Notas iniciais
Heeeeeeeeeeeeeeeeeeeeey, o primeiro cap vai ser do ponto de vista da caçadora :v Espero que gostem :)

POV. Kath

Abri a porta o mais silenciosamente possível. Maldito demônio! Tinha que entrar em uma fábrica abandonada na qual a porta range mais que minha professora de português? Apanhei a faca mais afiada que tinha em meu cinto e a girei entre os dedos.

– Onde você está? Vamos, apareça! Venha seu demônio maldito, vamos brincar. — Gritei, chutando uma cadeira meio destruída que estava em minha frente.

– Acha mesmo que eu quero brincar com você, caçadora? — O demônio saiu detrás de um enorme e antigo armário e me olhou com desprezo. — Mas se você quer... posso fazer um esforcinho.

Ele então voou pra cima de mim, que já estava preparada para o bote. Me abaixei, fazendo ele bater na parede atrás de mim. Pulei em cima dele, segurando a faca em uma das mãos enquanto a outra agarrava seus braços. Pressionei a faca contra seu pescoço. Uma trilha de um líquido preto desceu do corte que eu acabara de criar, fazendo-o gritar de agonia. Aproximei meu rosto do dele, sentindo o forte cheiro de enxofre.

– Sua irmãzinha também gritou quando eu enfiei essa mesma faca nela. — Sorri. — Veja que honra! Ser morto pela mesma caçadora e pela mesma arma que matou o motivo de você ter vindo aqui, sua irmã.

O demônio chiou e se debateu, tentando se desvencilhar de mim. Apertei seu braço com mais força, fazendo-o gritar ainda mais alto.

–Acha mesmo que vai conseguir se soltar tão fácil? — Gargalhei. — Minha mão está banhada em sal grosso! Criatura desprezível. Últimas palavras?

– Vá para o inferno. — Virei a cara para espantar o fedor que saía de sua boca.

– Eu já estou lá baby. — Joguei meu cabelo para trás, e afastei um pouco a faca, deixando ele respirar por meio segundo, antes do golpe final. Desci a faca com tudo, fazendo sua cabeça rolar para o lado, espirrando sangue em meu rosto e em minhas roupas. Antes de me levantar, peguei a cabeça e com a faca, arranquei um dente. Levantei e chutei o corpo para longe, manchando minha botas.

– Ótimo! Vou passar uma tarde inteira tentando tirar a merda do sangue das minhas roupas. — Resmunguei, pegando meu celular.

Tudo certo, o demônio está morto.

Antes de desligar o celular, fiquei encarando a foto de fundo. Meu pai, meu companheiro, meu amigo, meu mundo. Morto. Ninguém fazia ideia de como ele morrera, mas eu sabia, eu sabia de toda a verdade! E eu ia fazer justiça. Nem que eu precisasse ir até o inferno eu a acharia.

Eu vou te achar. E quando eu te achar, esteja preparada.

Saí da fábrica limpando a faca na roupa. Ajeitei a jaqueta desgastada de couro, e entrei no porsche preto. Fechei a porta com violência e suspirei fundo. Mais um caso, um demônio a menos...

Dei a partida e avancei pela estrada. Estava tudo muito escuro, mesmo com os faróis ligados. Abri um pouco minha janela, deixando o vento bagunçar meus cabelos. Liguei a música e coloquei "Radioactive". Acelerei enquanto cantava, sem perceber nada de estranho.

Bam. Bam. Bam.

Ignorei o som e aumentei mais a música. Welcome to the new age, to the new age.

Bam. Bam. Bam.

O som ficava mais forte. Welcome to the new age, to the new age.

Bam. Bam. Bam.

Ignorei mais uma vez, cantando cada vez mais alto. Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive.

Uma coisa negra e pesada desabou em cima do carro, me fazendo meter o pé no freio com tudo. O carro deu voltas e mais voltas, até bater de lado em uma árvore. Por sorte eu estava do outro lado. Saí do carro com um corte sangrando na cabeça, caminhei até a estrada, perto da forma preta encolhida no chão. Minha mão foi involuntariamente para meu cinto, onde segurou a faca de prata afiadíssima. Com o coração martelando dolorosamente, e com a têmpora latejando, coloquei a mão em seu ombro. A coisa se virou e me encarou. Ofeguei e dei um passo para trás.

Nunca tinha visto nada parecido com aquilo. Seus cabelos eram negros como a noite e continham algumas mechas marrons, e caíam lisos para o dois lados do rosto. Sua face era morena e continha alguns arranhões. Seus olhos eram negros como duas jabuticabas, e me encaravam.

A estranha criatura se levantou, o que me fez dar mais 2 passos para atrás.

Seu corpo sem dúvida era bonito, continha várias curvas e algumas tatuagens. Usava um vestido negro, curto, que refletia o brilho da lua. Detrás das costas, saíam dois pares enormes de asas. Asas negras e incrivelmente lindas. Um salto preto, e o mais estranho: Um colar com uma grande cruz de prata no pescoço.

– Quem... quem é você ? — Sério que eu tinha que gaguejar justo agora?

– Te interessa? — Perguntou e me lançou um olhar de desprezo.

– Nem um pouco. Então, o que uma garotinha como você está fazendo aqui? Já não era hora de estar na cama? — Nossa, isso fez muito sentido. A garota deveria ter a minha idade, talvez até mais. — Pode me dizer ao menos quem é você?

– Jesney, a anjo das trevas. — E fez uma pequena reverência, seguida de um sorrisinho cínico.

Anjo? Só pode ser brincadeira.

– Anjo? — Perguntei com um sorriso irônico nos lábios. — Cara, eu já vi de tudo, menos anjos. Principalmente das trevas. O que foi? Foi expulsa do céu? — Ri.

– Na verdade, sim, bom, mas ou menos. Meu povo se revoltou contra mim e me expulsaram do céu, me jogando na Terra.

– Seu povo? — Não aguentei, comecei a rir. Ela deve ser louca. Se bem que uma moça cair em cima do meu carro as 3 da manhã, com duas grandes asas negras não parecia brincadeira.

– Do que está rindo, mortal? — Exclamou brava. — Não... você não é uma simples mortal não é? Uma caçadora.- Ela praticamente cuspiu ao pronunciar as palavras. — Sabe, eu já fui caçada por um caçador, um pouco mais velho que você. Era um velho escroto.

– Um... velho? Um velho caçador? — Me aproximei mais, com os ombros tensos. — Quando foi isso?

– Porque eu deveria te dizer isso? — Perguntou, franzindo a testa.

– Só me responde a merda da pergunta! — Gritei.

– Certo, calma, estressadinha. Há uns 5 anos, porque?

Que doce ironia...

– O que você fez com ele? — Apertei a faca cada vez mais forte, fazendo com que o frio da lâmina me provocasse arrepios.

– Eu já te disse né, não te interessa. — Falou se virando. — Agora se me dá licença, preciso achar um lugar para ficar. Aqui na terra é bem interessante né? Os homens matam uns aos outros a sangue frio, eles maltratam animais sem um pingo de dó... acho que essa será minha casa de agora em diante. Afinal, a terra é mais parecida comigo do que o céu. Seu carro está um pouco quebrado né? Seria uma pena se uma criatura linda e poderosa o estragasse mais... – Falou se virando para o carro com um sorriso maléfico. Apontou o dedo para um troco de árvore que estava próximo a ele, fazendo-o cair bem em cima.

– Mas que por... – Me virei bruta pra ela. Só que a única coisa que encontrei foi uma pena. Uma pena negra e reluzente.

***

Acordei exausta. Depois da noite anterior, eu tinha chegado as 5:30 a.m, dormi apenas 1 hora, e agora, eu tinha aula. Nem sei o que me veio na cabeça quando eu decidi estudar, ao invés de só caçar. Mas, não podia fazer nada, ainda estávamos no metade do ano e eu precisava recuperar em algumas matérias. O que me lembra...

Merda, a prova de física!

Levantei da cama de um salto, e corri para o banheiro. Tomei um rápido banho e coloquei um calça jeans, uma regata com uma jaqueta anil por cima, deixei o cabelo solto, e coloquei um all star. Lavei o corte em minha têmpora e desci correndo as escadas. Peguei minha bolsa no sofá e saí correndo de casa. Ótimo, com meu carro na oficina de Derek — Derek é um amigo caçador meu, ele também é mecânico. Foi pra ele que eu enviei a mensagem ontem, e antes de chegar em casa, liguei pra ele vir buscar meu carro, e me buscar, obviamente.- Eu teria que ir todos os dias a pé pra escola. Passei em alta velocidade pelas casas e pelas pessoas sem me importar se eu as derrubava ou não, graças as habilidades de caçadora conseguia correr muito mais rápido que o normal, e também tinha um excelente reflexo.

Estava correndo tanto que nem vi o garoto de bicicleta que estava passando em minha frente e dei uma trombada com tudo nele.

– Woaah. — O garoto exclamou. — Você está bem?

– Sim, claro. — Falei sem olhar pra ele, recolhendo as coisas que caíram da minha mochila. — E você?

– Sim. Quer ajuda? — Perguntou se ajoelhando ao meu lado.

– Ah não precisa, não, nã... — Antes de eu terminar a frase, o garoto já estava me ajudando a recolher tudo. — Ah, deixa pra lá.

O garoto riu e me devolveu os últimos cadernos. Nos levantamos e sorrimos um pro outro.

– Obrigada. — Falei sorrindo.

– Não tem de que. — Sorriu, mostrando uma fileira de dentes brancos. — Então, você estava indo pra escola?

– Sim, você também estuda no Hard? — Se estudava, eu nunca tinha reparado nele. Não sei como. Ele tinha a pele clara, os olhos eram castanho-claro, o cabelo era castanho-escuro e no topo formava um topetinho. Sem falar que ele era um pouco mais alto que eu, e, Deus, tinha uma boca perfeita. Ou seja, um Deus Grego.

– Sim. — Riu mais uma vez. — Deus, eu nem me apresentei. Vamos começar tudo de novo. — Falando isso, voltou para trás, com a bicicleta na outra mão. Parou, e voltou pra frente de novo. Quando me viu, fez uma cara de surpresa e se aproximou.

– Hey, sou o Dylan.

– Prazer, Kath.

–Posso acompanhar a senhorita para a nossa pris... ops, quer dizer, para a escola? — E fez uma pequena reverência.

– Claro senhor. — Me curvei, e quando o olhei de novo, nós dois caímos na risada, igual dois retardados.

– Vamos?

– Vamos.

***

Chegamos na escola, e Dylan foi falar com uns amigos dele. Subi sozinha a escadaria, já lamentando a nota baixa que iria tirar. Porque estou lamentando? Eu moro sozinha! Sim, mas em todo caso, minha querida mãe ainda cobrava notas boas lá do outro lado do mundo. Tereza, minha mãe, também era uma experiente caçadora e estava em Nova York resolvendo um caso, mas obviamente isso não a impedia de me ligar quase todo dia ou de me passar sermões por causa de nota baixa.

Fiz a prova tentando lembrar de tudo o que o professor falou nas aulas, mas é praticamente impossível. Se você algum dia ouvisse a voz do Sr. Gordon saberia o que eu estou querendo dizer. Meu dia foi o mais normal possível. Comi na cantina, e depois tive as mesmas aulas chatas de sempre. Quando estava descendo as escadas que levavam ao estacionamento, senti um calafrio na nuca. Olhei em volta e não vi nada, então continuei andando. Quando já tinha descido as escadas, me virei para a floresta que ficava ao lado da escola e congelei.

Atrás de um pinheiro, estava Jesney.

Ela me encarava de um jeito irônica. Seus cabelos estavam jogados para trás e presos em um rabo, e suas asas sacudiam livremente, espanando algumas mariposas.

Caminhei em direção a ela mantendo o passo firme. Abri minha mochila e comecei a vasculhar lá dentro até minha mão entrar em contado com a superfície fria da lâmina.

– Woah, quem diria? A anjo das trevas em uma escola normal. — Me aproximei com um sorrisinho cínico no rosto.

– Isso não tem graça. — Resmungou.

– Certo, porque está aqui então? Certamente você não quer ver a aula de educação física dos garotos.

– Aula do que? — Franziu a testa. — Não, não é nada disso. É que... bem... olha eu não viria aqui se não fosse importante!

– Então o que é tão importante pra você vir me procurar?

– Gosta de fazer loucuras?

– Se tiver sangue... – Sorri diabolicamente.

– Eu já disse que meu povo se revoltou contra mim, certo? Então, eu estou aqui para propor-lhe um acordo. Você me ajuda a me comportar como os humanos que eu lhe ensino vários truques dos anjos da noite. Aposto que isso ajudaria muito em suas caçadas. – Propôs, limpando um grão de poeira da asa.

– Bem... vai ser meio difícil esconder essas duas belezas ai. – Apontei para as duas enormes asas negras.

– Por isso preciso da sua ajuda. – Exclamou, fazendo as asas balançaram ameaçadoramente.

– Certo. – Afirmei, para logo depois ficar séria. – Mas não se esqueça: Trato é trato. Eu te ajudo, e você me ajuda.

– Fechado.

E dizendo isso, nós duas nos olhamos e assentimos com a cabeça, criando um elo que não poderia ser quebrado.

Notas finais
Entãão, o Dylan é meu, não divido e não troco u_u Se vocês não entenderam como ele é, é só procurar por "Dylan O'Brien" de Teen Wolf :3Gente, por favor, comentem. Isso nos motiva a escrever um capitulo bom. :))
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.