Sombras do Passado
24 Capítulo 24 - Só pedi tua sinceridade
Notas iniciais
***
Já era noite e Cristina, ainda destroçada por aquela discussão, pensava em seu quarto, ansiosa para que Federico viesse dormir. Quando chegou ela se deu ao trabalho de ir à estrebaria, seu cavalo estava lá. Procurou-o em casa e ouviu de Vicenta que ele havia chegado há alguns minutos e estava trancado no escritório, em silêncio. Pensou em ir até lá, bater à porta e falar com ele, mas não se sentiu capaz. Decidiu esperar.
Não conseguia deixar de recordar o olhar de Federico, o olhar de Federico sobre ela. Ao mesmo tempo, sentia-se indigna pelo que aconteceu com Hernán e como se sentia quando ele se aproximava. Longe dele, tudo estava muito claro e ela sabia quem era e o que sentia, o quanto amava ao marido. Mas quando ele se aproximava, seu equilíbrio e racionalidade eram afetados. E não era justo para com Federico. Mas ela não metia! Não mentia quando dizia que o amava e que tinha medo de perdê-lo. Entretanto, não conseguia convencê-lo disso. Certamente, nesse momento, ele está decidindo me deixar. É nisso que ele tanto pensa naquele escritório. – pensou Cristina fragilizada.
Sentada na poltrona, vestida com uma camisola confortável que ia até seus joelhos, coberta por um robe de seda, ela não conseguia pensar com clareza nem mesmo com a visão da lua cheia em sua janela. De repente, ouviu três batidas leves na porta. Seu coração disparou ao imaginar que era Federico ainda que fosse estranho que ele batesse à porta. Mas logo, com o girar da maçaneta, ela percebeu que era Amanda, também vestida para dormir que estava preocupada com ela.
_ Oi, meu amor, vem aqui! – ela chamou com um médio sorriso, ao encarar o terno rosto da sobrinha.
_ Eu estou preocupada com você, tia. O que você tem? – ela indagou direta sentando-se no chão ao lado da poltrona em que ela estava.
_ Não é nada. – Mentiu – É que às vezes, realmente, tem momentos na vida em que temos que pensar, parar um pouco, refletir.
_ Mas te aconteceu alguma coisa. Você está estranha hoje o dia todo. Não foi jantar, tio Federico também não, estava tão calada, triste quando voltamos para casa... Até o Carlos notou. – Amanda observou.
_ Carlos notou porque é um rapaz muito sensível. – Sorriu Cristina acariciando os cabelos da jovem. – E porque sabe que você se importa comigo. Ele está atento à qualquer detalhe que te afete, Amanda.
Amanda sorriu com a observação dela. Era claro o quanto ela estava apaixonada pelo jovem professor.
_ Ele é incrível, tia. – derreteu-se. – Cada dia eu o admiro mais.
_ Eu sei, eu também estou atenta porque você importa a mim! – ela disse segurando o queixo de Amanda e arregalando os olhos. – E ai dele se não cuidar bem de você!
_ Mas não é de mim que nós estamos falando. – censurou Amanda. – Você e o tio discutiram, foi isso?
_ Sim. – confessou Cristina. – Federico está muito decepcionado comigo e... – deu uma pausa para processar suas culpas – e eu provavelmente mereço isso. – Disse baixando os olhos.
_ Ai tia, não fique assim! – Amanda levantou-se e lhe deu um abraço terno. – Vocês vão se acertar. É fácil de notar o quanto vocês se amam.
Cristina recebeu aquele abraço, aquelas palavras e tanto conforto neles. Abraçou Amanda como sempre sonhava em abraçá-la, durante aqueles anos todos em que ela lhe fez tanta falta. Suspirou enquanto se afastavam.
_ Obrigada, filha. – Agradeceu levemente emocionada. – Não sei porquê, mas sinto mais tranquilidade com suas palavras, com seu carinho.
_ Porque é a verdade! – Afirmou com categoria. – É muito difícil notar um marido tão apaixonado por sua esposa como tio Federico e ele não esconde isso. Vocês com certeza vão se entender!
_ Eu não sei... – Cristina baixou os olhos ao recordar tudo o que havia entre eles naquele momento.
_ Vão sim, tia! Fique bem. – Afirmou segurando sua mão.
_ Obrigada minha princesa! Suas palavras me deram muito conforto. Agora vá dormir, sim? – Pediu. – É muito tarde.
_ E... e porque você não vai até lá falar com ele? – aventou Amanda.
_ Eu... eu não sei se ele quer me ver, filha. Acho que realmente é melhor dar um tempo para que ele processe tudo o que aconteceu hoje. – Disse Cristina resignada.
_ Mas, se você quer falar com ele, devia fazer isso! – afirmou Amanda corajosa. – Há coisas que é melhor não deixar para amanhã.
_ Eu vou tomar em conta suas palavras! – prometeu Cristina levando a sobrinha pela mão até a porta do quarto e abrindo-a.
A jovem, encarando o olhar tão triste de Cristina, mais uma vez abraçou-a cheia de sentimento, abraço ao que Cristina correspondeu emocionada.
_ Eu te adoro, tia. – asseverou Amanda de olhos fechados. – Estou aqui para você, aconteça o que acontecer! – afirmou.
Cristina se deixou abraçar, aninhar. Quando abriu os olhos, e as duas se afastaram, deram de cara com o olhar nefasto de Carlota sobre elas na porta do quarto da frente que era ocupado por Amanda. A adolescente se surpreendeu:
_ Ai, mãe, que susto, isso é jeito de aparecer?
_ O que está errado aqui... – começou Carlota com uma expressão que Cristina poderia jurar que era de felicidade – é você estar acordada até essa hora fazendo sabe se lá o que no quarto de sua tia! – afirmou intransigente sem deixar de encarar Cristina.
_ É que a tia Cristina estava... – Amanda, inocente, começou a responder à Carlota.
_ Eu estava me sentindo um pouco mal, com dor de cabeça... Amanda se preocupou comigo, Carlota. – Cristina sagazmente a interrompeu.
_ De todo modo, você devia dar bons exemplos para sua sobrinha, Cristina! – disse Carlota irônica. – Não apoiá-la a me desobedecer e ir dormir tão tarde com sentimentalismos imbecis.
_ Mãe! – reclamou Amanda da insensibilidade de Carlota.
Cristina segurou-lhe pela mão para que ela olhasse para ela.
_ Não se preocupe, filha. Sua mãe nunca vai conseguir me olhar sem os bloqueios que seu coração construiu por coisas que aconteceram entre nós no passado. Também nunca vai conseguir entender o carinho que há entre nós duas. Não é culpa dela, ela simplesmente não pode. Vá para seu quarto, sim?
_ Tudo bem! – concordou Amanda dando-lhe um beijo no rosto.
Por Carlota ela passou olhando com reprovação ainda que ela esperasse um beijo da filha. Entrou no quarto e bateu a porta. Carlota ainda ficou ali parada, encarando a irmã com um olhar dardejante antes de, com um sorriso, tomar o caminho de seu quarto.
***
Já era madrugada e Federico ainda não havia subido para dormir. Cristina estava aflita, atenta ao corredor e à janela. Teve medo de que ele estivesse bebendo e algo lhe acontecesse, se preocupava tanto, sentia-se culpada. Já quase não podia aguentar e ia descer até o escritório quando ouviu o som de passos no corredor. Só podia ser ele!
Apreensiva esperou o momento em que ele abrisse o quarto dos dois e se dispusesse a conversar com ela, mas os passos cessaram antes de chegar à frente daquele quarto onde eles eram tão felizes há poucos meses. Cristina caminhou até a porta e, com o ouvido colado nela, ouviu quando a porta do quarto ao lado se abriu. Era o quarto que ele havia ocupado durante aqueles anos todos em que mantiveram uma relação de amigos.
Forçou seu lábio superior contra o interior enquanto sufocou um soluço. Ele não foi para o quarto deles! Não queria dormir com ela, a estava rejeitando! Era um prenúncio de que a deixaria, estava claro. Não pôde evitar que as lágrimas escorressem por seu rosto ao perceber que estava perdendo a Federico, inevitavelmente ia perdê-lo.
Como um autômato, caminhou um pouco e caiu na cama com a alma dilacerada. Encolhida, em posição fetal, chorou ao sentir todo o desconsolo e solidão de não ter a seu lado o homem que amava, de não ter forças de ir até lá lutar por ele, de ter muito medo que ele lhe gritasse na cara que não a queria mais. Quando não tinha mais forças e nem lágrimas, desvalida, adormeceu.
***
Federico passou, provavelmente, seis horas naquele escritório. Olhava para aquela garrafa de whisky que lhe fazia companhia e se sentia um desgraçado. Recordou uma das mais dolorosas rejeições que sofreu de Cristina naquele aposento.
Flashback On
_ Sinto muito se você criou ilusões por aquilo, Federico. – fitou-o enfurecida. – Por isso mesmo é que não vai voltar a acontecer! Nunca mais vai acontecer e, para evitar qualquer coisa, não quero mais que você me beije! Você não vai voltar a me tocar, Federico e, desta vez... desta vez eu vou cumprir!
_ Por quê? Por quê? Cristina? – ele esbravejou.
_ Não grite que não estamos sozinhos em casa.
_ Então me diga porquê! Eu exijo que você me diga! Ontem à noite você estava doce, terna, agradou-se das minhas carícias, disse que confiava em mim! O que mudou, Cristina, o quê?
_ Amanheceu, Federico! Foi isso que mudou! O que aconteceu ontem foi bom para ser um trago passageiro. Uma fantasia, um sonho, uma noite, nada mais! Minha realidade é a solidão. A solidão e o amor que eu dediquei à um único homem e à filha que ele me deu. É nisso que tenho que concentrar minhas energias! Preciso encontrar minha filha.
Flashback Off
_ Ela nunca me amou. Essa é a verdade! Ela nunca me amou, só a esse homem, a esse passado, a esse maldito que devia estar morto e enterrado! – dizia enquanto olhava para o copo de whisky em sua mão.
Federico era um homem de personalidade forte ainda que, desde que colocou os olhos em Cristina, apaixonado por ela. Todo o caminho que havia percorrido para conquistá-la e tudo o que havia feito por não conseguir conquistá-la, vinham à tona naquele momento. Ele sentia que haver se dedicado à amá-la e agora... agora dar se conta que aquele homem a quem ela dedicara sua vida estava vivo e próximo, que tudo isso o transformava em um imbecil, um estúpido. Como a havia amado. Deus! Como a amara.
🎵Abriste una ventana despertando una ilusión,
Cegando por completo mi razón,
Mantuve la esperanza conociendo
Tu interior
Sintiendo tan lejano tu calor
Probé de la manzana por amor🎵
Enquanto sentia no corpo o efeito da dor e da bebida, abriu a gaveta e olhou uma arma que estava guardada ali há muitos anos, havia pertencido à Severiano. Teve vontade de morrer. Sem o amor de Cristina, a vida não valia a pena. De repente um nefasto pensamento passou por sua cabeça. Talvez... talvez se ele matasse a Hernán tudo pudesse ser como antes. Sim! Ele era o entrave que havia entre eles. Ou não! Não! O que havia entre eles eram os sentimentos de Cristina que não o amava sinceramente. Era duro, era difícil, mas ele precisava convencer-se disso.
Depois de muitas lágrimas e abstrair-se na bebida, decidiu subir, tomar um banho e tentar fazer com que o sono apagasse aquela dor. Chegando no piso superior, caminhou cambaleante por alguns poucos metros. Diante da porta daquele quarto que ele ocupou por tantos anos ficou parado por alguns segundos pensando. Um pouco à frente, estava a porta do quarto que ele dividia com Cristina há quase três meses, o lugar onde eles haviam sido tão felizes. Com certeza ela não o estaria esperando! Sim! Devia estar imiscuída com suas malditas lembranças que sempre havia sido a única coisa que lhe interessava e agora, para sua perdição, não era mais só a imagem de alguém morto, era de um homem que estava vivo! Cheio de dor, abriu aquela porta e entrou no quarto que foi o único lugar que realmente foi dedicado à ele naquela casa: o de um hóspede.
🎵Quiero ya no amarte y enterrar este dolor,
Quiero que mi corazón te olvide,
Quiero ser como tú, quiero ser yo la fuerte
Sólo te he pedido en cambio tu sinceridad,
Quiero que el amor al fin conteste
Por qué siempre soy yo la de la mala suerte🎵
***
Na manhã do dia seguinte, tanto a Cristina quanto a Federico lhes custou muito levantar da cama. Ela trazia sobre si o peso da dor que estava impregnado em sua alma e ele, provavelmente, compartilhava da mesma dor e, junto com ele tinha a ressaca. E, dessa vez, dessa vez não havia tido Cristina para cuidar dele nem à noite e muito menos pela manhã. Depois que tomaram um longo banho, ambos saíram do quarto, quase sem forças, tanto um como o outro tinham o coração no quarto ao lado. Cristina ainda teve tempo de gastar um bom tempo com a maquiagem tentando disfarçar as olheiras que se formaram depois de uma noite de tantas lágrimas.
Por essas incríveis coincidências do mundo, no exato momento em que ela passava na porta do quarto ao lado, Federico abriu a porta e deu de cara com ela. Ela surpreendeu-se com a ação da casualidade entre eles e olhou-o enternecida, mas encontrou-se com o olhar duro e carregado dele para ela. Baixou os olhos antes de dizer quase sem forças nas palavras:
_ Bom dia.
Ele ainda ficou olhando-a, recriminador durante alguns minutos antes de responder:
_ Bom dia. – dando-lhe as costas.
Cristina correu e segurou-lhe pelo braço:
_ Espera, Federico! – ele voltou-se para ela e olhou para suas mãos no braço dele. – Você não vai falar comigo? – ela indagou súplice.
Ele tirou o braço de entre as mãos dela e, olhando-a com a mesma impiedade que a fitava desde a tarde anterior, respondeu:
_ Desculpe-me, Cristina eu não tenho... – interrompeu-se para não ofendê-la. – Eu tenho muito trabalho na Olho d’Água e à tarde tenho que despachar um carregamento de bananas do armazém aqui da Plantanal. Não tenho tempo!
Dito isso, voltou a caminhar apressado em direção às escadas deixando-a ali, sozinha, fazendo um grande esforço para não ir outra vez às lágrimas enquanto via-o, descer imponente, as escadas e tomar a direção da saída da sede, sem olhar atrás.
🎵Vienes, me acaricias y te marchas con el sol,
Me duele solo ser tu diversión,
Dices que me amas que no hay nadie como yo,
Que soy el dueño de tu corazon,
Pero alguien más está en tu habitación🎵
***
Cristina passou todo o dia sentindo-se como que lhe faltava uma parte do corpo. Federico também se sentia assim. Mas ele anestesiava com o trabalho. Ela não! Recolheu-se. Não saiu da sede da Plantanal aquele dia, passou grande parte dele trancada em seu quarto. Carlota sentia triunfante ao vê-la prostrada, sem aquela felicidade que tanto a incomodava desde que ela chegou ali. Movia-se pelas sombras, sem coragem de jogar à luz seus verdadeiros sentimentos que resumiam-se em: mesquinhez e amargura.
Entretanto, quase no fim do dia, Cristina reagiu. Decidiu ir procurar o marido, falar com ele, que esclarecessem as coisas ainda que contra sua vontade. Recordou-se das palavras do próprio Federico sobre ela, assim que ela reencontrou Hernán:
_ Você não é assim, insegura. É tão decidida, sempre disposta à enfrentar o que venha.
_ Você tem razão! – disse Cristina referindo-se à Federico. – Eu não sou insegura e você vale, meu amor, vale tudo! Vou lutar por você!
Dirigiu-se à estrebaria onde montou a seu cavalo e, decidida, tomou o rumo do armazém, onde Federico lhe disse que estaria naquela tarde. Logo que chegou ali, o encontrou envolvido na entrega do carregamento de bananas. José Maria supervisionava a acomodação da carga nos caminhões pelos peões, enquanto Federico terminava de assinar os papéis para o responsável pela carga. O homem dirigiu-se ao caminhão e o fazendeiro ficou sozinho, oportunidade que ela aproveitou para se aproximar.
_ Eu vim até aqui porque quero falar com você. – ela disse sustentando a cabeça no alto, encarando-o.
_ E não podia esperar que eu chegasse em casa? Eu estou trabalhando! – ele respondeu rude.
_ Para quê? Para você me dar as costas e me deixar falando sozinha de novo, como hoje de manhã? – Disse Cristina sem deixar de encará-lo, aparentemente, já havia se livrado de seus medos. Aparentemente.
_ Cristina, por favor! Tenho que supervisionar o embarque dessa carga, os empregados podem fazer besteira! – Mostrou-se impaciente.
_ Não, Federico! Os empregados dão conta sozinhos! Vamos ao escritório, temos que conversar! – ela insistiu.
_ Cristina, essa carga é muito importante, é uma das nossas maiores vendas, você sabe.
_ Eu não quero saber, Federico! Eu quero falar com você. Ou para você um punhado de bananas é mais importante que nossa relação? – ela desafiou-o altiva.
Ele olhou para ela como havia feito poucas vezes desde que ela chegou ali, surpreendido por suas palavras. Sem dizer nada, começou a subir as escadas que davam para o escritório do armazém, seguido por ela. Lá em cima, enquanto fechava a porta após sua entrada, voltou a censurá-la por ir procurá-lo:
_ Você não devia se comportar como uma menina mimada que vem até o meu trabalho fazer birrinha, Cristina. Podíamos conversar quando eu chegasse em casa.
Cristina não se intimidou com seu comportamento hostil e aproximou-se dele, perturbando-o.
_ Você me deixou sozinha todo o tempo que tivemos em nossa casa ontem e hoje. Eu... eu fiquei confusa, com saudade. – ela disse olhando-o cheia de sedução.
_ Cristina... – Ele afastou-a dele e caminhou até a mesa. – Para você fazia algum sentido que compartilhássemos o quarto, a cama, depois do que eu descobri ontem?
_ Para mim... – ela aproximou-se dele outra vez e fez uma manobra para ficar de frente com ele, surpreendendo-o. – Para mim é a única coisa que faz sentido.
_ O quê? – ele indagou confuso
_ Dividir o quarto, a cama, a vida com você! – Afirmou dando a entender que estava segura.
Ele olhou-a e sentiu no peito um desarranjo. Teve um ímpeto de beijá-la como sempre fazia ao menor sinal de consentimento nos olhos dela. Sua boca estava tão atrativa, e com ela tão perto dele, podia sentir seu cheiro, seu calor e comprovar o que ele já sabia inclusive de olhos fechados: como ela era bonita. Cristina aproximou seu rosto do dele esperando receber mais um daqueles beijos inebriantes de amor de Federico, mas ele, intransigente, afastou-se. De costas para ela, com a mão na parede do armazém, disse com os olhos baixos:
_ Estou ressentido com você, Cristina. Você tem que me dar um tempo! – Pediu. – Preciso pensar em tudo isso. Em casa nos falamos. – sentenciou.
Saiu pela porta deixando-a desnorteada, como ficava sem seu amor. Quando ela saiu do escritório viu a camionete dele tomando o caminho da estrada. Foi um golpe, um duro golpe. Mas eu não vou desistir de você, Federico Rivero! – afirmou Cristina segura com os olhos cheios de lágrimas.
🎵Y no, no pasa nada si el amor,
No es perfecto, siempre y cuando
Sea honesto
Y no, ¿ya para que pedir perdón?
No es correcto,
No puedo compartir lo que no se me dio
No soy la dueña de tu corazón,
Yo soy quien sobra en esta habitación🎵
***
Já havia muito tempo que Federico ocupava uma mesa do bar do Gabo, em Teapa, bebendo sozinho, sofrendo. Passando pelo estabelecimento, por volta das 10 da noite, depois de seu trabalho, Raquel viu, pelas frestas das grades seu objeto de desejo. Entrou cheia de felicidade. Procurou o dono do bar e falou com ele durante algum tempo, fazendo perguntas sobre o fazendeiro. Depois de receber algumas informações aproximou-se dele em passos sensuais, o decote à mostra, um vestido curto.
_ Olha só quem eu encontro. O grande Federico Rivero. – disse sorrindo. – Posso beber com você?
Ele olhou-a desalentado, não respondeu. Raquel sentou-se ao seu lado e garantiu que ele bebesse mais um pouco, que estivesse tão embriagado a ponto de não saber mais o que fazia. Sem se dar conta, ele caiu em sua armadilha.
_ O que te trouxe aqui? – indagou manhosa – Sua mulher não está mais conseguindo te dar felicidade?
_ Cristina... Cristina... – dizia Federico sem muito conhecimento das palavras. – Isso não te diz respeito.
_ Vem comigo, Federico, vem? Vamos continuar essa conversa em minha casa? – convidou Raquel.
Federico levantou os olhos e encarou a figura de Raquel sensual, sem tanto peso e apaixonada em sua frente antes de responder.
***

Fale com o autor