Sombras E Mistérios
9 Capítulo 8 - Fala pra mim
Notas iniciais
Droga, droga, droga. Qual era o significado daquele sonho? Meus deuses. O homem do meu sonho usava uma túnica grega, daquelas que se usavam na época de Hércules e Aquiles. Céus! Quando eu sonhava com Cali ela sempre estava usando vestes gregas também. Esse sonho foi muito estranho. Antes eu pensava que os meus sonhos com Cali eram simbólicos, somos semideuses, estamos intimamente ligados à Grécia Antiga, mas depois desse sonho eu começava a me perguntar se o que eu via tinha acontecido realmente.
Um pastor que acha um bebê abandonado debaixo de uma árvore no meio do nada? Isso parece familiar, sim! Páris príncipe de Tróia também foi abandonado por seu pai, Rei Príamo, quando este ouviu a profecia de um oráculo dizendo que Páris seria responsável pela ruína de Tróia. Mas por que o bebê do meu sonho foi abandonado?
Deuses! Que confusão! Se eu tiver mas um sonho como esse eu juro que vou ficar louco!
E o bebê... eu tinha certeza de que aquele bebê era quem eu pensava que fosse.
Se esse sonho aconteceu mesmo, há tipo, mais de mil anos atrás, como Cali ainda está viva?
Olhei para Cali, ela estava me encarando, eu tinha certeza que tinha feito um monte de caretas enquanto eu tentava desvendar o significado do meu sonho.
- Você é velha – Cali levantou as sobrancelhas, me olhando com incredulidade, como se estivesse se perguntando se eu fiquei doido de vez.
Tentei reformular, pensei em outra forma de abordar o assunto.
- Tipo, você é tão velha quanto os deuses, e a Guerra de Tróia, Aquiles, você pode até ter conhecido Hércules! Meus deuses Cali! Você é algum tipo de monstro? Deusa menor? Conseguiu voltar do Mundo Inferior? Hades te ressuscitou pra você fazer algum favor pra ele?...
A garota ficava fazendo caretas enquanto eu falava, mas quando eu toquei no nome do deus dos mortos ela fez uma carranca e eu fiquei com medo de continuar, então fiquei esperado a reação dela.
Cali balançou a cabeça lentamente de um lado pro outro, momentos depois. Eu já estava abrindo a boca pra fazer mais perguntas quando ela levantou a mão direita fazendo um gesto de “pare”.
- Você sonhou comigo? – ela me perguntou, franzindo o cenho.
- Sim, eu tenho sonhado com você Cali, há mais de quatro semanas, e sempre são sonhos misteriosos, eu não conseguia ver seu rosto, e quando eu consegui vê-lo você estava triste, muito triste. Eu não aguento mais, são sonhos sem sentido, eu não consigo dormir direito, e ainda fico meio louco tentando arranjar significados para esses sonhos. E é sempre você Cali, sempre você, mas ontem...
Fiquei sem fala, eu despejei tudo aquilo em cima dela, como se ela fosse a culpada dos meus sonhos, como se ela pudesse fazê-los parar.
- É sonhos de semideuses são uma merda mesmo. – ela me deu um olhar solidário, sim, ela sabia como era isso.
Esperei ela falar mais, mas Cali ficou apenas me olhando e eu não conseguia parar de encará-la.
- Você não vai me dizer o que esses sonhos significam?
- O significado de quê Páris? O que você sonha?
Pensei um pouco antes de responder.
- Sempre sonho com você, no começo eu não conseguia ver o seu rosto... – fiz uma pausa, Cali assentiu me encorajando – Você sempre estava de costas pra mim, olhando para o céu. Todos os sonhos se passavam no mesmo lugar, um campo, com algumas montanhas ao longe, e tinha umas ovelhas, berrando e pastando – Cali deu um meio sorriso quando eu falei das ovelhinhas, e eu pude dizer que isso trouxe boas lembranças a ela.
- Sempre que eu e aproximava de você, o sonho dissolvia – deixei a parte de querer tocá-la de fora, não iria admitir isso, não agora, já bastava o quanto eu ficava envergonhado perto dela – Mas há algumas horas atrás, enquanto eu cochilava no trem, eu consegui ver seus olhos no sonho, você estava tão triste...
Minha voz sumiu, o semblante de Cali desmoronou quando eu falei do sonho no trem, ela me fitava com olhar que era difícil de decifrar, uma mistura de tristeza, dor, rancor, raiva e ódio, isso parece estranho, mas Cali conseguia colocar todos esses sentimentos num único olhar.
- O sonho de agora a pouco foi diferente – falei tentando desviar a atenção dela dos pensamentos tristes e odiosos que com certeza ela estava tendo.
- Conte-me – não foi um pedido, ela quase me ordenou. Pelo Tártaro, como ela é mandona!
- Havia, um homem – Cali me olhou com curiosidade.
- Um homem? – ela me perguntou, mas eu tinha a impressão que o que ela queria falar mesmo era: e daí?
- Foi o que eu disse – falei um pouco exasperado – Um homem, no mesmo lugar dos outros sonhos, ele pastoreava um rebanho de ovelhas e usava vestes gregas, estes gregas antigas. Foi quando o sonho o mudou, de repente era noite e eu estava debaixo de uma árvore, perto de mim tinha um cesto, o homem veio correndo na direção do cesto – Cali começou a balançar a perna e desviou o olhar impaciente – lá dentro tinha um bebê – Cali se virou pra mim de repente com as sobrancelhas erguidas e os olhos arregalados com a surpresa – um bebê de cabelos negros e pele branca, ela chorava muito.
Os olhos de Cali se abriram ainda mais. Aos poucos enquanto ela ia absorvendo as informações, sua face ia adquirindo um tom rosado. Ela estava corando? Meus deuses!
Esperei alguns minutos para ela poder se recuperar do choque.
- Quem era aquele homem?
- Isso não é da sua conta – Cali me respondeu secamente.
- Ele te criou?
- Não é da sua conta! – ela me respondeu com o maxilar cerrado e me olhando com raiva, pensei por um breve momento que ela iria me bater, mas eu devolvi o olhar dela com mais raiva ainda. Ah não garota, você vai me falar!
Fiquei de pé num movimento rápido.
- Eu te contei sobre os sonhos! Eu estou quase ficando louco! Você tem que me falar! – gritei com ela, eu tinha que saber!
Cali ficou de pé também e deu alguns passos na minha direção, o olhar dela era de puro ódio, mas eu não iria recuar, ela apontando com dedo indicador para o meu rosto.
- Não é culpa minha! Eu não tenho que te falar nada bebê! Isso não tem nada a ver com você!
Bebê? Isso estava longe de ser um apelido carinhoso, na boca de Cali era quase um xingamento. Peguei rudemente a mão dela que estava perto do meu rosto, ela ficou surpresa com a minha ousadia, mas nesse momento eu não ligava.
- Como eu vou te ajudar se você não me falar! – disparei de volta, gritando com tanta raiva que não pensei nas palavras antes de dizê-las.
O olhar de Cali ficou meio perdido enquanto ela processava o que eu tinha acabado de falar, ficamos nos encarando, ambos sem fôlego e corados por causa da breve “discussão” por assim dizer. Segundos depois ela se recuperou do choque e puxou a sua mão que eu ainda estava segurando.
- Eu não preciso da sua ajuda – ela falou com arrogância.
Cali deu alguns passos pra trás e se virou, ficando de costas pra mim, falar com ela sem ver o seu rosto era bastante desconfortável, mas eu tinha que insistir.
- Você está por ai faz muito tempo não é? – falei baixo, minha voz estava um pouco rouca, por causa dos gritos e do meu nervosismo.
- Sim
Notas finais
ps: se vcs quiserem recomendar a historia pra amigo de vcs lerem ( como a Diih fez), eu vou AMAR!
ps2: ignorem meu retardamento, meu cérebro já se decompôs pela metade de tanto spoiler de MDM que eu vi hj.
ps3: por favor, eu digo por favor de novo, comentem! sobre qualquer coisa! falem pra mim a opinião de vcs! comentem QUALQUER coisa! até spoiler de MDM se quiserem! bye, bjks :-*
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