Some Moments...
13 Abortion
Notas iniciais
“Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe.”
(Madre Teresa de Calcutá)
Eu era alguém, era um ser humano, um ser vivo! Tinha vida dentro de mim, por mais pequena que fosse. O meu coração já batia, eu já percebia algumas coisas, dormia, alimentava-me, chuchava no dedo... Eu tinha vida dentro de mim! Porque é que não perceberam isso? Era assim tão difícil de perceber? Porque é que fizeram isto? Eu amava-vos, eu amava-vos mais do que tudo no mundo. Vocês eram os meus pais, os meus melhores amigos, as pessoas que deviam cuidar de mim. Vocês tinham esse dever, tinham essa obrigação.
Mãe, eu estava na tua barriga para ser protegida do mundo perigoso em que tu vivias. Eu estava aí porque nunca conseguiria viver sem ti os primeiros meses da minha suposta vida. Eu precisava de ti para crescer, para me desenvolver, para aprender. Precisava de ti para saber o que era o amor, o que era a amizade, o que era a vida. Eu sei que me amavas, eu estava dentro de ti. Sabia perfeitamente o que sentias. Mas uma coisa, nunca percebi! Se me amavas porque me fizeste isto? Porque me tiraste a vida, antes de começar a sério, antes de eu poder ver o teu rosto, de sentir os teus lábios na minha testa, num beijo de boa noite? De sentir os teus braços a envolverem-me num abraço carinhoso e os teus dedos a afastaram as lágrimas das minhas bochechas?
Porque me impediste de aprender a dizer “mamã”, de sentir as tuas mãos a darem-me segurança para os meus primeiros passinhos, de me sentir aconchegada ao teu corpo? Porque me impediste disto tudo, mãe? Porquê? Fiz algo assim tão horrível para me castigares desta maneira?
Sei que não és a única que decidiu isto, sei que não és a única que concordou em me tirar a vida. E isso é o que mais me magoa. Saber que tanto a minha mãe como o meu pai, concordaram em livrar-se de mim simplesmente. Por isso pergunto-te, pai: porque não quiseste conhecer-me? Porque não quiseste, ver a minha alegria quando tu chegavas a casa do trabalho? Porque é que nunca quiseste brincar comigo? Porque é que não quiseste ensinar-me a andar de bicicleta? Porque não me deixaste sentir o teu amor por mim? Porquê? Porquê?
Não sei se estão arrependidos, ou simplesmente já se esqueceram de mim, mas se estão arrependidos, agora é tarde de mais. Agora, não à volta a dar. Eu nunca vou saber o que é ter uma avó que protege o seu neto, quando ele faz asneira. De ter um avô que brinque connosco. De ter uma tia a quem confie tudo, ou simplesmente um primo para brincar. Nunca vou saber o que é ter um namoradinho na primária, ou o meu príncipe encantado na adolescência. O que é ter um casamento, ou estar grávida! Nunca vou sentir o que é crescer uma vida dentro de mim, nunca vou saber o que é amar um filho que ainda não se conhece. O que simplesmente tu sentiste quando eu estava dentro de ti. Mas de uma coisa tenho a certeza, nunca mataria o meu filho como tu fizeste. Nunca faria o que me fizeste a mim. Lutaria contra tudo e todos, só para poder ver o rosto do meu bebé. Não sei o que aconteceu para me matares, mas tenho a certeza que não era o fim do mundo, que havia outras alternativas. Tu apenas escolheste a mais fácil, aquela que eu não estava incluída e estou muito magoada por isso.
Não sei se percebes que a dor que me provocaste não foi só emocional, também foi física. No momento, eu em que me sugavam de dentro de ti, eu sentia muita dor. Eu sei que não vivi muito para saber o que era a dor mas pior dor que aquela, não existe. No momento, que me sugavam de ti, a dor física juntou-se com a emocional e eu sofri. Eu sofri imenso. Tanto pelas dores que aquelas máquinas me provocavam como pela dor que sentia por saber que não me amavas o suficiente para lutares por mim.
Eu perdoo-te, eu perdoo-te por me teres feito sofrer dessa forma. Eu perdoo-te a ti e ao pai que tem tanto culpa como tu. Perdoo os dois, mas apenas perdoo porque ainda vos amo. Porque acima de tudo e além do que aconteceu, cada parte da minha alma ainda vos ama, ainda deseja estar convosco, ainda deseja um abraço vosso e conhecer os vossos rostos. Acima de tudo, ainda vos amo e vocês ainda são meus pais.
Notas finais
Então, o que acharam do texto? Espero sinceramente que tenham gostado. Fico à espera dos vossos comentários!
Beijinhos
S2
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