Sombras e Seus Humanos
3 Capítulo 3
Chegando em casa, Ciel foi tomar banho.
Seu apartamento era pequeno e simples. Sua sala era dividida pela cozinha. Havia um sofá de três lugares feito de tecido, com formas e listras, marrom claro, mas que agora estava desbotado com o tempo, pois pertencera aos seus pais. Sua TV ficava na frente, em cima de livros velhos usados como estante. Sua cozinha dividia com balcões, com uma pia, uma geladeira de 1987 e um fogão um pouco mais velho. Seu quarto tinha uma cama de casal, com um dos pés quebrado ao meio, com mais livros para tomar lugar, um armário com roupas bagunçadas, e uma estante com mais livros. Havia um banheiro, um espaço para lavanderia, mas que não havia nada além de uma pia, e um quarto de hóspedes, que tinha um sofá-cama, um pequeno armário bege com cupins e um quadro com uma paisagem verde, um riacho e um céu azul.
Enquanto o garoto tomava banho, Lady Yuki olhava a casa mais detalhadamente. Arrumou o quarto de Ciel, a cozinha, que já havia sido desarrumada novamente, a sala, o quarto dos hóspedes, e fora a lavanderia.
Ciel não notou o que estava acontecendo, quando Lady Yuki apareceu na pequena janela do Box que dava para a lavanderia:
-Ciel, onde ponho isto? – A Sombra mostrou um pano velho.
-Ponha no AAAAAAAAAH! – Ciel gritou, puxando rapidamente a toalha para esconder suas partes íntimas, escorregando e caindo com a toalha cobrindo seu corpo inteiro.
-Ciel! Você está bem? – Lady Yuki perguntou apavorada, correndo para a porta do banheiro.
-Não precisa se preocupar, Lady Yuki, não entre! – Ciel gritou, querendo impedir que Lady Yuki não entrasse.
-Ah, desculpe, esqueci da mania que vocês humanos tem de esconder as partes intimas – Riu Lady Yuki – Juro que não vi nada.
-O quê, vocês, Sombras, não tem vergonha de mostrar o corpo?
-Sim, todos têm – cantarolou Lady Yuki, com sua voz doce.
-Então por que disse isso?
-Isso o quê?
-Nada, esquece. – Grunhiu Ciel, sem vontade de continuar a conversa.
Mais tarde, Lady Yuki deu a idéia de cozinhar para Ciel, mas ele preferiu chamar alguma coisa, para não precisar comer nada queimado.
-Mas eu cozinho para meu Ciel!
-Não precisa passar esse trabalho, eu chamo uma pizza.
-Eu nunca comi uma pizza...
-Vocês não comem?
-Claro que sim, mas só carne de uns animais e plantas que existem lá. Nada de pizza, fast food ou outras coisas do tipo que vocês humanos adoram comer, estragando seu corpo e até suas mentes. Mas há uma coisa que amamos comer que só vocês humanos têm.
-E o que é?
-Almas... –Lady Yuki terminou, fazendo os pelos da nuca de Ciel se arrepiarem.
-Ah...
-Não se preocupe, tão cedo não comerei a sua! – Cantarolou mais uma vez a garota, sem notar o pavor de Ciel.
Depois de comerem a pizza (sendo devorado mais do que a metade por Lady Yuki), os dois resolveram dormir.
Ciel não conseguiu convencê-la de dormir em sua cama, então a garota dormiu no quarto dos hóspedes.
-Tem certeza de que quer dormir aqui? Minha cama é maior, você certamente nunca conheceu um sofá cama.
-Pois é exatamente por isso que eu vou dormir aqui. Meu sonho é testar uma engenhoca como essa. Aliás, no meu mundo a coisa mais sagrada que existe é a cama. Nunca, ninguém pode deixar outra pessoa dormir na sua. O sono, pra nós, é a hora mais pura do dia é quando nós dormimos. Então trate de ir para a sua caminha, e deixe de frescura.
Ciel nunca gostou de dormir fora de sua cama, tendo até pesadelos as vezes. Mas deixar uma garota bonita como aquela dormir em um sofá cama era desonra total para ele. Mas como não era pessoa de insistir na teimosia, acabou cedendo.
No dia seguinte, fora acordado pelo cheiro de queimado novamente.
Levantou-se correndo, vendo que Lady Yuki havia novamente torrado seu café da manhã.
-Ciel! Estava tentando torrar essas torradas, mas não consegui deixá-las douradas como vocês gostam, apesar de estar torrada como o nome, sei que vocês não gostam assim...
-Não tem problema, eu como mesmo assim.
-Ah, já sei o que farei! Vi uma vez a mãe de seu amigo fazer para vocês quando você dormiu lá.
-O quê seria? – Ciel perguntava para as costas de Lady Yuki, que estava virada já, procurando coisas na geladeira.
Ciel, curioso, mal via o que ela estava fazendo, pois não se virou até que havia terminado.
Alcançou-lhe uma taça com sorvete, leite e frutas, coberto de chantili e com raspas de chocolate.
-Mas isso foi a mãe de Ichirou que fez para nós quando tínhamos 11 anos!
-Te observo desde os 9, bobinho.
Maravilhado, Ciel limpou a taça e foi para o colégio.
Lady Yuki foi junto, feliz da vida, mas quando chegaram, um amigo de Ciel perguntou para o garoto quem era ela, sendo seguido de mais 4 meninos, todos espantados pela beleza dela.
Não entendendo nada, Ciel a puxou para um canto da escola, perguntando o que acontecera.
-Você não tinha dito que todas as pessoas não enxergavam você, a menos que tivessem sido oferecidos pelo pacto?
-Hehehe, mas agora eles nos vêem. – Riu Lady Yuki, nenhum pouco assustada.
-Como assim!? Por quê? – Ciel apavorado perguntou.
-Não era só nós que te enxergava?
-Quieto, Ichirou, ou nos escutam! – Makino e Ichirou aparecendo, querendo saber o que acontecera.
-Ichirou! –Gritou Lady Yuki, pulando com os braços abertos para abraçar Ichirou.
-Lady Yuki, não é hora de abraçar os outros, temos que resolver isso! – Ciel arrancou a garota de Ichirou, logo após ser agarrado por ela da mesma forma.
-O que faremos? – Ichirou perguntou curioso.
-Garota, você terá que esperar ao lado de fora da escola. – sugeriu Makino.
-É Lady Yuki. – Lady Yuki xingou.
-Não dá pra ser só seu nome?
-Só Ciel pode me chamar assim.
-Por quê? – Reclamou a garota.
-Porque sim. Ele pode me chamar do que quiser. Até de docinho de coco eu aceito. – sorriu Lady Yuki, feliz.
-Isso não interessa. O que faremos com você, Lady Yuki!
-Ah, isso não tem problema, eu sei o quê fazer. – Lady Yuki sorriu mais uma vez, sem desgrudar de Ciel.
-E o que será?
-Se-gre-do. – Lady Yuki não parava de sorrir.
-Diga! – Pediu Makino.
-Não.
-Conte! – Suplicou Ichirou.
-Não. – Lady Yuki não queria contar de jeito nenhum, até que foi a vez de Ciel pedir:
-Lady Yuki, por mim, nos conte o que fará.
Ela não resistiu:
-Está bem. Observem.
Lady Yuki pediu, quando brilhou, e todos viram, a garota não estava mais lá, e sim um gato.
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