Notas iniciais
Antes do previsto, mas aqui está. Não sei se poderei postar no sábado ou no domingo, porque tenho sentido umas dores estranhas, então... Aqui está ^^
Espero que gostem ^^

― Quem era aquela outra sombra, pai? ― perguntou Vida se agarrando ao braço de Poder, evidentemente assustada.

― Eu não faço idéia, não consigo enxergar nada nessa miséria de portal ― disse Poder revirando os olhos para todos os lados, sem sucesso algum.

― Aposto que era um Senhor Eterno ― ouviu-se Destino dizer próximo a eles, sério.

Poder estreitou os olhos, curioso, e logo em seguida os fechou. Concentrou-se no local que estavam para ver se sentia alguma Essência Eterna. Mas logo teve de parar, pois ficou sem ar. O Senhor Eterno abriu a boca e ofegou fortemente.

― Pai, o que houve?! ― perguntou Vida desesperada o segurando antes que pudesse cair, com uma ajuda atrasada de Destino.

― Meu senhor está bem? ― perguntou Destino o apoiando sobre os ombros, ainda sem conseguir ver nada.

― Muito... ― balbuciou Poder ainda ofegante. ― Muito longo...

E então se ouviu o som. O mesmo som altíssimo de vidro sendo estilhaçado que Rodrigo ouviria mais tarde. E depois o mesmo vento quente e abafado, que desta vez castigou os cabelos de Vida. E então, a mesma luz longínqua. Esta os alcançou rapidamente. Logo perceberam do que aquilo se tratava. Vida franziu as sobrancelhas, encarando as imagens, mas logo desviou o olhar para o pai, que agora balbuciava coisas como: “rápido... me levem...” Destino encarava as imagens, reconhecendo algumas delas. Porém, outras lhe eram estranhas. Na verdade, a maioria lhe era estranha. Ele franziu as sobrancelhas ao notar um coliseu semidestruído. Seria aquele o mesmo coliseu onde ele assistia a guerreiros sendo devorados por leões? Ficou intrigado e quase deixou Poder cair.

― Rápido... ― balbuciou Poder novamente quando Destino o segurou com mais força.

E então, as imagens sumiram. Somente uma permaneceu em foco: uma grande cidade. Vida e Destino se entreolharam e assentiram. Começaram a arrastaram Poder para lá, quando uma sombra se enfiou na frente deles e pulou antes. Seria aquela a mesma sombra que pulara com eles no portal? Vida achava que sim, por isso estava tensa. Ela e Destino se entreolharam novamente. Vida lhe lançando um olhar apavorado. Destino franziu as sobrancelhas levemente.

― Vamos? ― perguntou ele a encorajando.

Vida, depois de lançar um longo olhar para aqueles olhos profundamente cinzentos, assentiu, ainda que meio hesitante. Assim, os dois começaram a arrastar Poder novamente para a imagem. No instante em que atravessaram, Poder retomou os sentidos e se pôs de pé, balançando a cabeça rapidamente. Depois encarou Vida e Destino de sobrancelhas franzidas. Os dois pareciam aterrorizados. Vida encarou Destino. Ele, por sua vez, engoliu em seco. Não ousaria perguntar o que havia acontecido lá no portal, por mais que estivesse curioso. Ainda tinha amor à própria vida. Poder, por sua vez, ajeitou a gravata preta e olhou em volta. Havia um edifício em construção bem afrente deles. Em redor, apenas uma rua longa, uma esquina próxima e uma calçada larga, onde algumas pessoas transitavam e conversavam. Porém Poder não ficou muito interessado nessas coisas. Encarava um grupo de peões que deitavam à sombra de um muro. A maioria deles dormia. O Senhor Eterno começou a caminhar na direção dos homens, sendo seguido por Destino e Vida.

― Mortais, exijo saber... ― disse ele para os homens e deu uma pausa para fazer uma pose imponente. ― Onde estou?

Os homens que estavam acordados apenas o encararam indiferentemente. Poder pigarreou, começando a se irritar.

― Não ouviram? ― perguntou ele novamente, num tom mais alto. ― Onde estou?

Alguns dos homens acordaram e começaram a reclamar:

― Pô mano, cala a boca aí!

― É, tem gente tentando dormir aqui!

― Vai gritar no ouvido da mãe!

Poder franziu as sobrancelhas, ultrajado.

― Mas que insolência é esta? ― perguntou Poder ainda mais alto, terminando de acordar os outros. ― Eu sou o Poder e vocês devem, imediatamente, se ajoelhar diante de mim!

Alguns dos homens caíram na gargalhada. Outros apenas trataram de debochar.

― Já chega! ― disse Poder e bateu com seu cetro com força no chão.

Imediatamente, todos os homens se levantaram, de olhos arregalados, e encararam Poder. Caminharam até o Senhor Eterno, tomaram uma postura ereta e depois se prostraram diante dele.

― Oh, nosso senhor, diga o que deseja ― disseram os homens em coro, despertando a atenção de algumas pessoas que passavam.

Destino deu um meio-sorriso e cruzou os braços, se deliciando com a cena. Vida, por sua vez, se sentia extremamente incomodada, mas nada disse.

― Eu já lhes disse o que desejo ― respondeu Poder com um sorriso sádico.

Houve uma pausa.

― Oh, nosso senhor, tu estás no Rio de Janeiro ― voltaram a dizer em coro.

Poder franziu as sobrancelhas e trocou olhares confusos com Destino. À volta deles, pessoas começavam a parar para olhar, pensando que aquilo se tratava de algum tipo de peça. Vida encarava essas pessoas agoniada.

― Precisamos ir embora ― sussurrou para si mesma balançando a cabeça.

Destino, que não a ouviu, deixou o sorriso sumir e encarou os homens ainda prostrados diante do Poder.

― E onde fica esse “Rio de janeiro”? ― perguntou Poder pronunciando o nome com uma voz fina.

― Oh, nosso senhor, Rio de Janeiro fica no Brasil ― responderam e deram uma pausa pequena. ― Que fica na América do Sul. Que fica no planeta Terra. Que fica na Via Láctea.

E então, todas as pessoas que antes estavam assistindo àquela cena, começaram a jogar moedas na direção dos Senhores Eternos. Algumas aplaudiam, outras assobiavam. Poder encarou-as confuso e com raiva por o atrapalharem.

― BASTA! ― ele gritou como um trovão.

Naquele momento, todas as pessoas ficaram paralisadas, completamente aterradas. Vida engoliu em seco e lançou um olhar para trás, onde a construção também se silenciara. Toda a atenção estava voltada para o Poder.

― Eu exijo saber agora mesmo onde é que eu me encontro! ― berrou novamente.

Ninguém respondeu. Estavam aterrados demais para isso. Então, Poder bateu fortemente com o cetro no chão, fazendo uma onda de fogo se espalhar pelo local, queimando todos os humanos ali presentes.

Vida colocou a mão sobre o peito e caiu ajoelhada, um pouco ofegante. Destino se agachou ao seu lado, a encarando.

― Vida, você está bem? ― perguntou ele preocupado.

A Senhora Eterna assentiu, encarando as massas cinzentas que antes eram humanos. Poder, assim que se acalmou, se aproximou da filha, se agachando ao seu lado também.

― Você está bem, querida? ― perguntou ele suavemente, tocando seu rosto.

Ela assentiu e o encarou, recuperando a respiração.

― Foi apenas o susto das mortes ― disse ela e deu um sorriso fraco.

Poder assentiu e ajudou a filha a se levantar. Depois revirou o olhar pelo local onde estavam. Para onde seguiriam agora?

― Sugiro, meu senhor, que sigamos pela esquerda ― sugeriu Destino despois de se levantar e colocar as mãos para trás.

Poder estreitou os olhos, parecendo avaliar se era o certo a fazer. Logo depois assentiu. Vida, por sua vez, lançava olhares para os dois, um tanto intrigada.

― Vamos pela esquerda ― disse ele por fim, gesticulando para que Vida tomasse a dianteira.

Vida o obedeceu e começou a caminhar, atravessando o caminho escuro, chamuscado, e pisando nas cinzas dos homens e mulheres que antes estavam ali. Ao fazer isso, Vida se perguntou o porquê delas estarem no lugar errado, na hora errada.

Destino deu o primeiro passo para segui-la, mas Poder segurou seu braço. Ele encarou seu senhor, que trazia uma expressão séria no rosto. O toque dava a Destino uma sensação terrivelmente incômoda.

― Vamos fazer um acordo ― disse Poder em voz baixa, para que Vida não escutasse. ― Não mataremos mais ninguém se não for extremamente necessário.

Destino, depois de engolir em seco, assentiu.

― Isso faz mal à Vida e eu não gosto de vê-la mal, entendeu?

Destino assentiu novamente. Poder o soltou e deu um meio-sorriso vitorioso.

― Vocês não vêm? ― perguntou Vida já na esquina.

Destino sorriu depois de encará-la. Poder fez o mesmo. Os dois a amavam, mas de jeitos diferentes. Então, eles caminharam até ela, ainda sorrindo. Logo os três estavam andando imponentemente pelo Centro do Rio de Janeiro.

Notas finais
Então, gostaram dos três Senhores Eternos na Terra? E do que Poder fez? E do que Vida pensou? Mande reviews e eu tento postar na segunda ou terça... Ouviram? Tentar D:
Até a próxima ^^