Some Questions

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Minha primira fanfic angst, e ainda por cima escrita em primira pessoa. Existe melhor receita para um possivel caos?

Quero agradecer ás meninas do Blackinnon Squad e principalmente à Clenery Aingremont pela paciência por ter esperado tantos meses por essa fanfic. Não desistam de mim meninas, voc~es sabem que eu sou um nenê procrastinador.

Sem ficar batendo muito papo, vamos a fic.

Quando eu entrei em casa estava tudo tão silencioso que até parecia que eu estava sozinho, e não que Marlene tinha entrado antes de mim com o rosto molhado de lágrimas.

A casa estaria totalmente escura se não fosse pela luz que entrava das janelas que continuavam abertas após nós dois termos saído daqui as pressas horas atrás, que aliás, foram as piores horas de toda a minha vida.

Consigo ouvir o barulho do chuveiro ligado, com certeza Marlene deve estar tomando banho lá e talvez ela vai passar um tempo a mais embaixo do chuveiro para chorar e evitar olhar para mim como esteve desde que saímos do hospital. De verdade, não a culpo por estar dessa forma até porque eu apenas estou segurando minhas lágrimas já que preciso ser forte por ela agora. Por mais que eu não esteja.

Joguei as chaves em cima da mesa e fui em passos rápidos até um pequeno corredor, no final dele tem duas portas, uma delas é o meu quarto e o da Marlene e o outro é um que eu estava preparando nos últimos dois meses e que quanto mais eu me aproximo dele mais as lágrimas queimam abaixo dos meus olhos implorando para sair.

Várias perguntas agora estão me atormentando, e todas sem qualquer resposta, o que me deixa ainda mais angustiado.

Número um: Por que com a gente? Porque isso tinha que acontecer justo hoje, que era para ser apenas um dia normal entre nós? Até ontem eramos um casal feliz, apenas esperando o seu primeiro bebê e agora nem conseguimos dizer alguma coisa um para o outro.

Perder um filho é algo que ninguém deveria passar, é uma dor avassaladora e não importa o quanto eu saiba que nenhum de nós dois tivemos culpa disso, no fundo eu sinto que eu poderia ter evitado de alguma forma. Eu queria poder ter conseguido evitar, mas não consegui e agora nunca conheceremos o bebê que estavamos tão animados para ter.

Abri a porta de madeira me apressando a entrar no cômodo e fechar a porta atrás de mim. O quarto assim como o resto da casa estava escuro, e não sei se é apenas minha impressão ou ele está mesmo parecendo mais sem cor e menos caloroso do que era no dia anterior.

A poucos passos de distância de mim tinha um berço branco com detalhes amarelo-claro, por mais que nós ainda não soubessemos o sexo do bebê eu já tinha começado a montar esse quarto para ele ou ela. Me aproximei do berço em passos lentos, sentindo meu peito queimar cada vez mais, dentro dele tinha um pequeno cachorro cinzento de pelúcia que tinha mais ou menos o tamanho da minha mão.

Peguei a pelúcia em minhas mãos e me sentei no chão escorado no berço branco. Enquanto eu encaro o brinquedo em minhas mãos minha mente é preenchida por imagens de uma menininha de cabelo loiro e olhos cinzentos, ela mordia a orelha do cachorrinho enquanto sorria. Um sorriso idêntico ao da sua mãe...

Agora essas imagens me perturbavam como nunca, sim eu já imaginei diversas vezes Marlene colocando um menininho para dormir enquanto cantava uma canção de ninar, ou até mesmo uma criança que devia ter pouco menos de dois anos de idade brincando com algum brinquedo em meu colo, juro que se eu me concentrar nisso enquanto estou de olhos fechados eu posso até mesmo sentir o peso de uma criança.

Essas cenas parecem que estão vindo com mais frequência hoje apenas porque eu sei que isso não vai acontecer, pelo menos não tão cedo quanto prevíamos.

E ai está a pergunta número dois: Por que eu preciso sofrer tanto? Uma coisa assim deve doer para qualquer um, porém para mim era insuportável. Me sinto como se eu não conseguisse ao menos respirar.

Só então percebo que já estou soluçando bem forte e que meu rosto já está encharcado com lágrimas. Eu estava tão feliz com tudo isso, montando esses moveis e pintando essas paredes com cores claras. Esse cachorro foi um presente da Lily e do James, eles nos deram 1 semana depois de anunciarmos que Marlene estava grávida. Como eu vou contar para eles que não terá uma criança para brincar com ele?

Joguei a pelúcia numa poltrona que está do outro lado do cômodo, eu estava respirando fundo enquanto tentava a todo custo parar de chorar, parece até impossível.

Não sei quanto tempo eu passei ali sentado quando eu me levantei do chão limpando o meu rosto com as mãos, o que foi inútil já que as lágrimas continuavam a cair. Olho ao redor vendo todo o quarto, Marlene já tinha visto isso aqui antes, me lembro perfeitamente do sorriso radiante que ela tinha no rosto quando se deparou com todas essas coisas. Infelizmente amanhã eu vou desmontar tudo e trancar aquela porta, assim posso evitar que ela venha aqui e sofra mais assim como eu estou sofrendo agora.

Respirei fundo indo em direção a porta e saindo do quarto. Agora já estava conseguindo me controlar melhor embora agora esteja com a cabeça latejando. Caminhei até a cozinha para beber água, quem sabe isso ajude a dor de cabeça a passar, e por falar em água, já não consigo mais ouvir o barulho do chuveiro, sinal de que Marlene já tinha saído dele.

Pergunta número três: Por que Marlene tinha que estar pior do que eu? Ela sempre foi uma garota tão boa, é a mulher dos meus sonhos, sempre carregava o sorriso mais lindo de todos que iluminava até os meus dias mais sombrios. Então por que ela precisava estar pior que eu?

A dor que estou sentindo pode estar sendo insuportável, mas se eu pudesse eu pegaria cada dor dela e senti-las em seu lugar.

Ouvi o barulho da porta do banheiro se abrindo e segundos depois ouvi a Marlene entrando no nosso quarto. Ela continuava agindo como se eu não estivesse por perto...

Enchi um copo com água e bebi tudo rápido, deixei o copo dentro da pia da cozinha e comecei a caminhar em direção ao quarto que dividia com Lene desde que nos mudamos para cá, está tudo ruim o bastante sem ela fingindo que não estou aqui. Não posso deixar ela sozinha.

Abri a porta encontrando ela deitada de bruços na cama de casal, abraçando o travesseiro. Fui me aproximando lentamente dela e me sentei ao seu lado olhando-a por uns instantes.

Levei uma de minhas mãos até seu cabelo e comecei a acaricia-lo, olhando desse jeito parece até que ela está dormindo, calmamente e que nada poderia machucar ela pelo menos até ela acordar. Só que eu e ela estamos juntos a tempo o suficiente para eu saber quando ela está realmente dormindo e quando está apenas fingindo.

— Não olhou para mim desde que saímos do hospital. – Comecei, no tom mais baixo e suave que eu conseguia. — Diz alguma coisa, por favor.

Ela virou seu rosto, ainda com a cabeça deitada no travesseiro para poder me encarar. Seu nariz assim como seus olhos ainda estavam vermelhos, o semblante dela estava desolado e seus olhos perderam o brilho, ela parece apenas um fantasma da Marlene que eu tanto amo.

— Me desculpa. – A voz dela estava rouca, talvez também estivesse com a garganta doendo por causa dos soluços. — Só queria ficar sozinha.

— Sabe que eu não vou te deixar sozinha.

— Sei... – Ela se levantou de forma que ficava sentada de pernas cruzadas na cama e começou a brincar com a aliança na sua mão esquerda.

Encarei os dedos das suas mãos enquanto escolhia as palavras certas para dizer a ela. Não quero parecer insensível, nem quero deixá-la pior, muito menos quero continuar nesse silêncio desconfortável.

Por fim decidi apenas ficar calado e me levantei indo até o armário, peguei uma calça de moletom e uma camisa e em seguida caminhei para fora do quarto indo para o banheiro, espero que a água do chuveiro leve todo esse peso embora.

Quando voltei para o quarto minutos depois eu achava que iria encontrar a Marlene definitivamente dormindo, em vez disso, ela estava acordada fitando a porta. Estava esperando que eu voltasse.

Me dirigi até a cama e me deitei do lado dela em silêncio, assim que me cobri com o cobertor fui surpreendido com um braço me rodeando por trás num abraço apertado e também pude sentir um beijo nas minhas costas por cima da camisa de algodão que usava.

Por uma fração de segundos um minúsculo sorriso apareceu no meu rosto, é esse o efeito que Marlene tem sobre mim, conseguir amenizar qualquer dor que eu tenha com simples gestos, mesmo que temporariamente. E só de saber que ela já não está mais chorando e que agora estou nos braços dela já era o suficiente para que eu me sentisse em casa.

A pergunta número quatro: Vamos nos recuperar? Por um momento eu pensei em como seria daqui a alguns meses, se vamos melhorar, se vamos estar felizes de novo ou se eu vamos tentar ter um filho outra vez. Disseram que podíamos tentar de novo, mas não queria conversar com ela sobre isso nesse momento.

Queria que isso fosse embora, que nunca mais sentisse algo parecido novamente, parecia que esse dia jamais iria acabar, mas vendo como estamos agora, com Marlene me abraçando em vez de estar chorando e me evitando como estava horas atrás, eu ainda tinha um fio de esperança. Eu gosto de ter esse fio de esperança.

— Eu te amo, Sirius. – Ouvi sua voz soando baixa e rouca atrás de mim quando já estava sentindo meus olhos pesarem com a chegada do sono.

— Eu te amo, Lene. – Respondi, pouco antes de adormecer junto com ela.

Notas finais
Eu realmente não sei como vir aqui agora, estou com um medinho de ter ficado horrivel, mas primeira vez é sempre horrivel e eu sou nova nesse universo triste das fanfics.

Obrigada por lerem até aqui, beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!