Sombras imortais
4 Eles são inimgos?
Notas iniciais
Set abria portas e mais portas, Katy se maravilhava com cada porta que era aberta; o castelo realmente era grande, tinha hierarquias como Set chamara. Os originais mais novos não podiam ver o rei até certa idade, os comuns não se misturavam com os originais, apenas os servos e soldados.
Uma porta dupla com maçanetas de ouro foi aberta, uma sala de divertimento foi vista. Os olhos castanhos de Katy passaram por tudo, cheio de tecnologia que um jovem sonharia. Vídeo games perto da televisão, sofás brancos ao redor de uma mesinha de centro, puff vermelhos de várias formas, alguns quadrados e duros, outros redondos que quando sentava afundava. Luzes diferentes que quando ligavam não paravam de piscar, um bar onde tinha um barman 24 horas, um local para ficar com computadores, perto do bar tinha uma mesa de sinuca onde dois jovens jogavam. Os dois vampiros levantaram o olhar surpresos para Set.
— Essa é a sala de recriação dos vampiros jovens. — Set adentrou o local olhando em volta, na TV tinha um jogo de corrida pausado, no local onde estava os computadores uma garota de cabelos dourados estava de costas.
No sofá algo caiu fazendo Katy arquear uma sobrancelha e logo o grito da garota de cabelos dourados xingando o vazio do sofá.
— Aquele no sofá é o Rain, é um original do poder da invisibilidade. — sussurrou Set perto do ouvido de Katy.
A loba olhou de novo para o sofá onde um vampiro adolescente apareceu, tinha cabelos negros e olhos escuros, ele ria da vampira que tirava um inseto de perto dela. Os dois vampiros que jogavam sinuca balançaram a cabeça desaprovando o ato.
— Aqueles dois são irmãos, Rael e Bryan. — Apresentou Set fazendo Bryan assentir sorridente para Katy.
Já Rael não se virou para olha-la nos olhos.
A loba apenas o fitava, ele parecia familiar... Set começou a caminhar em direção a garota loira se abaixando pegando o inseto morto; era um gafanhoto verde. A vampira se encolheu perto de Set com medo de seus atos, mas no minuto seguinte Set não estava mais em sua frente, e sim segurando o pescoço do vampiro que colocou o bicho ali.
— A próxima vez que pegar você com suas "brincadeirinhas" será um vampiro morto. — Set rosnou mostrando a presa. — Se quiser brincar me chame acho que tenho um amigo certo para você. — Riu Set friamente.
O vampiro foi solto. Rael riu baixinho da situação do outro.
Katy semicerrou os olhos cruzando os braços enquanto Set esmagava os restos do inseto colocando no lixo perto do barman que se encolheu de medo. A reputação dele era realmente verdadeira, o vampiro matador, o monstro.
A loba seguiu com seus olhos Rael que se virou para pegar uma bolinha que saiu da mesa; a loba arregalou os olhos vendo o tamanho de sua semelhança, porém, antes de abrir a boca para falar algo Set se aproximou para irem embora.
— Por que aquela garota ficou te olhando? — perguntou Bryan olhando para o irmão que se levantava com a bolina, o mesmo nem percebera isso.
Apenas deu de ombros.
— Você deveria se perguntar por que uma garota do clã da lua está aqui, não por que ela estava me observando. — disse Rael sem emoção em sua voz.
Bryan suspirou balançando a cabeça.
— Se ela está aqui dentro deve ter autorização do rei ou do irmão dele. Não devemos nos meter. — Rael nada disse apenas olhou novamente em direção à porta. — Agora vamos jogar.
Katy parou perto de uma janela olhando para fora, Set fez o mesmo ato fitando para trás e logo depois para onde ela olhava. Logo atrás daquela vasta extensão de árvores estava o reino dos lobisomens, o seu reino. O que ela fazia ali?
— Aconteceu alguma coisa? — perguntara Set.
Katy apenas negou com a cabeça, realmente não tinha nenhum problema? Talvez devesse ter pelo menos um... A mesma suspirou voltando a olhar para Set que a observava. Analisando as feições do vampiro enquanto a luz do sol o deixava nada parecido com o "apelido" que ganhara; monstro. Set tinha a expressão calma e tranquila, um sorriso delicado nos lábios, a claridade deixava seus olhos mais claros ainda, seus cabelos que passava dos ombros agora ajudava em sua expressão deixando-o mais... Angelical.
Katy sorriu de leve sentindo alguma coisa, era como sentira minutos antes com o rei vampiro, algo estava mexendo com ela... Algo estava mudando, não só a profecia... Os sentimentos de todos.
— Posso perguntar uma coisa? — Katy piscou não sabendo por que falara aquilo...
Voltando com a postura de "durona" dela continuou o olhando mesmo sentindo a proximidade do mesmo. Ele assentiu não sabendo o que ela iria perguntar.
Katy desviou o olhar pensando em algo que podia perguntar, a mesma deixava sua cabeça trabalhar a milhão tentando achar algo... Precisava achar algo ou teria que falar a verdade, Um lobisomem poderia ter sentimentos por um vampiro? Que idiota ela seria... A mesma pensou no vampiro que vira na sala de recriação e sua semelhança.
— Aquele vampiro chamado Rael, ele me pareceu parecido... Com você. — disse ela ainda com os olhos desviados dos deles. — Ele é seu filho? Você é casado?
Set começou a gargalhar alto, fazendo Katy o analisar com os olhos arregalados.
— Não precisa responder se...
— É claro que ele não é meu filho! — Interrompeu. — Rael é um filho de Alma uma vampira original.
Katy suspirou revirando os olhos.
— Quero saber quem é o pai dele! Ele é parecido com você.
— Ele tem olhos verdes esmeralda?
Katy deu de ombros tentando se lembrar da cor dos olhos do vampiro, não pareciam ser verdes... Pareciam ser... Azuis.
— Ele é filho bastardo do rei vampiro. — Set se escorou na janela enquanto Katy piscava processando tudo. — Rael não sabe quem é seu pai pelo trato que fizera com Alma, quando ele completar os 20 anos de vampiro os novatos conheceram o rei e será o dia que Bruce terá poder para decidir sobre a vida de seu filho e seus segredos que escondeu por 17 anos humanos.
— Que família... — falou Katy desviando o olhar.
Set riu.
— Bruce e suas épocas críticas, nem quando eu estava nessa época saia fazendo filhos... — Continuou a falar enquanto fitava o teto se lembrando do passado. — Mas falando do passado, me lembrei de uma coisa...
Katy olhou em sua direção enquanto o vampiro ficava mais sério analisando os olhos castanhos da mesma. O mesmo abriu a boca para falar quando foi interrompido por outro... Ou melhor, por Bruce.
— O que fazem aí?
Set piscou saindo de seus pensamentos. O mesmo olhou para o irmão que analisava a loba. Katy virou o rosto para ele se fazendo de difícil. Bruce arqueou uma sobrancelha não entendo sua expressão.
— Eu já vou, já vi demais. — falou olhando em direção à sala de recriação. — E acho que o papai aí tem mais o que fazer. — diz ela passando por Bruce fazendo o mesmo olhar para Set que deu de ombros sumindo.
— Ele sempre foge... — resmungou ele.
Katy caminhava no corredor rumo à saída que não sabia se iria encontrar, a mesma se virou suspirando irritada.
— Você pode me levar até a saída? Eu ia pedir para Set, mas ele fugiu. — resmungou ela.
Bruce piscou sentindo uma presença no local enquanto a loba sussurrava mais alguma coisa que ele não prestara atenção, seus olhos azuis passaram pelo local enquanto aos poucos aquela presença sumia.
— Vampiro pervertido! — gritou ela fazendo-o olhar em sua direção deixando a presença de lado que sumia. — Vai deixar uma dama achar a saída sozinha? Que cavaleiro, pensei que fosse um rei.
— Você reclama demais, sabia?
— E quero minha revanche, vampiro.
Bruce sorriu divertidamente se aproximando da mesma que deu um passo para trás batendo na parede do corredor. O mesmo se aproximou perto de mais de seu corpo fazendo Katy se arrepiar, ela esperava seu toque, mesmo não conhecendo a sensação queria que ele a tocasse, sentir seus dedos, seu corpo perto do dela. Bruce sorriu ao ver a expressão da loba.
— Eu levarei você até lá. — disse se afastando com um sorriso divertido nos lábios. A mesma piscou ficando irritada com ela mesma, o que ela esperava dele? Era loucura.
Katy o seguiu tirando todos aqueles pensamentos de sua cabeça, precisava esquecê-lo, esquecer-se daqueles dois vampiros...
— Ande Logo. — falou a mesma cruzando os braços. Odiava quando tinha essas sensações... Ele era seu inimigo! Quantas vezes ela tinha que repetir para si?
Inimigos não eram para serem amados e sim exterminados!
Bruce sorria divertidamente vendo a loba ficara vermelha e furiosa com ele. Isso além de ser divertido o fazia ter sensações que ele nunca pensara em ter. Katy voltou a caminhar no corredor seguindo o vampiro que apenas tinha a expressão divertida.
Não olhe para ele, não pensei nele Katy. Ele é seu inimigo...
Katy repetia dentro de sua mente. Não podia ceder aos caprichos daquele vampiro, mesmo que deseja-se até mesmo seu toque, não podia. Era uma loba e ele um vampiro cujo tinham que completar a profecia. Apenas um deveria continuar vivo.
A profecia falará que o quinto rei vampiro seria uma ameaça para toda a dimensão, um vampiro nascido das trevas que ao despertar seria tão poderoso quando ao criador do mundo sobrenatural. Um vampiro com o poder jamais visto. E para isso não acontecer uma loba nascida da luz teria que surgir derrotando-o. Ele será a chave que ela deve quebrar.
Katy suspirou enquanto montava em seu cavalo branco. A mesma olhou de soslaio para o vampiro que mantinha-se um pouco afastado ainda a observando, mas sua expressão era calma e tranquila.
— Posso perguntar algo? — Bruce arqueou uma sobrancelha enquanto assentia. — Você acredita na profecia?
Bruce desviou o olhar, se ele realmente acredita no que sacerdotes de varias raças diziam? Ele nunca gostou de que criassem um destino, os seres vivos fazem seu futuro e destino...
— Não. — Katy piscou olhando em sua direção. — Os seres vivos que criam seu destino, não a profecia. Eu acredito nisso. — O mesmo levou a mão até o peito segurando sua camisa negra. — Eu não nasci com um destino feito, e eu criarei meu próprio. Você não acredita que você deve fazer seus objetivos e trilhar o destino que quer?
Katy apenas desviou o olhar não sabendo o que responder, ela nunca pensara nisso. Desde pequena foi colocada num campo de batalha para aprender a sobreviver e lutar. Você apenas sairia de uma luta morto. Era o único jeito. O destino nada mudava.
Ela sempre acreditou que se completasse a profecia poderia ser livre. Ser livre seria escolher um caminho e um destino novo? E daquele que teria que tirar a vida, não poderia ver seu futuro? A loba fechou brevemente os olhos não sabendo o que deveria responder.
— Eu não sei. — disse fazendo seu cavalo prosseguir saindo correndo pelas ruas.
— Mas eu sei. — Bruce sorriu fitando o céu azul. — Que nós trilharemos nosso próprio caminha formando um novo destino, pequena loba.
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