Sombras Da Noite
1 Prólogo
...Era noite, eu voltava de uma festa e estava junto de minha irmã, não tinha ninguém nos becos e vielas de minha cidade, tudo vazio. Conversávamos distraídas:
–E você viu aquele sapato na loja? Eu A-M-E-I.
–Eu nem notei muito,estava olhando a vitrine da loja de roupas...aquele casaco era lindo- Comentei
Paramos em frente a uma praça, algo estava errado, nós sentimos isso.
"Onde estavam os mendigos que normalmente dormiam naqueles bancos? Vi marcas de sangue no chão... seriam de tiros? "
Olhei para o lado e vi algo nas sombras... e de repente, minha irmã gritou de dor, fechei os olhos, não ousei olhar, até ouvir o barulho que com certeza era de alguém caindo no chão...
Abri os olhos e vi, minha irmã, pálida e sem vida caída no chão, e perto dela, seu assassino, um garoto que não tinha mais que 16 anos... minha idade, ele estava com os lábios sujos de sangue, e avançou tão rapidamente até mim que não tive tempo de reagir, ele mordeu meu pescoço e senti a dor mais forte que poderia existir... quando ele me largou, estava pronta pra morrer, mas eu continuei viva.
Então senti, meu coração parou de bater, eu desmaiei.
Acordei sem dor, achando que estava morta e no céu, inferno, ou seja lá o que for pra onde vai a alma quando você morre, mas aquele lugar definitivamente não era o céu. Sabia disso porque o garoto que matou minha irmã, estava na minha frente.
Ele disse:
–Finalmente, achei que não ia sobreviver.
–Como assim... "achei que não ia sobreviver"? — Eu perguntei ainda atordoada, tentando fazer minha visão voltar ao normal.–Nem todos ficam vivos depois da transformação, alguns queimam vivos e... Bem, nem queira saber.
–Mas que transformação?
–Você agora é uma vampira. — Ele falou como se fosse um guia turístico e isso uma informação desnecessária que ele era obrigado a dar sempre que novas pessoas chegavam ao grupo.
–EU O QUE?! — Uma luz brilhou a cima de mim o que fez minha visão embaçar ainda mais, dei dois passos para trás tateando a parede.
–Você é uma vampira,eu resolvi te deixar viva — O garoto falava tudo aquilo com uma tranquilidade tão absurda que me deixou pasma.
–Por que me deixou viva?
–Queria morrer?
Eu rosnei...o que foi estranho,já que rosnar não é uma coisa muito normal para uma pessoa.
Ele levantou as mãos em sinal de rendição.
–Calma,foi só uma brincadeira...
Não o deixei continuar,sai andando.
Sabia que ele estava bem atrás de mim,mas o ignorei. Queria ficar sozinha,corri um pouco e tentei despista-lo.
Não consegui despistar ele,virei-me pra trás e gritei:
–O que é que você quer?!
–Falar com você,ainda nem sei seu nome.
–Daniele.-Respondi com má vontade.
–Felipe.-Ele disse estendendo a mão,ignorei ele.Me virei e continuei a correr, dessa vez mais rápido que normal.
Dessa vez,Felipe não me seguiu,ou pelo menos eu não notei sua presença.
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