Sombras do Passado
41 Verdadeiramente - Capítulo Final - Parte 2 (+18)
Notas iniciais

***
Federico despertou com os movimentos de Cristina no quarto. Ela estava se arrumando. Ele se sentou na cama e ficou observando-a na penteadeira enquanto ela colocava os brincos e dava alguns retoques na maquiagem. Por último, ela penteou os cabelos. Federico não se moveu e nem disse nada. Apenas olhava-a embasbacado. Cristina percebeu que ele a observava pelo espelho e sorriu:
_ O que é que você tanto olha?
_ Estou admirando a beleza da minha mulher. Eu não posso? – ele indagou.
_ Seu bobo. – Ela respondeu sorrindo. – Eu fico encabulada com você me olhando assim.
_ Então, depois de tanto tempo você ainda tem inibições comigo? – ele indagou.
_ Não é isso. Quero dizer... – virou-se para ele – Não sei bem. É que você me olhando desse jeito, sei lá, você me come com os olhos, me deixa...
_ Te deixo como? – ele disse tirando o lençol que o cobria, levantando-se e se aproximando dela, sentando-se na poltrona ao lado da penteadeira.
_ Me deixa inquieta, perturbada. Seus olhos... seus olhos, Federico. Eles sempre fizeram efeito em mim, mesmo quando eu não sabia que estava apaixonada por você.
_ Hum... – Ele disse tocado. – Me fale mais sobre isso. – deslizou os dedos pelo rosto dela.
_ Uma vez, quando eu ainda estava tão intransigente com você, acho que estávamos casados há dois meses. Eu não queria falar com Carlota, não queria contato com ela, ela ligou e você se ofereceu para tratar dos assuntos da fazenda com ela para mim. Você se lembra? – ela levantou os olhos, encarando-o.
_ Claro. Eu quase te... – ele recordou.
_ Você quase me beijou e eu fugi. Mas naquele dia, naquele dia eu me dei conta que seus olhos seriam minha debilidade. Eu nunca tinha notado o quanto eles eram bonitos. Nunca consegui não reagir ao perceber seus olhos sobre mim.
Ele baixou os olhos. A insegurança voltou a pairar sobre ele, Cristina sentiu. Ela então tomou as duas mãos de Federico entre as dela e, acariciando-as, fez com que ele reagisse e levantasse os olhos em direção aos dela.
_ Eu te amo, Federico! Te amo como nunca pensei amar nessa vida. E o único olhar que eu não quero seu para mim é o de desconfiança. Confie em mim! Confie em você! Confie no trabalho que você fez. Você se lembra quando prometeu que iria me conquistar?
_ Sim. – ele respondeu levemente emocionado.
_ Qualquer outro teria desistido porque eu fui uma idiota... Mas você me fez descobrir que o amor é muito mais do que ilusões, sonhos e planos. Você me fez descobrir que o amor é realidade, o dia-a-dia, a vibração de encontrar seu olhar cada vez que eu preciso.
Federico, emocionado, acariciou o rosto de Cristina e, ajoelhando-se na frente dela ficando, durante alguns segundos, olhando-a nos olhos como ela acabava de confessar-lhe que tanto a afetava. Ele segurou levemente o rosto dela junto ao seu e envolveu sua boca em um beijo cheio de paixão, medo, ciúmes... amor intenso. Cristina sentiu todos esses sentimentos nesse beijo e, levando as mãos aos ombros dele, correspondeu àquele beijo tão significativo, descendo da cadeira e ajoelhando-se também junto dele.
Com a mão esquerda ele puxou as costas dela para junto de si e deslizava a direita pela parte superior de suas costas, por seus cabelos, desgrenhando-os. As bocas se moviam com aflição, paixão, calor e entrega. Os olhos fechados faziam com que essas sensações fossem mais significativas e provocassem reações em todas as partes dos corpos de ambos. Lentamente foram parando de se beijar, mas Cristina não pôde se afastar de Federico e o abraçou bem forte. Ele também a abraçou e, sem poder evitar, viu uma lágrima escorrer por seus olhos.
_ Eu amo você, Cristina! Amo você, por isso sinto ciúmes, não quero te perder.
Ela se afastou e acariciando o rosto dele disse com os olhos brilhando de paixão:
_ Você nunca vai me perder. Eu não te deixo ir. – beijou-o no rosto de leve. – Oh, meu Deus. Seu pé, Federico, vem! – ela disse levantando-se e ajudando-o.
_ Não se preocupe. Ele se levantou quase sem dificuldades. – Já está bem.
_ Não, o médico disse que é preciso cuidados com ele por pelo menos 15 dias. – ajudou-o a se sentar na poltrona.
_ Estou achando que isso é desculpa sua. – ele brincou.
_ Para quê? – ela disse sentando-se no braço da poltrona, ao lado dele.
_ Para ficar cuidando de mim.
_ Qual o problema se for isso? – ela disse beijando-o.
_ Nenhum. – ele respondeu voltando a beijá-la apaixonado.
_ Eu tenho que ir. – ela disse se afastando com certo pesar.
_ Você vai falar com Hernán? – ele indagou com a mão na cintura dela já sabendo a resposta.
_ Sim. Amanda e eu vamos falar com ele.
Com a mão direita, ele segurou a mão esquerda dela. Levou à boca, deu um beijo terno e disse sorrindo.
_ Volte logo para casa. Te garanto que temos coisas muito interessantes para fazer aqui.
_ Voltarei porque é o lugar onde eu mais quero estar. Em nossa casa, com você.
***
_ Eu já vim aqui com Carlos. Essa é a sala dele. – disse Amanda apontando uma das salas da universidade apreensiva.
_ Ele está aí agora? – indagou Cristina.
_ Acho que sim. Carlos me disse que hoje ele só tem aulas à tarde.
_ Está pronta, filha.
_ Sim... mamãe! – disse a palavra com um sorriso de satisfação no rosto
Cristina bateu à porta e rapidamente a porta se abriu. Hernán ficou com uma expressão de surpresa ao ver as duas.
_ Cristina, Amanda... Entrem. Que bonita visita. – ele disse fechando a porta após elas.
_ Eu imagino que você esteja surpreso, mas é que temos uma coisa importante para te dizer. – disse Cristina.
Amanda já o olhava com alguma emoção. E Cristina, olhando os dois na mesma sala, chegou à uma conclusão que não havia percebido antes: os dois eram fisicamente parecidos. Tinham os olhos da mesma cor, os cabelos, o tom da pele. Deus! A verdade sempre esteve frente à ela e ela não se deu conta. Ele sentou-se na cadeira atrás da mesa e fechou o livro que estava lendo colocando-o na estante ao lado.
_ O que é que essas duas belas damas têm à me dizer? – disse com um sorriso simpático.
_ Você tinha que ser o primeiro a saber. Eu te prometi isso ontem, não? – começou Cristina.
_ Me prometeu ontem... – ele recordou. – Você está me dizendo que...
_ Sim, Hernán! – disse Cristina se levantando e dando alguns passos pela sala.
Ele se levantou também e caminhou até próximo dela ficando frente a frente. Amanda os observava.
_ Sim, Hernán! Eu encontrei nossa filha. – disse emocionada.
A surpresa tomou conta totalmente do rosto dele, a emoção com aquela notícia que sempre esperou desde que Cristina lhe contou que aquele amor que foi tão importante e bonito na vida dele havia rendido um fruto.
_ E onde ela está? – fitou-a com algum desespero no olhar.
_ Aqui! – desviou o olhar para Amanda. – Eu a trouxe comigo.
_ Amanda? – ele indagou incrédulo.
_ Amanda! – ela confirmou.
_ Meu Deus! – ele disse com um soluço. – Carlota foi muito cruel.
Amanda levantou-se e encarou a um Hernán que não se recuperava da incredulidade.
_ Muito cruel. Cruel com nós três.
Hernán se aproximou dela e acariciou seu rosto angelical emocionado.
_ Minha filha? Minha filha! Nossa filha, Cristina. – voltou-se para Cristina que se emocionou também.
_ Nossa filha!
Os dois se lançaram em um abraço que esperou 18 anos por acontecer, cheio de carinho, ternura e, sobretudo, muita emoção. Cristina não pôde evitar se comover observando aquela cena. De alguma maneira, parecia que tudo agora estava em seu devido lugar, como sempre devia ter estado. Hernán se afastou e com os olhos cheios de lágrimas disse ajeitando os cabelos de Amanda que, inevitavelmente, também se emocionou:
_ É maravilhoso saber que se tem uma filha. Que há alguém que é como uma continuação de você no mundo.
_ É maravilhoso saber que se tem um pai. – ela disse enxugando o rosto. – No meu caso dois. Porque meu pai Luciano é uma pessoa maravilhosa.
_ Maravilhosa! – concordou Cristina segurando a mão de Amanda. – Se não fosse por ele – voltou-se para Hernán. – jamais saberíamos a verdade.
_ Foi ele quem contou? – Hernán indagou enxugando seu rosto procurando se recompor.
_ Foi ele quem descobriu e, imediatamente, disse a verdade a Federico e a Amanda além de deixar Carlota. – recordou Cristina.
_ Carlota! – repetiu Hernán com ódio.
_ Eu vou denunciá-la à polícia. Se ainda houver algum encargo judicial quanto à esse crime, ela vai pagar. – disse Cristina observando como Amanda baixou os olhos.
_ É o que tem que ser feito. O que ela fez não pode ficar impune.
A jovem se afastou um pouco dos dois e suspirou. Eles a observaram.
_ Te dói o que possa acontecer com ela, filha? – indagou Cristina.
_ Ela esteve muito tempo “no lugar” da minha mãe, que não era o dela. – disse Amanda voltando-se para os dois. – Mas nunca foi uma mãe de verdade. Se ela tem que pagar judicialmente pelo que fez, pois que pague! – sentenciou.
_ Sim! Ela só vai pagar pelo que fez. Nada além disso! – disse Cristina. – A mim também afeta o que possa acontecer à ela. Seja o que seja, ela é minha irmã. Mas seu caminho, ela mesma traçou. Agora mesmo vou à delegacia.
_ Eu vou com você tia... quero dizer... – Amanda ficou sem graça.
_ Isso não é de uma hora para outra, filha. Não se preocupe. – Disse Cristina. – Não precisa ir comigo. Fique com Hernán e eu sei que você quer conversar com Carlos.
_ Sim! – ela disse.
_ Isso eu tenho que fazer sozinha.
_ Eu adoraria te acompanhar, mas tenho uma aula agora. – disse Hernán. – Também tenho muito ainda que falar com “minha filha” e estou vendo que você quer mesmo fazer isso sozinha.
_ Sim! – disse Cristina decidida. – E logo voltarei à fazenda, Federico ainda não está completamente bem do pé e ele se preocupa por causa do bebê.
_ Sim! Cuide bem do meu irmãozinho. – disse Amanda abraçando-a e beijando-a no rosto.
_ E vocês dois, desfrutem esse momento que só começa. – dirigiu-se ao ex-namorado e à filha.
_ E que é maravilhoso. – disse Hernán segurando a mão de Amanda. – Obrigada Cristina.
_ Pelo quê? – ela indagou sem entender.
_ Por ter me feito pai e por haver cumprido a promessa que me fez, de que eu seria o primeiro a saber.
_ Era o correto. – ela disse sorrindo. – Bom dia. – despediu-se.
Cristina saiu dali com uma agradável sensação de dever cumprido. Finalmente havia colocado frente à frente pai e filha. Na delegacia, fez a denúncia contra a irmã e não pôde saber que tipo de punições ela sofreria porque tudo dependia das conclusões das investigações. E assim, dirigiu-se para casa com uma sensação de dever cumprido. Mas sabia que tinha que enfrentar à irmã. Mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, não poderia fugir. Por isso, decidiu, antes de ir para casa, tomar um tempo na cachoeira, aquele lugar que tanto significado teve em sua vida.
***
A tarde estava quente e ao tocar a mão na água Cristina sentiu que a temperatura era agradável. Por que não um mergulho? Aquele rio que tantas vezes tinha lhe ajudado a lavar a alma, cujas águas abundantes e límpidas podiam levar tudo que ela queria deixar para trás de uma vida tão pesada. Nesse momento ela já não contabilizava perdas porque, mesmo que elas tenham sido muito fortes na sua adolescência e a falta da filha a tenha acompanhado por 18 anos, ela sabia que agora estava com saldo positivo. Tinha um bom casamento, estava esperando um filho e, apesar das adversidades que havia tido que enfrentar, a gravidez seguia bem e o bebê se desenvolvendo de forma saudável.
A insegurança que havia sentido em Federico no dia anterior havia desaparecido quase completamente pela manhã e Amanda e Hernán conseguiriam se entender muito bem, ela pôde sentir. Mas havia pendente o acerto de contas com a irmã. Não podiam escapar dele. E ainda havia outras coisas. Coisas que não permitiam que ela seguisse tranquila. E um banho de rio com certeza lhe faria bem, lhe ajudaria a seguir seu difícil caminho. Rapidamente ela tirou quase todas as suas roupas e, apenas de lingerie, se jogou naquelas águas e começou a nadar. Deslizava pela água com suavidade, como se realmente aquelas águas tivessem o poder de apagar tudo o que ainda lhe consumia.
Depois de alguns minutos nadando, sentindo a água e a paz da natureza, de repente, foi tomada por uma sensação estranha. Sentiu-se observada, teve medo de quem pudesse estar ali, de que alguém a machucasse, recordou que estava grávida. Afastou-se em direção às pedras que lhe davam segurança e com o os olhos procurou vestígios de que alguém estivesse ali naquele lugar que quase só ela costumava frequentar. Olhou bem para vários lugares da mata e não viu ninguém. Mas o medo e aquela sensação de estar sendo observada não desaparecia. Estava quase decidida a sair da água quando percebeu que alguém se aproximava à cavalo da direção da sede da fazenda. Logo reconheceu o animal e, mais de perto, quem o montava. Era Federico. Sentiu um grande alívio ao ver ali o marido.
_ Ai, Federico é você. Me assustou. – ela disse bem alto para que ele pudesse escutar da margem.
_ Eu pressenti que você estava aqui. – ele contou. – Tinha que falar com você e algo me dizia que você já tinha voltado. – disse descendo do cavalo e Cristina observou como ele apoiou o pé no chão.
_ Você não devia estar fora de casa, cavalgando e muito menos apoiando esse pé no chão. – Federico já tirava suas roupas para acompanhá-la no rio.
_ Meu pé já está bem. Estou tomando os remédios, já quase não dói. E você não devia grávida e sozinha estar nadando aí quase sem roupas. Então estamos empatados.
_ Somos dois impulsivos, não? – disse Cristina.
_ Sim! – ele confirmou tirando a última peça de roupa.
_ Federico! – ela o censurou. – Por que você está tirando até a cueca?
_ Prefiro nadar sem roupas! – ele disse pulando na água e nadando na direção dela. – Eu sei bem porque você gosta de vir aqui... – encurralou-a malicioso.
_ Ah sim? – ela indagou apoiando seus braços nos ombros dele. – E porque é, senhor sabe tudo?
Ele deslizou a língua pelo rosto dela alcançando maliciosamente a boca mordiscando-a enquanto subia e descia as mãos pela cintura dela provocando arrepios e uma grande excitação em Cristina:
_ Porque você recorda do prazer que eu te dei aqui. – disse encarando os olhos dela sem parar de deslizar as mãos pelo corpo dela.
Cristina nem sequer conseguia responder, pois, imediatamente, ficou muito excitada. Sentiu quando ele deteve as mãos com força nas nádegas dela e pressionou o quadril dela contra a pedra e, na frente, contra a masculinidade dele, ereta.
_ Hum! – disse Cristina ao sentir seu membro tocar em sua feminilidade e a languidez percorrer todo seu corpo. – Você não disse que queria conversar comigo? – disse com dificuldade. – Por isso veio me procurar aqui?
_ Não estou com pressa. – ele disse beijando-a calidamente. – Isso é mais importante.
Todo o calor da paixão que incandescia entre Federico e Cristina pode ser sentido naquele beijo. O desejo que o corpo dele e o dela evidenciaram ao primeiro contato ou até mesmo com as lembranças do que um dia tinha acontecido nas pedras daquela cachoeira, nas águas daquele rio, ficava ainda mais intenso com a voracidade daquele ósculo que se davam como se nunca tivessem se beijado e como se precisassem fazê-lo ininterruptamente para sempre.
Federico ainda não tinha penetrado Cristina e só com o toque dele, o deslizar de suas mãos por todo seu corpo que faziam-na sentir inteiramente desejada, o modo como ele resvalava seu membro em sua feminilidade, o lambear dos lábios dele nos dela, a dança de suas línguas acopladas deixavam Cristina lânguida, entregue, ela não conseguia dissimular, o prazer que Federico lhe dava era incontrolável.
Ela só conseguiu agarrar-se ao pescoço dele com toda a força e, por vezes, deslizar suas mãos pelas costas do homem que lhe despertava uma paixão tão intensa marcando-o com suas unhas sem sequer perceber. Ela já gemia. Sempre que ele parava de beijá-la podia sentir o reflexo do prazer que o corpo dela sentia nos sons e também no descontrole do corpo dela que se arqueava e não obedecia ao controle dela que, aliás, não existia em contato com a pele de Federico, não com aquele contato.
Federico deu uma pausa e ficou olhando o rosto dela com a cabeça pressionada naquela grande pedra que, pela segunda vez, assistia a um momento de paixão dos dois e quase podia ser a terceira. Ele desfrutava de ver o rosto dela com a expressão alterada, tudo fruto dos beijos, das mãos dele deslizando por sua pele e de seu membro brincando com sua pérola que já gritava por recebê-lo. Ele também sentia o reflexo daquelas carícias, não podia resistir muito tempo mais sem senti-la completamente, sem a explosiva e, ao mesmo tempo, suave, sensação de sentir-se dentro dela.
Afastou a alça do sutiã dela e, com a mesma avidez de desde o princípio, envolveu todo o seu seio direito com a mão fazendo movimentos circulares com o polegar antes de descer a boca ali e brincar com sua língua durante algum tempo. O prazer de Cristina se multiplicou, a sensibilidade de seu seio estava mais ouriçada pela gravidez, quase gritou de prazer agarrando suas mãos nos ombros de Federico com os olhos fechados. Ele desfrutou perceber que lhe deixava tão excitada sem nem sequer havê-la penetrado ainda.
_ Vem amor, eu quero você dentro de mim. – implorou Cristina ofegante entre gemidos.
_ Você quer? – ele indagou vaidoso.
_ Quero agora! – ela abriu os olhos encarando-o.
Ao sentir a paixão de Cristina ele cuidadosamente afastou sua calcinha e encaixou seu membro começando leves incursões. A penetração era mais complicada no início por estarem, em parte, imersos na água do rio, mas a excitação provocada pela troca de carícias de segundos antes ajudava com que a umidade da feminilidade dela permitisse que movimentos pudessem lhes dar tanto prazer quanto seus corpos, e por que não dizer suas almas, pediam.
Cristina sentiu quando ele afastou ainda mais sua perna esquerda e intensificou os movimentos na mesma proporção em que ela intensificou os gemidos de prazer. Logo, ela mesma acoplou suas pernas no quadril dele e ele agarrou-a com as mãos enquanto seguia o ritmo dos movimentos que exalavam o som da água e dos gemidos de Cristina subindo as mãos pelas costas dela mesclando seus dedos com os cabelos dela pela nuca, apoiando a cabeça dela que se projetava para trás pelo prazer que seu corpo experimentava. Às vezes ele diminua a marcha dos movimentos e mordiscava o queixo dela, ou beijava-a, mas ela tinha dificuldade em corresponde-lo pela ação do prazer. Todo o mundo à sua volta já havia desaparecido, Cristina se esqueceu da sensação de que alguém a observava e ele do assunto realmente importante que havia ido falar com ela. Amarem-se imediatamente, essa era, agora a urgência de ambos.
Cristina já perdia as forças por tanto prazer, desprezou as pernas sem conseguir mantê-las encaixadas no quadril de Federico e agarrou-se em seu pescoço com os braços mantendo a cabeça junto dele, mas ele não diminuiu o ritmo dos movimentos até que ela gritou mais de uma vez ao atingir um orgasmo explosivo como jamais havia sentido. Ele ainda lhe penetrava de leve, mas ela estava desesperada com aquela sensação tão extasiante que deixava descargas de prazer por todo o seu corpo.
O sexo com Federico era excepcional, ela não podia negar, não queria, ela sabia. Ele regalou quase no mesmo momento com os movimentos leves que permaneceu fazendo durante seu orgasmo e os dois se abraçaram ofegantes e satisfeitos por saberem que a paixão estava não só viva, mas impetuosa dentro de ambos. Depois de alguns segundos Federico se afastou e olhou o rosto de Cristina que era uma completa representação da volúpia apaixonada dos dois: suado, molhado pela água, os cabelos grudados no rosto:
_ Eu te amo! – ele disse. – Te amo e confio em você. – declarou-se tentando apagar o vestígio de insegurança que deixou nela no dia anterior.
_ Eu também te amo. Você, e só você, é o homem da minha vida. – ela respondeu muito ofegante dando-lhe selinhos que ele transformou em um beijo quente voltando a deslizar as mãos pelo corpo dela.
_ E você a única. A única mulher da minha vida. – tirou os cabelos do rosto dela ternamente para poder ter uma visão melhor do rosto de Cristina.
***
Depois de alguns minutos se recuperaram do maravilhoso cansaço da paixão, mas não conseguiam sair da água, desfrutavam muito estar juntos e aquele momento que selou completamente as pazes entre os dois. Parados ali, próximos daquela mesma pedra, conversavam em um clima de muita ternura entre carinhos e beijos.
_ O que é que você queria falar comigo? – ela indagou.
_ Nada! – brincou ele. – O que fizemos aqui foi muito melhor.
_ Anda, fale! Eu percebi que deve ser coisa séria.
_ Eu queria dizer que não, mas é sim, meu amor. Paulina esteve na fazenda. Queria falar com você, mas como você não estava, falou comigo.
_ Aconteceu alguma coisa com Aninha? Raquel voltou? – assustou-se Cristina.
_ Não para a primeira pergunta, a menina está bem, só assustada.
_ Por quê?
_ Porque acha que viu Raquel aqui na fazenda. – disse Federico.
_ Aqui? – assustou-se Cristina. – E você só me diz isso depois que nós fazemos amor aqui? – ela censurou-o.
_ Eu sabia que se eu te contasse você não ia querer. E eu queria muito. – disse como um menino apaixonado.
_ E você acha que eu resistiria à você? – ela respondeu sorrindo. – Eu já te disse como funciona meu corpo depois de ter contato com você. Já te contei que não posso lidar com a paixão que você provoca em mim.
_ É a mesma que você provoca em mim, meu amor. – ele disse beijando-a apaixonado.
_ Mas não devíamos, Federico. É perigoso. – Cristina racionalizou. – Se ela já estava transtornada antes, imagina agora que não tem nada à perder? Ela saiu do Vale do Éden com a certeza de que você estava morto e... Você já imaginou o que ela faria se nos vê aqui, fazendo amor?
_ Provavelmente não reagiria bem. Nós somos muito bons nisso. – disse sussurrando malicioso no ouvido dela. – ouriçando sua orelha com a língua.
_ Você fica brincando, mas sabe que é sério. Ela está disposta à tudo. Já estava naquela ocasião, imagina agora?
_ Bom, não podemos ter certeza se é verdade. Ninguém além de Aninha viu ou comentou nada e eu coloquei os peões de prontidão, pedi à José Maria que mande alguns darem uma volta na fazenda, procurando. Pode ser verdade como também pode ser uma fantasia da pequena, o que seria compreensível depois de tudo o que ela passou nas mãos de Raquel. Ela pode ter imaginado.
_ Mas não podemos desprezar a palavra dela. Não em um momento como esse. Vem, vamos para casa, é mais seguro. – disse Cristina.
_ Eu já chamei a polícia. Falei com eles e eles foram até a casa de Paulina conversar com ela, o marido e a menina. Se Raquel está nessa fazenda, vão encontrá-la! –garantiu Federico.
Os dois saíram do rio e se vestiram. Cristina ficou muito tensa recordando que se sentiu observada. Seria Raquel? Instintivamente colocou as mãos sobre a barriga. Federico a observou e adivinhou o medo dela. Aproximou-se, abraçou-a e acariciou a barriga dela com ternura.
_ Estaremos bem. Os três. Eu, você e nosso filho.
Cristina levantou o olhar e sentiu segurança nas palavras do marido. Sorriu. Beijaram-se de uma maneira tão terna, abençoados pelas águas da cachoeira diante do maravilhoso espetáculo da natureza. Além da natureza um misterioso olhar os observava alguns metros dali atrás de uma grande pedra.
_ “Nosso filho”. – disse a mulher. – Então vocês pensam que vão ter um bebê? – indagou baixinho dando uma gargalhada.
***
A polícia fez buscas na fazenda durante alguns dias. Não encontraram ninguém, porém, isso afugentou a ameaça que pairava sobre o lugar. Na sede da Plantanal, Carlota passou a evitar Cristina. Quase não saía do quarto e recusou-se a falar com Amanda quando ela bateu à porta. Sua covardia a impedia de encarar as pessoas a quem tanto havia prejudicado. A polícia a procurou algumas vezes para falar sobre a denúncia de Cristina, mas ela desdenhou da ação das autoridades. Não havia flagrante e ela sabia que se fosse presa, seria depois do julgamento. E isso levaria algum tempo. Até lá ela conseguiria sua vingança. Não suportava ver Cristina, Federico e Amanda tão felizes.
Três semanas depois, Cristina comemorava a décima semana de gravidez e não cabia em si de felicidade pelo desenvolvimento tão tranquilo de seu bebê. Não demoraria a poder saber o sexo e a ver seu rostinho. Com Amanda e Federico desfrutava a época mais feliz de sua vida. Era como se Carlota não vivesse naquela casa, mas ela não sabia... não sabia que isso era muito perigoso. Que Carlota não temia a cadeia, não temia as punições da vida porque para ela o mais desesperante e angustiante era a felicidade de Cristina. Começou então a traçar um plano que lhe daria o que ela precisava: vingança. Somente esperou a oportunidade certa. E naquela manhã, ela veio.
Federico já estava completamente recuperado e retomou o trabalho como a própria Cristina fazia sempre que era necessário. Amanda começaria naquele dia suas aulas e estaria fora de casa o dia todo. E Vicenta saiu para fazer compras juntamente com Marília. Estavam sozinhas em casa. Quando percebeu que todos haviam saído, Carlota ficou à espreita na sala esperando o momento certo para dar à Cristina o que ela tanto queria: o confronto com ela. Cristina, alheia à seus planos, caiu em sua armadilha. Andava pelo corredor que dava para as escadas no piso superior quando, no limite da escada, lá em cima, deu de cara com Carlota.
_ Olha só quem se dignou a sair do quarto enquanto eu estou em casa. – disse Cristina com cinismo.
_ Não tinha nenhum motivo para fazê-lo antes. – disse Carlota.
_ Hum, e agora você tem?
_ Você não queria tanto “acertar as contas” comigo, Cristina? Aqui estou! – disse com um sarcasmo que fez com que Cristina gelasse.
_ Sim! Antes eu quis muito. – disse Cristina. – Mas sua covardia de fugir sempre, fizeram com que eu perdesse a vontade. Não tenho nada mais para falar com você, Carlota. Deixarei que a justiça “acerte as contas” que você tem que pagar.
_ Você acha mesmo que eu vou acertar contas com a justiça, não é? Como você está enganada, Cristina!
_ E como você vai fugir disso? Assim? Fugindo?
_ Essa denúncia que você fez não vai dar em nada. Eu não devo nada e muito menos para a justiça.
_ Como você ousa falar assim? – indagou Cristina incrédula. – Você realmente acha que o que você fez não é nada?
_ Eu só fiz o que nosso pai pediu! Levei o bebê para uma família que o trataria bem. Com quem melhor para sua filha estar do que comigo? – o sarcasmo era muita provocação para Cristina.
_ Nosso pai morreu semanas depois, Carlota! Semanas! E você não disse nada. – Cristina se alterou. – Nem sequer para seu marido. Você enganou a quatro pessoas. A mim, a Hernán, a Luciano e a Amanda. E, talvez, inclusive a nosso pai!
_ Você pode jogar a culpa toda para cima de mim, Cristina se isso te faz sentir melhor. Mas eu estou dizendo a verdade! Foi meu pai quem decidiu que você não ficaria com sua filha. Por isso eu a levei, como uma filha obediente.
_ Mentira! – gritou Cristina. – Você a tirou de mim por inveja. A mesma inveja que eu vejo nos seus olhos desde que você soube que eu estou grávida. Você não se conforma, não é? Não se conforma de que eu possa ser mãe e você não! Não se conforma de que eu e meu marido nos amemos e que você nunca tenha conhecido o amor! Não se conforma de que Amanda tenha me amado desde o primeiro momento em que colocou os olhos em mim!
_ Isso é o que você pensa. – ela se defendeu, atingida. Ficou de costas pensando que estava quase na hora de executar o que havia planejado. – Você não é feliz, Cristina! Não é feliz! Pouco me importa o que acontece entre você e seu marido e Amanda... – disse com cinismo.
_ Você não sente nada por ela, não é mesmo? Para você ela sempre foi apenas um troféu porque você a tirou de mim. Mas você não conseguiu romper nosso laço de mãe e filha.
_ Amanda não te ama, Cristina. Só se aproximou de você desde o primeiro momento pelo seu dinheiro. E porque era eu quem lhe dava limites e você faz o contrário, foi que ficou tão feliz ao saber que você é a mãe dela. Ela só tem interesse, Cristina, não seja ingênua em pensar que ela te ama.
_ Isso era o que você queria. Mas você sabe que não é verdade. Amanda e eu nos identificamos desde a primeira vez que nos vimos. Dentro de nós, sempre soubemos que éramos mãe e filha. E você... Você continua tão seca como sempre foi. Sem filhos, sem uma vida, sem amor. E, dentro de mim, novamente cresce a vida e é isso que te deixa tão amarga.
_ Você está tão confiante com essa gravidez, não é? Já ouviu dizer que até o terceiro mês é um momento crítico? Tudo pode acontecer.
Cristina sentiu a ameaça e se afastou. Carlota voltou-se para ela e, correndo, a segurou pelo braço fazendo com que Cristina percebesse em seus olhos sua intenção.
_ E se, um acidente acontecesse com você? – fitou-a assustadoramente.
_ Me solta, Carlota! Você está louca!
_ E só agora você se deu conta?
Cristina olhou para trás e viu que a escada estava a centímetros de seu pé. Carlota a mataria. Se não o fizesse, poderia machucar seu bebê. Não teve dúvidas, ela o faria.
_ Carlota, não faça isso! – implorou Cristina lutando desesperadamente para se soltar das mãos de Carlota, mas não conseguia.
_ Esse bebê não vai nascer, Cristina. E você nunca mais vai rir de mim! – afirmou no exato momento em que a empurrou pela escada.
Cristina ainda tentou se segurar no corrimão, mas não conseguiu evitar a queda. Rolou durante longos 7 segundos até que o último impacto se ouviu quando ela parou no chão. Estava desacordada. Do alto, Carlota sorriu sentindo-se triunfante. Se não a matou, o bebê não nasceria. Havia vencido a Cristina! Desceu e tomou as chaves de um dos carros da fazenda, a primeira que encontrou. Percebeu que Vicenta e Marilia estavam chegando, quando elas contassem a Federico ou à Amanda, todos saberiam que havia sido ela. Tinha que fugir. Antes de sair pela porta da frente ainda observou a figura de Cristina desmaiada no pé da escada.
***
Vicenta e Marília, logo que encontraram Cristina chamaram uma ambulância e ligaram para Federico. A polícia foi avisada inclusive do desaparecimento de Carlota. O conflito entre as irmãs era um indício forte demais para ser ignorado agravado pelo desaparecimento de Carlota e que ela tenha ido justamente no carro de Cristina. Claramente estava fugindo. Federico acompanhou Cristina na ambulância, segurando sua mão enquanto ela era atendida pelos paramédicos. Não demorou para que ela recobrasse a consciência e se desse conta do que havia acontecido. Buscando o olhar de Federico, ela indagou desesperada ainda no caminho do hospital:
_ Nosso bebê está bem, Federico, está bem?
_ Fique calma, senhora, nós te estamos cuidando. – disse um dos médicos.
_ Eu estou grávida...
_ Seu marido já nos disse. Fique calma, chegando ao hospital saberemos como está seu bebê e a senhora. Aparentemente o que lhe fez perder a consciência não foi nenhum dos impactos na cabeça que parecem superficiais. Pode ter sido mais o susto.
_ Mas e meu bebê? – ela não conseguia parar de chorar.
_ A senhora precisa ficar calma. Não há indícios de aborto, mas só saberemos como estão os sinais vitais do bebê no hospital.
_ Eu não posso perdê-lo, não quero perdê-lo. – repetia Cristina. – Era essa a intenção de Carlota. Ela queria que eu perdesse nosso bebê, ela queria matá-lo. – disse voltando-se para Federico.
_ A polícia está atrás dela. Vão encontrá-la, meu amor. – disse Federico acariciando a mão dela. – E você e nosso bebê estarão bem. Eu não te prometi? – indagou ele carinhoso tentando acalmá-la. – Você não confia em mim?
_ Confio. Confio inteiramente em você. – ela respirou um pouco mais aliviada.
***
Carlota dirigia descontroladamente pela estrada com intenção de sair da cidade e até mesmo do estado. Apesar de estar em fuga, se sentia triunfante, acreditava ter destruído a irmã. Um pouco antes do limite da cidade de Teapa com a capital Villahermosa ela percebeu um bloqueio policial. Desesperou-se. Sabia que, se parasse, estaria presa, a polícia já devia estar avisada. Entrou em uma estradinha um pouco antes do bloqueio chamando atenção dos policiais que iniciaram uma perseguição à ela. O terreno era íngreme e irregular e ela não conhecia a estrada. Percebeu que a polícia estava atrás dela e que não tinha como voltar. Aumentou a velocidade mesmo sabendo dos riscos que, nesse momento, não lhe importavam.
_ Eu não tenho nada mais a perder. – disse para si mesma.
Dirigindo em alta velocidade, um dos pneus do carro estouraram ao passar em um buraco e o carro capotou várias vezes. Carlota percebeu que ia morrer. Quando as capotagens cessaram, parte do combustível derramado se inflamou e o veículo se incendiou seguido de uma grande explosão enquanto os policiais se aproximavam do carro. Era o fim de Carlota...
***
Amanda, acompanhada de Carlos, chegou ao hospital e encontrou Federico muito ansioso na sala de espera. Ele não conseguia conter a emoção.
_ O que aconteceu, tio? – ela perguntou muito preocupada pela resposta ao ver o estado dele.
_ Carlota a jogou pela escada. – contou Federico. – A culpa foi minha, eu não devia tê-la deixado sozinha com Carlota, eu sabia que ela era perigosa.
_ Meu Deus! – Amanda se preocupou. – E como ela está? Como está meu irmãozinho?
_ Não sei! Ela recobrou a consciência na ambulância, mas estava tão aflita, preocupada com o bebê. Está passando por exames.
_ Tudo ficará bem! – Carlos tentou acalmá-los.
A aflição era o que imperava naquela sala de espera. Depois de alguns minutos foram avisados do que tinha acontecido com Carlota. De certa maneira, sentiram alívio, embora Amanda tenha ficado muito abalada. Enquanto Federico caminhava de um lado para outro em outra parte da sala, Carlos tentava acalmar Amanda.
_ O que foi? Você sente muito o que aconteceu com Carlota? – ele indagou.
_ É inevitável não sentir. Ela não era uma boa pessoa. Me afastou da minha verdadeira mãe, do meu pai, nos mentiu a vida toda, fez tudo para nos separar... Mas durante minha vida toda eu acreditava que ela era minha mãe e agora... Agora acabou. – ela disse levantando os olhos e encarando Carlos.
_ Eu imagino como você se sinta. – ele disse abraçando-a.
– Mas eu estou muito mais preocupada pelo que acontece lá dentro, com Cristina! Ela é minha verdadeira mãe e é com ela que meu coração tem que se preocupar. – enxugou as lágrimas que lhe traíam.
_ Quem deve ficar mal é o seu pai, não? – Carlos recordou Luciano.
_ Sim. – disse Amanda baixando os olhos. – Ninguém amou mais a Carlota do que ele e, apesar de como as coisas se deram, ele deve sentir muito. Mas ela escolheu seu caminho. Ela escolheu a amargura, o ódio o desamor. Se ela quisesse, podia ter tido uma família. Mas escolheu terminar assim: na completa solidão acompanhada apenas de sua inveja.
Um médico apareceu na porta da sala procurando pelos familiares de Cristina. Amanda e Federico se aproximaram.
_ Como ela está? – indagou Federico aflito.
_ Ela está bem. Os exames não apontaram nenhum ferimento grave devido ao impacto da queda. As condições gerais dela são muito boas e ela não corre riscos.
_ E o bebê? – Federico estava muito preocupado.
_ Seu bebê é um guerreiro! – disse o médico sorrindo. – Cristina perdeu a consciência provavelmente por uma queda de pressão que sim pode ser grave para a gestante e para o bebê. Mas não houve riscos maiores. Provavelmente ela lutou muito para proteger o bebê na queda porque nenhum dos impactos, se o atingiram, representou uma consequência grave. Os sinais vitais do bebê estão bem, o líquido da placenta normal e ela não se desprendeu das paredes do útero que era o perigo mais grave.
_ Ela não vai perder o bebê? – indagou Amanda muito feliz.
_ Por isso não! – garantiu o médico. – Ela vai ficar aqui hoje, em observação, amanhã passará por novos exames e poderá ir para casa. Terá que guardar repouso durante alguns dias e se mover com cuidado. Voltar ao hospital com mais frequência para que possamos acompanhar, mas só por precaução, pois, aparentemente Cristina é como qualquer outra grávida que não tenha sofrido uma queda como essas.
_ Oh, meu Deus! Que grande notícia! – disse Amanda emocionada.
_ Podemos vê-la? – indagou Federico.
_ Por favor! Ela está ansiosa por isso. Já a acalmei com os resultados dos exames, mas ela está muito aflita para ver ao marido e à filha.
_ Eu espero aqui. – disse Carlos.
***
_ Meu amor! – Cristina não resistiu ao ver o rosto de Federico adentrando ao quarto. Chorou.
_ Calma Cristina, você não deve se alterar. – pediu Federico.
_ Sim, mamãe, fique calma! – pediu Amanda.
_ Mamãe. – ela repetiu emocionada. – Meu coração se aquece cada vez que você me chama assim.
_ Vai chegar um momento que eu vou chamar sempre. – disse Amanda.
_ Federico, o médico não está mentindo para mim, não é? O bebê está bem, sim?
_ Você e o bebê estão muito bem! – ele disse aliviado beijando-a.
_ Carlota queria nos matar. Eu vi nos olhos dela. – recordou Cristina.
_ Ela não vai mais poder te fazer mal. – disse Amanda um tanto implacável.
_ Ela fugiu? – disse Cristina desentendida.
_ Tentou. – contou Federico. – Fique calma, Cristina, esse foi o destino que ela mesma quis encontrar.
_ Ela morreu? – concluiu Cristina com uma calma impressionante.
_ Sim! – confirmou Amanda segurando uma das mãos de Cristina. – Capotou o carro que explodiu. Não teve nenhuma chance. – era um pouco doloroso para ela narrar esse fato.
Cristina não disse nada. Apenas suspirou. Era um alívio que Carlota tivesse recebido o pagamento que merecia. Claro que ela sentia que ela nunca tivesse agido como uma irmã. Mas depois do que ela lhe fez naquele dia, seria hipocrisia ela dizer que lamentava a morte de Carlota. Ela era uma pessoa completamente indiferente para Cristina. Nenhum dos três disse nada mais sobre Carlota, mas em seus corações sentiram que a morte de Carlota seria uma parte da paz que os três precisavam.
***
Cristina foi para casa no dia seguinte conforme o prognóstico do médico. Precisou passar algumas semanas de repouso para garantir o desenvolvimento do bebê, mas não foi difícil fazer isso. Pelo filho ela faria. Durante toda sua gestação, viveram como uma família comum, sem sobressaltos. Mãe e filha se desfrutavam como não puderam fazer durante toda a vida. Comemoram o aniversário de dezoito anos de Amanda com a presença inclusive de Hernán.
Foi um pedido de Amanda, ao que Federico não recusou. Durante a festa, ele pediu para falar com Amanda e Cristina em particular. No escritório se despediu das duas. Contou que decidiu deixar totalmente o sacerdócio, mas que iria trabalhar em outro estado como professor universitário, sua primeira e verdadeira vocação. Olhando nos olhos de Cristina, disse agradecido:
_ Foi fundamental te reencontrar. Você me trouxe de volta minha filha – olhou para Amanda com ternura. – e me fez redescobrir o homem que eu era. Não posso ser padre, não é minha verdadeira vocação e Deus pode compreender isso.
_ Claro que pode. – concordou Amanda.
_ É claro que pode. – confirmou também Cristina.
_ Desejo que você seja muito feliz com Federico, o filho de vocês, e nossa filha com quem eu sempre estarei em contato.
_ Sempre! – disse Amanda abraçando-o.
Nessa mesma reunião contaram com a presença de Luciano. Ele ainda estava abalado com a morte de Carlota, mas sabia que ela não era a pessoa que ele sempre acreditou. Contou a Amanda que estava indo bem nos negócios com o irmão e, aparentemente, havia redescoberto o caminho da administração que havia perdido com Carlota que só o carregou para baixo. Aparentemente, tudo caminhava para seu lugar.
Federico e Cristina reencontraram a confiança e o amor que buscaram toda a vida e esperavam com grande paixão e entusiasmo a chegada de seu bebê que se aproximava. Ele não se intimidava mais com a presença de Hernán porque sentia firmeza no amor de Cristina, mas obviamente ele comemorou a partida do “padreco” para longe deles. Sabia que agora tinha o amor que sempre desejou de Cristina e não queria nada mais que ameaçasse o amor dos dois. Assim passaram-se os dias até o momento em que Cristina e Federico receberiam seu filho.
***
O pequeno Felipe nasceu no início da noite com muita saúde. Era uma criança grande, dentro do peso e linda, para orgulho de seus pais. Cristina e o bebê iriam para casa no dia seguinte, estavam muito bem. Mas um incidente podia colocar tudo à perder. A criança foi levada para o berçário apenas para ser examinada, passaria a noite com sua mãe, mas uma mulher foi pega, dentro do hospital, tentando sequestrar o bebê. Era Raquel! A segurança do hospital avisou à polícia e ela foi finalmente presa.
Quando Cristina e Federico foram avisados sentiram o terror que significaria perder o filho que acabava de nascer. Cristina ainda mais porque já conhecia esse desespero.
_ Essa mulher nunca vai nos deixar em paz, Federico? – indagou Cristina observando o bebê que dormia tranquilamente ao lado de sua cama.
_ Essa mulher nunca mais vai se aproximar de nós, Cristina. – garantiu Federico.
_ Mas como?
_ Ela foi presa! Vai passar muito tempo por lá. Se ela sobreviver à cadeia não vai chegar perto de nossa família.
_ Como você pode garantir isso, Federico? – Cristina estava insegura.
_ Eu vou te proteger. Serão muitos anos na cadeia, Cristina, são muitos crimes. Ela não vai sair de lá.
Cristina abraçou a Federico sentindo o peso de agora ter um filho para proteger. Seria muito difícil viver tranquila sabendo que Raquel poderia voltar algum dia, mas Federico tinha razão, ninguém podia passar tantos anos vivendo sob as consequências de uma rejeição amorosa. Ou seria? Os anos diriam.
Na manhã seguinte, a linda Plantanal recebeu o pequeno Felipe Álvarez Rivero. Ele era o primeiro filho de Federico e Cristina, fruto de um amor que percorreu um difícil caminho para se consolidar, mas foi esse caminho que o tornou tão consolidado e firme. Federico aprendeu que há uma recompensa para a persistência e Cristina entendeu que o amor que se constrói dia-a-dia é muito mais forte do que qualquer outro e que um laço entre uma mãe e seus filhos, ainda que separados, não podem facilmente ser rompidos.
Amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente.
Fernando Pessoa
Fim
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