Some of us are human

1 Capitulo Único - Only Human


Notas iniciais
Ooooooooooooi pessoal. Espero que gostem dessa nova One. Eu estava conversando com uma amiga e falávamos sobre como não exploraram o suficiente na sèrie os efeitos do Nogitsune em todos eles, principalmente Scott, a quarta temporada começa tão normal. Achamos que todos deveriam ter ficado um pouco mais traumatizados. Além disso depois tem os acontecimentos com Stiles e Donovan que acho que teria sido interessante além de mostras Scott e o pai dele descobrindo, passarem Lydia tambèm e explorar pelo menos um pouco a amizade dos dois tambèm, mostrar ela o apoiando, mas eles praticamente ignoraram a informação chegando até ela.
Os acontecimentos aqui são logo após a briga de Scott e Stiles, espero que gostem, porém o tema ficou um pouco pesado e se alguém tem depressão ou sente que isso serviria como um gatilho para você, pense bem antes de decidir se vai ler.
Boa leitura!

Salve-me, eu acho que estou perdendo minha mente
Você disse que ia vir para mim quando o mundo me engolir por inteiro
Bem, isso é uma guerra
Salve-me, as batalhas foram vencidas, mas a guerra ainda está para lutar
Você disse que ia vir para mim quando o mundo me engolisse por inteiro
Bem, isso é uma guerra
Deixe que a escuridão venha para mim, deixá-lo tentar roubar a minha alma
Como se eu tivesse uma alma para roubar

(War — Former Vandal)

Tudo em mim parecia querer gritar. Meu coração parecia querer gritar enquanto batia tão rápido e forte em meu peito que eu sentia que ele poderia abrir um buraco ali e sair para fora, muito além do que apenas sair pela boca. Meus ouvidos estavam tampados por um minuto me fazendo ficar no silêncio agonizante. Minhas mãos suavam e tudo o que eu queria era respirar normalmente, meus pulmões queimavam e apreciam gritar protestando que eu estava forçando-os a trabalhar.

Mais uma noite com pesadelos, isso não era uma surpresa. A única coisa surpreendente è eu ainda conseguir chegar a adormecer, conseguir fechar os olhos e simplesmente dormir já era um milagre, agora pedir para não ter pesadelos ia muito além. Como poderia eu ter uma boa noite de sono depois do que eu fiz? Eu sequer merecia uma boa noite de sono?

Como eu poderia querer coisas para mim mesmo? Eu não era digno, eu não era digno de tantas coisas e isso me torturava por dentro, eu realmente devia estar merecendo cada uma das coisas que estava acontecendo ultimamente. Scott não querer mais falar comigo, sequer respondia minhas mensagens e ele tinha razão. No começo fiquei bravo por ele me julgar tanto, quando o que eu fiz foi por legítima defesa, porém eu já não o condenava tanto assim, umas vez que ele provavelmente sentiu o cheiro da verdade em mim.

Eu estou aliviado. Estou aliviado por não mais ter de me preocupar com Donovan, não mais me preocupar se ele vai machucar meu pai, a mim, ou qualquer um dos meus amigos.

Meu celular vibra em meu bolso e olho a mensagem que era uma resposta de Lydia do que eu tinha dito antes de dormir.

“Stiles: Hey, está tudo bem agora? Te vejo amanhã antes da aula? Posso passar em sua casa.

Lydia: Está tudo bem, não se preocupe. Tenho o primeiro período livre, acho que pegarei uma carona com minha mãe.”

Já era manhã e não madrugada como eu havia pensado, por isso ela estava respondendo apenas agora.

Eu queria contar a ela. Scott havia descoberto, mas não acredito que a primeira coisa que ele fez foi contar ao resto do pessoal, não acho que ele sequer teve a chance ainda. Não sei como contar a Lydia o que eu fiz, como matei uma pessoa e como eu estava aliviado por essa pessoa estar morta. Talvez algo de Nogitsune tenha sobrado em mim, talvez não fossemos tão diferentes, talvez ele tenha me escolhido na verdade por saber como eu era um assassino por dentro. Ainda tenho memórias de quão era prazeroso fazer todos a minha volta sofrer, como me sentia forte e poderoso me alimentando da dor deles. Eu sentia tudo o que Nogitsune sentia e apesar de saber que não era o verdadeiro eu que estava sentindo todo esse prazer, ainda assim eu me lembrava de sentir e isso se misturava agora com meus sentimentos em relação a eu ter matado Donovan. Talvez eu tenha predisposição para o mal.

Por um lado eu e por outro Scott, alguém com um coração tão bom que chegará a ser um Alfa Genuíno, alguém que nunca sequer mataria uma pessoa, eu não era nem mesmo digno de sua amizade, eu merecia ele ter se afastado de mim, eu queria me afastar de mim mesmo.

Dizer a Lydia era necessário, eu queria que ela soubesse por mim, mas ao mesmo tempo eu estava morto de medo que ela reagiria como Scott e também teria nojo de mim, também me odiaria, também me julgaria, também me afastaria.

Me arrumo pra escola no automático e começo a dirigir mais automático ainda. Minha mente parecia desligada da realidade e na verdade estava afogada nos pensamentos em minha mente, passo em frente a casa de Lydia e não posso evitar parar por um minuto, o medo era constante, medo de tudo, medo da reação dos demais quando soubessem, medo de algo estar dando errado dentro de mim, parecia que alguém tinha me arrancado algo que eu não sei o que è.

Estou prestes a ir embora quando vejo Lydia, e ela não estava sozinha, estava com Scott. Os dois conversavam na porta de sua casa e rapidamente dou rè com o jipe, de forma silenciosa para que Scott não reconhecesse seu barulho, mas continuo tendo visão dos dois. Ambos pareciam apreensivos e Lydia pega o celular, digitando algo nele. Olho para meu próprio celular, incapaz de conter a esperança dentro de mim de que ela estava me chamando, me escrevendo algo. Nada acontece. Meu celular não dá sequer nenhum sinal de vida.

É isso, Scott não perdeu tempo e já contou e ela, vejo quando ela passa a mão nervosamente por entre os fios de seu cabelo ruivo e seu rosto parecia inconformado.

Ela sabia, e por ver sua reação era toda a certeza de que eu precisava. Eu havia perdido-a tambèm.

Eu estava na beira do meu ponto de ruptura quando dei meia volta com jipe, inicialmente dirigindo para casa, mas eu a passei, não parando sequer nos semáforos, algo dentro de mim não se importava mais, mais alguma coisa havia se quebrado o vazio que eu já sentia antes parecia ter se triplicado.

O Jipe começou a dar pequenos solavancos e a fazer um barulho que eu já conhecia bem e em seguida ele morreu e uma fumaça negra começou a se fazer de seu capô. Em outras circunstâncias eu ficaria bravo, pegaria a fita e iria arrumá-lo, mas novamente eu não me importei, apenas desço do veículo e bato a porta com força, começando a caminhar pela trilha na floresta, esperando que o ar fresco me fizesse bem, fizesse um pouco de toda essa angústia sumir. Passei pela trilha onde as árvores floridas as cercavam, escutei um pouco da correnteza do pequeno lago e caminhei até a ponte acima dele.

Respiro fundo tentando fazer o máximo de ar entrar, minha cabeça doía e ainda sentia vestígios do ataque de pânico de mais cedo, meu coração estava apertado e eu mal podia raciocinar. Me encontro na beirada, segurando fortemente o guarda corpo entre meus dedos, finalmente senti meus olhos molhados com lágrimas, já começando a escorrer por meu rosto.

Que tipo de pessoa eu era? Como eu poderia me sentir bem por não ter mais que me preocupar com Donovan? Meu pai poderia prendê-lo novamente e Scott também pensaria em algo para deixá-lo permanecer preso, nós pensaríamos em algo juntos, eu não precisava ter matado-o, depois de Nogitsune pensei que nunca mais sentiria tal coisa fazendo alguma coisa cruel como torturar ou matar alguém, mas era impossível tirar do meu ser as lembranças horripilantes daquela época e conciliá-las com o agora.

Como posso saber que amanhã não irei acordar com tanto ódio no coração quanto ele, e faria alguma atrocidade como machucar novamente Scott, Lydia e até mesmo meu pai? Malia, Liam e o resto do pessoal? Eu podia confiar em mim mesmo? Talvez eu estivesse me tornando Void outra vez, mas agora meu verdadeiro eu e não algum espírito.

Soco com o punho cerrado a madeira que me protegia de cair na água, percebo como o material cedeu com a força e observo a ponta onde vi os pregos frouxos que provavelmente já estavam assim fazia algum tempo. Aquilo era um perigo e ainda assim não pude evitar minhas mãos de socar novamente no mesmo lugar, com um pouco mais de força. A dor se espalhou por toda a minha mão, e eu sabia que havia machucado, mas meus olhos estavam pregados nos parafusos que rangiam em sua fragilidade enquanto eu continuava a bater, mais forte e mais rápido, meu coração batia forte em meu peito, minhas mãos machucadas suavam e começavam a sangrar, a dor parecia ter sumido temporariamente, provavelmente pela adrenalina. Ouvi um fino zumbido em meus ouvidos, escutando o sangue correndo com força em minhas veias, bati mais uma vez, a última, e enquanto minhas mãos tremiam, me apoiei ofegante na madeira tentando recuperar o fôlego e então surpreendentemente ela cedeu. Me senti pesado e o vento batia violentamente contra meu rosto enquanto eu me sentia cair, a queda apesar de não tão longa, parecia ao mesmo tempo nunca acabar e o baque na água foi bruto e de barriga, fazendo todo o meu ar já ser expulso de meus pulmões antes mesmo que eu me afogasse. A água estava absurdamente gelada, me deixei afundar por alguns segundos, perdido na dor do baque e na falta de ar. Até que voltei finalmente a realidade e enfim comecei a me debater para chegar a superfície, meus pulmões já ardiam e imploravam por ar. O lago era fundo, e assim que submergir puxei todo o ar que eu podia. Meu corpo estava tão gelado quanto gelo e meus ossos doíam, meu desespero por ar me impedia de nadar propriamente e assim como eu alcançava a superfície também afundava na mesma velocidade, minhas mãos procuravam em vão algo para se segurar. Me sentia afundar mais e mais, não adiantava eu lutar, eu tinha que me acalmar e tentar nadar, mas tudo parecia distante demais para eu alcançar, nadar era distante da minha capacidade, reparar minha amizade com Scott e o bando parecia distante demais para mim, reparar a mim mesmo parecia distante demais para mim, me perdoar e aprender a lidar com o que fiz parecia distante demais para eu alcançar. E então sinto meu corpo mais mole e penso: “qual o sentido?” Porque devo lutar tanto por uma vida onde estavam cheia de coisas que eu não merecia, que eu não conseguiria reparar. Eu não podia voltar atrás e tudo dentro de mim começa a gritar como eu mereço estar nessa situação agora, afundando sozinho no lago gelado. Então eu paro, meus braços doem, minhas mãos ardem e tudo em mim estava absurdamente gelado, a água doía e eu apenas conseguia sentir forte meu coração bater, era impossível continuar prendendo a respiração, a dor já estava insuportável, parecia que minha cabeça e meus pulmões iriam explodir e então eu finalmente abri a boca pronto para receber uma lufada de ar, mas a única coisa que entrou foi água, nada melhorou, me sentia engasgar no nada e apenas água entrava, me debatia de baixo da água enquanto sentia o chão do fundo do lago abaixo de mim, eu havia chegado ao fundo e já seria impossível considerar chegar à superfície com tão pouca força física, tudo doía e enfim senti meu corpo amortecer, fechei os olhos pesados com força, aceitando o que viesse depois e me preparando para a escuridão profunda que logo me tomou.

Xxxx

LYDIA

Minha mente estava a mil naquela manhã, acordei pela milèsima vez depois de um noite toda com pesadelos estraìssimos, apesar de eu já não mais estranhar tanto meus pesadelos assim, além dos pesadelos encontrei Scott pela manhã pouco antes da hora de ir a escola, deixei que minha mãe fosse sem mim, pois o assunto era sèrio, mais sèrio do que pensei que seria e mesmo agora, quase duas horas após Scott ter me contado sobre Stiles, eu me recusava a acreditar. Ele havia me contado sobre sua conversa com Theo e tambèm sobre a discussão com o próprio Stiles, o que confirmava a história de Theo. Apenas parecia muito irreal Stiles simplesmente ter matado uma pessoa pois ela era uma ameaça, esse não era o Stiles que eu conhecia e algo simplesmente não se encaixava na história. Esperei que ele aparecesse a aula, ansiosamente e parecia que cada minuto era uma eternidade. Não sabia se ele também tinha o primeiro período vago como eu, então procurei em todas as salas, eu sabia qual era sua grade de aulas, mas ele não estava na que deveria estar, por isso olhei em todas, mas ele não estava em nenhuma delas e eu tinha certeza de que não vi ele entrar, esperei muito tempo na porta e ele não havia passado por ela.Me senti estranha a manhã inteira e tentei ignorar isso, mas agora já estava ficando insuportável, é como se eu mal pudesse respirar e o frio começava a aumentar. Algo estava errado, muito errado.

—Scott. — sussurro em frente a porta de sua sala de aula, escondida atrás da parede, mas eu sabia que ele me ouviria. -Stiles não apareceu, e estou…. Com um pressentimento, nós temos de ir procurá-lo, sei que vocês estão brigados, mas eu sinto que realmente precisamos ir atrás dele e logo.

Não levou nem um minuto e ele apareceu do meu lado, com a mesma expressão preocupada que eu devia estar..

—Tem certeza que tem coisa errada?

—Ele não está em lugar nenhum e não atende ao telefone e… Deus, está congelando aqui.

—Não está não.

—Exatamente o que estou tentando dizer, estou morrendo de frio e estou sentindo algo estranho no peito, como se algo o estivesse pressionando e me impedisse de respirar propriamente. E você sabe, estou ficando realmente boa em interpretar as coisas que sinto e isso não è nada bom.

—Talvez não tenha a ver com Stiles. — disse enquanto praticamente corríamos para fora até meu carro.

—Acredite em mim, sei que è com ele, não sei como eu sei, eu apenas…. Sei.

Entramos no carro e imediatamente comecei a dirigir rápido como nunca fiz antes, seguindo meus instintos, eu podia ouvir minha respiração difícil, meu coração pulsando, minhas mãos coçavam sob o volante e eu apenas virava aqui e ali enquanto Scott continuava tentando ligar para Stiles.

Paro o carro abruptamente ao ouvir um baque surdo de algo cair em algum lugar, no automático meu pè apenas pisou no freio e eu soube, era ali. Abro a porta e começo a correr ouvindo Scott me seguir. Eu não gostava daquela sensação, eu sentia coisas tão intensas assim apenas quando alguém ia… morrer.

Scott e eu paramos em meio a ponte em cima do lago, ouço nossas respirações ofegantes e espero algo acontecer.

—Lydia?

—Estou esperando, sinto algo, ele deve estar por aqui.

—Não vejo um motivo para ele vir aqui, mas… sinto algo tambèm, è ele e parece que estava em um tipo de luta com ele mesmo, eu já senti isso uma vez quando Derek e eu estávamos procurando por ele na época do Nogitsune.

Tusso violentamente e sinto algo escorrer em minha mão, era água, apenas água e então meu peito se comprime outra vez, e eu tenho que realmente puxar o ar para respirar. Olho à minha volta e Scott faz o mesmo e então juntos nós percebemos. O guarda corpo da ponte estava quebrado, não completamente caído, mas uma de suas pontas estava realmente quebrado e se alguém se apoiasse ali com certeza cairia e essa era a resposta que precisávamos além do que quando olhamos para baixos vimos apenas algumas ondas e bolhas.

—Scott! — grito e ele tem o mesmo reflexo que eu, tudo ali era puro instinto. Nós dois corremos a toda velocidade ponte abaixo até chegar na margem onde sem demora Scott entrou, indo mais para o fundo que podia até eu perdê-lo de vista quando ele mergulhou. Foram os segundos mais agonizantes da minha vida. Aquilo explicava todo o frio que eu sentia, aquela água devia estar congelando, eu estava sentindo um pouco do que ele estava sentindo, tudo em mim gritava que ele estava ali e imediatamente após sair um pouco do meu torpor eu ligo para a ambulância pedindo resgate.

Scott saiu repentinamente da água e arrasta com ele o que eu temia: um corpo. Não qualquer corpo, mas o corpo de Stiles.

—Oh meu Deus.

—Ele está congelando.- ele diz ofegante enquanto coloca o corpo do amigo no chão.

—Rápido, vou segurar a cabeça dele e você faz o RCP.

Agimos rápido enquanto eu seguro a cabeça de Stiles e Scott pressiona seu peito. Observo o rosto dele e seus lábios estavam roxos a água que pinga de seu cabelo è muito fria.

—Vamos Stiles, por favor. — digo. Eu não queria perdê-lo, nos mãos suportamos perder mais ninguém. Fecho seu nariz e me inclino colando meus lábios com os seus e soprando ar para dentro de seus pulmões. As lágrimas já banhavam meu rosto e Scott e eu repetimos o procedimento mais vezes.

—Não pare até o resgate chegar.

Tento de alguma forma boba aquecê-lo, ele estava tão gelado e aparentemente sem vida que parecia que algo dentro de mim se quebrava mais e mais a cada minuto e doía, ele não podia estar….

—Você consegue ouvir? -pergunto a Scott enquanto ele ainda continuava pressionando seu coração. — nenhum batimento?

O olhar desolado que ele me deu respondia.

—Morda-o então.

—Mas…

—Não tem nenhum “mas”, ele está… morrendo, morto, você precisa… nós… -balbuciei, não conseguindo sequer formar uma frase coerente. As lágrimas agora banhavam meu rosto. -Por favor Scott, por favor.

Ele dá um longo suspiro e então assente.

—Certo. — ele para os movimentos que fazia e pega na mão de Stiles, segurando fortemente e linhas pretas sobem por seu braço, indicando que ele tirava a dor dele. Em um pulo Stiles tussiu, alto e forte, inclinando-se para o lado.

—Oh meu Deus.

Passo a mão por suas bochechas e observo enquanto ele abre os olhos com dificuldade e eles encontram os meus.

—Hey, você está bem? — a urgência na voz de Scott era provavelmente a que estaria na minha se eu conseguisse falar.

Stiles passeou grogue os olhos de mim para Scott e então lágrimas começaram a escorrer por seus olhos.

—Hey, Stiles. Está tudo bem, você está bem agora, está tudo bem, nós estamos aqui, eu estou aqui.

—Não… -ele balbucia. -eu devia… eu queria…. Eu…. Não posso. — ele tosse, falando e respirando com dificuldade. Ao fundo podemos ouvir a ambulância.

—Não se esforce, a ambulância está vindo.

Ele começa a chorar copiosamente e Scott e eu nos entreolhamos sem entender, ele parecia fora de sì.

—Eu não devia estar aqui, como vocês… como? Eu tinha de estar morto.

—Stiles, está tudo bem, você caiu, mas nós te achamos.

—Eu não… não cai. Eu não…

—O que quer dizer? Alguém o empurrou? Você foi atacado?

Ele apenas balançou a cabeça negando, fechando os olhos como se a dor piorasse. Scott novamente tirou sua dor.

Se ele não caiu, ou foi empurrado… a opção que sobrava… era inacreditável. Scott e eu nos olhamos preocupados.

—Stiles o que você fez? -sussurro para ele retórica mente, escorregando os dedos por entre seus cabelos molhados.

—Desculpa… Desculpa… Desculpa… — começou a repetir, delirando.

A ambulância havia chegado, os paramédicos agiram rápido para socorrê-lo e eu fui incapaz de me afastar até que me mandassem para poderem colocá-lo na maca. Não nos deixaram entrar, então corremos para o carro para segui-los e durante o caminho o silêncio era sufocante, os dois estávamos incrédulos demais para dizer qualquer coisa.

—Vou ligar para o pai dele. — Isso è a única coisa que Scott diz antes de pegar o celular para comunicar ao Xerife.

—Você acha que ele realmente tentou… que ele… — era algo que ainda não cabia em minha mente para pôr em meio a frase, nunca pensei que Stiles iria sequer pensar em…

—Eu não sei, talvez nós tenhamos entendido errado, mas… tudo isso com Donovan, talvez… talvez tenha sido demais.

—Algo ainda não está certo nessa história, eu sei que não. Ele nunca…

—Ele confessou.

—Não acredito nisso até ouvir da boca dele com todas as letras que ele fez e porque fez.

—Lydia…

—Esse não è ele Scott, não è! Entre Stiles e Theo eu confio duzentos por cento mais no Stiles e você tambèm deveria.

—Esta dizendo que è culpa minha?

—Não, apenas que se as coisas fossem apenas um pouco diferente talvez ele não estivesse sozinho ou pudessemos impedir seja lá o que tivesse passando pela cabeça dele. Só que… se ele não melhorar, se não tivesse acordado eu não vejo como poderíamos conviver com nós mesmos.

—Eu sei. Mas, vamos ver o que ele vai dizer quando estiver em condições de conversar okay? Ele vai ficar bem.

—Você acha?

—Temos que acreditar nisso, ter esperança. Ou não temos mais nada.

O hospital não era longe e logo estávamos lá, antes do Xerife Stilinski, mas Melissa parecia estar esperando por nós.

—Mãe, você o viu? Como ele está?

—Eles vão aplicar fluidos quentes para reverter a hipotermia, darão oxigênio e farão exames, ele está bem cuidado, vai ficar bem, não parece que foi tempo suficiente para ter algum tipo de dano cerebral. O que aconteceu? Como ele foi parar lá?

Scott e eu nos entreolhamos novamente, sem ter certeza do que dizer.

—Não temos certeza, tudo indicava que o guarda corpo da ponte quebrou e ele caiu, mas… quando ele acordou, ele começou a dizer umas coisas estranhas. -explicou Scott.

—Que coisas?

Ele abre a boca para falar, mas nada sai.

—Não sabemos direito, è melhor esperarmos ele acordar não è? — digo, não conseguindo ainda pensar na outra possibilidade do que aconteceu.

Melissa assente e Scott e eu nos afastamos para sentar na gala de espera.

—Ficou maluco? — pergunto a ele. -Você não poderia jogar essa possibilidade na sua mãe. Ela sentiria que tinha que dizer ao pai dele e o pai dele não precisa ter isso na cabeça até que nós tenhamos certeza.

—Mas Lydia, você acha que… que ele realmente…

—Eu não sei, ele sabe nadar então eu não vejo como… Não vejo outra possibilidade e você o ouviu, ele…

—Hey, vocês podem vê-lo agora. -Melissa chamou. -Mas um de cada vez.

—Eu não sei se ele quer me ver. -Diz Scott, lembrando-se que eles estavam brigados, algo que eu acho que não importa mais agora.

—Eu vou primeiro então, e converso com ele, tenho certeza de que ele quer te ver sim.

Ele assente e volta a se sentar, colocando a cabeça entre as mãos.

Acompanho Melissa até o quarto e quando entro vejo Stiles ainda um pouco pálido, mas seus lábios não estavam mais roxos e ele parecia ter uma respiração muito melhor, mas ainda com o tubinho oxigênio nas narinas.

Caminho silenciosamente pensando que ele está dormindo. Seus olhos estão fechados e observo-o por um segundo antes de pegar sua mão e segurá-la. Quente como deveria estar.

Acaricio delicadamente, com o polegar, as costas de sua mão e desajeitadamente enroscos nossos dedos e me sento ao seu lado.

Me surpreendo quando seus olhos se abrem para mim, seu olhos castanhos caramelo, normalmente tão brilhantes, estavam apagados.

—Hey. — sussurro. Sinto ele apertar minha mão e fechar os olhos enquanto toma uma longa respiração.

—Hey, Lydia.

—Como se sente?

—Estou bem.

—Mesmo?

—Sim, agora estou.

Um silêncio se faz entre nós e eu simplesmente não sei ou não tenho a coragem para abordar o assunto.

—Sei o que quer perguntar.

Volto a olhar para ele e vejo que seus olhos brilharam com lágrimas. Não, eu não poderia lidar novamente com suas lágrimas, elas doíam em mim. Stiles era tão presente para mim, tão preocupado que vê-lo sofrer por qualquer motivo me machucava, eu apenas queria vê-lo bem sempre.

—Se não estiver confortável para falar sobre eu não vou forçá-lo, só quero que saiba que estou aqui, estamos todos aqui por você.

—Não acho que seja um assunto que alguma hora será confortável para se falar, mas você è uma das pessoas que eu não me importaria de falar.

Silêncio outra vez.

Respiro fundo procurando dentre todas as perguntas que eu queria fazer, qual seria a primeira.

—Porque? — pergunto. Afinal, qualquer dúvida que eu tivesse do que ele tentou fazer havia sumido. Ele realmente tentou tirar a própria vida. -Quero dizer, eu sei que para chegar a esse ponto teriam vários porquês, mas porque você não pensou em falar conosco? Nós amamos você, teríamos ajudado.

Ele pensa um pouco e seus dedos brincam com meu indicador e ele não olha em meus olhos ao falar.

—Eu… não foi algo que eu planejei. Eu não pensei por longos dias “minha vida não vale a pena" não foi o que aconteceu e eu sei, eu sei que eu sou amado por meu pai e meus amigos, sei disso, não foi algo que fiz por não achar que fosse amado, eu só… às vezes as pessoas fazem por medo e foi o que aconteceu, eu estava morto de medo de tudo e depois do que aconteceu com Donovan, eu estava destruído pensando em como eu o matei, como eu estou aliviado em não ter que lidar com as ameaças dele e então eu pensei no Nogitsune e então em todas as lembranças do que eu fiz enquanto ele estava dentro de mim, mesmo que não tenha sido eu, eu me lembro de cada coisa é de cada sensação que me trouxe. Uma coisa levou a outra e eu tinha certeza de que tinha perdido você e Scott. Eu já havia perdido Scott na noite anterior e então hoje de manhã eu vi vocês conversando e eu sabia que ele tinha lhe contado e eu pensei em como eu pedi os dois e perderia todos os outros tambèm quando soubessem. E então eu estava tendo um ataque de pânico ou alguma coisa do tipo e eu me vi naquela ponte com raiva e comecei a bater contra o guarda corpo, e então eu vi que os parafusos estavam se soltando, mas eu não quis parar de bater. Não pensei realmente que ele fosse ceder e então eu estava caindo em direção a morte. Fiquei desesperado e tentei nadar, tentei lutar pra viver, mas houve um segundo que pareceu durar décadas em que eu pensei. “Qual o sentido?” foi por apenas um minuto e eu estava afundando cada vez mais e eu apenas… parei de lutar e não houve tempo de voltar atrás, estava feito.

As lágrimas escorriam silenciosas por meu rosto e eu me segurei para não cair em prantos ali mesmo. Tínhamos chegado tão perto de perdê-lo.

—Você nunca me perderia.

Ele parecia surpreso e isso me machucou ainda mais, por saber que ele não sabia que poderia contar comigo pra tudo.

—Stiles você nunca tinha que se preocupar com isso, foi por legítima defesa e mesmo se não fosse se você tivesse me chamado pra ajudar a esconder o corpo eu faria, eu não me importaria se fosse culpada junto com você depois se descobrissem, eu estaria lá por você não importa o que, porque eu sei que você faria o mesmo por mim.

—Eu nunca a colocaria numa situação assim.

Sorrio e me aproximo, mexendo em seus cabelos.

—Eu sei que não, porque conheço você e eu não acreditei nem por um minuto que você o matou de propósito ou que teve alguma escolha a fazer, foi um acidente e ponto.

—Ainda assim, não consigo tirar da minha cabeça todas essas coisas, todas as sensações e pensar nas semelhanças entre mim e o Nogitsune e…

—Não há nenhuma semelhança entre vocês.

—E se ele tiver deixado algo para trás? Sede de sangue ou algo do tipo? Eu não poderia conviver comigo mesmo se me tornasse novamente um perigo para as pessoas, não outra vez.

—Olha o que você está dizendo. Você estava disposto a morrer do que deixar que tivesse um possibilidade de algo com o Nogitsune acontecer novamente, como isso pode ser dele? Como pode pensar que você è tão cruel a esse ponto? Isso não è você, nunca foi e nunca será.

Ele sorri fracamente e percebo como ele estava cansado, por isso os movimentos limitados. Antes que eu diga mais alguma coisa ele se senta e nossos olhos se encontram por longos segundos. Ainda vejo dor em seu olhar, mas não mais seus olhos estão sem vida como antes, algo se acendeu nele novamente. Mas eu queria tirar toda aquela dor, toda.

Me aproximo e o abraço, e com desespero ele retribui, me apertando forte, seu rosto se enterra na curva do meu pescoço e eu o escuto chorar. Eu estou chorando.

Nos embalamos suavemente como duas crianças, não querendo separar o abraço. Nunca nos conectamos tão profundamente como agora. Sem barreiras, sem preocupação do que fazer ou não fazer, do que dizer ou não dizer. Apenas nós dois. Ele se afasta primeiros, mas nossas mãos imediatamente se entrelaçam novamente, uma das minhas mãos estão entre seu pescoço e bochechas e a outra mão dele brinca com a ponto dos meus cabelos. Algo acontece, quando nos olhamos outra vez, vejo algo passar por mim, um fino incômodo dolorido e então percebo marcas pretas passando por meu braço que está em seu rosto, subindo por toda sua extensão e olho para a outra mão entrelaçada na dele, acontecia o mesmo. Nos olhamos assustados, mas não me afasto, permaneço do mesmo jeito, não sabia como eu estava fazendo aquilo, mas continuei fazendo.

—Você… está… -ele sussurra, olhando as marcas subindo por meus braços.

—Eu… estou tirando a sua dor. — sussurro também igualmente surpresa. Uma emoção incrível me domina, algo que nunca senti antes. Nós ouvimos apenas nossas respirações. As linhas somem e nós não nos movemos.

—Não sabia que você podia fazer isso.

—Nem eu.

—Lydia. — ele parecia pensar, seca as lágrimas no próprio ombro e um sorriso brinca em seu rosto.

—O que?

—Eu não tinha dores físicas. -declara.

—O que isso quer dizer?

—Você não tirou minha dor física. — ele pega minha mão que estava junto a dele e a leva até seu peito onde posso sentir seu coração bater forte. -Você tirou a dor daqui.

Oh Deus. Aquilo fez algo dentro de mim se multiplicar em mil.

Abro um sorriso não conseguindo sequer formar palavras, eu estava tendo muito desse problema hoje. Apenas me aproximo e abraço-o novamente, grata por tê-lo.

—Estou feliz por você estar vivo Stiles. Não sei o que seria de qualquer um de nós sem você, lembre-se disse.

—Eu vou.

Seu pai chegou logo após e eu deixei-os a sós, voltando para a sala de espera para atualizar Scott e ao me ver provavelmente com a cara de quem havia chorado ele parecia ter ficado ainda mais apreensivo.

—E então? Como ele está?

—Ele… está bem agora. -digo ainda anestesiada por tudo o que aconteceu naquele quarto.

—E você perguntou a ele? Se ele realmente…

—Foi tudo mais complicado do que isso, Scott. Mas sim, basicamente foi o que aconteceu, mas acho que seria melhor você ouvir dele.

—Você acha que ele irá querer me ver?

Seguro em seu braço, sorrindo confiante para ele.

—É claro que sim, você devia ir vê-lo. Ele precisa do irmão dele agora, mais do que nunca.

Ele passa a mão no cabelo de forma nervosa.

—Eu não sei o que teria feito se… você acha que foi minha culpa? Por eu não ter acreditado nele? Por… tudo?

—Scott, não, não foi sua culpa, foi algo maior do que nós dois, confie em mim. Ele está melhor agora. Você… não vai acreditar.

—No que?

—Eu o abracei e… eu tirei a dor dele Scott. — ele me olhava confuso, mas eu estava radiante. -Eu quero dizer, não a fìsica, a emocional. Aconteceu aquelas marcas em meu braço assim como acontece quando você tira a dor de alguém, mas ele me disse que nem ao menos tinha dores físicas. Eu não sabia que isso era possível.

Ele parecia tão confuso, empolgado e surpreso quanto eu.

—Eu também não… — e então ele sorri, esticando a mão para limpar descontraído uma das lágrimas que escorria solitária por minha bochecha. -Eu e Isaac tambèm choramos na primeira vez que fizemos.

—È…

—Especial.

Concordo e olho para minhas mãos um tanto quanto trêmulas. Aquilo tinha sido a melhor coisa que já fiz, saber que eu poderia fazer algo assim. Me senti especial, não alguém voltada para morte, que apenas achava corpos e tinha premonições, me senti capaz também de trazer o amor e fazer algo tão especial e gratificante quanto tirar uma dor tão profunda de alguém. Stiles continuava a fazer isso, a me fazer sentir diferente e especial, mais do que eu achava possível, isso trazia um calor gostoso para o meu coração. Algo que eu nunca senti antes e que estou apreciando sentir.

Xxxxxxxx

Hey. — foi a primeira coisa que Scott disse ao entrar no quarto enquanto meu pai ia assinar algumas coisas, conversar com o médico e pegar um cafè para sí.

—Hey. — respondo. Minha garganta doida, tudo em mim parecia sensível e os incômodos começaram a aparecer no meio da conversa com meu pai, após algum tempo que eu já tinha acordado. O médico disse que algo assim era um grande trauma para o corpo e que aos poucos eu começaria a sentir as consequências, por isso ficaria ali por mais um dia pelo menos.

—Como você está?

—Bem. -tento esconder dele minhas mãos enfaixadas por causa dos machucados das batidas. Elas começaram a latejar.

—Sempre sei quando está mentindo sobre isso.

—Nem sempre. — as palavras saem da minha boca antes que eu possa evitar e me arrependo um pouco logo após dizê-las.

Eu não sabia interpretar seu olhar no momento, mas ele definitivamente estava tendo algum tipo de luta interna consigo mesmo.

—Olha, Stiles… -ele se senta na cadeira ao meu lado e mexe nervosamente as mãos. -me desculpa, eu sei que deveria ter acreditado em você e não simplesmente ter tomado como inteira verdade tudo o que Theo disse, eu sinto muito. Eu nunca pensei que você chegaria ao ponto de pensar em… -parecia que uma enorme dor tinha repentinamente tomado-o. — de pensar em nos deixar dessa forma.

—Não pense nisso, foi algo impensado.

—Como posso não pensar nisso? Eu sou seu melhor amigo e não estava lá por você.

—Você não pode fazer tudo, tem que salvar a cidade.

—Eu tinha que salvar você!

—Você salvou!

Ele olhou para baixo tomando um longo suspiro.

—Lydia o salvou, ela sentiu tudo desde o começo, eu só o tirei da água.

—Os dois me salvaram, Lydia não conseguiria me tirar da água sozinha, se você não estivesse lá teria sido tarde demais quando me encontrassem.

Ele se senta na beira da minha cama e franze o cenho ao olhar pra minha mão.

—Stiles… me conte, o que aconteceu?

Isso seria uma longa conversa cansativa. Relatei a ele o mesmo que relatei a Lydia.

Todo o ambiente estava muito emocional, mas no fim ele parecia ter entendido. Eu estava verdadeiramente me sentindo melhor, mas ainda havia toda a culpa sobre Donovan e eu nem ao menos tinha contado ao meu pai ainda. Pedi a Scott para fazer segredo, eu contaria na hora certa é essa hora não era agora comigo no hospital após ter quase morrido.

Passei todo o tempo ali ainda estaiado sobre o que aconteceu entre Lydia e eu, ela havia realmente mudado algo dentro de mim, parece que havia preenchido metade daquele vazio que eu sentia antes, ainda havia uma parte vazia, mas a parte que estava verdadeiramente me destruindo… estava inteira novamente.

Tudo ficaria bem.

Notas finais
Eaeeee gostaram?
Eu nunca entendi porquê Lydia não podia tirar a dor das pessoas tambèm, mas acho que eles não deram uma oportunidade pra colocarem esse plot no meio da sèrie, mas tambèm nunca falaram que ela não podia fazer algo assim e eu queria muito que ela fizesse entãoooo aqui está. Só multiplique um pouco o poder kkkkk.
Sinto muito se isso ficou muito depressivo e tals, os episódios de quando Stiles está completamente perturbado sobre o que fez, è uma puta de uma atuação do Dylan e a cena toda me dá muita agonia, e por tantos episódios ele fica tão culpado e pensei que ele podia em algum momento relacionar isso com o Nogitsune, não tem nem como não relacionar, principalmente por ele se sentir tão culpado. Dá primeira vez ele matou pessoas por estar possuído, mas e agora? Quis explorar isso.
Estou postando essa One diretamente do celular e não tenho certeza se isso vai dar certo, se ficar cagado vejo se consigo algum computador pra arrumar kkkk.
Espero que tenham gostado, comentem pra e saber, bjss e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!