Notas iniciais
Só para terminar terminar... Espero que gostem e fiquem morrendo de vontade de ler o segundo...
Boa leitura ^^

O Senhor Eterno, assim que fechou os olhos, sentiu um cortante frio tomar conta de todo o seu corpo. Um frio tão implacável que faria até o vulcão mais ativo do mundo se transformar numa grande e alta geleira. Mas isso não durou por muito tempo. Ao sentir um fio de calor lhe lamber a face como um cão, Poder abriu os olhos, se deparando com uma cena terrivelmente macabra.

Estava agora sentado a uma longa mesa de cedro, coberta por uma toalha vermelho-carmesim. Sobre a mesa estavam acesos grandes candelabros dourados, de onde brotavam chamas verdes e azuis, alternadamente. Mas, o que mais chamou a atenção de Poder foram as duas figuras sentadas a mesa com ele. Uma delas era um homem. Pele branca como cera. Olhos escuros como a noite mais limpa. Cabelos grisalhos e realmente ralos. Barba por fazer. Usava um blazer negro, camisa branca e gravata vermelha. Já a outra figura se tratava de uma bela dama. Pele clara, mas nem tanto. Olhos azuis como o mar. Cabelos encaracolados e dourados, recaindo sobre os ombros. Usava um longo vestido florido e um chapéu francês na cabeça.

― Seja bem-vindo, Poder ― disse a bela dama com um sorriso agradável e, depois de encarar o homem à sua frente, continuou: ― Vamos começar?

O homem com pele de cera suspirou como se estivesse entediado.

― Nós dois sabemos os atos deste aí ― disse ele. A voz grave como nenhuma outra que Poder já tenha ouvido. ― Ele nem precisa passar por nós dois. Jogue-o simplesmente ao sofrimento eterno.

A mulher, que só ouvia, parecia ofendida.

― Você sabe que eu prezo por um julgamento justo, Maus Atos ― ela disse erguendo as sobrancelhas como uma intelectual. ― Por isso, vamos começar. ― E deu um sorriso para Poder, que não estava entendendo nada daquilo.

― E o que você tem a dizer a favor dele? ― perguntou o homem e cruzou os braços, se recostando no encosto da cadeira suavemente.

― Ele sempre amou a família ― disse a mulher orgulhosamente.

O homem à sua frente parecia incrédulo.

― E foi exatamente isso o que o arruinou ― respondeu ele. ― Amou tanto que acabou causando uma guerra entre Senhores Eternos.

A mulher revirou os olhos, impaciente.

― Mas ele deu sua vida para salvar a da filha ― replicou com suavidade. ― São poucos os que fazem isso por aqui.

O homem franziu as sobrancelhas e então encarou Poder.

― Então, qual é a sentença? ― perguntou o homem com curiosidade. ― Sofrimento eterno ou felicidade eterna?

Só então o Senhor Eterno entendeu o que se passava ali. Estava em seu julgamento pós-morte. A mulher sentada à sua esquerda era Bons Atos. E o homem sentado à sua direita era Maus Atos. Os dois deveriam acusar, ou inocentar, o réu, enquanto uma terceira e mais poderosa figura daria a sentença.

― Eu posso falar alguma coisa ao meu favor? ― perguntou Poder e depois engoliu em seco, pois outra figura surgiu das sombras, se sentando a mesa.

Essa nova figura era, sem sombra de dúvida, a pessoa mais respeitável que Poder já vira em sua vida infinita. Usava um longo e negro roupão. Na cabeça, uma peruca grande, branca e incrivelmente encaracolada. O rosto era altivo e incrivelmente branco. Assim que se sentou, a nova figura colocou a mão branquíssima para fora do roupão. Esta segurava um pequeno martelo de prata, o qual repousou sobre a mesa com um ruído metálico.

― E então? ― perguntou a nova figura. Sua voz era mais aguda do que o latido de um chihuahua. ― Quais são as acusações?

Maus Atos logo deu um sorriso sádico.

― Soberbo, quase criou um cataclismo entre Senhores Eternos ― disparou logo. ― Sem falar que aprisionou os elementais no mais fundo dos abismos.

O terceiro ser estreitou ainda mais os pequenos e negros olhos e encarou Poder. Depois desviou o olhar para Bons Atos.

― Tem algo a rebater, defesa? ― perguntou o ser.

Bons Atos, muito ofendida, disse logo:

― Ele só queria proteger a família. Ele os amava. E ainda deu a própria vida em troca à da filha.

O terceiro ser novamente estreitou os olhos na direção de Poder. Ele parecia ler seu espírito inteiro com aquele olhar. Com esse pensamento, Poder engoliu em seco e desviou o olhar para Bons Atos, que lhe sorriu.

― Pois eu já tenho um veredito ― disse o ser, retendo a atenção dos três. ― Bem conheço a história deste que está entre nós. Há muitos anos ele tenta tomar o trono, que não é seu. Mas tudo isso começou por querer proteger sua família, como disse Bons Atos. ― E fez uma pausa para pigarrear. ― Pois bem... ― e pegou o martelinho. ― Eu declaro o réu...

Ali perto:

― Não aguento mais isso ― sussurrava Terror para si mesmo. ― Só queria voltar para Atlântida!

Foi quando mais um daqueles seres de escuridão se aproximou dele, lhe chicoteando a carne, que logo começou a sangrar novamente. Com um grito excruciante, Terror correu para longe do ser e de seu chicote.

― Maldita seja a Vida! ― gritou a plenos pulmões. ― Maldito seja o Destino! Malditos sejam os dois, por serem os causadores do meu sofrimento!

Mas o ser o alcançou, lhe chicoteando novamente, fazendo-o dar outro grito cheio de angústia.

― Misericórdia! ― ele gritou enquanto segurava o braço ensanguentado. ― Eu imploro misericórdia! Dê-me outra chance!

E então, como uma resposta divina, um grande tecido branco se fez ver no meio de toda aquela escuridão: um portal.

― Obrigado! ― Terror gritou e pulou em direção ao portal, sem nem pensar duas vezes nas consequências. Só queria sair daquele sofrimento e, quem sabe, ter a sua tão esperada vingança.

Notas finais
Gostaram do epílogo? Deu vontade de ler o segundo? kkkk
Mandem reviews ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!