Sombras sobre o Olimpo

1 Um ataque contra a morte


Notas iniciais
Primeiro capítulo que traz o primeiro ato do plano dos inimigos, além de apresentar o sádico Salazar.
Comentários, pessoas favoritando e recomendações vão gerar capítulos mais rápidos, então caros leitores, vamos animar!!!

Aceito sugestões e espero que gostem.
Boa leitura.

PVO Salazar.

O Mundo Inferior nunca parecia mudar, pelo menos o semideus caminhava vislumbrando a imutável paisagem do terreno mórbido. O céu era um domo negro com gemas coloridas numa infinidade de cristais, o solo era árido e o cheiro continha uma mistura de gases onde o enxofre é proeminente. Salazar fitou de lado vendo o Rio Estíge correr com suas águas mortais, carregando tantos sonhos, lembranças, vidas.

Ao fundo o semideus via uma construção levantada em blocos negros iluminada com chama verdes, uma mistura de aspectos góticos com arquitetura absolutista, dando uma visão de castelo depressivo e imponente. O semideus influiu o peito com o ar impuro e parecia tão familiar, talvez por que em seu sangue corria a genética divina da morte. O rapaz seguia sua caminhada envolto em trapos negros que formavam uma capa que cobria todo seu corpo, com exceção das mãos alvas e dos lábios vermelhos, que tinha destaque em relação ao capuz.

O andarilho parou quando um ser envolto em sombras pousou, recolhendo suas asas negras. Se Salazar fosse um garoto com ampla imaginação, com certeza teria visto um anjo caminhando lentamente em sua direção, todavia tinha uma capa negra e uma foice com lâmina curva em ferro estígio, o que era bem diferente das criaturas celestiais católicas. O homem alado tinha pele negra cintilando como bronze, além de olhos analíticos que fitavam por completa a silhueta do intruso do Mundo Inferior. Qualquer um tremeria com a presença de Tânatos, a própria morte, exceto Salazar.

— Quanto tempo, meu querido pai, que não temos uma conversa. – Comentou o semideus emitindo uma risada macabra.

— O que você faz aqui no Submundo?

— Vim executar o meu plano, pai. Pretende fazer algo sobre?

— Você não é bem-vindo no Mundo Inferior e sua audácia é uma violação. Isso é punido com a morte.

— Você é a morte, mas não é capaz de me castigar.

Tânatos abriu as mãos e sombras o circundaram formando um pássaro similar ao corvo que traz consigo o agouro da morte. Quando aquela aura negra sumiu, três seres encapuzados estavam ao lado do deus grego e prontamente partiram para cima numa corrida, empunhando foices curtas de ferro estígio, cada qual com um par das lâminas curvas. Salazar riu e espalmou a mão, mostrando uma tatuagem em sua palma que cintilou num tom púrpura, liberando uma rajada destrutiva que acertou em cheio um dos soldados invocados pela Morte.

O soldado ferido tombou com força contra o solado seco, fazendo com que outro ceifador parasse para acudi-lo, mas a batalha não havia acabado. Salazar fez surgir das trevas uma espada curta de metal negro que emanava uma aura verde escuro como o sangue nojento dos Gigantes mais repugnantes criados por Gaia. A foice cortou o ar num arco inclinado que foi interrompido pelo sabre macabro, seguido de um chute do semideus invasor contra o valente ceifador, quem caiu no chão, mas se levantou rapidamente.

O aliado da Morte girou seu corpo e disparou uma das foices num efeito rotativo em alta velocidade, mas Salazar era muito mais astuto do que aparentava e cravou sua arma no chão. Runas antigas brilharam na face de sua espada e pilares negros surgiram de sua sombra, criando uma trilha de estacas tão sólidas quanto titânio que não só retiniram o projétil como também seguiram até empalar o ceifador. Dois haviam sucumbido e aquilo só gerava diversão ao filho de Tânatos, que erguera o corpo com sua maldita espada.

— Seus ceifadores já foram melhores, pai. – Desafiou Salazar enquanto o aliado mais franzino partiu em fúria com ambas as foices empunhadas.

Suas armas cintilaram em vermelho e liberaram uma cruz de fogo contra Salazar, que girou sua arma num arco defensivo e desfez o ataque de chamas, porém não previa a aproximação da ceifadora. A foice cortou num plano horizontal na linha de cintura e fez correr sangue pelo manto negro do filho da Morte, quem cerrou o punho vazio e desceu num golpe único de cima para baixo, acertando a face do aliado de Tânatos. O guerreiro caiu no chão e teria sido assassinado com uma estocada no coração se não tivesse rolado pelo terreno árido e se afastado devagar. Seu capuz havia caído para trás, revelando cabelos loiros e curtos, pele branca e olhos azuis, além de lábios finos e olhar penetrante de uma semideusa pronta para continuar a lutar.

— Erin, vá. Preciso que leve uma mensagem.- Anunciou Tânatos, quem vira o massacre contra seus ceifadores aguardando a necessidade de lutar.

— Eu posso acabar com ele, meu senhor. – Comentou a garota limpando um filete de sangue que escorria pelo canto de sua boca e posteriormente girando suas foices.

— Não. É uma ordem. Vá e encontre o Quíron, tudo o que viu aqui e anuncie que Salazar Freyer está vivo. Você é a minha comandante, não seja insubordinada agora.

A garota aceitou a ordem mesmo querendo continuar na lutar e Salazar parecia se divertir com toda a situação. Novamente espalmou sua mão livre revelando a mesma marca brilhante, todavia a rajada destrutiva de puro poder parou num muro de sombras que Tânatos fez, criando uma única brecha para Erin virar um falcão peregrino e sumir aos poucos da visão do semideus. O visitante indesejado do Submundo gargalho e retirou o seu capuz, mostrando ter traços de um homem de trinta anos, mas com olhos completamente negros e assim como seus cabelos.

— Ela seria uma vítima divertida.

— Você não fará mais nenhuma vítima. Sua morte chegou

— Não seja tolo, Tânatos. Eu vim aqui para fazer apenas uma coisa, matar você.

— Não se mata a morte. Sou um deus.

— Banhei minha espada no veneno de tantas criaturas antigas que nem mesmo a imortalidade pode resistir a ela. Eu me preparei para agir há muito tempo, apenas esperei a hora certa.

O semideus avançou arrancando um recuo de surpresa de Tânatos, quem rapidamente abriu suas asas negras e avançou numa única batida de seus membros alados, girando sua foice envolta em sombras. A arma curva fatiou o ar e teria cortado até mesmo uma rocha de forma límpida, todavia acertou uma espada amaldiçoada que se suportou a magnitude do ataque da Morte. Salazar girou o corpo com incrível velocidade aplicando um golpe horizontal, que fora evitado por uma esquiva rápida do deus, quem repetiu a ofensiva num movimento vertical.

O semideus bloqueou o novo corte estocou sua arma, que teria acertado o coração do ser divino, quem saltou e viu a arma penetrar seu estômago e liberar uma onda de dor única graças ao seu veneno macabro. Tânatos recuou o corpo com ajuda das asas e sentia a dor excruciante daquele golpe, além de escutar as risadas de Salazar, quem andava vagarosamente, pronto para terminar o serviço. A morte não acreditava ter sido ferido e que podia doer tanto, o ícor dourado corria livre sobre seu manto e sua visão ficou turva.

— Você não tem ideia de quem sou, filho. – Bradou Tânatos tocando o chão e fazendo com que todo o Mundo Inferior tremesse.

O chão se abriu em vários pontos, fazendo com que espectros negros surgissem com garras longas e com face que pareciam ter sidas apagadas, sem boca, olhos ou qualquer outra coisa. As criaturas atacaram sem hesitar e parecia que iam acabar de vez com o semideus, quem apenas respirou fundo e girou sua espada em suas mãos.

A pele branca de Salazar foi tomada por marcas negras que subiam do pescoço, crescendo como uma erva daninha e fazendo com que seu corpo fosse uma tela branca para aquela pintura estranha. Letras gregas se misturavam em runas ou símbolos antigos e o semideus emanava uma fumaça negra. O filho da morte apenas gritou tão alto quanto podia e uma onda mecânica foi expelida num círculo ao seu redor, desfazendo os espectros e forçando ao Tânatos de se proteger com suas asas negras, que o envolveram.

— Essa foi uma boa cartada. – Falou o semideus apoiando o corpo no chão, enquanto as marcas sumiam devagar. Salazar parecia cansado e esgotado pelo que acabara de fazer, enquanto Tânatos tentava se erguer, mesmo com as fortes dores. – Invocar espíritos condenados, como se pudessem me derrotar.

— Por que veio até aqui? Para que me matar? Vingança?

— Vingança é coisa de filhos de Nêmesis. Não é nada pessoal, só é um dos passos necessário para nosso plano.

— Nosso? Quem são vocês?

— Aqueles que vão tomar esse mundo.

Respondeu Salazar indo para cima do deus da morte devagar. Tânatos girou sua foice com habilidade, mas o semideus estava mais inteiro e desviou sem dificuldade, cortando o braço direito do deus fora com um novo arco e fazendo com que o homem gritasse de dor. O deus tentou ficar de pé para continuar lutando, mas o semideus penetrou sua espada no peito da Morte, quem perdia o fôlego devagar.

— Vocês não conseguiram... – Resmungou Tânatos caindo sobre o corpo de Salazar.

— Sim, conseguiremos. – Comentou o semideus rindo. – Mas você não verá meu triunfo. Quando um dia renascer, será meu escravo particular.

A espada macabra foi retirada do corpo sem vida de Tânatos, fazendo com que uma onda de trevas cobrissem o domo superior do Submundo. Salazar não se importava com o que acontecia, apenas tomava para si a foice de seu pai e fitava aquela arma com total admiração, tendo uma risada maliciosa nos lábios. Novamente o chão tremeu, porém não era um grupo de espectro, mas sim vários soldados trajando negro sendo comandados por um homem de pele alva como a neve e manto negro com face de muitos em grande tormento. Carregava nas mãos o seu elmo negro e embainhada na cintura uma espada bastarda. Sua armadura tinha sangue rubro salpicado em pontos criando manchas do viscoso líquido que corre nas veias mortais. Hades tinha ao seu lado um batalhão inteiro.

— O que você fez? – Bradou o senhor do Submundo vendo o corpo de Tânatos caído ao chão e a foice de seu fiel soldado sendo manejada pelo semideus. – Como um semideus derrotou Tânatos?

— Não estou sozinho, vim preparado.

— O que você quer? Acha que vai me derrotar?

— Não vim para te matar. Não agora. O que eu vim buscar eu já consegui.

Salazar deu uma risada e uniu sua foice com a espada, criando uma nova espada. Tinha a lâmina mais larga, com a tonalidade verde nos fios cortantes e o negro do ferro estígio no centro. Havia uma caveira adornando o cabo e isso arrancava uma gargalhada do semideus. O filho da Morte deu uma última olhada para Hades antes de mergulhar em sua própria sombra, sumindo repentinamente.

Notas finais
Próximo capítulo vamos ver a repercussão disso tudo no querido e amado Acampamento Meio Sangue, onde novos personagens vão aparecer, trazendo consigo as primeiras consequências da queda da Morte.

Curtiram? Que tal comentarem para eu saber o que acharam.
Até o próximo capítulo.

p.s. : Estou trabalhando numa capa.