Sombras do Futuro - Final
5 Armadilha
Notas iniciais
Em outra dimensão, no quartel general do Cebola, este observava um telão gigante que iluminava toda a estrutura avançada da sala. A tela mostrava um radar com um ponto amarelo no meio que apitava levemente a cada um segundo.
— Senhor, major Frankilin se apresentando! É sobre o paradeiro da traidora...- Um homem loiro usando jaleco entrou no cômodo escancarando a porta. — Ah, vejo que a mensagem já chegou até o senhor…
— Tudo pronto para o ataque? — A máquina falou. Seu tom era sério, mecânico e gutural.
— Sim, senhor, mas… Temos um único problema. — O cientista comentou já suando frio. O Cebola-máquina permaneceu quieto aguardando o restante da resposta. — Ela está em outro tempo e espaço. Outra dimensão…
— E você pode me dizer onde isso é um problema para alguém que criou uma máquina do tempo ainda criança, Franjinha? — Ele disse. Frankilin encolheu os ombros.
— Nã-não, não há problema nenhum. — Ele soltou um riso fraco. — A máquina está à caminho…
Mônica, Cebola e Xavecão caminhavam pelo labirinto calmamente, esperando pelo último monstro a ser vencido. Xavecão explicava tudo ao Cebola sobre a sua missão, o futuro tenebroso de onde ele havia vindo e tudo o que havia acontecido até então.
— … Eu quase não consigo acreditar. — Cebola comentou, estarrecido.
— Depois de termos derrotado uma mantícora e um minotauro você ainda tem dúvidas? — Mônica perguntou em um tom sarcástico.
— Não, não é isso. Não consigo acreditar que eu já fui arrogante ao ponto de fazer uma burrada tão gigantesca e mudar todo o curso do mundo!
— Não se dê tantos créditos. O poder do Cebola do futuro é místico, provido da maldição. É ela quem aumentou o intelecto dele e também a maldade que já existia. — Xavecão explicou. Cebola deu um suspiro profundo e cerrou os punhos.
— Eu vou reverter essa situação. Eu prometo! — Cebola disse para os dois. Xavecão bateu de leve no ombro dele e sorriu.
— Não está sozinho nessa, Cê. — Disse. Mônica acenou com a cabeça afirmando que também ajudaria. Um grito ecoou pelos corredores e os três correram naquela direção.
Não muito longe dali a Mônica amazona e a Magali feiticeira conversavam entre si.
— Eles estão muito perto do final, Mônica.
— Sim, temos que ver os preparativos para o próximo desafio.
— Devíamos ter vindo com mais pessoal.
— Eu não podia arriscar em deixar o grupo tão vulnerável trazendo mais soldados conosco. Posso confiar que Marina e Dorinha dão conta do recado caso o Cebola resolva agir.
— Eles estão sempre atrás de você, Mônica.
— Eu sei disso…É o que eu mais temo.
Usando a câmera do celular, Denise filmava toda a conversa da entrada da escada. Ela estava tão entretida que nem pode perceber o elefante que chegou por detrás dela.
— Incrível! Isso sim vai me arranjar uns views legais no Instacam de hoje! Espera só o povo ver essas duas fugindo da escola pra fazer cosplay barato, vender arte na praia… Opa!- Denise foi suspendida no ar pelo capuz do hoodie que usava pelo Jotalhão que andou na direção das moças enquanto a carregava utilizando a tromba. — Hey! O que é isso?! Me põe no chão, ô brutamontes! — A garota inutilmente remexia os braços tentando se soltar. Jotalhão chegou perto o suficiente para que Mônica e Magali voltassem a sua atenção para a ruiva de maria-chiquinha. — E aí, gatas? Que história é essa de cosplay do nada? Tem algum concurso no bairro e eu não estou sabendo?
— Não era essa a Denise que eu esperava… — Mônica comentou.
— Eu também não, mas ela pode nos servir para outra coisa… — Magali disse enquanto estendia a mão.
— E-espera! O que vão fazer? Sabem que eu estava de zoa, né? O cosplay de vocês tá maravilhoso! Me falem, foram vocês que fizeram? Ahhh! — Ela gritou quando viu o clarão surgindo da mão da feiticeira.
— Cascão, eu disse pra parar de cortar as cabeças! — Magali gritou ao amigo que empunhava a espada contra uma hidra de cinco cabeças.
— E tem algum outro modo de parar esse bicho senão fazendo isso?! — O rapaz berrou de volta, ele balançava a espada com força tentando afastar o monstro, mas este chegava cada vez mais perto, as cabeças lançando mordidas ao ar na direção deles uma de cada vez.
— Magali! Cascão! — Mônica gritou. Eles olharam na direção que vinha o som e viram a amiga correndo ao encontro deles junto de Cebola e Xavecão logo atrás.
— Eita, uma hidra?! — Cebola gritou, assustado.
— Carambolas, quantas vezes já cortaram essa coisa? — Xavecão perguntou.
— Err, algumas vezes. Em minha defesa quero dizer que essa hidra antes era só um lagartão de meio metro! — Cascão comentou.
— E aí ele começou a cortar e ela foi crescendo! — Magali continuou.
— Coé, Magá, achei que estivesse do nosso lado!
— Estou do lado em que ficamos vivos!
As cabeças chiaram todas juntas e avançaram fazendo o grupo correr.
— Okay. Vocês querem a má ou a boa notícia? — Cebola perguntou para a turma.
— Como assim? — Mônica indagou.
— Fala logo aí, rapá! — Cascão queixou-se.
— A boa notícia é que esse é o último monstro pra derrotarmos.
— E a má notícia seria…?
— Esse monstro só morre com fogo! Alguém aí por algum acaso tem um isqueiro?
— Isso não é hora pra brincadeiras, Cê! — Mônica reclamou.
— Denise resolveria isso fácil se estivesse aqui… — Xavecão comentou.
— Denise? O que ela faria? Ia fofocar pra hidra até as orelhas dela caírem? — Cebola questionou, rindo. — Uma bola de fogo passou bem próximo de seus fios no mesmo instante e atingiu em cheio a hidra. Todos olharam estupefatos exceto Xavecão que procurou pela origem do ataque.
— Não essa Denise, a minha Denise! — Ele disse sorrindo e apontando para a garota no ar. A Denise do futuro flutuava e se preparava para lançar outra bola de fogo no monstro.
— Será que ninguém aqui sabe que com hidras não se corta o mal pela raíz? — Ela questionou e lançou seu ataque atingindo a hidra em cheio no peito, fazendo-a queimar sem parar até que nada restasse além de pó. Ela desceu até o chão calmamente e o grupo inteiro gritou alegre pela sua vitória.
— Denise, que incrível! Eu não sabia que você podia fazer essas coisas! — berrou um Cascão extremamente animado.
— Eu posso fazer bem mais que isso, na verdade…
— Isso significa que você é uma bruxa? — Magali perguntou, receosa.
— É, quase isso.
— Obrigada, Denise. Chegou na hora certa! — Mônica agradeceu. Denise sorriu para ela e acenou com a cabeça.
— Não há o que agradecer, ainda estou em débito com você desde o último incidente com o Silencioso.
— Mônica tem razão, mais um pouco e seríamos todos comida de cobra. Cobras… Essa coisa. Valeu, mesmo, Denise. — Cebola falou. Denise afirmou com a cabeça e virou-se para o loiro ao seu lado.
— Xaveco, será que dá pra você explicar o que exatamente está havendo?
— Hum, parece que o futuro não foi alterado e a própria Mônica veio destruir o Cebola e se certificar que tudo mudaria. — Ele explicou.
— Mas como é que ela conseguiu vir pra cá?
— É um feitiço bem simples, na verdade… Bem, é para mim. — A Magali feiticeira falou simplesmente. Ela havia se teletransportado junto da Mônica amazona para o local onde o grupo se encontrava agora.
— Ah, que merda… — Denise sussurrou.
— Hey, Denise, como vai? — A Mônica amazona perguntou secamente. Denise não conseguiu responder, apenas a olhou apreensiva, sentiu uma gota de suor descer pela sua nuca. — Bem, parabéns a todos pela vitória. Vocês passaram pelo primeiro desafio.
— O primeiro?! — Todos exceto Denise gritaram ao mesmo tempo. Mônica virou-se para a Magali e a mesma levantou os braços e se concentrou. O labirinto começou a baixar e a vegetação em volta a se transformar novamente no parque que era antes. Todos foram olhando surpresos a sua volta a mudança acontecendo em tempo real. A Denise do Futuro se atentou a uma árvore um pouco diferente das demais, era cinza e não cresceu folhas nela como cresceu nas outras, mesmo com magia. Era quase como se ela fosse imune. Aquela árvore sempre esteve ali e eu não percebi?, refletiu.
— Para o próximo desafio você precisa encarar a verdade! — Mônica olhava Cebola enquanto explicava. Ele estremeceu ao receber aquele olhar, mas não sabia como agir diante de toda aquela situação. Cebola precisava pensar em algo, e rápido. A Magali feiticeira estalou os dedos e em um piscar de olhos todos se encontraram em um estúdio de TV ultra iluminado, com uma platéia exageradamente animada, batendo palmas para eles. O palco era muito colorido, havia uma roda com pisca-pisca na borda e cada fatia da roda tinha um desenho simbolizando desafios. O quarteto Mônica, Cebola, Magali e Cascão ficaram do lado direito atrás de um balcão que tinha uma faixa eletrônica escrito “passado — 0” e do lado oposto havia outro balcão escrito “presente — 0” com a Mônica Amazona, Magali feiticeira, Denise e Xavecão.
— Nossa, dessa vez você se superou, Magá! — Mônica vibrou. A amiga sorriu de volta.
— Dessa vez vamos lutar contra eles? — Xavecão questionou olhando para a Denise do futuro.
— É o que parece… — Ela respondeu.
Uma fumaça de gelo seco atravessou o palco e tambores tocaram rapidamente. Um flash das luzes e no momento seguinte Denise apareceu usando um terno carmim repleto de lantejoulas que refletia toda a iluminação acima dela. A ruiva segurava um microfone e parecia cheia de energia. Ela se aproximou da platéia e começou o seu show:
— E aí, mores! Quem está pronto para um joguinho de Verdade ou Desafio?!
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