Notas iniciais
Finalmente, né? Bom, esse é um capítulo "pré-guerra", ou seja, que precede a verdadeira e tão esperada guerra... QUEM TÁ PRONTO PRA ISSO?! kkkkkkk
Boa leitura ^^

Natália então começou a caminhar lentamente para fora do quarto. Mais que rapidamente, todos a seguiram. No corredor, a menina caminhou até o quarto onde estava Ana. Como era de se esperar, a menina a viu ainda desmaiada sobre a cama. Com um sorriso misterioso, ela se aproximou da jovem mestiça lentamente.

― Hora de despertar e lutar por seu povo ― Natália sussurrou lentamente. Sua voz soando como a mais leve brisa da primavera.

Como resposta à brisa, Ana abriu os olhos lentamente e então se espreguiçou. Como se só então tivesse se lembrado do arranhão, a menina se sentou rapidamente e analisou a área do braço, verificando estar completamente curada.

― Como...? ― se perguntou e então encarou a menina ao lado da cama. ― Foi você?

Natália assentiu, com seu costumeiro sorriso, e então deu as costas para a mestiça, que se levantou e se juntou aos outros no corredor. Agora, a menina havia se colocado a andar em direção à porta da frente. Porém, ninguém ousava a questionar. Ela agia como se soubesse muito bem o que estava fazendo e por que estava fazendo. Era como se fosse outra pessoa. Mais velha, mais decidida e mais poderosa.

Como ninguém lhe fez nenhuma objeção, a menina abriu a porta lentamente e então acenou para as pessoas no corredor, as chamando.

― Venham ― disse ela. ― Vocês precisam ver nosso exército.

Como abelhas obedecendo a sua rainha, todos caminharam até a porta, por mais hesitantes que estivessem.

Lá fora, podiam ver uma espécie de corredor feito por Senhores Eternos, bruxos, dragões, guardiões e até mesmo mestiços. Passando ao meio deles estavam duas figuras. Rodrigo as conhecia, mas se lembrava de apenas uma: Terra. A outra, sabia ele, se tratava da Misericórdia, mas nunca a tinha visto pessoalmente.

As duas vinham caminhando lentamente por entre os outros Senhores Eternos, que lhe faziam reverência. Como não podia ser diferente, as duas se dirigiram até Natália, que deu seu melhor e mais brilhante sorriso.

― É um enorme prazer conhecê-la, criança ― disse Terra sorrindo.

― O prazer é meu ― disse Natália sorrindo.

― Guie-nos ― Misericórdia disse simplesmente, mas com o tom mais doce que Rodrigo já ouvira.

Então, a Senhora Eterna desviou o olhar para Júlia, que já começava a chorar.

― Minha filha ― disse ela e estendeu os braços para abraçar a Morte, que logo se jogou em seus braços.

― Mãe ― disse ela. ― Fiquei preocupada com a senhora.

― Eu sou indestrutível, querida ― respondeu Misericórdia e deu um risinho.

Guerra desviou o olhar para Terra, que lhe deu um meio-sorriso.

― Vem cá ― disse a Senhora Eterna Elemental estendendo os braços.

E logo as duas estavam se abraçando também.

Rodrigo sorriu com a cena e então desviou o olhar para a multidão à sua frente. Deviam ter milhões de pessoas ali. Isso era possível?

“Rodrigo, você está aí?”, ouviu aquela familiar voz em sua cabeça, o fazendo se esquecer do que pensava antes.

― Bruno?! ― gritou o mestiço e correu na direção do povo. ― Bruno?!

E logo o enorme dragão-noturno alçou vôo, pousando bem na sua frente, com toda a sua imponência.

― Que saudade de você ― disse Rodrigo encostando sua testa à cabeça do dragão, enquanto afagava seu enorme rosto reptiliano. ― Eles cuidaram bem de você na minha ausência?

“Fui tratado como príncipe”, respondeu ele.

― Melhor assim ― disse Rodrigo sorrindo.

Ao passar a mão pelo chifre no nariz do dragão, Rodrigo notou algo diferente. Então franziu as sobrancelhas e o encarou, olhando bem fundo em seus olhos lunares.

― Você cresceu!

O dragão deu uma espécie de sorriso.

“Talvez um pouco”, disse ele tímido.

Mas não tinha nada de pouco na diferença. Ele parecia ter o dobro do tamanho agora. Como crescera tão rápido?!

― Você está lindo! ― e tentou, ao máximo, envolver o pescoço do dragão, que fechou os olhos e sorriu.

― Com saudade da gente também? ― ouviu uma voz familiar dizer próximo a eles.

O bruxo abriu os olhos e então se virou para trás, onde estavam as pessoas que ele mais queria ver naquele momento: seus pais, seu guardião e as três guardiãs. Mais que depressa, o bruxo correu na direção deles, logo recebendo abraços e comemorações.

― Nem acredito que vocês finalmente estão aqui ― disse o bruxo emocionado.

“A Terra nos trouxe”, disse Bruno.

― Estava acontecendo uma discussão terrível em Atlantis ― completou Roberto de sobrancelhas erguidas. ― Os Senhores Eternos se dividiram em dois pólos!

― E aqui estamos nós ― finalizou Helena com um sorriso. ― Terra nos trouxe para guerrear contra o Poder e acabar logo com tudo isso.

O bruxo sorriu e então sentiu uma pesada mão tocar em seu ombro. Ao virar-se para trás, se deparou com Terra sorrindo.

― Bom trabalho, Rodrigo ― disse ela. ― Agora os Senhores Eternos e a criança assumem.

O mestiço assentiu, fazendo uma reverência logo em seguida. E só então notou a mulher ao lado de Terra. Sempre quis conhecê-la pessoalmente. Era idêntica à Vida, a não ser pelos olhos perigosamente verdes e ser um pouco mais velha.

― Misericórdia? ― ele perguntou.

A Senhora Eterna sorriu e assentiu. Mais que depressa, o bruxo se ajoelhou, iniciando uma prece na linguagem antiga de Atlantis.

― Isso não é necessário, meu querido ― disse a Senhora Eterna o levantando com doçura. ― Hoje estamos todos no mesmo nível.

O bruxo sorriu e então desviou o olhar para a entrada da casa, onde Natália e os outros cumprimentavam os Senhores Eternos.

― Quem será aquela bela dama de roxo e dourado? ― perguntou Lucas para Matheus acenando na direção da tal menina.

Matheus desviou o olhar para onde Lucas acenava e então deu de ombros.

― Não faço idéia ― respondeu depois de cumprimentar o Senhor Eterno do Dia.

― Vai lá falar com ela, oras ― disse Ana sorrindo enquanto entrelaçava seus dedos aos de Matheus.

Lucas então sorriu e pôs-se a fazer o que Ana sugeriu: caminhar na direção da bruxa de roxo e dourado que, mal sabia ele, se tratava de Larissa.

Natália, depois de cumprimentar a Senhora Eterna da Flor, franziu as sobrancelhas e se colocou num lugar onde todos a pudessem escutar.

― Senhores Eternos e Senhoras Eternas ― ela começou a se pronunciar, quando todos se calaram. ― Guardiões e bruxos de todas as espécies. Estamos reunidos aqui com um único propósito: acabar com o reinado do Poder. ― E fez uma pausa. ― E eu não vou mentir. Não será fácil. Sei que ele tem um plano para nós também e um exército à sua disposição. ― Outra pausa. ― Mas eles não têm o que temos. ― Uma pausa para olhar toda a multidão. ― Eu. Em nome da Criação e de tudo o que está em baixo e acima dos céus, eu farei de tudo para que vençamos essa batalha! ― e o povo esbravejou violentamente, excitado. ― Dêem o seu melhor, e com certeza a vitória será nossa! ― outra pausa. ― Quem está comigo?

E todos levantaram as mãos, gritando.

― Como ela sabe de tudo isso? ― perguntou Rodrigo.

Terra o encarou e sorriu.

― Ela achou seu propósito ― respondeu ela. ― A criança tem todo o conhecimento à sua disposição. Só precisava abrir os olhos para enxergar.

― Como assim? ― perguntou o bruxo confuso.

― Como descendente do Sonho, a criança pode viajar pelo conhecimento humano como nenhuma outra pessoa faria ― Terra explicou. ― E, além disso, ela tem a metade bruxa, mestiça do dia e da noite. Isso a dá ainda mais poder, facilitando a criação de qualquer coisa que imaginar. ― E fez uma pausa para sorrir. ― O único ser que está além da criança é a própria Criação.

Rodrigo ficou boquiaberto. Aquela menininha em pé era quase tão poderosa quanto à força criadora dos mundos! Era poder demais para caber num corpo tão pequenino e frágil.

De repente, ouviram alguém gritar no meio da multidão:

― Chegamos!

Todos os olhares se voltaram para lá, enquanto Céu e Água desciam de uma corrente de ar com sorrisos encorajadores nos rostos.

― Prontos para acabar com o reinado do Originário?! ― gritou Água, excitando o exército a gritar: Siiiim!

― Estamos prontos? ― gritou Natália do outro lado.

A multidão respondeu um enorme: Siiiiiiiiiiim!

― Então, vamos à batalha! ― gritou Natália e estalou os dedos. Logo, todos estavam usando armaduras das mais poderosas e resistentes. Todos. Desde dragões a Senhores Eternos que não estavam a usando.

Outro esbravejar percorreu a multidão, enquanto conjuravam suas armas mais poderosas e mortais.

Mas, surgindo de um portal que logo se expandiu, Poder e seus séquitos surgiram. Usando armaduras e armas igualmente poderosas e mortais.

― Hora da batalha ― disse Poder sem se virar para os Senhores Eternos ao seu lado. ― Matem o máximo que conseguirem.

E então os dois exércitos se colocaram em posição.

― Atacar! ― gritaram Poder e Natália em uníssono.

Notas finais
E então, gostaram do capítulo? Querem o próximo logo? Mandem reviews e até a próxima :D