Sombras No Espelho: Parte 2 - A Criança
4 Um Mistério
Notas iniciais
Primeiramente: desculpem pela demora. Eu andei doente e morrendo de dor...
Mas, o que importa, é que aqui está o/
Espero que gostem ^^
Natália acordou, abrindo os olhos lentamente. Depois de olhar em volta, notou que seus pais não estavam mais lá. O despertador, porém, tocava e vibrava sobre o criado-mudo. Ela o desligou e, depois de se espreguiçar, se levantou da cama, abrindo as janelas de seu quarto. Depois caminhou até o banheiro, onde se despiu e foi direto para o chuveiro. Tomou um banho morno e saiu, colocando logo o uniforme da escola e penteando os cabelos loiros. Então foi até a cozinha, onde seus pais preparavam o café.
― Bom dia, princesa ― disse sua mãe sorrindo enquanto preparava mistos-quentes.
― Bom dia, mamãe ― respondeu Natália também sorrindo, enquanto se sentava de frente para seu pai, que preparava o café.
A menina se sentia muito bem naquela manhã, como acontecera pouquíssimas vezes. Todas elas quando seus pais dormiam com ela.
Só então Natália notou que seu pai tinha o olhar distante, distraído. Sim, ele estava sorrindo, mas sua mente parecia não estar presente.
― Bom dia, papai ― disse a menina chamando sua atenção.
― Bom dia, pequena ― respondeu ele, acordando de seus devaneios. ― Como você tá hoje?
A menina colocou um enorme sorriso no rosto.
― Tô ótima ― respondeu.
O pai assentiu sorrindo e terminou de usar o coador e a garrafa térmica. Sua mãe sorriu e colocou os pratos com mistos-quentes sobre a mesa. Logo, todos começaram a comer e a beber, em silêncio. Quando terminou, Natália se levantou e foi escovar os dentes. Depois pegou sua mochila e foi para a sala, para esperar pelos pais. Logo sua mãe surgiu.
― Vamos? ― perguntou ela sorrindo.
A mãe de Natália era secretária de um grande empresário. Portanto, estava usando roupas sociais e uma sandália de salto-alto.
― O papai não vai com a gente? ― perguntou Natália.
― Ele precisa ficar, querida ― respondeu sua mãe. ― Disse que tinha que terminar um dos livros. A editora não pode esperar para sempre, né?
Natália deu um sorriso triste, mas se levantou, seguindo a mãe até o carro. Logo, ela o ligou, fazendo o motor ronronar. A porta da garagem se abriu assim que a mãe de Natália apertou o botão do controle remoto. Ela saiu, o fechando, e seguiu pela longa rua. A mãe da menina dirigia cautelosamente, como se tivesse medo de esbarrar em qualquer coisa ou pessoa.
Logo chegaram à casa da Fernanda.
― Adriana, tudo bom? ― perguntou ela assim que entrou no carro, trocando cumprimentos com a mãe de Natália, que se chamava Adriana.
Fernanda era uma amiga de trabalho de Adriana. As duas sempre iam juntas para o trabalho. Conheceram-se na empresa, mas se tornaram amigas rapidamente, o que Natália achava engraçado. Principalmente o jeito como conversavam.
― E aí menininha, tudo bom? ― perguntou Fernanda para Natália.
A menina assentiu e sorriu. Não é que ela não gostasse de Fernanda. Mas ela a assustava, com seu sorriso enorme e brilhante.
― Então, você fez os relatórios? ― perguntou Adriana sem tirar os olhos da pista.
― Amiga, deu um trabalhão pra terminar aquilo, hein? ― disse Fernanda e Adriana sorriu. ― Minha impressora decidiu parar de funcionar. Tive que ir numa lan house...
E as duas começaram a falar de coisas que Natália não entendia. Então, a menina se deixou distrair, olhando as árvores que passavam depressa pela janela.
― Chegamos, filha ― disse Adriana depois de parar o carro.
Foi tão rápido, pensou Natália, mas se levantou e pegou sua mochila. Depois deu um beijo na bochecha da mãe e de Fernanda, se despedindo das duas.
― Boa aula, filha ― disse Adriana.
― Tchau, lindinha ― disse Fernanda.
Mas antes que a menina pudesse descer do carro, o porteiro da escola se aproximou do carro.
― Veio pra deixar a menininha? ― perguntou ele.
― Isso mesmo ― respondeu Adriana simplesmente.
― Olha só, a diretoria mandou dispensar todos os alunos hoje ― disse o homem.
― Mas, por quê? ― perguntou Adriana. ― Hoje nem é feriado!
O homem olhou em volta e depois se aproximou ainda mais do carro.
― Parece que aconteceu alguma coisa na quadra da escola ― sussurrou ele. ― A polícia tá lá o dia todo.
― Ah ― disse Adriana e assentiu. ― Ok, obrigada.
O homem assentiu e se afastou. Adriana fechou os vidros do carro e arrancou.
― Que absurdo, né? ― reclamou Fernanda. ― Podiam ter pelo menos avisado.
― Não é, menina? ― concordou Adriana. ― Me fazerem sair de casa com a Natália pra depois não ter aula... Faz favor, né.
Fernanda assentiu.
Natália estreitou os olhos em direção a escola. Algo muito estranho acontecera lá. Será que fora ladrão? Invasão? Ela tinha certeza de uma coisa: algo errado acontecera. E ela descobriria o quê assim que pudesse.
Sua mãe continuou dirigindo até o prédio onde trabalhava. Depois que ela estacionou, todos desceram do carro e caminharam até lá. No térreo, fizeram um crachá para Natália, para que ela pudesse entrar. E então as três entraram no elevador, com pessoas cumprimentando Natália, que sorria sem parar, envergonhadamente.
As três, assim que chegaram ao andar certo, desceram do elevador e foram até suas devidas salas. Natália seguiu sua mãe até a costumeira sala ampla onde sua mãe trabalhava. Fernanda, por sua vez, seguiu para sua sala, que era menor e ficava mais afastada.
― Mãe, o que você acha que aconteceu lá na escola? ― perguntou Natália assim que se sentou.
Sua mãe ligou o computador, ajeitou umas papeladas e só então encarou a menina.
― Realmente não sei, filha ― disse ela indo abrir as persianas, para que a luz entrasse melhor. ― Mas, se for ladrão, vou te tirar de lá. ― Isso fez o coração de Natália disparar. Não queria perder seus amigos. ― Onde já se viu...?
Natália engoliu em seco e assentiu, tristemente, torcendo em silêncio para que não fosse um ladrão.
Mal sabia ela que não era mesmo um ladrão.
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O dia se arrastou, como sempre acontecia quando Natália estava no escritório da mãe. Certo momento, Adriana se virou para ela.
― Filha, pega um papel lá na impressora pra mim? ― perguntou ela apontando para a tal impressora, que ficava do outro lado, fora da sala.
A menina assentiu e saiu logo atrás da impressão. Quando retornou, ouviu sua mãe conversando com alguém ao telefone.
― Eu sei... ― disse ela e ficou em silêncio por alguns segundos. ― Mas podem ser eles, não podem? ― Mais alguns segundos de silêncio. ― Então... É melhor ficarmos atentas... Ok, até depois.
Natália engoliu em seco, com os olhos arregalados. Com quem sua mãe falava? Sobre o que falavam? Quem eram eles? A menina estava realmente assustada e intrigada, mas entrou na sala e entregou o papel para sua mãe, que parecia tensa. Natália estreitou os olhos, mas deu de ombros. Depois, pegou alguns papéis e uma caneta e começou a desenhar. Só assim ela conseguia ficar calma. Passando tudo da sua mente para o papel. Desenhou a Natália pequena, o lobo cinzento e o corvo negro de olhos verdes. E a menina tinha uma excelente precisão no que desenhava. Certa vez, ela desenhara o rosto da mãe, e o desenho acabou parando num quadro.
― Ficou perfeito ― disse sua mãe quando o vira, com os olhos brilhando de admiração. ― Só que eu não sou tão bonita. ― E riu.
A menina sorriu com a lembrança e pegou outro papel, onde desenhou a escola. Ela estava tão entretida, que nem notou o olhar tenso que sua mãe lançava para o desenho com o lobo cinzento e o corvo negro. A mulher engoliu em seco e desviou o olhar. Mas aqueles olhos vermelhos e verdes não saíram da sua cabeça o resto do dia.
Notas finais
Até a próxima ^^
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