Notas iniciais
"Finalmente!" Vocês devem estar pensando... Mas, deu trabalho escrever esse aqui, por isso, eu espero que gostem.
Como o próprio título sugere, esse capítulo é totalmente romântico!!!!! *OOOOOOOOOOOOOOO*
Pra você que shippa Rodrigo e Júlia, esse capítulo vai te matar! kkkkkkkkk
Boa leitura ^^

O bruxo, que ainda andava com as duas Senhoras Eternas pelo Centro, começava a bocejar com vontade.

― Estou com sono ― disse ele depois de esfregar os olhos.

Guerra parou, franziu as sobrancelhas e encarou o mestiço, que deu um sorriso amarelo. “Como assim, ele estava com sono?”, pensou a Senhora Eterna confusa.

Júlia deu um risinho quando notou a expressão da amiga.

― Ele é um bruxo, Guerra ― disse ela sorrindo. ― Pode ser um grande mestiço, mas ainda é um bruxo e, como tal, precisa descansar.

Guerra ergueu as sobrancelhas e deu um meio-sorriso, se lembrando desse pequeno fato. Mas logo se virou para frente novamente. Suas sobrancelhas voltaram a se franzir. Como resolveria aquilo? Precisava deixar Rodrigo descansar, mas ainda precisava continuar a busca. Ela e Morte precisavam continuar, na verdade. Então estalou os dedos, conseguindo uma solução. Em seguida bateu forte com o pé no chão e a calçada em que estavam começou a se movimentar, como sempre acontecia. Primeiro, um filete de metal se ergueu dali, deixando Rodrigo confuso. Logo se deparou com uma antena, que estava presa a um motor home enorme e vermelho. O bruxo assobiou, admirado, e correu logo para a entrada.

― Por que você sempre cria coisas usando a terra? ― perguntou Júlia enquanto as duas seguiam o mestiço.

― Herança ― respondeu dando de ombros e entrando no veículo seguindo Rodrigo, que correu logo para a cama.

O automóvel era realmente grande, dividido em quatro partes. Na primeira parte estava a frente, onde havia dois bancos reclináveis e confortáveis e era onde ficava o para-brisas. Na segunda parte havia outras duas poltronas reclináveis de um lado e uma grande TV do outro. Na terceira parte havia uma mesa toda de madeira que estava encostada a uma grande janela, que possuía cortinas, na parte direita. Havia também dois bancos acolchoados dos dois lados da mesa, tendo a capacidade para quatro pessoas facilmente. Ainda no meio, porém no lado esquerdo, havia um fogão e uma pequena bancada de pedra. Na quarta e última parte, ainda havia uma grande cama de casal e um banheiro ao lado direito.

― Adorei a cama ― disse Rodrigo se movimentando como se quisesse fazer um anjo de neve no lençol de seda preta.

― A cama?! ― perguntou Júlia maravilhada com o veículo. ― Olha esse lugar!

Guerra trazia um meio-sorriso convencido no rosto, postando os punhos fechados nos quadris. Rodrigo se sentou e a encarou de sobrancelhas franzidas.

― Por que não fez isso antes? ― perguntou ele curioso e intrigado.

Guerra suavizou a expressão, tornando-a superior.

― Se eu tivesse feito o motor home antes, estaríamos sujeitos a direções ― respondeu ela sabiamente. ― Não poderia simplesmente entrar numa rua onde é contramão.

Rodrigo deu de ombros e se levantou.

― Vou tomar um banho ― disse ele sorrindo e encarando Júlia.

As duas Senhoras Eternas assentiram, mas Morte estava um tanto enrubescida. Guerra, notando isso, ergueu uma das sobrancelhas e soltou um risinho, indo até o volante. Júlia a seguiu e se sentou ao seu lado. O silêncio predominou no lugar por alguns segundos, quando Guerra suspirou.

― Que viagem, não é? ― perguntou Morte, quebrando o silêncio.

A outra Senhora Eterna a encarou.

― O que disse? ― perguntou ela.

― Isso o que estamos fazendo agora ― disse Júlia com um sorriso bobo no rosto enquanto fitava a lua cheia brilhando no céu noturno. ― É uma grande viagem... Quer dizer, quem imaginaria que voltaríamos à Terra depois de tanto tempo?

Guerra também sorriu e desviou o olhar. Morte a encarou, ainda sorrindo.

― Não acha que é uma grande viagem? ― perguntou Júlia.

Guerra a encarou.

― Sim, eu acho ― respondeu ela. ― É a maior viagem que eu já fiz!

As duas deram uma gargalhada gostosa e então voltaram a fitar a grandiosa lua no céu. “A noite na Terra é realmente maravilhosa”, pensou Júlia sentindo uma coisa se mexer em seu peito. Mas não uma coisa ruim. Uma coisa maravilhosa. Ainda mais poderosa que admiração. Algo mais parecido com deslumbramento. E ficaram em silêncio. Até que Rodrigo saiu do banheiro.

― Já podemos ir ― disse ele com um sorriso.

Júlia virou seu olhar para o bruxo e sorriu. Ele ficava lindo naquele pijama azul-claro. Guerra, que notara a expressão em ambos os olhares, tocou no ombro de Júlia e sorriu, gesticulando para ela ir se deitar com ele. Morte assentiu e se levantou animada, estalando os dedos e mudando suas roupas para algo mais confortável e leve, que significava uma camisola. Sua pele também estava fresca e cheirosa agora.

― Vai dormir comigo? ― perguntou o bruxo animado.

Júlia assentiu prendendo o cabelo e se deitando, enquanto Guerra ligava o motor e dava a partida bem lentamente. Rodrigo se deitou ao lado da Senhora Eterna e logo a envolveu em seus braços, apoiando sua cabeça em seu peito e segurando sua mão gentilmente sobre seu ombro.

― Você está mais forte, amor ― disse Júlia quase num sussurro enquanto ouvia a respiração e o palpitar do coração do bruxo.

― Estou, é? ― perguntou ele depois de sorrir envergonhado.

― Está ― respondeu ela deslizando sua mão por sobre o braço do bruxo, constatando que era mesmo verdade. ― Bem mais, na verdade.

O bruxo sorriu e seu coração acelerou. Adorava receber elogios. Principalmente se vinham de Júlia, o amor da sua vida. A Senhora Eterna, por sua vez, pousou a mão sobre o peito do bruxo e envolveu suas pernas nas dele. Seu coração também estava acelerado. Fazia tempo que eles não dormiam juntos assim. Rodrigo deu um beijo em sua testa e depois suspirou. Júlia notou que o coração do bruxo estava mais palpitante do que nunca. Então ele pigarreou.

― Júlia ― ela a chamou num sussurro.

― Sim, amor ― sussurrou ela em resposta, já nervosa por ele tê-la chamado pelo nome, ao invés de simplesmente “amor”.

― Eu quero te perguntar uma coisa e eu preciso que você seja totalmente sincera comigo, ok? ― perguntou ele numa voz rouca.

Ela assentiu com a cabeça e se deitou ao seu lado, o encarando olho a olho. O bruxo ficou visivelmente ainda mais nervoso. Seu rosto estava quase tão vermelho quanto um tomate, mas não era tão perceptível, pela falta de iluminação.

― Júlia, você quer se casar comigo? ― perguntou ele seriamente, quase tremendo de nervoso.

Guerra freou bruscamente, fazendo os pneus cantarem. Com certeza a Senhora Eterna estava escutando toda a conversa.

― Foi mal ― disse ela.

Júlia, porém, nem escutou sua amiga. Seu olhar vagava entre o olhar do bruxo. Ele já perguntara isso a ela milhões de vezes, mas nunca estivera tão nervoso. O que fazia aquela vez ser diferente das outras?

― Amor, eu já disse que caso ― respondeu ela sorrindo envergonhada. ― Mas...

― Não, amor ― Rodrigo a interrompeu ainda nervoso. ― Estou falando de verdade. Casa comigo, agora?

Júlia estava boquiaberta.

― Amor, você é muito novo para casar ― disse ela. ― Tem só dezesseis. E eu tenho... ― E pensou melhor. ― Deixa para lá.

― Você me disse uma vez que a idade não importava nesse relacionamento, se lembra? ― perguntou ele ainda com a voz rouca. ― E além do mais, eu faço dezessete amanhã!

Júlia o encarou. Ali estava o menino da sua vida. Havia crescido tanto desde a primeira vez que o viu. Agora se tornara o homem da sua vida. O protetor, o mestiço que resgataria a criança da profecia, o preocupado com a morte de sua namorada.

― Por que quer isso agora? ― ela resolveu testá-lo.

Ele sorriu. O sorriso mais lindo que Júlia já vira.

― Eu tenho plena consciência que quando seu pai souber de nós, vai me matar; ou pior, me castrar ― disse ele, fazendo-a rir. ― E eu não quero morrer antes de ter me casado com você, entende? Eu quero poder dizer que você é e sempre será minha esposa.

Júlia deu o sorriso mais bobo que já dera em toda a sua vida. E isso era muito tempo, considerando que ela era imortal. Então fez o que toda garota com juízo faria: o abraçou bem apertado. Depois lhe deu um beijo apaixonado. O bruxo, atordoado, a encarou.

― Isso é um sim? ― e estendeu a mão para o alto, de onde duas fitas prateadas desceram, formando uma pequena caixinha.

Os dois se sentaram enquanto Júlia ainda estava boquiaberta e seus olhos começavam a se umedecer. O bruxo abriu a caixinha prateada, revelando duas alianças douradas sobre uma almofadinha vermelha.

― Então ― disse ele e sorriu. Seu cabelo já estava bastante bagunçado, mas Júlia gostava assim, por isso sorriu. ― Júlia, você quer se casar comigo?

A Senhora Eterna assentiu, permitindo as lágrimas de emoção rolarem por seu rosto enquanto o bruxo colocava a aliança em seu dedo anelar na mão esquerda. Em seguida, ela pegou a outra aliança e a colocou no bruxo. Os dois se abraçaram bem apertado.

― E eu, a única testemunha, vos declaro marido e mulher ― disse Guerra emocionada enquanto o veículo estava parado no sinal vermelho. ― Pode beijar a noiva.

Rodrigo sorriu e tocou com seus lábios lentamente nos de Júlia, que retribuiu um beijo apaixonado e gostoso. Quando se soltaram, Rodrigo enxugou as lágrimas de Júlia, que não conseguia parar de sorrir.

― Eu te amo ― disse ele sorrindo.

― Eu também te amo ― respondeu ela da mesma forma.

Eles se entreolharam e sorriram, entrelaçando os dedos. O bruxo lhe deu um beijo na testa, bem demorado. Júlia, por sua vez, nunca se sentira tão protegida e amada. Mal sabiam eles que agora estavam conectados um ao outro para sempre.

Notas finais
E então, gostaram da novidade na série? E do motor home? Mandem reviews e eu tento postar até terça... Ou quarta...
Até a próxima ^^