixo do mesmo, não se atrevendo a ficar mais próxima do que isso. Judy tinha sido absolutamente gentil com ela. Como Quinn havia dito, ela parecia fingir que nada havia acontecido. Mas não poderiam exigir muito mais do que isso dela.

O casal no sofá parecia bem a vontade. Frannie estava com a cabeça encostada no peito do marido e recebia um leve cafuné, acompanhado de selinhos de vez em quando. Quinn se aproximou mais de Rachel, correndo a mão pela perna dela. Sentiu a outra garota ficando tensa e sorriu, fazendo carinho no joelho dela.

Depois do filme, Rachel se preparou para ir embora. Quinn iria levá-la, mas Judy argumentou que a estrada poderia estar perigosa, por causa da neve. Assim, seu cunhado foi quem levou a garota em casa. Quinn se perguntou se a mãe só havia sugerido isso para não dar chance delas ficarem a sós novamente, mas não fez nenhuma objeção.

Não tiveram chances de se despedir adequadamente. Só deram abraço demorado. Ambas trocaram um olhar, concordando em silencio que qualquer coisa mais que aquilo seria inapropriado na frente de Judy. Pelo menos por enquanto.

Mas as coisas estavam bem. Tudo havia corrido bem melhor do que Quinn esperava. A mãe e a irmã estavam sendo extremamente compreensivas, e o fato de ter Rachel por perto tornava as coisas ainda melhores. Quinn sorriu contra o travesseiro, antes de pegar novamente no sono.

Notas finais
no próximo capitulo, a festa de ano novo e mais faberry!

aguardem! ;)