Sombras do Passado

11 Capítulo 11 - Serás minha, por fim! (+18)


Notas iniciais
Obrigada a todos os que estão acompanhando a história, comentando e favoritando! 🙏 Acompanha o capítulo a canção Entrégate – Luis Miguel Podem ouvir aqui ~> https://www.youtube.com/watch?v=ETVV404OzTA

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Cristina voltou a ficar desconcertada e caminhou de novo até a janela. Era comum nela refugiar-se na paisagem quando não sabia o que dizer ou quando alguma coisa ficava pesada demais, amava o que via das janelas da sede da fazenda. Mas era noite. Pouco se podia ver da estonteante paisagem da Plantanal. Só se podia observar a luz das estrelas, o som da noite que estava longe de ser silencioso. Identificava-se o som de animais, de insetos e da água. Do abundante fluxo da correnteza daquela cachoeira que já havia presenciado tantas histórias daquelas e de outras pessoas.

_ Agora é você quem não vai dizer nada? – Federico rompeu o silêncio com um leve sorriso pícaro com uma ponta de seu cinismo característico na voz.

Cristina ainda ficou com a visão perdida no vazio por alguns segundos antes de responder. Havia uma promessa entre eles, uma promessa de sinceridade, mas ela não sabia responder.

_ Eu não sei! – foi tudo o que pôde dizer com um suspiro e não fugiu à sinceridade prometida.

Federico aproximou-se dela por trás e tocou sua cintura de leve com a mão esquerda. Com a direita, ele afastou seus cabelos e roçou seu rosto no dela que ela inclinou enquanto ele disse baixinho em seu ouvido, com a voz sedutora:

_ Descubramos juntos, Cristina? Vamos descobrir juntos o que é que você sente por mim.

🎵¿Cómo te atreves a mirarme así,

a ser tan bella, y encima sonreir?

Mía, hoy serás mía por fin🎵

Cristina não se moveu. Ainda que não tenha se movido do lugar, sentiu seu corpo todo estremecer com aquele contato, com o encaixe que Federico fez do corpo dele no dela. Como era possível que o contato de Federico lhe provocasse tanto estremecimento, um ressequir da saliva em sua boca, que sua respiração se cortasse, o mesmo assombramento de uma adolescente? E ainda naquela tarde havia visto aquele homem com outra! Ele seguia roçando seu rosto no dela, percorrendo sua face, sua orelha, inebriando-a com seu calor. Não! Não podia ceder aos encantos de Federico.

_ Pare, Federico, pare! – Pediu com os olhos fechados, insegura.

_ Isso você sabe? Disso você tem certeza, que quer que eu pare? – indagou

De leve ele a girou fazendo com que ela ficasse de frente para ele encurralando seu corpo imprensado no parapeito da janela. Cristina encarou-o perturbada. Deus, seus olhos! Não podia olhar para seus olhos tão próximos daquela maneira, tão fixos nela, tão desejosos...

🎵Cierra los ojos, déjate querer

Quiero llevarte al valle del placer

Mía, hoy serás mía, lo sé🎵

_ Eu não devia ter... – Cristina iniciou as palavras que giravam por sua mente àquela altura.

Não obstante, ele a puxou para junto de si pela cintura e a tomou em um beijo arrebatador antes que ela pudesse terminar a frase que ele sabia bem como acabaria: que ela não devia ter entrado em seu quarto naquela noite. Porém, aquela puxada selvagem que a colou no corpo dele a deixou ainda mais desnorteada, antes de que ele, desesperado de que ela se negasse, tocou seus lábios e cerceou-os com os seus com um tamanho afã e entrega como jamais havia dedicado em um beijo em sua vida.

Cristina sentiu todo seu corpo estremecer. Enquanto ele apreendia os lábios dela com os dele, ela se sentia totalmente fora da realidade com o ardor dos lábios de Federico nos seus, suas mãos fortes segurando-a pela cintura e recorrendo suas costas, seu torso imprensando o dela na quina que dividia a janela da parede. Às vezes o afã de Federico era tão exasperado que ela se perdia entre os tecidos leves da cortina entreaberta que cobria parte da janela e o vento da noite invadia o quarto, mas não conseguia sentir nada além das sensações produzidas pelos lábios dele, sua língua, seu corpo.

Nunca estiveram tão unidos em toda a vida. Na mesma sintonia, boca com boca, pele com pele, as respirações sincronizadas, os corpos aflitos por não se separarem, permanecerem assim, unidos, juntos, de corpo... em espírito como há tempos desejavam.

Federico começou a descer pelo pescoço de Cristina, friccionava seus lábios deslizando-os pelos ombros dela, afastando sua blusa inebriando-a de desejo. Ela, de olhos fechados, jogava sua cabeça para trás e se perdia. A jovem sentiu tamanha intensidade nos beijos e carícias, que um arrepio tomou conta de todo seu corpo e agitou o cerne de seu desejo de modo que ela vibrou intensamente e soltou um gemido abafado em meio à respiração ofegante.

🎵Déjame robar el gran secreto de tu piel.

Déjate llevar por tus instintos de mujer🎵

_ Não, Federico, não! Pare!

Ela protestou empurrando-o totalmente assustada com a reação de seu corpo àquelas investidas. Suas carícias a estavam deixando excitada e isso a enchia de medo. Federico afastou-se de leve e olhou-a nos olhos com o olhar tomado de sedução e afirmou seguro:

_ Você não quer que eu pare! Eu estou sentindo.

Ela nem sequer reagiu. Antes mesmo de que ela pudesse pensar em suas palavras, ele, novamente tomou-a em outro beijo ao qual ela de novo não conseguiu resistir. Ele segurava seu corpo junto do dele enquanto a beijava e ela lentamente foi afrouxando os braços e não se deu conta no momento em que o abraçou. Federico desfrutava da lentidão em que ela se entregava, do empenho em amansá-la. Ele, com dois passos firmes, quase carregando-a, estreitou-lhe contra parede ao lado da janela beijando sua boca, deslizando sua língua por ela, apreciando aquele ósculo como que bebendo o mais agradável néctar da natureza, sentindo seu gosto, seu calor, sua pele, seus seios comprimidos contra seu busto como tanto, tanto havia desejado.

Quase sem que ela pudesse se dar conta, ao mesmo tempo em que seu corpo gritava por isso, Federico colocou a mão por dentro de sua blusa, na cintura, e começou a acariciar sua pele, sua barriga, seus seios A delicadeza com a qual ele deslizava sua mão por sua pele coexistia com sua virilidade e truculência. Como desejava e almejava seu corpo, não podia evitar deslizar por ele, agarrar seus seios, sentir seu calor, marcar a pele dela com sua paixão.

Perceber Cristina ali, tão próxima, tão ao alcance, com ciúmes dele. A faria sua naquela noite, nada mais importava! Cristina respirava arfante, como ele, e soltava leves e inevitáveis gemidos, com a agitação que aquelas carícias provocavam em sua feminilidade, estava absorvida pelo desejo. Algo dentro dela lhe pedia para resistir, para que ela detivesse Federico, mas parecia que era inútil lutar contra as investidas do marido, contra seu desejo. Era tão, tão maior o que pedia que ela continuasse na deliciosa dança da excitação, que se entregasse, que fosse dele.

🎵Entrégate aún no te siento

Deja que tu cuerpo se acostumbre a mi calor

Entrégate, mi prisionera,

La pasión no espera y ya no puedo más de amor🎵

_ Não Federico, é melhor parar... – dizia Cristina ofegante em alguns lapsos de lucidez que os beijos de Federico lhe permitiam.

Ao mesmo tempo em que se negava, permanecia abraçando-o, totalmente entregue à seus beijos e à paixão. Já sem poder controlar a ânsia que tinha dela, Federico desabotoou a calça de Cristina e conduziu sua mão até o imo de seu prazer, deslizando pelo curto caminho até ali e provocando uma forte contorção no corpo de Cristina que, de forma instintiva projetou-se para trás forçando suas costas contra a parede e sua cabeça contra o ombro de Federico tomada de prazer e volúpia.

A mão de Federico permaneceu movimentando-se ali por algum tempo o que provocou no corpo da jovem inúmeros arroubos de prazer. Imersa em seus instintos ela não se dava conta do mundo à sua volta porque toda a intensidade que passava a alojar-se dentro dela, de seu corpo por intermédio daqueles estímulos das mãos e dos dedos de seu marido não lhe permitiam mais pensar, só sentir. Antes estivesse alojada. Mas estava viva, desesperada, ela gemia sem controlar os sons que saíam de sua boca, de alguma maneira precisava extravasar aquele desejo. Federico afastou-se dela e permaneceu olhando-a como uma aparição diante de si. Era a mulher mais linda do mundo, definitivamente era a mais linda de todas. Ela, por sua vez, tratava de controlar a polipnéia de sua respiração depois daquela intimidade, quase havia chegado ao orgasmo com os estímulos dos dedos de Federico por dentro de sua calça. Ainda não podia acreditar que Federico tivesse ido tão longe com ela. Não podia acreditar que havia permitido que ele fosse tão longe, que havia acompanhado-o até ali. Mas queria mais, seu corpo pedia mais, seu coração também.

Suavemente, Federico levantou sua mão, direcionou seu olhar durante alguns segundos aos amedrontados olhos verdes de Cristina e começou a desabotoar os botões de sua blusa. Calmamente e com pressa ele fazia isso sob o olhar ainda meio intimidado da esposa sobre sua mão. De certa maneira, se ela não reagia, sabia que estava dizendo sim, mas estava tão, tão confusa. Levou a mão à dele que descia para o penúltimo botão e a segurou.

_ Pare, Federico, pare! Eu não quero, não tenho certeza... – disse respirando rapidamente segurando a blusa.

_ Cristina... – disse Federico terno acariciando as bochechas dela que imediatamente foi fechando os olhos, levando a cabeça para trás – Deixe-me te amar. Deixe-me te querer. Eu estou desesperado, desesperado! – sussurrou com o rosto colado ao dela bem perto de seu ouvido.

🎵Abre los ojos, no me hagas sufrir

No te das cuenta que tengo sed de ti

Mía, hoy serás mía por fin🎵

_ Federico... Eu não sei... Acho que... – dizia girando o rosto com o calor das mãos de Federico sobre ele.

Federico aproximou-se dela e, sem tirar a mão de seu rosto, circundou seus lábios com o polegar enquanto ela o olhou com desejo. Ele apreendeu seu lábio inferior num leve selinho. Roçou sua pele na dela e voltou a beijá-la apaixonadamente. Sem deixar de beijá-la desabotoou o último botão de sua blusa e, rapidamente, levou as mãos aos ombros dela e as deslizou sobre eles fazendo com que a peça de roupa caísse no chão. Entre carícias suplicou-lhe:

_ Seja minha, Cristina! Deixe-me fazer-te minha!

🎵Déjame besar el brillo de tu desnudez

Déjame llegar a ese rincón que yo soñé🎵

_ Ah, Federico... – sussurrou ela enquanto ele deslizava suas mãos pelas costas seminuas dela.

_ Não fale, meu amor, não fale. – ele pedia beijando seu rosto enquanto segurava-o dentro de sua mão do lado oposto. – Só sinta. Feche os olhos e sinta.

Durante alguns segundos, eles ficaram se olhando. Federico contemplava o corpo de Cristina diante dele. Sem blusa, só de sutiã, a calça desabotoada por onde ele havia invadido com sua mão uma vez e ela havia recebido aquela carícia tão intensamente. Sim, era uma contemplação. Como sempre, sem esperar a resposta de Cristina, ele a tomou nos braços e a levou até a cama. Deitou-a e com seu corpo debruçado sobre o dela voltou a olhá-la cheio de desejo.

_ Linda! – disse colocando os cabelos dela atrás da orelha. – Linda e minha. Minha! – sussurrou começando a beijá-la mais uma vez. – Entregue-se Cristina, entregue-se.

_ Federico, eu ainda não sei se nós devíamos... – Cristina não conseguia livrar-se de suas dúvidas.

_ Então, primeiro façamos e depois... depois a gente pensa. Hum? – Apesar de falar, não deixava de beijá-la.

🎵Entrégate aún no te siento

Deja que tu cuerpo se acostumbre a mi calor

Entrégate sin condiciones

tengo mil razones, y ya no aguanto más de amor🎵

Como sempre, no silêncio de Cristina, ela sentiu que ela dizia sim. Sentou-se na cama e tirou as calças dela com delicadeza. Ela o olhava enquanto ele a despia cheio de carinho e de desejo, sem acreditar em tamanha ventura de, pela primeira vez ter seu corpo assim, diante dele. Como desfrutava disso! Desde a noite de núpcias havia sonhado em tê-la em seus braços completa, entregue, nua, sua! Em conhecer sua nudez, sua sensualidade que sempre havia sido tão latente para o homem apaixonado que ele era.

Rapidamente Federico desabotoou sua camisa, tirou seu cinto e voltou a deitar-se sobre ela, que exercia um magnetismo sobre ele deitada naquela posição. Começou a beijá-la desde a barriga e subindo por seu corpo até o pescoço. Cristina cravou as unhas nos ombros nus de Federico ao sentir novamente sua feminilidade alvoroçada, requerente e soltou um gemido abafado, porém forte. Federico, ao perceber que ela estava desfrutando das carícias, as intensificou levantando-a e tirando seu sutiã antes de também despir-se e tirar a última peça de roupa do corpo de Cristina.

Com suas mãos lhe deu prazer durante alguns minutos, aos que Cristina respondia sem palavras, só gemendo e respirando ofegante, acariciando o corpo de Federico, arranhando-o sem controle, sedenta de mais, de sua força de sua masculinidade. Há tanto tempo não tinha um contato íntimo com um homem, há tanto tempo não via um homem nu e esse homem... E esse homem ser Federico. Ele! Esse homem!

Com Federico havia fantasiado algumas vezes. Claro que aquilo, ela pensava, não tinha a ver com sentimentos, mas sim se havia imaginado algumas vezes sendo levada ao céu por ele. Sobretudo depois do beijo, aquele beijo de anos antes em que ele estava bêbado e se havia esquecido. Ao sentir o beijo de Federico, a virilidade de suas mãos grandes deslizando sobre seu corpo, o desejo de seus olhos como não pensar em como ele seria na cama, em como seria ser possuída por ele?

Sim, ela havia pensado muitas vezes em como se sentiria sendo invadida por Federico, em ter o peso do corpo dele sobre o seu, sentir seu cheiro masculino, seus beijos, suas carícias como acontecia agora. Ele deslizava seus lábios úmidos, sobre sua pele suculenta, ávido por senti-la deixando-a embebida de desejo antes de transpor a última barreira que existia entre eles e invadir seu corpo com sua masculinidade. Invadir não! Ser recebido. Sim, ela queria! Queria muito, queria tanto quanto ele e queria já! Federico passou a movimentar-se, ao se ver encaixado com a esposa e Cristina recebia esses movimentos tanto quanto colaborava com eles com as mesmas ganas de Federico de satisfazer aquele desejo, aquele desejo único. Naquele quarto, naquele momento, o desejo era a única realidade.

Apesar daquele afã, daquelas ânsias incontroláveis de satisfazer o desejo que ditava o ritmo dos movimentos de ambos eles não chegaram rápido ao auge. Estavam totalmente absortos naquela entrega que sentiram, cada um à sua maneira, todo o mundo desaparecer no momento em que atingiram o pico da luxúria.

Mas ao contrário de satisfazerem-se, sentiram-se, naquele momento em que se deitaram na cama entregues, ainda mais cheios de desejo. Nus, suados e exaustos estavam os dois logo depois de fazerem amor, iluminados pela luz da lua que entrava, timidamente, pela janela do quarto. Cristina estava sonolenta e aninhou-se em um canto da cama, mas Federico não queria dormir, queria contemplá-la e repousou sua cabeça sobre sua mão, de lado e ficou observado o corpo de Cristina na cama, de costas, meio de perfil, meio de bruços... Totalmente linda!

_ Tão linda! Tão minha...! Minha Cristina!

Repetia abobado acariciando os cabelos dela, passando as mãos por suas costas nuas, sentindo a delicadeza de sua pele. Cristina com os olhos meio fechados deu um leve sorriso.

_ Ai, Federico. Você fica engraçado assim. – disse ela com a voz manhosa.

_ Assim como?

_ Assim... – Cristina repetiu. – Dócil, manso... – ela voltou a dizer com aquele sorriso.

_ E eu não sou sempre assim com você? – ele indagou sem deixar de acariciar os cabelos dela.

_ Sim. – ela virou-se cobrindo com o lençol e ficando de cara com o olhar dele sobre ela. – Sempre. Mas a sua imagem fora da convivência comigo é diferente, você é rude.

_ Mas você me amansa! – ele disse com um daqueles sorrisos sarcásticos dele.

Tanta felicidade era difícil de segurar a vontade de sorrir, sorrir o tempo todo, sorrir de tudo, sorrir como um bobo, não lhe importava nada no mundo, nada podia competir com aquela felicidade.

– E não é fácil não... São dez anos, Cristina! Dez anos! Você não sabe... – disse ele fechando os olhos e beijando-a de leve. – Não sabe o quanto eu desejei o que aconteceu aqui essa noite. – o tom sarcástico com o qual ele iniciou suas palavras foram substituídos pelo toque de sedução de sua voz.

_ Ah, Federico... – Cristina suspirou – Eu tenho medo.

_ Medo de quê, Cristina? Por que não se entregar? Por que não se deixar amar? Eu juro, juro que vou te fazer feliz. Confia em mim!

_ Eu confio! Confio em você, Federico, mas... – ela disse com um pesar nos olhos.

_ Mas o quê, Cristina? Qual é o seu medo? – Federico implorou para que ela se deixasse decifrar.

Cristina virou-se de lado, ficando de costas para ele.

_ Eu não sei se está certo... Não sei se é o melhor. Tem essa mulher... – Cristina se incomodava de estar tão enciumada, mas não podia evitar. E até onde os ciúmes a haviam levado naquela noite. – Tem o passado... – Aí apareceu o fantasma mais difícil de ela se livrar.

_ Raquel não significa nada, Cristina, nada! Se você quiser ser minha mulher, minha mulher como tem que ser, você vai ser a única que existirá para mim. Você já é a única que existe para mim, Cristina, sempre foi!

_ Eu não sei, Federico. Não sei. Ainda não sei se nós dois devíamos... – Cristina demonstrou que ainda estava insegura.

_ Não diga isso, por favor! – ele implorou passando delicadamente as pontas dos dedos pelo braço dela. – Foi tão maravilhoso, Cristina. Tão intenso, tão mágico. – Voltou a deixar transparecer sua ternura dentro da armadura de truculência – Não diga que não devia ter acontecido. Eu não vou suportar se você disser. – Parecia um menino assustado frente à ela, era irreconhecível.

_ Não é isso. Aconteceu porque nós dois queríamos e foi... – Teve medo de delatar-se – Foi tão bom. – Mesmo com medo confessou, não queria deixá-lo magoado. – Mas eu me sinto uma mulher sem dignidade, Federico. Como posso ter feito amor com um homem que ainda hoje, ainda hoje eu vi em intimidade com outra mulher? Não sei, eu sinto que não está certo!

Cristina ainda sentia ciúmes. Por mais que não dissesse, ainda sentia! E a Federico lhe agradava constatar que ela estava enciumada dele. Naqueles anos todos, em todo aquele tempo foi a única vez que ele percebeu interesse de Cristina por ele. Talvez por posse, por orgulho, pela constatação de que ele não seria dela para sempre, pelo que fosse, mas ela tinha sentido ciúmes dele, dele!

_ Cristina... – Ele pronunciou seu nome de maneira terna – Você pode esquecer o passado, esquecer seu passado, esquecer-se de Raquel que só existe na minha vida porque eu não tenho a única mulher que eu quero. Essa tarde não aconteceu nada, eu nem sequer entrei em sua casa e nunca mais vou lá, ela já sabe disso e você também tem que saber.

_ Eu te mentiria se dissesse que não tenho medo, Federico. Amar, confiar de novo, abrir o coração. Eu não quero... Não quero me machucar de novo.

Ela só tinha lembranças amargas do amor. Como não se amargurar ao conhecer o céu, o mundo e perder tudo em uma fração de segundos? Em ver as traições, a morte arrebatarem-lhe cada um de seus sonhos?

_ Deixe-me curar suas feridas, Cristina! – implorou Federico forçando-a a olhar para ele. – Você só precisa dizer uma palavra! Uma única palavra.

_ O quê? – ela indagou com os olhos cheios com as lágrimas que traíram a barreira que ela construira para suas emoções.

_ Diga que sim! Diga que quer começar uma vida comigo, que quer construir nossa própria história e nosso futuro a partir de hoje. Diga?

***