Sombras De Uma Paixão

3 O preço das escolhas


Notas iniciais
Não me matem queridos leitores shipadores de Dymy, por favor haushuas

O monstro corria, corria, corria, eu não o via, mas sabia que corria, escutava-o, mas, eu era o monstro. Olhei para baixo, vejo um corpo esquelético, coberto por uma gosma verde.

— O que está acontecendo? -gritei para o céu- O que eu fiz de errado? Alguém me ajuda!

“Está tudo na sua mente, liberte-se, você sempre foi assim, só estava escondida”.

— O... o que você disse?

“Você sabe exatamente o que eu disse, Rainha Espectral”.

— Como é que é? Do que você me chamou?

~Silêncio

Senti ter voltado ao normal, minha espada estava em mãos. Dylan estava me olhando assustado dizendo:

— Você estava roxa! Você estava roxa!

Dylan, meu pobre Dylan. Seus olhos negros estavam esbugalhados, dessa vez só estavam negros. Na maioria das vezes os olhos dele tinham a íris amarelada e o olhar profundo.

Me senti fraca novamente e caí, dessa vez senti algo me pegando. Só podia ser Dylan.

– Você, nunca mais, por favor, me prometa que você não vai sair andando assim do nada. Foi um milagre eu ter te encontrado.

— Eu fiz isso? Não me lembro de nada praticamente.

Ótimo, agora eu sou uma sonâmbula.

— E disso, se lembra de já ter acontecido?

Ele se aproximou, me pegou em seus braços, que estavam bem fortes e rígidos, se aproximou mais ainda e encostou seus lábios em minha boca como um beijo. Simplesmente, não resisti, me agarrei a ele, estava perdidamente apaixonada. Não é normal a ligação, o elo, que sentimos quando ficamos próximos, disso eu tenho certeza.

— É impossível não lembrar de uma coisa dessas. –respondi- Por quanto tempo eu estive sumida?

— No labirinto de Dédalo não existe tempo mortal. Eu acho que encontrei uma saída.

— Como sabe?

— Eu não sei. Só sinto. Você vem comigo mesmo assim?

— Mas é claro que vou. Você não vai se livrar tão facilmente de mim Dylan.

— Isso é ótimo. Porque digo o mesmo a você.

Fomos seguindo um caminho escuro. Dylan segurava a minha mão. E isso era ótimo. Não iria soltá-la tão facilmente prometi a mim mesma.

Comecei a ver uma luz no fim do túnel (Não, eu não estava morrendo). Eram dois túneis. Eram como se fossem um portal, tinham laterais douradas, mas eram abertos, não tinham nenhuma fechadura ou coisa do tipo. Estávamos caminhando para eles. Eu não estava gostando daquilo. Íamos ter de escolher apenas um.

— Dylan, eu não quero ir por aqui.

— Mas por quê?

— Sinto que alguma coisa ruim vai nos acontecer se continuarmos por esse caminho.

Ele simplesmente me ignorou. Foi a pior coisa que ele já vez na vida. Acredito que ele tenha se arrependido depois do que nos aconteceu.

Continuamos andando de mãos dadas, embora que eu estava com raiva dele. Como ele ousa me desafiar? Ignorar-me? Eu não suporto isso. Ser ignorada. Uma voz, digo, duas vozes interromperam meus lamentos e me distanciaram de todo o tipo de coisa horrível que eu poderia desejar ao meu amado.

— Então, que caminho vocês vão escolher crianças? –disse a cabeça do lado esquerdo.

— Deixem eles em paz. –respondeu a cabeça do lado direito.

— Cale a boca –disse a cabeça do lado esquerdo.

— Quem são vocês? –Perguntei.

— Amy... Esses são Jano. O deus romano dos caminhos, das entradas, das escolhas. –disse Dylan.

— Dylan... Como você sabe disso?

— Seu namorado está certo. –disse a cabeça do lado esquerdo.- Sou Jano.

— E, Dylan, você sabe exatamente que vocês não podem ficar juntos. –disse a cabeça do lado direito.

— EU NÃO SEI DE NADA! –Dylan gritou- ME DEIXA EM PAZ JANO. EU ODEIO VOCÊ!

— Seja educado ou eu levo a sua amada embora –disse a cabeça esquerda.

— O que está acontecendo? –interrompi todos.

— Fique fora disso Amy, é a mim que eles querem. –ele me respondeu.

— Bah! Você é muito chato garoto. –disseram as cabeças em uníssono. E com um gesto, uma rachada de vento levou Dylan pelos ares.

— O que vocês fizeram? Devolvam-no!

— Não. –me responderam ambas as cabeças.- E fique quieta antes que mudemos de ideia. Vocês dois não podem ficar juntos.

E com outro gesto, eu voei pelos ares e senti ter desmaiado de novo. Não sabendo para onde eles me levariam, só sabia que com certeza não era para o mesmo lugar onde Dylan estaria. Uma lágrima caiu de meus olhos e senti que cairia de novo. Fechei os olhos e chorei em silêncio em pleno vento.

***

Notas finais
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